Por Tony Bellotto

Ana Carolina, Maria Gadú e Negra Li cantam em homenagem aos Titãs. (Foto por Samuel Kobayashi)
Recebemos, os Titãs, uma homenagem no Prêmio Multishow na semana passada. Essas homenagens são ótimas, pena que signifiquem, na prática, o último degrau antes do precipício do esquecimento. Tudo bem, há os que são atirados ao precipício sem sequer galgar os degraus das homenagens. Houve época em que faturávamos todos esses prêmios. Agora só nos resta o consolo das homenagens. As bandas novas, as que ganham os prêmios atualmente, me parecem bandas alienígenas, garotos normais dos subúrbios das metrópoles de Marte e Saturno, cantando sobre os problemas comuns de adolescentes de Marte e Saturno. A sensação deve ter algo a ver com o fato de eu já estar nos meus 50, ainda hoje uma idade relativamente provecta para um roqueiro.
A homenagem foi linda, emocionante e inesquecível, como deve ser o canto de velhos cisnes ou o réquiem para piratas desaparecidos em combate: para compensar o excesso de testosterona da banda — homens convivendo num vestiário permanente e móvel por 30 anos seguidos —, formou-se um grupo só de garotas, e cinco canções emblemáticas de nossa carreira foram cantadas por Maria Gadú, Negra Li e Ana Carolina. Ou seja, homenagem pra roqueiro nenhum botar defeito.
Uma das figuras que roubaram a cena na premiação foi o folclórico roqueiro Serguei. Figura um tanto patética, Serguei é uma lenda viva, mais por ter supostamente namorado Janis Joplin quando da passagem da cantora pelo Rio, na década de 60, do que propriamente por sua música. No entanto, durante a premiação, alguma coisa me incomodou naquelas imagens de Serguei entrevistando os convidados nos camarins. Me pareceu meio obscena a presença do velho roqueiro na festa, uma figura trágica e meio demente, como aqueles velhos loucos das aldeias, dos quais as crianças zombam e em quem atiram pedras. Cheguei a ter pena do Serguei (estaria vislumbrando um espelho no futuro?). Pra que expor o pobre homem ao ridículo?, pensei. Mas, de repente, ao adentrar o camarim do jovem Fiuk, o filho de Fábio Júnior — o Júnior do Júnior —, Serguei é acometido por uma epifania e transforma-se num personagem denso e literário. Ele se ajoelha diante de Fiuk e declara, épico, melancólico e resignado: “ajoelho-me diante da beleza!”. Qual um Gustav von Aschenbach prostrado diante da exuberância de Tadzio, saído diretamente das páginas de Morte em Veneza, Serguei nos deu um exemplo da grandeza dos personagens desesperados.
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Tony Bellotto, além de escritor, é compositor e guitarrista da banda de rock Titãs. Seu próximo livro, No buraco, será lançado pela Companhia das Letras em setembro.









Caro Toni,
Pela amor de Deus !!! num me fala uma coisa dessas…..o filme Titas A Vida e uma Festa resgatou em mim todo o tesao do rock punk que recebi de presente aos meus 13 anos no vinil Cabeca Dinossauro, este vinil mudou a minha concepcao de rock abrindo minha cabeça para Clash e outros muitos que se seguiram entao.
Hoje tenho trinta e sete anos, acompanhei todas as fases suas, umas vibrei, as outras aceitei, mas no show ocorrido em 1995 no estacionamento do Anhembi, show de uma radio ao qual nao me lembro o nome, tocaram Manonas……..e vcs arregassa-ram !!!!
Quando tocou Sera que e isso que necessito ? a casa, o estacionamento, a galera, o Anhembi, a Marginal, ou seja, Sampa veio abaixo…..
Todos pulavamos como loucos e vcs orquestrando tudo !!!
Qualquer dia, a qualquer ano do futuro, se tocar essa musica para qualquer um que estava la……vai sentir calafrios….nao parem…nao decaem…contiunem….vocês sao os nossos Stones !!!
Cada um na sua geração…os Titãs são os Stones brasileiros…junto com o Legião e o Engenheiros, na minha opinião, a santa trindade do BRock…
Seu post me lembrou de um trecho de um livro do Marçal Aquino (Eu receberia as melhores notícias dos teus lindos lábios) em que ele fala alguma coisa assim: “E eu, no que acreditava? Talvez na beleza, a única coisa que já me pôs de joelhos no mundo…”
Tony, a homenagem foi linda e mais do que merecida! E os Titãs jamais serão esquecidos, vocês são uma das poucas bandas que fazem sentido! :)
É triste ver as tais bandas alienígenas ganhando prêmios, são bandas montadas para ganhar dinheiro fazendo letras fáceis que ficam na cabeça oca das pessoas que ouvem mas não escutam… não são músicos de verdade… não vejo nenhum sentimento no que eles fazem, nenhuma testosterona!
E parabéns pelo lançamento do novo Bellini, estou louca pra ver! Já estava acompanhando pelo site http://www.bellinieodemonio.com.br. Espero que o filme esteja à altura do livro e que o Fábio Assunção não me roube a imagem do meu Bellini!
Caro Tony, tenho 41 anos e era um adolescente quando os Titãs começaram a fazer parte da trilha sonora da minha vida. Me lembro como se fosse hoje, do lançamento do Cabeça Dinossauro, no circo do Projeto SP, na esquina da Caio Prado com a Augusta, onde assisti em verdadeiro êxtase a performance da banda de rock que falava a minha língua, e cantava nas suas canções as emoções que eu vivia e sentia, de maneira contundente e criativa. Recebi recentemente, de presente de um amigão meu, colega do colégio Palmares, o Oscar Rodrigues Alves, o maravilhoso DVD “Titãs – A vida até parece uma festa”. Confesso que bateu umas saudades danadas e uma certa melancolia por perceber a inevitável passagem do tempo. O filme fez me sentir como se fosse mais um Titã, um irmão mais novo de vocês, uma vez que de certa forma, eu também estava presente naqueles momentos, como fã da banda, seja assistindo aos shows ao vivo (fui no célebre show de abertura do David Bowie no Palmeiras, e também no Hollywood Rock, onde vocês tocaram com os Paralamas e com o pessoal do UB40) ou simplesmente ouvindo os vinis a todo volume no meu quarto de adolescente. Os Titãs merecem todas as homenagens e vocês ainda estão muito distantes do precipício. Londa vida aos Titãs! Grande abraço, Gady.
Tenho 24 anos (esse início parece apresentação em site de relacionamentos) e tenho saudade do que não vi. Não tinha vivência suficiente para saber o que era bom ou ruim quando Titãs, Paralamas, Nirvana ou Rage Againist the Machine estavam no auge e nem havia vindo ao mundo enquanto Led Zeppelin (hoje minha banda favorita), The Doors e Pink Floyd faziam a cabeça de pessoas com mentes insanas. Serguei talvez represente essa magnífica era e Fiuk seja o sinônimo da atualidade, onde se faz música por dinheiro e, o mesmo indivíduo que vai ao show do que esses crápulas chamam de rock, também marca presença em apresentaçãoes de duplas sertanejas e grupos de pagode. E sabe por que? As letras falam da mesma coisa…
Pois é Tony,ainda hoje lembro me dos Shows dos Titãs,em que muitas vezes fui assistir, graças a ti,que sempre atencioso,deixava me assistir e ir ver os Shows muitas vezes no camarim,ainda são meus ídolos mesmo estando do outro lado do Oceano.Foi muito importante para mim na época de adolescente conhecer uma famosa banda.Para um rapaz que tinha saído de um orfanato,foi uma ótima alegria na minha vida.de la para cá muita coisa mudou na vossa e na minha vida,mas continuo fã desta banda,e agora do escritor. abrço
Quer saber, também acho essas bandas de outros planetas ou me sinto alienigena num país que idolatra tais seres. E confesso que falta testetorana (e alguma profundidade musical) para eu achar beleza neles.
esse texto do belloto é muito nostalgico,é tão forte q chego a captar a dor do envelhecer.
Só ele no mundo poderia ter escrito esse texto
Estou com vc hj e sempre Tony…
hj e sempre
tenho 20 anos e não entendo o som proferido pelos garotos de Marte e Saturno!
Serguei é um entidade do rock… diante do Fiuk ele apenas se mostrou sensivel ao ver por onde as mazelas da vida desregrada ainda não passou!