A informação é o novo personagem

Por Carol Bensimon

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Em um ensaio publicado em 2000 sobre Dentes brancos, romance de estreia de Zadie Smith, o crítico norte-americano James Wood cunhou o termo “realismo histérico” para definir o tipo de prosa que Zadie praticava. Segundo Wood, ela não estava sozinha; medalhões como Salman Rushdie, Don DeLillo e David Foster Wallace também haviam criado tijolescos romances cujas tramas cheias de fatos, reviravoltas e informação teriam a intenção de criar um retrato sociocultural do mundo contemporâneo (muitas vezes fazendo uso de um certo verniz cômico). Essas tramas, que giravam em torno de alguns “temas”, ainda segundo Wood, acabariam derrapando na verossimilhança (culpa do excesso) e seriam incapazes de dar vida a personagens complexos e que emocionassem o leitor. O crítico parece sugerir que há (havia?), ao menos na literatura norte-americana, uma crise de representação de personagem em curso. “A informação tornou-se o novo personagem”, sentenciava.

Ok, o assunto pode estar velho (aparentemente no mundo de hoje nada pode ser pior do que retomar a polêmica da semana passada; que dirá uma de quinze anos atrás). Ainda assim, me peguei pensando sobre “realismo histérico” esta semana enquanto lia Americanah.

Não tenho certeza do que James Wood diria sobre o livro de Adichie. A verossimilhança não parece ser sacrificada por uma trama em que percebemos um acúmulo de coisas extraordinárias, como no caso de Dentes brancos, então talvez o rótulo não se aplique nesse caso. Há, no entanto, alguns pontos de contato, porque ambos são romanções no sentido mais tradicional do termo: narração em terceira pessoa, retrato apurado de certo(s) segmento(s) da sociedade, longo período de tempo da vida dos protagonistas, etc.

Creio que um romance que pertence também à mesma linhagem é Telegraph Avenue, do Michael Chabon. A frase do Wood, “a informação tornou-se o novo personagem”, fica pulsando na minha cabeça quando me deparo com esse tipo de livro. Nessas narrativas, a vontade obsessiva em discutir questões da vida contemporânea acaba muitas vezes transformando os personagens em caricaturas postas em cena para mostrar as contradições da elite intelectual americana, a onda vegana, o terrorismo, o racismo velado. Esses não são definitivamente livros de “clima” (estou fazendo uma classificação bem pessoal, veja bem), como Uma casa no fim do mundo ou Barba ensopada de sangue. São, ao contrário, livros em que você tem certeza que nenhuma cena irá emocioná-lo. Não estou dizendo que por isso se tornam ruins, apenas que são essa outra coisa, uma coisa oposta ao que chamo de romances de “clima” (os que normalmente ganham meu coraçãozinho, desculpa).

Em resumo, parece que falta calor humano. E a falha não está exatamente na pretensão totalizante (isso existe desde que surgiu o romance, não?). Karl Ove Knausgård também tem essa pretensão, mas o resultado é diferente, para dizer o mínimo. Ele com certeza escolhe outro caminho e por isso chega em outro lugar. O caminho é transformar o desimportante em sublime, coisa das mais difíceis de se fazer. Então, em vez de uma conversa sobre a candidatura de Obama à presidência dos Estados Unidos, temos uma reflexão sobre o cereal matinal. Não estou dizendo com isso que há qualquer problema em falar sobre Obama. Americanah é um ótimo livro, e eu saboreei cada questão sobre política, racismo, imigração, Nigéria. Mas acho que faltou um pouco de “nada”. Um pouco de detalhe, de banalidade. Se os personagens falassem besteira enquanto derretiam sob a umidade nigeriana, se fumassem um cigarro em silêncio, envoltos em conflitos internos ou obsessões corriqueiras, talvez pudessem ser algo mais do que meros relatores dos grandes temas de uma época.

* * * * *

Carol Bensimon nasceu em Porto Alegre, em 1982. Publicou Pó de parede em 2008 e, no ano seguinte, a Companhia das Letras lançou seu primeiro romance, Sinuca embaixo d’água (finalista dos prêmios Jabuti e São Paulo de Literatura). Seu último livro, Todos nós adorávamos caubóis, foi lançado em outubro de 2013. Ela contribui para o blog com uma coluna mensal.

Trinta e sete não são vinte e nove

Em torno dos astros, há sempre uma constelação de mitologias. Não poderia ser diferente com Renato Russo, ídolo cósmico do rock brasileiro.

“Passei vinte e nove meses num navio/ e vinte e nove dias na prisão”, canta ele na primeira música do álbum O descobrimento do Brasil, lançado em novembro de 1993. Carregado de simbologia, o número “vinte e nove”, que se repete do primeiro ao último verso da letra, logo foi adotado por Renato para falar dos dias que ele passou na clínica Vila Serena, entre abril e maio do mesmo ano, e o conteúdo da canção sempre foi associado à experiência transformadora que esse período proporcionou ao ídolo da Legião Urbana.

Era esse o tempo que, inicialmente, disseram que ele passaria internado. Em torno de vinte e nove dias. A alta acabou sendo adiada em dez dias, o que incomodou nosso artista, como podemos notar nessa passagem:

“Não sinto em mim ainda a capacidade para me desligar e fluir com os eventos do dia. Percebo agora que o maior problema foi o adiamento de minha alta (e não foi por causa de compromissos de trabalho, meu tratamento é mais importante). O que me deixou confuso foi o fato de sentir que estou indo bem na programação (alta 04/05) e ter a notícia de que mais dez dias foram incluídos em minha estadia aqui (alta 14/05). Isso gerou uma dúvida em relação ao meu aproveitamento, me fazendo questionar ainda mais minhas atitudes e sentimentos.” (p.120)

Embalados pela canção do compositor, não vimos aquilo que estava bem diante de nossos olhos, e assumimos que ele passou vinte e nove dias na clínica, como vocês verão nas orelhas e na quarta capa do livro. Mas o leitor atento de Só por hoje e para sempre contará trinta e sete entradas no diário escrito na clínica de reabilitação, de 8 de abril a 14 de maio de 1993.

Vinte e nove: número de anos vividos por aquele que atravessa o retorno de Saturno. Em abril de 1993, Renato tinha trinta e três anos, mas tudo indica que foi ali, na Vila Serena, “aos vinte e nove, com o retorno de Saturno”, que ele decidiu “começar a viver”, enfrentando seus vícios e hábitos destrutivos.

O retorno de Saturno representa, na astrologia, o tempo que o planeta demora para dar uma volta em torno do Sol, trazendo dor, transformação, confronto com nossos próprios limites, crescimento. A numerologia era tão forte para ele que praticamente se consolidou em história. Abrir um baú de inéditos que ficou fechado por mais de vinte anos tem dessas coisas: mais cedo ou mais tarde nos vemos obrigados a rever a história e a reconhecer nossos erros.

Poucos são capazes de transformar uma canção em fato histórico, a ficção em realidade, dois mais dois em cinco. Renato, como o grande criador que era, e para quem havia mais coisa entre o céu e a terra, operou essa mágica e deu uma bela rasteira em todos nós. Trinta e sete não são vinte e nove. Ou serão?

Rascunhos para uma autobiografia política

Por Juan Pablo Villalobos

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1.

Quando eu era criança, o palavrão favorito da minha família vinha precedido por um berro desafinado: “Não peguem água, chingada!”. Chingada, em espanhol do México, e neste contexto, seria o mesmo que gritar, dependendo da intensidade e do tom do rugido, “caralho”, “cacete” ou “porra”. A gente proferia a frase desgraçada tiritando no chuveiro, ensaboado ou, pior, com os olhos cheios de xampú. O grande problema da história de minha família: a falta d’água em casa. Era produto de uma cadeia de pequenos desastres. Uma cisterna mal construída. Uma caixa d’água altíssima (nossa casa tinha três andares). Uma bomba de baixa potência. Um empresário fraudulento que vendeu lotes sem água potável suficiente. Um prefeito que concedeu as licenças. Um pai que quis acreditar na boa fé da humanidade: meu pai.

O resultado foi um sistema precário, bastava que alguém abrisse uma torneira para cortar de uma vez a água do chuveiro. De segunda a sexta a rotina imposta por minha mãe estabelecia uma ordem rígida, que funcionava quase bem. Nos finais de semana, ou nas férias, tomar banho era uma façanha. Numa família de sete integrantes, tomar banho precisava de publicidade e consenso. Vou entrar. Posso entrar? Vou entrar. Vou entrar. Seis vezes, negociando. Sim. Não. É minha vez. Tem que aguardar, a máquina de lavar roupa está ligada. Eu tenho que sair de casa primeiro. Se você me deixa entrar primeiro eu te empresto minha raquete. Nossas relações políticas.

Às vezes faltava água por vários dias e meu pai mandava trazer um caminhão cisterna. Com uma mangueira enorme enchiam a cisterna. A água descia com muita potência, removendo a terra que cobria as paredes e o fundo da cisterna. Tínhamos que aguardar até a água e a terra se assentarem. Por volta de uma hora. Ninguém estava autorizado a abrir uma torneira. Depois meu pai falava: “Vão ver se a água já está clarinha”. Eu e meus irmãos descíamos, levantávamos a tampa metálica e enfiávamos a cabeça na cisterna. Na escuridão total. Impossível saber qualquer coisa, se a água era verde, se aí morava um monstro marinho.

A gente subia de volta.

Falava mentiras.

Tomávamos banho com um pouquinho de água suja.

2.

A meu pai uma vez lhe ofereceram ser candidato à prefeitura. Ele contou para a gente durante o jantar entre risadas sardônicas. Dois caras que ele nem conhecia bem tinham aparecido no consultório médico dele para fazer, de um jeito cerimonioso, o oferecimento. Não lembro o partido que representavam, eu era pequeno para reter siglas impronunciáveis, mas suponho que seriam de algum desses que surgem do nada e somem depois de chupar os fundos outorgados pelo Instituto Eleitoral.

Eles falaram para meu pai que ele seria o candidato perfeito, já que todo mundo o conhecia e era uma pessoa honesta. Nunca esqueci a resposta de meu pai: “Olha só que engraçado, exatamente por isso é que eu não sirvo”.

Aquele dia o jantar foi uma festa. Todo mundo imaginando meu pai de prefeito, entre gargalhadas. Quando governasse, cada multa viria acompanhada de um tapa. Ele não abriria mão do dinheiro dos subsídios, os pecuaristas teriam que pedir pelo menos vinte vezes, implorando, como a gente tinha que fazer para receber o “domingo” (a grana que, teoricamente, ele dava para a gente cada semana). Por favor, poderia me dar o subsídio? Não. Estamos precisando muito, as vacas estão morrendo por causa da seca. Pode ser? Não. É urgente! Não. O melhor seriam seus discursos incendiários.

Este episódio ficou sem graça muito rápido. Meu pai recebeu outra visita no consultório. Inspetores de impostos. Falaram que ele estava contabilizando despesas que não correspondiam com a atividade econômica dele. A gasolina do carro, por exemplo. Meu pai quis se defender argumentando que tinha que visitar doentes graves e, além do mais, como é que ele ia se transportar da casa para o consultório? A resposta foi que ele não era transportador ou mensageiro.

A multa foi estratosférica.

E ainda por cima, a candidatura de meu pai foi concedida ao proprietário de uma loja de pinturas que diluía as tintas com água.

3.

Foi em 1986, durante a Copa do Mundo no México. Uma tarde o vizinho bateu na nossa porta e perguntou por mim. Falou que tinha comprado um Atari para os filhos dele e que não conseguia instalá-lo. Será que eu poderia ajudar?, quis saber. Quando entrei na casa dele descobri que na verdade o Atari já estava instalado. O que ele queria era companhia pra jogar. Space Invaders.

A tragédia era que os filhos dele não gostavam do Atari. Eles eram hiperativos. Gostavam de ir para o morro para espancar bichos. Entrar em casas em construção ou abandonadas para roubar. Jogar beisebol, queimada, esconde-esconde, futebol americano. As coisas que eles faziam com meus irmãos menores.

Na tarde seguinte, e na seguinte, a na seguinte, o vizinho voltou a bater na nossa porta para me convidar para jogar: “comprei um jogo novo”, dizia, como se fosse necessário me convencer. Ele me dava um refrigerante. A gente não falava de nada. Os filhos dele faziam bagunça por aí, custodiados por uma babá. A maioria das vezes a esposa dele não estava em casa, acho que ela estaria jogando buraco com as amigas, indo para a missa, participando de alguma obra de beneficência. Quando a esposa dele voltava eu ia embora. Ela sempre dizia o mesmo: “Vocês têm água? Manda um beijo para sua mãe”.

Tudo isso acabou quando o vizinho foi designado prefeito provisório. Na cidade tinha havido uma revolta para derrubar o prefeito que havia sido eleito de maneira fraudulenta (não era o dono da loja de pinturas, que não chegou nem a 1% dos votos). O vizinho nem era político. Ele era diretor numa fábrica de laticínios. Uma fábrica propriedade da família que controlava a vida política da cidade.

Difícil de entender aos 13 anos, mas era o que vinha acontecendo em nossa cidadezinha desde os tempos da Colônia.

4.

Passaram dois anos e o prefeito provisório foi ficando porque não houve novas eleições (havia um risco importante de que o partido no poder perdesse de novo e tivesse que fazer fraude de novo). E então um dia o milagre aconteceu: a água deixou de ser um problema em casa. Nosso vizinho cumpriu sua promessa conjugal. Só depois ficamos sabendo que a esposa dele tinha aceito que fosse prefeito só se ele prometesse construir uma nova caixa d’água para nosso bairro.

Rapidamente, meu pai se encarregou de nos fazer sentir culpados: “essa água está suja”, ele falava para nós, “é água corrupta”.

Continuamos tomando banho com um pouquinho de água suja.

* * * * *

Juan Pablo Villalobos nasceu em Guadalajara, México, e morou durante uns anos no Brasil. É autor de Festa no covil Se vivêssemos em um lugar normal, publicados pela Companhia das Letras e traduzidos em quinze países. Ele colabora para o blog com uma coluna mensal.
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Pós-Flip
Após a Festa Literária Internacional de Paraty, autores convidados vêm a São Paulo para diversos eventos do Pós-Flip. Confira a programação:

  • Colm Tóibín
    Segunda-feira, 6 de julho, às 19h30
    O autor de Nora Webster conversa com leitores e autografa em São Paulo
    Local: Livraria Cultura do Shopping Bourbon — Rua Turiassú, 2100 — São Paulo, SP
  • Ngũgĩ wa Thiong’o
    Terça-feira, 7 de julho, às 19h30
    O escritor queniano, que acaba de lançar no Brasil o livro Um grão de trigo, se encontra com os leitores paulistas.
    Local: Livraria da Vila do Higienópolis — Av. Higienópolis, 618 — São Paulo SP
  • Bate-papo com Roberto Pompeu de Toledo
    Terça-feira, 7 de julho, às 19h
    Roberto Pompeu de Toledo conversa com leitores e autografa A capital da vertigem.
    Local: Livraria da Vila — Alameda Lorena, 1731 — São Paulo, SP

Encontros criativos
Terça-feira, 7 de julho, às 19h30
Mariana Castro, autora de Empreendedorismo criativoconversa com Claudio Sassaki, sócio-fundador da plataforma de ensino Geekie.
Local: Loja da Companhia das Letras por Livraria Cultura — Av. Paulista, 2073 — São Paulo, SP

Festa Literária Internacional das Periferias
Quarta-feira, 8 de julho, às 16h
Ngũgĩ wa Thiong’o participa de encontro com leitores na FLUPP na mesa “Tão distantes e tão perto”.
Local: Teatro Raul Cortez — Praça do Pacificador s/n, Centro — Duque de Caxias, RJ

Lançamento de Quem, eu?
Segunda-feira, 13 de julho, às 19h
Fernando Aguzzoli lança em São Paulo o livro Quem, eu?, uma história emocionante sobre o cotidiano de cuidados com sua avó com Alzheimer.
Local: Loja da Companhia das Letras por Livraria Cultura — Av. Paulista, 2073 — São Paulo, SP

Semana duzentos e cinquenta e sete

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O primeiro homem mau, de Miranda July (Tradução de Caroline Chang e Cristina Baum)
Cheryl é uma mulher reclusa e vulnerável. Ela é obcecada por Phillip, um sujeito galanteador e membro do conselho da empresa em que trabalha – uma organização que treina mulheres para autodefesa. Cheryl acredita que eles já fizeram amor em vidas passadas – mas ainda precisam consumar o ato nesta encarnação. Quando seus chefes pedem a ela que hospede brevemente Clee, a filha do casal, uma garota egoísta e cruel de 21 anos, seu mundo vira de cabeça para baixo. Mas é ela que traz Cheryl para a realidade e se torna o amor de sua vida. Lírico, engraçado, cheio de obsessões sexuais e amor maternal, este romance confirma Miranda July como uma voz espetacularmente original da cultura contemporânea.

De um caderno cinzento: crônicas, aforismos e outras epifanias, de Paulo Mendes de Campos
Polivalente por excelência, Paulo Mendes Campos espraiou seus textos – crônicas, aforismos, poemas, pequenos textos de observação social – em jornais e revistas durante décadas. Todos com a impressão digital de um grande autor: a graça delicada, a prosa leve e fluente, a cultura compartilhada sem pose. Reunidos pela pesquisadora Elvia Bezerra, os 53 textos desta edição permaneceram inéditos em livro até agora. Embora possam ser classificados como crônicas, os escritos variam da forma “clássica” ao aforismo, criando um mosaico delicioso e instrutivo sobre o Brasil e os brasileiros. Completo, o conjunto é um convite à diversão e ao encantamento pela palavra escrita.

Fontanar

Em busca de Jesus – Fé. Fatos. Falsificações., de David Gibson e Michael McKinley (Tradução de Berilo Vargas)
Quem foi Jesus de Nazaré e o que as relíquias a que tivemos acesso nos contam sobre esta figura fascinante? Este livro apresenta um novo olhar e busca respostas nos fragmentos de ossos de contemporâneos de Cristo, em textos de papiros e numa urna funerária de pedra calcária que talvez tenha contido os ossos do irmão de Jesus. Os autores examinam ainda pedaços do que pode ter sido a cruz e o sudário que pode ter envolvido seu cadáver. Explaram-se também as vidas de João Batista, Maria Madalena e Judas Iscariotes, na tentativa de entender o que as pessoas mais próximas de Jesus nos dizem sobre o Nazareno. Ao contar as histórias desses artefatos, este livro tenta resolver antigos enigmas sobre a autenticidade das célebres relíquias.

Paralela

Tijucamérica – Uma chanchada fantasmagórica, de José Trajano
Todo fã de futebol tem um time dos sonhos, uma escalação ideal para a equipe perfeita. Mas e quando os grandes craques ficaram no passado e os torcedores já não conhecem mais o sabor da vitória? É o caso do mitológico América, time-símbolo do bairro da Tijuca, que há décadas não levanta uma taça – nem mesmo um copinho que seja. Neste divertido e inusitado livro, José Trajano vai contar com uma ajuda sobrenatural para trazer de volta a alegria para o gramado do Campos Sales. Munido de um verdadeiro exército de videntes, mágicos, gurus e pais de santo, Trajano faz renascer a maior seleção do América de todos os tempos. O resultado é uma chanchada fantasmagórica que traz de volta para os dias de hoje uma época que tanto marcou – e segue marcando – a Cidade Maravilhosa.