É um livro

Por Júlia Moritz Schwarcz

“Leia para o seu bebê”, dizem estudiosos de Harvard, “dê livros para que ele folheie, e você terá um aluno com um melhor desempenho escolar mais à frente.”

Pois é, mais uma pesquisa sobre a importância da leitura apareceu essa semana nos jornais. E agora os bebês foram o grande alvo desse grupo de americanos especialistas em alfabetização. A sugestão é de que aqueles que têm contato com livros desde meses de idade apresentam um maior desenvolvimento da linguagem. E taí um ponto interessante: a relação entre livros e linguagem.

Muitos dos benefícios da leitura compartilhada são alcançados também com a contação de histórias, por exemplo. Mas o que o livro tem, e que as crianças realmente adquirem ao ouvir ou ler suas histórias, é um vocabulário mais erudito e uma preocupação com a sintaxe. Claro que as crianças que escutam histórias de livros vão acabar conjugando um verbo ou outro no mais-que-perfeito — e posso garantir que não é nada desagradável escutar um imperativo corretíssimo de seu filho de um ano e meio.

Que a proximidade com os livros, seus desenhos e histórias, faz bem é verdade incontestável. Que as crianças que têm livros à disposição se interessam por eles, também. Quem não tem lá no fundo da alma uma boa lembrança da leitura com os pais ou seja lá quem for? E aquele livro secreto, que guarda mistérios que só eu mesma sei, com o qual eu posso me enfiar no canto do canto do quarto para ler a história e as figuras? Isso tudo é bom demais e ninguém vai me contestar (olha lá que não falta campanha de incentivo à leitura, do governo e de instituições privadas, nem matéria de jornal, nem pesquisas de renome para engrossar o meu time).

Tem um livro que li há pouco e de que gostei demais que serve como uma espécie de estandarte para a nossa turma, que gosta e defende a literatura, e que acha que um punhado de papel pode não só resultar em melhores alunos como também em melhores pessoas. Ele se chama It’s a book e nós vamos publicá-lo por aqui, sim. Trata de dois amigos (o macaco e o burrico) e um livro. Mas não qualquer livro, é Um Livro — que não apita, não treme, não se abre nem se desdobra em nada mais que um… Livro. Ô, delícia!

Vejam só o trailer que os americanos fizeram, e uma ótima semana a todos.

* * * * *

Júlia Moritz Schwarcz é editora dos selos Companhia das Letrinhas e Cia. das Letras. Ela contribui quinzenalmente para o blog com textos sobre literatura infantil.

8 Comentários

  1. Pois é. Esse negócio de que gosto não se discute é beeem relativo. Sem ter contato com livros, por exemplo, como gostar deles? Como sacar o que se abre à “frente” se não “enfrentamos”? Enfrentar para depois caminhar junto, para fiar junto com (confiar), para mover-se junto com(comover-se).
    Sobre esse assunto, gostaria de compartilhar o belo texto “Bons leitores nascem prontos?”, disponível em http://www.midiaeducacao.com.br.
    Um abraço.

  2. Fabiana Werneck Barcinski disse:

    Júlia,
    Escrevo para dividir o comentário da minha filha, de 5 anos que adora livros, após assistir o trailer:
    “Bacana! Genial!”
    Estamos aguardando o lançamento.
    E eu estou adorando o blog.
    Parabéns.
    Fabiana

  3. Ernani Ssó disse:

    Melhores pessoas, não só melhores alunos – tomara que seja verdade, Júlia.

  4. Rogério disse:

    Flávia,
    Fico feliz que mantenha viva a tradição de contar histórias. No meu comentário, falo mais da minha família, as mães mais novas, minhas primas, não tem uma que conte histórias e algumas são professoras de literatura, fora as pedagogas.
    De qualquer modo, parabéns.

  5. Diana Hue disse:

    Além de ler para a minha filha de um ano de idade todos os dias um livro antes de dormir, também separei uma prateleira especial na estante da sala com todos os livros dela ao alcance das suas pequenas mãos. E não é que ela passa horas sozinha folhando todos os livros… Aliás, foi o primeiro que ela aprendeu a fazer: virar uma página.

  6. Flavia Ferrari disse:

    Rogério,
    Não precisa se preocupar que as mães continuam contando histórias… eu mesma me especializei na dos três porquinhos. Consigo contá-la em 1 minuto, 10 ou em até uma hora. As vezes o lobo só bate na porta, outras ele fica filosofando e pensando alto por muuuito tempo. Tenho certeza que não estou só. Que bom.

  7. [...] This post was mentioned on Twitter by artur sartori kon, artur sartori kon, camilaputz, Aline, Companhia das Letras and others. Companhia das Letras said: Um Livro que não apita, não treme, não se abre nem se desdobra, por Júlia Moritz Schwarcz: http://bit.ly/90Wxmr [...]

  8. Rogério disse:

    Belo texto. Crianças gostam de livros, aprendi a gostar de livros pela minha mãe. Como não tinhamos dinheiro para comprar livros, ela contava histórias, inventava: da sua boca saía a escrito, e transformava nossos ouvidos em olhos.
    A tradição da contação de história das mães parece ter desaparecido nesses tempos modernos. Que pena.

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