Semana duzentos e dezoito

O pintassilgo, de Donna Tartt (Trad. de Sara Grünhagen)
Quando Theo Decker, nova-iorquino de treze anos, sobrevive milagrosamente a um acidente que mata sua mãe, o pai o abandona e a família de um amigo rico o adota. Desnorteado em seu novo e estranho apartamento na Park Avenue, perseguido por colegas de escola com os quais não consegue se comunicar e, acima de tudo, atormentado pela ausência da mãe, Theo se apega a uma lembrança poderosa de seu último momento ao lado dela: uma pequena, misteriosa e cativante pintura que acabará por arrastá-lo ao submundo da arte. Já adulto, Theo circula com desenvoltura entre os salões nobres e o empoeirado labirinto da loja de antiguidades onde trabalha. Apaixonado e em transe, ele será lançado ao centro de uma perigosa conspiração. O pintassilgo é uma hipnotizante história de perda, obsessão e sobrevivência, um triunfo da prosa contemporânea que explora com rara sensibilidade as cruéis maquinações do destino.

Bellini e o labirinto, Tony Bellotto
Remo Bellini está de volta. O áspero (e ocasionalmente sensível) investigador que é fã de blues, de mulheres e de uma boa dose de ação ainda mora sozinho num apartamento na região da avenida Paulista, coração de São Paulo. Algumas manias também permanecem, como almoçar todos os dias no Luar de Agosto, boteco próximo de sua casa. Seu novo caso, no entanto, não tem nada de comum. Após receber um telefonema de Marlon, integrante da famosíssima dupla sertaneja Marlon e Brandão, terá de sair de sua conhecida São Paulo e viajar a Goiânia, onde se verá embrenhado num universo de música country, césio-137, intriga e pelo menos uma dama fatal. Contratado para negociar com os sequestradores do milionário Brandãozinho, Bellini se verá em meio a uma espiral de traições e desconfianças que o fará suspeitar de sua própria sanidade.

O homem-mulher, de Sérgio Sant’Anna
A obra de Sérgio Sant’Anna é de difícil classificação. Transgressor contumaz, ele vem desde a década de 1960 testando os limites da prosa, dos gêneros – e da própria ideia de literatura. Seus romances, contos, poemas, novelas e peças de teatro romperam tradições e derrubaram barreiras entre alta e baixa cultura, entre popular e erudito, numa linguagem descarnada tão reconhecível quanto escorregadia, que influenciou inúmeras gerações de escritores. Apesar da explícita vocação experimental, Sant’Anna sempre foi também autor de prosa acolhedora, cujo interesse parece residir não em alienar o leitor, mas, ao contrário, em incluí-lo nos intricados e deliciosos jogos literários que concebe. Os contos de O homem-mulher configuram a expressão máxima dessa ideia. É o caso da história em que o protagonista se apaixona pela vendedora de lencinhos que junta dinheiro para o tratamento de câncer do marido. Em meio à alta carga erótica da trama, o conto também se revela delicado como os produtos da garota. Ou, então, do magistral e imediatamente antológico “Eles dois”, que narra, com força cinematográfica, a história de um casal morando num casarão nos anos 1970. Capaz de surpreender até seus leitores mais antigos, O homem-mulher é também uma perfeita porta de entrada para a obra rica, vasta e memorável de Sérgio Sant’Anna.

A marca humana, de Philip Roth
Coleman Silk, professor de letras clássicas numa universidade da Nova Inglaterra, aos setenta anos se vê obrigado a pedir exoneração e a se afastar do meio acadêmico. O motivo é uma acusação de racismo. Coleman empregou uma palavra de duplo sentido ao se referir a alunos que não compareciam às aulas. Mas o mesmo professor que antes revolucionara a faculdade e se fizera admirar pela audácia guardou um segredo por cinco décadas. Nem a esposa nem os filhos conheceram sua verdadeira origem racial, pois aos vinte anos, ao entrar na marinha, Coleman Silk descobriu que ela não era evidente e que podia manobrá-la. A marca humana, entretanto, não se apaga. Ao lado de Pastoral americanaCasei com um comunista, este romance compõe a grande trilogia de Philip Roth sobre a vida na América do pós-guerra – um painel impressionante em que indivíduos de grande vigor moral e intelectual são assolados por forças históricas fora de controle.

Editora Paralela

1 página de cada vez, de Adam J. Kurtz (Trad. de Giu Alonso)
“Pense em alguma coisa que deixa você inseguro e escreva o que é em letras enormes. Use o espaço todo! Olhe bem para o que você escreveu. Agora vire a página.” No seu primeiro livro, o artista gráfico americano Adam J. Kurtz usa provocações divertidas como esta para fazer o leitor refletir sobre sua vida ao mesmo tempo em que testa a própria criatividade. Como o título diz, cada página traz uma brincadeira diferente. Pode ser uma pergunta, uma sugestão de desenho ou um pedido para que você crie uma lista de músicas para seu amor verdadeiro ou das melhores fatias de pizza que comeu na vida. O autor também pede para o leitor colar objetos inusitados nas páginas do livro e compartilhar nas redes sociais algumas das anotações feitas nele. Uma maneira espirituosa e lúdica de buscar o autoconhecimento.

O “outro” Roth

Por Leandro Sarmatz


Há 120 anos, num dia 2 de setembro, nascia Joseph Roth, um dos maiorais da literatura de língua alemã. A reputação literária é um cassino. Roth, que elegeu para se expressar — como Kafka, como Nabokov, como Beckett — num idioma que não era, no seu caso, o iídiche falado em casa, sofreu ao longo do último século as oscilações da bolsa literária. Fez sucesso em vida, como prosador e jornalista estrelado da imprensa alemã, e depois ficou um tempo meio esquecido, um camafeu dos velhos tempos da valsa e dos cafés vienenses. Autores como Claudio Magris (que escreveu um ensaio incontornável sobre ele) ajudaram numa certa reabilitação. Hoje Roth figura, ao lado de uns poucos, como um dos mestres da modernidade. Está no seu lugar, enfim.

Roth nasceu sob a sombra dos vastos domínios do Império Austro-Húngaro, e muitos de seus textos evocam, com nostalgia, esse tempo e esse espaço que foram pras cucuias com o advento da Primeira Guerra. Escrevia fácil, rápido, era absolutamente profissional, parecia não enjeitar trabalho. Como repórter, tinha olhos e ouvidos apurados. Suas reportagens sobre Berlim, a grande metrópole que foi a esquina do mundo no entreguerras, são primorosas na recuperação do turbilhão da cidade. Judeu, fronteiriço, abraçando uma profissão da modernidade — o jornalismo —, Roth tinha especial pendor para observar as classes menos favorecidas, aqueles que viviam à margem.

Seus textos de ficção trazem esses predicados todos, além de uma linguagem que, mesmo em traduções, exibe a mão leve do autor para conduzir suas narrativas. Livros como , A Marcha Radetzky ou A lenda do santo beberrão (meu favorito) encantam por diversos motivos. A linguagem algo crepuscular (no limite do poético), o gosto pela construção de personagens absolutamente críveis, o despudor de, quando preciso, avançar sobre terreno sentimental sem medo de pisar no jardim.

Roth era pinguço, bebia hectolitros — conhaque, vinho, aguardentes várias, o que houvesse à mão em matéria de destilados —, era um desses alcoólatras produtivos. Macilento, rosto de pizza amanhecida, com tremores na Paris de 1939 (porque a essa altura a Alemanha já não era uma opção para homens como ele), ainda terminou A lenda do santo beberrão, a poética narrativa de um clochard às voltas com uma dívida. Foi seu testamento. Morreu em maio de 39. Poucos meses depois, Hitler começaria a marcha que sepultaria, para sempre, aquela Europa que Joseph Roth um dia conhecera.

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Leandro Sarmatz é editor da Companhia das Letras e no tempo livre está tentando — sem muito sucesso, diga-se — organizar sua biblioteca. Uma vez por mês ele escreve sobre livros que foram fundamentais para sua trajetória como leitor.

 

Leminski 70 anos

No domingo, dia 24 de agosto, Paulo Leminski completaria 70 anos de idade. Para comemorar a data, no dia acontece o Sarau 70 Anos de Paulo Leminski, na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, às 20h. A homenagem ao poeta curitibano contará com a presença dos atores Elias Andreato, Ana Cecília Costa e Leonardo Miggiorin, que farão uma leitura dos poemas reunidos no livro Toda poesia, e do músico Carlos Careqa, que apresentará algumas canções cujas letras foram escritas por Leminski. O sarau será realizado no Anfiteatro e, para participar, retire a sua senha na bilheteria do local 30 minutos antes do espetáculo.

Já hoje, em nosso perfil no Twitter (@cialetras), vamos realizar o sorteio de um kit com livros de Leminski! O kit contém o box especial com os livros Toda poesia e Vida, e ainda o infantil O bicho alfabeto. Para participar, tuite o link da promoção com a hashtag #Leminski70anos. Exemplo:

“Quero ler Paulo Leminski #Leminski70anos http://sorteia.eu/bjL”

O sorteio será realizado hoje, 22 de agosto, às 18h. O resultado será divulgado no perfil do Twitter da editora.

 

 

Por que não gosto de lançamentos

Por Elvira Vigna


O cara está na minha frente.
Sorri.
Algo nele me parece familiar.
Mas tenho achado isso de todos os seis ou sete que ali estão, fingindo ocupação, fingindo gostar do vinho.
O nome no papelzinho também me parece familiar.
Um colega do Externato Atlântico?
Já sei, um artista da Globo, desses todos iguais.
Não, não. Conheço ele há 60 anos.
Ou é o atendente dos correios, aquele que me trata sempre tão bem?
Sorrio de volta e balanço a cabeça.
Podemos ficar assim por horas, balançando a cabeça e sorrindo, um pro outro.
Ok, me digo, isso é porque estou nervosa.
Afinal, é o MEU LIVRO e ninguém ali sabe de fato o que está escrito nele.
Mas não é isso.
Mesmo se estivesse calma.
Tenho essa patologia básica: chamo de distração.
Já chamaram de coisa pior.
Roberto e as crianças passam por mim na rua.
Se não fizerem um psiu, um ei, nem vejo.
Conto isso e as pessoas tentam rir.
Depois desconversam.
Mas o cara continua na minha frente.
Repito então o que já fiz, igualzinho, desde que cheguei ali:
Me debruço sobre o livro, cara de concentração de quem está inventando uma pérola e tasco:
“Ao Fulano, com um abraço de”
O sorriso dele congela.
Devia ter reconhecido ele, não reconheci e ele sabe disso.
Fico esperando a frase que acabará de me matar.
”E o molar, como está?”
O dentista!
O que era um sorriso tão acolhedor agora vira promessa de ódio eterno.
E é o seguinte:
Sem ódio eu já quase não tenho coragem.
Com ódio, não vou mais poder.
Nunca mais.
No dia seguinte, vou catar outro dentista.
Então é isso:
Não gosto de lançamentos por causa do dentista.
O cara é bom dentista.

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POR ESCRITO
Sinopse:
Por escrito é uma história de separação. Mas engana-se quem espera encontrar aqui mulheres chorando pelos cantos da casa. As vidas de Molly, Izildinha, Valderez e das outras personagens do livro são tão inquietantes e inesperadas quanto a prosa da autora. Por escrito é também uma história de desencontros, em que as pessoas parecem não ver quem está à frente delas. E quem está presente na cena vai sumindo devagarinho sem ninguém notar. Ao nos virarmos para o lado, encontramos apenas quem não esperávamos que estivesse lá. Uma história de esperas, sem Ulisses que valham a pena. E de muitos erros.

Por escrito já está nas livrarias.

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Elvira Vigna é escritora e desenhista. Nasceu em 1947, no Rio de Janeiro e atualmente mora em São Paulo. Formada em literatura pela Universidade de Nancy, na França, é também mestre em comunicação pela UFRJ. Seu romance Nada a dizer, publicado em 2010 pela Companhia das Letras, recebeu o prêmio de ficção da Academia Brasileira de Letras. Seu último livro, Por escrito, acaba de chegar nas livrarias.
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Ofertas de emprego nos Estados Unidos — a principal maneira nacional de decidir “quem é racista”

Por Ifemelu

Raceteenth ou Observações diversas sobre negros americanos (antigamente conhecidos como crioulos) feitas por uma negra não americana.

6. Ofertas de emprego nos Estados Unidos — a principal maneira nacional de decidir “quem é racista”

Nos Estados Unidos, o racismo existe, mas os racistas desapareceram. Os racistas pertencem ao passado. Os racistas são os brancos malvados de lábios finos que aparecem nos filmes sobre a era dos direitos civis. Esta é a questão: a maneira como o racismo se manifesta mudou, mas a linguagem, não. Então, se você nunca linchou ninguém, não pode ser chamado de racista. Se não for um monstro sugador de sangue, não pode ser chamado de racista. Alguém tem de poder dizer que racistas não são monstros. São pessoas com família que o amam, pessoas normais que pagam impostos.

Alguém tem de ter a função de decidir quem é racista e quem não é. Ou talvez esteja na hora de esquecer a palavra “racista”. Encontrar uma nova. Como Síndrome do Distúrbio Racial. E podemos ter categorias diferentes para quem sofre dessa síndrome: leve, mediana e aguda.

7.
Querido Americano Não Negro, caso um Americano Negro estiver te falando sobre a experiência de ser negro, por favor, não se anime e dê exemplos de sua própria vida. Não diga: “É igualzinho a quando eu…”. Você já sofreu. Todos no mundo já sofreram. Mas você não sofreu especificamente por ser um Negro Americano. Não se apresse em encontrar explicações alternativas para o que aconteceu. Não diga: “Ah, na verdade não é uma questão de raça, mas de classe. Ah, não é uma questão de raça, mas de gênero. Ah, não é uma questão de raça, é o bicho-papão”. Entenda, os Negros Americanos na verdade não querem que seja uma questão de raça. Para eles, seria melhor se merdas racistas não acontecessem. Portanto, quando dizem que algo é uma questão de raça, talvez seja porque é mesmo, não? Não diga: “Eu não vejo cor”, porque, se você não vê cor, tem de ir ao médico, e isso significa que, quando um homem negro aparece na televisão e eles dizem que ele é suspeito de um crime, você só vê uma figura desfocada,meio roxa, meio cinza e meio cremosa. Não diga: “Estamos cansados de falar sobre raça” ou “A única raça é a raça humana”. Os Negros Americanos também estão cansados de falar sobre raça. Eles prefeririam não ter de fazer isso. Mas merdas continuam acontecendo. Não inicie sua reação com a frase “Um dos meus melhores amigos é negro”, porque isso não faz diferença, ninguém liga para isso, e você pode ter um melhor amigo negro e ainda fazer merda racista. Além do mais provavelmente não é verdade, não a parte de você ter um amigo negro, mas a de ele ser um de seus “melhores” amigos. Não diga que seu avô era mexicano e que por isso você não pode ser racista (por favor, clique aqui para ler sobre o fato de que Não há uma Liga Unida dos Oprimidos). Não mencione o sofrimento de seus bisavós irlandeses. É claro que eles aturaram muita merda de quem já estava estabelecido nos Estados Unidos. Assim como os italianos. Assim como as pessoas do Leste Europeu. Mas havia uma hierarquia. Há cem anos, as etnias brancas odiavam ser odiadas, mas era meio que tolerável, porque pelo menos os negros estavam abaixo deles. Não diga que seu avô era um servo na Rússia na época da escravidão, porque o que importa é que você é americano agora e ser americano significa que você leva tudo de bom e de ruim. Os bens dos Estados Unidos e suas dívidas, sendo que o tratamento dado aos negros é uma dívida imensa. Não diga que é a mesma coisa que o antissemitismo. Não é. No ódio aos judeus, também há a possibilidade da inveja — eles são tão espertos, esses judeus, eles controlam tudo, esses judeus —, e nós temos de admitir que certo respeito, ainda que de má vontade, acompanha essa inveja. No ódio aos Negros Americanos, não há inveja— eles são tão preguiçosos, esses negros, são tão burros, esses negros.

Não diga: “Ah, o racismo acabou, a escravidão aconteceu há tanto tempo”. Nós estamos falando de problemas dos anos 1960, não de 1860. Se você conhecer um negro idoso do Alabama, ele provavelmente se lembra da época em que tinha de sair da calçada porque um branco estava passando. Outro dia, comprei um vestido de um brechó no eBay que é da década de sessenta. Ele estava em perfeito estado e eu o uso bastante. Quando a dona original usava, os negros americanos não podiam votar por serem negros. (E talvez a dona original fosse uma daquelas mulheres que se vê nas famosas fotos em tom sépia que ficavam do lado de fora das escolas em hordas, gritando “Macaco!” para as crianças negras pequenas porque não queriam que elas fossem à escola com seus filhos brancos. Onde estão essas mulheres agora? Será que elas dormem bem? Será que pensam sobre quando gritaram “Macaco”?) Finalmente, não use aquele tom de Vamos Ser Justos e diga: “Mas os negros são racistas também”. Porque é claro que todos nós temos preconceitos (não suporto nem alguns dos meus parentes de sangue, uma gente ávida e egoísta), mas o racismo tem a ver com o poder de um grupo de pessoas e, nos Estados Unidos, são os brancos que têm esse poder. Como? Bem, os brancos não são tratados como merda nos bairros afro-americanos de classe alta, não veem os bancos lhes recusarem empréstimos ou hipotecas precisamente por serem brancos, os júris negros não dão penas mais longas para criminosos brancos do que para os negros que cometeram o mesmo crime, os policiais negros não param os brancos apenas por estarem dirigindo um carro, as empresas negras não escolhem não contratar alguém porque seu nome soa como de uma pessoa branca, os professores negros não dizem às crianças brancas que elas não são inteligentes o suficiente para serem médicas, os políticos negros não tentam fazer alguns truques para reduzir o poder de veto dos brancos através da manipulação dos distritos eleitorais e as agências publicitárias não dizem que não podem usar modelos brancas para anunciar produtos glamorosos porque elas não são consideradas “aspiracionais” pelo “mainstream”.

Então, depois dessa lista do que não fazer, o que se deve fazer? Não tenho certeza. Tente escutar, talvez. Ouça o que está sendo dito. E lembre-se de que não é uma acusação pessoal. Os Negros Americanos não estão dizendo que a culpa é sua. Só estão dizendo como é. Se você não entende, faça perguntas. Se tem vergonha de fazer perguntas, diga que tem vergonha de fazer perguntas e faça assim mesmo. É fácil perceber quando uma pergunta está sendo feita de coração. Depois, escute mais um pouco. Às vezes, as pessoas só querem ser ouvidas. Um brinde às possibilidades de amizade, de elos e de compreensão.

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Ifemelu é uma blogueira aclamada nos Estados Unidos e protagonista de Americanah, novo romance de Chimamanda Ngozi Adichie. Nos anos 1990, em busca de alternativas às universidades nacionais, paralisadas por sucessivas greves, a jovem Ifemelu muda-se para os Estados Unidos, deixando para trás sua família e Obinze, seu primeiro namorado. Ao mesmo tempo em que se destaca no meio acadêmico, ela se depara pela primeira vez com a questão racial e com as agruras da vida de imigrante, mulher e negra. O sucesso que obteve quinze anos depois, contudo, não atenuou o apego à sua terra natal, tampouco anulou sua ligação com Obinze. Quando ela volta para a Nigéria, terá de encontrar seu lugar num país muito diferente do que deixou e na vida de seu companheiro de adolescência.

Americanah foi o romance vencedor do National Book Critics Circle Award e eleito um dos 10 melhores livros do ano pela New York Times Book Review. O livro já está em pré-venda e chega nas livrarias no começo de setembro.