Albert Camus, outsider da vida inteira, o maior intelectual francês

Por Tony Judt

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Página interna dos quadrinhos de O estrangeiro.

Em 2013 foi celebrado o centenário de Albert Camus. Um dos acontecimentos que marcou a efeméride foi a versão em quadrinhos de O estrangeiro por Jacques Ferrandez, um lançamento que se destacou nas listas de mais vendidos, entre os leitores e a crítica, e que agora chega no Brasil. Conterrâneo de Camus, Ferrandez é considerado um especialista incontestável na Argélia colonial, tendo vivido por muitos anos na mesma rua que o autor. A luminosidade de suas aquarelas e a riqueza de seus cenários demostram, de fato, que se trata de um profundo conhecedor da obra de Camus e de sua ambientação, capaz de reconstruir a narrativa com força e fidelidade e de dar conta de sua dimensão simbólica, sem suavizar seus mistérios.

Abaixo, leia um trecho de O peso da responsabilidade (Objetiva), de Tony Judt, em que o autor fala sobre o papel influente de Albert Camus na França.

* * *

Em uma carta ao marido, datada de maio de 1952, relatando sua visita a Paris, Hannah Arendt escreveu: “Ontem eu vi Camus: neste momento, ele é, sem dúvida, o melhor homem na França. É claramente superior aos outros intelectuais”. À luz dos interesses comuns entre eles, é claro que Arendt tinha motivos próprios para acreditar nisso; mas para ela, como para muitos outros observadores, franceses e estrangeiros, Albert Camus era o intelectual francês. Nos primeiros anos do pós-guerra ele havia exercido grande influência em uma ampla faixa da opinião parisiense, recebendo semanalmente milhares de cartas em resposta às suas colunas de jornal. Seu estilo, suas preocupações, sua ampla audiência e sua aparente onipresença na vida pública parisiense pareciam encarnar tudo o que era mais caracteristicamente francês na interseção de literatura, pensamento e engajamento político.

Mas a avaliação de Arendt colidia desconfortavelmente com a opinião francesa em voga. No mesmo ano em que ela escrevia a estrela de Camus começava a se apagar. Quando da morte dele, em um acidente de carro em 4 de janeiro de 1960, sua reputação já estava em pleno declínio, apesar do Prêmio Nobel de Literatura concedido a ele apenas três anos antes. […] Os melhores anos de Camus, acreditava-se amplamente, jaziam no passado distante; fazia muitos anos que ele não publicava algo realmente digno de nota.

Em junho de 1947, ele entregou a Claude Bourdet o controle do jornal Combat, que tinha editado desde a Libertação. Como seus cadernos e ensaios sugerem, Camus já estava exausto, aos 34 anos, de carregar o fardo das expectativas postas sobre ele — “Todo mundo quer que o homem que ainda está à procura tenha chegado a suas conclusões”. Mas, enquanto nos anos anteriores ele havia aceitado a responsabilidade — “Devemos nos submeter”, como ele disse em 1950 —, no momento de sua última entrevista, em dezembro de 1959, seu ressentimento é audível: “Não falo por ninguém: tenho dificuldade suficiente falando por mim mesmo. Não sei, ou sei apenas vagamente, para onde estou indo”.

[…]

Albert Camus era em certos sentidos um verdadeiro espelho da França. É convencional entre os estudiosos de Camus ver nele um homem que não conseguia conciliar suas necessidades pessoais, seus imperativos éticos e seu engajamento político. Ele portanto mudou, assim diz a história, de um radical apaixonado para um reformador moderado antes de se tornar a voz da “razão” e do desprendimento, uma posição quase indistinguível da retirada para a decepção e o silêncio privados. Mas há mais do que isso, e Sartre, apesar de sua intenção maliciosa, chegou mais perto. “Sua personalidade, real e viva quando alimentada pelos acontecimentos, tornou-se uma miragem; em 1944 você era o futuro, em 1952 você é o passado, e o que lhe parece mais intoleravelmente injusto é que tudo isso aconteceu a você vindo de fora, enquanto você permanecia o mesmo”.

Pois o que Sartre disse de Camus era de fato verdade. […] O silêncio de Camus sobre a Argélia foi equiparado ao silêncio coletivo de seus contemporâneos intelectuais diante da transformação social e econômica sem precedentes que seu país estava prestes a sofrer. Eles ou não percebiam o que estava acontecendo ao seu redor, ou então viravam o rosto resolutamente contra isso, prestando atenção primeiro à promessa de revolução no Oriente e depois a seu eco no Sul e mais longe. O pensamento dificilmente agradaria a alguma das partes envolvidas, mas a trajetória de Camus — da confiança, passando pela incerteza, ao silêncio — é uma metáfora demasiado sugestiva para o conjunto dos intelectuais franceses do século XX.

[…]

Cinquenta anos depois, muita coisa mudou. Mas, na França como em outros lugares, a aposta de Camus ainda está sobre a mesa — agora mais do que nunca. Em toda a sua incerteza e ambivalência, com suas limitações e sua reticência, Camus entendeu corretamente enquanto tantos outros se perderam por tanto tempo. Talvez Hannah Arendt estivesse correta todos aqueles anos atrás — Albert Camus, o outsider da vida inteira, era de fato o melhor homem na França.

* * * * *

Tony Judt estudou no King’s College, Cambridge, e na École Normale Superieure, Paris, e lecionou em Cambridge, Oxford e Berkeley. Foi fundador e diretor do Remarque Institute, dedicado a criar uma conversa permanente entre Europa e Estados Unidos. Em O peso da responsabilidade (Objetiva, 2014), ele examina questões cruciais na história da sociedade francesa contemporânea através de três intelectuais de grande influência na imprensa: Albert Camus, Raymond Aron e Léon Blum.

O processo criativo

Por Raphael Montes

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Desde o início do ano, estou escrevendo meu próximo romance, de título provisório Jantar. Minha escrita sempre foi lenta, com muitas idas e vindas, a busca pela frase mais simples e de melhor sonoridade. Já dizia o mestre Nelson Rodrigues: “só eu sei o trabalho que me dá empobrecer os meus diálogos”. Tenho o costume de ler todos os capítulos já escritos antes de avançar, o que sempre atrasa o processo.

Ao longo desse ano, com todas as viagens para eventos e demais trabalhos, escrevi cerca de oitenta páginas do novo livro. Sempre tive facilidade em elaborar tramas complexas, com muitas reviravoltas, ganchos e linhas narrativas. Para mim, o grande interesse da literatura (e de cada livro) é determinar o foco narrativo, o ponto de vista que norteará toda a história. Ou seja, o que mais me desafia não é a história que vou contar, mas sim como vou contar.

Diferentes pontos de vista determinam histórias diferentes. Apenas para ilustrar, imaginemos a história do sequestro de uma criança. Os personagens principais são o pai, a mãe, o sequestrador, a criança, um policial responsável. Temos cinco pontos de vistas, todos absolutamente distintos, que acabam por refletir abordagens possíveis de uma mesma trama.

Uma vez contada do ponto de vista da mãe ou do pai, trata-se de uma história de perda, de angústia. É possível explorar reflexões sobre a paternidade, explorar a fragilidade da família e também a busca desesperada pelo filho. Se escolhida a visão da criança, temos uma história de medo, amadurecimento, autoconhecimento. Perde-se a chance de trabalhar a investigação dos pais, mas cresce a chance de mostrar a relação da criança com o ambiente hostil e com o sequestrador. Por sinal, se a história for contada do ponto de vista do sequestrador, será ainda outra: uma de tensão, necessidade de dinheiro, hesitação sobre o que fazer com a criança. Possivelmente, um romance social que explorará as motivações do personagem em cometer aquele crime. Por fim, na visão do detetive, teríamos um clássico romance policial investigativo em que até os pais da criança seriam suspeitos do crime. Diferentes pontos de vista, diferentes histórias.

Naturalmente, não existe um ponto de vista ideal. Tudo depende do que se pretende contar. Em Dias perfeitos, se eu tivesse escolhido narrar do ponto de vista da Clarice, o livro talvez devesse se chamar Dias imperfeitos. Em Jantar, a exploração dos pontos de vista é essencial. Trata-se de uma história de versões. O quebra-cabeças vai sendo montado sem que a verdade esteja evidente de início.

Conforme escrevia, senti que a história me escapava. Essa semana tomei coragem e aceitei: escolhi pontos de vista errados. Precisava mudar, acertar o tom. Debrucei-me sobre o esqueleto da trama — uma espécie de roteiro do livro que faço antes de escrever — e tratei de repensar cenas e estrutura. Acho que encontrei um caminho. Os novos pontos de vista determinam um novo final para o livro. Reaproveitando algumas partes, voltei ao zero e recomecei Jantar. Às vezes, um livro impõe seu destino e não adianta insistir ou brigar. Voltou a ser delicioso escrevê-lo. Se tudo der certo, ano que vem Jantar será servido para vocês.

* * * * *

Raphael Montes nasceu em 1990, no Rio de Janeiro. Advogado e escritor, publicou contos em diversas antologias de mistério, inclusive na revista americana Ellery Queen Mystery MagazineSuicidas (ed. Saraiva), romance de estreia do autor, foi finalista do Prêmio Benvirá de Literatura 2010, do Prêmio Machado de Assis 2012 da Biblioteca Nacional e do Prêmio São Paulo de Literatura 2013. Em 2014 lançou seu novo romance pela Companhia das Letras, Dias perfeitos. Atualmente, o autor realiza trabalhos editoriais, ministra palestras sobre processo criativo e escreve o projeto de uma série policial para TV.

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Übersetzungen von Comics

Por Érico Assis

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Quadrinho do cartaz do congresso Übersetzungen und Adaptionen von Comics.

O diálogo é verídico:

— Então você vai na Alemanha para um congresso de tradutores?

— Hã, não é bem de tradutores, é de pesquisadores de tradução. Acadêmico e tal…

— Pesquisadores de tradução. Putz, mas é bem específico, né?

— Hã. Na verdade é só de pesquisadores de tradução de história em quadrinhos.

— …

— …

— Na Alemanha, é?

* * *

Hildesheim é uma cidade de médio porte que fica quase no meio do mapa alemão. Você chega no aeroporto de Hannover e pega o trem que leva precisos 67 minutos, contando os 11 de baldeação na Hannover Hauptbanhof, até a Hildesheim Hauptbanhof. A cidade tem 100 mil habitantes, já começou comemorações do 1200º aniversário (chupa, História do Brasil) e eu nunca tinha ouvido falar de sua existência.

A Universität Hildesheim, especificamente o Campus Bühler, fica no meio de um bairro residencial extra-arborizado, de ruas curvas com prediozinhos uniformes de três andares. Foi lá que aconteceu o Congresso Übersetzungen und Adaptionen von Comics, ou Tradução e Adaptação de Quadrinhos, entre 31 de outubro e 2 de novembro. Diziam os pesquisadores mais experientes que era o primeiro congresso do mundo especificamente com este tema. “O primeiro do universo!”, brincou a organizadora, Dra. Nathalie Mälzer.

Foi relativamente pequeno, com menos de 30 trabalhos. Fora eu e uma professora que veio de Penang, todos os congressistas eram de universidades europeias. Aceitava-se trabalhos em inglês, mas a grande maioria apresentava em alemão. Para quem só entende eins, zwei, drei  e apfelstrudel (meu caso), havia intérpretes que faziam chuchotage — interpretação sussurrada. Às vezes era só eu, às vezes era um grupinho de dois ou três em volta da intérprete, de ouvido voltado para ela e olhos no palestrante. O resto da sala, germano-parlante, nos olhava estranho. Numa das apresentações, uma senhora idosa veio reclamar que a intérprete estava sussurrando muito alto.

* * *

Mais tarde descobri que a reclamona também ia fazer uma apresentação: era Gudrun Penndorf, tradutora de Asterix e meio que sumidade da tradução (de quadrinhos) alemã. O nome dela só era menos citado que o de Erika Fuchs (1906-2005), tradutora e editora que passou décadas vertendo Pato Donald (em alemão: Donald Duck), carregando o gibi de referências literárias germânicas e criando neologismos que entraram no dicionário.

Apesar de arisca com minha chuchoteuse, Penndorf falou durante mais de uma hora e o público ria, ria muito. Eu não entendia nada. Nas apresentações que tratavam de tradução para o alemão, de soluções específicas que os tradutores nacionais encontraram ao verter do inglês, do francês, do italiano ou outros idiomas, as intérpretes se retiravam porque, de fato, seria quase intraduzível para quem não entende alemão. Mas o povo riu e bateu nas mesas.

(Tradição das universidades alemãs: ao invés de bater palmas, feche o punho e bata na mesa.)

* * *

Grande parte dos trabalhos tendia mais para Adaptação e menos para Tradução. As adaptações de literatura para os quadrinhos, por exemplo: adoravam citar uma HQ clássica do Mickey (em alemão: Micky Maus) que seguia A Divina Comédia com fidelidade incrível.

Em uma das apresentações, o pesquisador aventou que Joubert, o narrador do Gemma Bovery de Posy Simmonds — adaptação bastante livre do Madame Bovary de Flaubert — seria Simmonds criando uma perspectiva em abismo crítica ao ter ela, autora, trazendo um personagem masculino para narrar a vida de uma mulher, assim como a perspectiva do Flaubert homem sobre sua Bovary original. Duas meninas na minha frente se olharam com cara de tacho e, por baixo da mesa, fizeram o gesto universal da punheta filosófica.

 * * *

Descobri que a tradução alemã de Jimmy Corrigan (em alemão: Jimmy Corrigan) levou uns seis anos basicamente porque eles não tinham uma Lilian Mitsunaga. Descobri que existe uma tradutora em Berlim ligada no quadrinho brasileiro tentando vender os álbuns daqui para as editoras de lá. E descobri que o principal argumento da minha apresentação já tinha sido mais ou menos tratado por outro pesquisador, em livro, uns dez anos atrás.

Aliás, ouvi isso do próprio autor, Klaus Kaindl, que me informou do fato com a devida educação austríaca. Tentei virar o jogo dizendo que estava procurando orientador para meu sanduíche, e que ele era um dos mais indicados…

— Sim, mas eu estou em Viena, meu idioma é o alemão e você não fala alemão…

— Bom, então… eu aprendo alemão?

Ele riu.

— Érico, acaba teu doutorado. Depois você aprende alemão.

* * *

Agradecimentos ao Augusto Paim, hervorragend tradutor de HQs alemãs que estava lá em Hildesheim para me ajudar a decifrar cardápios, pegar ônibus e fugir das armadilhas de turista.

 * * * * *

Érico Assis é jornalista, professor universitário e tradutor. Do selo Quadrinhos na Cia., ele já traduziu RetalhosHabibi, de Craig Thompson, Umbigo sem fundo, de Dash Shaw, e os três volumes de Scott Pilgrim contra o mundo, de Bryan Lee O’Malley, entre outros. Ele contribui quinzenalmente para o blog com textos sobre histórias em quadrinhos.
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1ª Quinzena de Quadrinhos da Travessa
Autores da Companhia das Letras participam do primeiro evento voltado aos quadrinhos da Travessa no Rio de Janeiro.
Local: Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) – Rua Primeiro de Março, 66, Centro – Rio de Janeiro, RJ

  • Espaço do Autor com André Dahmer
    Quinta-feira, 27 de novembro, às 10h
    André Dahmer, que acaba de lançar Vida e obra de Terêncio Hortofala sobre seu processo de criação, experiência e trabalhos.
  • Espaço do Autor com Rafael Coutinho
    Sexta-feira, 28 de novembro, às 10h
    Rafael Coutinho, que publicou Cachalote com Daniel Galera, também fala sobre seu trabalho e influências.
  • Baseado em fatos reais
    Sexta-feira, 28 de novembro, às 18h
    Rafael Coutinho, André Dahmer e Pacha Urbano conversam sobre narrativas que dialogam com o mundo real.

Lançamento de Flores artificiais
Quarta-feira, 26 de novembro, às 19h
Luiz Ruffato autografa Flores artificiais em Ribeirão Preto
Local: Livraria da Travessa – Av. Cel. Fernando Ferreira Leite, 1540 – Ribeirão Preto, SP

Autor de 1 página de cada vez vem para o Brasil
Adam J. Kurtz, criador do diário 1 página de cada vez, visita o Brasil e participa de dois eventos para fãs em São Paulo e no Rio de Janeiro. Confira as datas:

  • Quinta-feira, 27 de novembro, às 19h
    Local: Livraria Cultura do Bourbon Shopping – Rua Turiassú, 2100, Pompéia – São Paulo, SP
  • Sábado, 29 de novembro, às 17h
    Local: Livraria da Travessa do Shopping Leblon – Av. Afrânio de Melo Franco, 290, loja 205 A – Rio de Janeiro, RJ

Fernanda Torres e Gregorio Duvivier autografam no Rio
Sexta-feira, 28 de novembro, às 18h30
Participe do bate-papo entre Fernanda Torres e Gregorio Duvivier, que autografam seus novos livros: Sete anosPut some farofa.
Local: Livraria da Travessa do Shopping Leblon – Av. Afrânio de Melo Franco, 290 – Rio de Janeiro, RJ

Lançamento de O amor pega feito um bocejo
Sábado, 29 de novembro, às 15h
Antonio Geraldo Figueiredo Ferreira e Rogério Coelho autografam O amor pega feito um bocejo.
Local: Loja da Companhia das Letras por Livraria Cultura – Av. Paulista, 2073, Conjunto Nacional – São Paulo, SP

Encontro de Leitores da Seguinte
Os leitores da Editora Seguinte se reúnem para conversar sobre Cartas de amor aos mortos e o Diário da Seleção.

  • Sábado, 28 de novembro, às 15h
    Local: Livraria Cultura – Paço Alfândega, Rua Madre de Deus, s/n – Recife, PE
  • Domingo, 30 de novembro, às 15h
    Local: Livraria Cultura do Casa Park – SGCV, Sul, Lote 22, Loja 4-A, Zona Industrial – Brasília, DF

Café com Poesia
Sábado, 29 de novembro, às 10h30
A próxima edição do Café com Poesia traz o livro O corpo no escuro, de Paulo Nunes, com participação do Trio José e do músico Saulo Alves. Inscreva-se gratuitamente pelo e-mail cursos@companhiadasletras.com.br.
Local: Loja da Companhia das Letras por Livraria Cultura – Av. Paulista, 2073, Conjunto Nacional – São Paulo, SP

 

Semana duzentos e trinta

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Obras Completas de José Saramago Vol. 1 e 2
Toda a obra de José Saramago será reunida nos volumes de Obra Completa, que já tem duas edições prontas. No primeiro volume, estão os livros Memorial do convento, Levantado do chão, Manual de pintura e caligrafia, O ano de 1993 As pequenas memórias. O segundo volume contém as obras Ensaio sobre a cegueira, Ensaio sobre a lucidez, Que farei com este livro?, In Nomine Dei Don Giovanni ou o dissoluto absolvido. 

A balada de Adam Henry, de Ian McEwan (Tradução de Jorio Dauster)
A personagem central é Fiona Maye, uma juíza do Tribunal Superior especialista em Direito da Família. Ela é conhecida pela “imparcialidade divina e inteligência diabólica”, na definição de um colega de magistratura. Mas seu sucesso profissional esconde fracassos na vida privada. Prestes a completar sessenta anos, ela ainda se arrepende de não ter tido filhos e vê seu casamento desmoronar. Assim que seu marido faz as malas e sai de casa, Fiona tem de lidar com o caso de um garoto de dezessete anos chamado Adam Henry. Ele sofre de leucemia e depende de uma transfusão de sangue para sobreviver. Seus familiares, contudo, são Testemunhas de Jeová e resistem ao procedimento. O dilema não se resume à decisão judicial. Como nos demais casos que julga, Fiona argumenta com brilho em favor do racionalismo e repele os arroubos do fervor religioso. Mas Adam se insinua de modo inesperado na vida da juíza. Revela-se um garoto culto e sensível e lhe dedica um poema incisivo: “A balada de Adam Henry”. A crise doméstica e o envolvimento emocional com Adam, que oscila entre a maternidade reprimida e o desejo sexual, desarrumam sua trajetória de vida exemplar, trilhada com disciplina espartana desde a infância.

O concerto de João Gilberto no Rio de Janeiro, de Sérgio Sant’Anna
Neste livro, o conto ganha novas abordagens, num registro que combina com maestria a alta e a baixa literaturas, o erudito e o pop, o sagrado e o por vezes indescritivelmente profano. Num tom cortante e desconcertante, o autor passeia por cenários familiares e aponta ao leitor as possibilidades narrativas escondidas por eles. Onde vemos esgotamento, o autor vê um campo de possibilidades, como se o mundo enxergado por ele exigisse uma radicalização da linguagem e das formas de expressão. Publicado no início dos anos 1980, O concerto de João Gilberto no Rio de Janeiro arrebatou crítica e público, e colocou Sant’Anna definitivamente no mapa das letras brasileiras. Um livro que marcou o início de uma geração deliciosamente livre, e cujas influências se fazem sentir até os dias de hoje.

Judas, de Amós Oz (Tradução de Paulo Geiger)
Em Judas, Shmuel Asch é um estudante que se vê em apuros no inverno de 1959: sua namorada o deixou, seus pais faliram e ele foi obrigado a abandonar os estudos na universidade e interromper sua pesquisa — um tratado sobre a figura de Jesus sob a ótica dos judeus. Passado o desespero inicial, ele encontra morada e emprego numa antiga casa de pedra, situada num extremo de Jerusalém. Durante algumas horas diárias, sua função é servir de interlocutor para um velho inválido e perspicaz. Na mesma casa, vive uma mulher bonita e sensual chamada Atalia Abravanel, com quase o dobro de sua idade. Shmuel é atraído por ela, até que a curiosidade e o desejo transformam-se numa paixão sem futuro. Neste romance cheio de lirismo, Amós Oz retorna ao cenário de alguns de seus livros mais apreciados, entre eles Meu Michel e De amor e trevas: a Jerusalém dividida em meados do século XX. Ao lado de seus personagens, Oz é corajoso o bastante para questionar o estabelecimento de um estado para os judeus, com suas consequentes guerras, e se pergunta se seria possível eleger um caminho histórico diferente.

Casei com um comunista, de Philip Roth (Tradução de Rubens Figueiredo) (Bolso)
Menino pobre e ignorante que fugiu da casa dos pais, trabalhador braçal sempre metido em brigas, Ira Ringold conseguiu se tornar um ator de rádio famoso. Comunista exaltado e linha-dura, Ira se atira com ferocidade contra tudo o que julgue ser um inimigo. No auge da carreira, ele faz fama como defensor de causas “progressistas” e se casa com uma atriz de cinema-mudo, Eve Frame. Jamais imaginaria que ela pudesse se voltar contra ele com tamanho ímpeto. Em plena era do macarthismo, quando ser adepto do comunismo equivalia a crime, Eve escreve um livro intitulado Casei com um comunista, pondo a nu, diante do público e das autoridades, a vida dupla do astro do rádio. Nessa história sobre crueldade, traição e vingança, Philip Roth, o grande cronista da vida americana no século XX, faz um brilhante retrato ficcional do pós-guerra, época em que a febre anticomunista não contagiava apenas a política, mas traumatizava os recantos mais íntimos da vida de amigos e famílias, pais e filhos, maridos e esposas.

Editora Paralela

Somente sua, de Sylvia Day (Tradução de Alexandre Boide e Juliana Romeiro)
Chega às livrarias o quarto livro da série Crossfire. “Gideon me chama de anjo, mas é ele o milagre na minha vida. Meu deslumbrante guerreiro ferido, determinado a destruir meus demônios, ao mesmo tempo em que se recusa a encarar os seus. Os votos que trocamos deveriam ter nos deixado mais próximos do que nunca. Em vez disso, abriram feridas antigas, expuseram dor e insegurança, e atraíram os meus inimigos a sair das sombras. Senti que ele se distanciava. Meus maiores medos pareciam virar realidade; meu amor estava sendo testado, me deixando em dúvida se seria forte o suficiente para aguentar.”

Orações do povo brasileirode Carolina Chagas
O guia definitivo dos santos e orações mais requisitados ao redor do Brasil. Carolina Chagas já vendeu milhares de cópias dos seus livros sobre os santos com mais devotos. Para este livro, fez um levantamento em gráficas e igrejas para saber quais são as orações que mais ajudam os fiéis brasileiros.

Companhia das Letrinhas

O amor pega feito um bocejo, de Antonio Geraldo Figueiredo Ferreira, ilustrações de Rogério Coelho
Maquiagem vermelha para ir à igreja, esquecer o fogo ligado, tropeçar nos tapetes pela casa… Pelo jeito, a tia Cátia anda meio avoada, por isso seu sobrinho resolve levá-la para morar com sua família. Com rimas divertidas, o autor deste livro narra as mudanças no dia a dia familiar e os causos engraçados dessa nova convivência. Rapidamente, a tia conquista o coração daqueles que estão ao seu redor — e também do leitor, que logo passa a se reconhecer nas confusões da simpática senhora.

Charlie Brown e a Grande Abóbora de Halloweende Charles M. Schulz (Tradução de André Conti)
Neste episódio clássico, a turma de Charlie Brown comemora mais um Halloween e, mantendo a tradição, Linus espera convicto pela Grande Abóbora. Enquanto isso, o resto do pessoal vai para uma festa, mas alguns convidados resolvem usar fantasias bem estranhas… O leitor vai se divertir com a criatividade de Snoopy e com o pobre Linus, que mais uma vez vira a piada do bairro.

Feliz Dia dos Namorados, Charlie Brown, de Charles M. Schulz (Tradução de André Conti)
Snoopy e seus amigos estão animados para o Dia dos Namorados. Mas o pobre Charlie Brown vai se frustrar de novo! Mesmo com várias pretendentes, o garoto resolve se declarar para a Menininha Ruiva, que não parece muito animada com o amor de alguém de quem ela mal se lembra…

É hora da escola, Charlie Brownde Charles M. Schulz (Tradução de André Conti)
Neste livro pensado especialmente para o público infantil, os leitores vão se divertir com mais um fracasso do dono de um dos cachorros mais queridos dos quadrinhos. Afinal, as aulas voltaram e Charlie Brown resolveu participar de uma competição de soletrar. Não é preciso saber muito sobre o garoto azarado e medroso para saber qual será o final dessa história.

Amigos para semprede Charles M. Schulz (Tradução de André Conti)
Neste livro, Snoopy demonstra ser, além de muito inteligente, um amigo exemplar. Ele prova como é parceiro, compreensivo, carinhoso… e engraçado, claro. Crianças e adultos vão se divertir e se emocionar com as pequenas lições de companheirismo dadas por ele e por toda a turma do Charlie Brown.