Chico Buarque comenta a morte de Saramago

“Perco um grande amigo. Perdemos todos um ser humano admirável, um escritor imenso, zelador apaixonado da língua portuguesa.” — Chico Buarque para o blog da Companhia.

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10 Comentários

  1. Emilio Glauber Alves Moura

    Escutar Saramago falar já era impactante… Meio mágico,meio mago… A escrita dele já é entrar em outra dimensão… Um mestre das palavras.

  2. E agora, José? O que faremos sem a ajuda da sua lucidez?

    Saudades!

  3. “Sou comprometido até o final dos meus dias com a vida e esforço-me por transformar as coisas, e para isso não tenho outro remédio senão fazer o que eu faço e dizer o que sou”

    José Saramago

    E foi, fez. Fez e aconteceu. Obrigada.

  4. Ana Maria Moreira Pereira

    As palavras de Chico – “Saramago…zelador apaixonado da língua portuguesa” – exprimem todo o meu sentimento. Para Saramago escrevo:

    Da Província de Ribatejo para o Mundo das palavras… sentimentos… pensamento ímpar!
    Quando “te li” pela primeira vez entendi o que é “ficar sem fôlego” – a sua forma, nada convencional, de mexer e confundir nosso pensamento com nossa realidade… a sensação perene que a vida é ilimitada como sua escrita… os atalhos são vírgulas, quase nunca ponto final… A sua despedida – hoje – é uma breve parada do Mestre da literatura…

    “POEMAS POSSÍVEIS:

    Julieta a Romeu

    É tarde, amor, o vento se levanta,
    A escura madrugada vem nascendo,
    Só a noite foi nossa claridade.
    Já não serei quem fui, o que seremos
    Contra o mundo há-de ser, que nos rejeita,
    Culpados de inventar a liberdade.

    Romeu a Julieta

    Eu vou, amor, mas deixo cá a vida,
    No calor desta cama que abandono,
    Areia dispersada que foi duna.
    Se a noite se fez dia, e com a luz
    O negro afastamento se interpõe,
    A escuridão da morte nos reúna.” – José Saramago

    E… por Saramago:

    “…NÃO TENHAMOS PRESSA, MAS NÃO PERCAMOS TEMPO…”

  5. Saramago,

    a alma e a matéria para a gente poder aprender…

    Como é que posso te agradecer por ampliar meu mundo?
    Por fazer-me amar ainda mais a minhanossa língua, com a qual posso comunicar meus mais sinceros e corriqueiros pensamentos?
    Por trazer para a folha de papel o homem que sua para possibilitar o pão à nossa mesa.
    Ficarei um pouco mais só dentro de minha tão curta compreensão dos mistérios do viver.
    Mas tenho a compania de seus escritos… E continuarei a ouvir por meio das palavras impressas em seus tantos livros, a sua voz.

    Obrigada à Companhia das Letras pela publicação de vários títulos do escritor e promoção de encontros nos Sescs aqui em São Paulo.

    @@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@

  6. O mundo está mais pobre e cego hoje: morreu José Saramago! Um escritor que transpunha o literário, atingindo o humano. Um homem que sabia como poucos fazer a leitura do mundo, da sociedade e do tempo em que vivia.

    Indignado, ateu, crítico, humano, sábio, tudo isto cabia em um só homem. No seu ensaio sobre a cegueira disse: “-Costuma-se até dizer que não há cegueiras, mas cegos, quando a experiência dos tempos não tem feito outra coisa que dizer-nos que não há cegos, mas cegueiras.” Ele via o que muitos nem pensavam existir, ia além…

    Com seu falecimento, perde a Literatura, perde a Última Flor do Lácio, perde Portugal, perde o Mundo. Adeus Saramago!

  7. Boa noite, Sr. Luiz Schwarcz,
    É com grande pesar que registro meus sentimentos pela morte de José Saramago.
    Meu primeiro contato com seu texto foi em 1996 (com Memorial do Convento), mas foi em 1997, na noite de lançamento de Todos os Nomes, promovido pela Companhia das Letras, no Sesc Anchieta, quando o encontrei pela primeira vez. Desde então, depois de tantos outros livros e encontros de lançamento, e acompanhando as ações de José Saramago através da imprensa, não apenas apareceu um grande escritor – aos olhos deste leitor muito recente –, como também se desvendou um pensador que luta por uma humanidade melhor.
    Em 2000, no lançamento d’A Caverna, no Sesc Pompéia, lembro-me de sua fala sobre sua não conformidade com o estado das coisas em nossa sociedade e disse também uma frase que poderia ser gravada em um hipotético epitáfio seu: “Aqui jaz um homem indignado”.
    Também acompanho a história da Companhia das Letras e vejo que o ótimo trabalho da editora mudou a expressão das letras portuguesas junto ao público brasileiro, devido em muito à publicação de Saramago. Se não fosse assim, talvez outra editora pudesse publicá-lo, mas não seria a mesma coisa e o abismo entre as letras portuguesas e o público brasileiro permanecesse. Mas, infelizmente nem todos os editores têm o mesmo compromisso e paixão por sua função igual ao Sr. Schwarcz.
    Mais recentemente, no lançamento de A viagem do Elefante, em 2008, tive minha última oportunidade de cumprimentar Saramago, junto a Pilar. Apesar da figura abatida de Saramago, foram emocionantes suas palavras de como sua companheira o fez despertar para a vida, quando se encontraram e casaram, e depois, como Pilar o trouxe à vida, quando ele estava gravemente doente.
    Agora vejo que o lutador descansa. Seu trabalho fez nascerem outras cabeças inquietas e que compartilham da vontade de mudar a sociedade. Com a obra de José Saramago, aqui vivem muitos homens e mulheres indignados.

  8. Lembro até hoje quando Saramago escreveu na sua crítica a Budapeste de que “algo de novo estava surgindo na literatura brasileira”.

  9. Talvez, agora, vai-se descobrir o gênio que era o Saramago. Mas ele verdadeiramente o era. Um escritor que sabia, como poucos, manusear as palavras, como se somente dele fossem dependentes e a ele somente as pertencesse. De um estilo único e inigualável, fez provocações ao homem, fazendo-o pelo menos pensar, principalmente sobre Deus e a igreja. Desse modo, Azinhaga, que era tão pobre quando por lá ele nasceu, herda suas lembranças póstumas e tão ricas. Sem este José, portanto, o mundo fica menos crítico, e sem este Saramago, fica cego e desassistido.

  10. “Adeus Saramago!Um ateu que com seus atos e obras cumpriu os Desígnios do Criador. A Deus, Saramago!”

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