Por Marta Garcia

(Foto: Divulgação)
Trabalho há 20 anos na Companhia das Letras e comecei, muito jovem, como editora “júnior” (hoje em dia ninguém mais fala assim, diz-se “editor assistente”). Desde aquela época venho editando os livros do Ruy Castro. A capacidade de trabalho dele é espantosa. Já nos tempos em que bebia (ele não esconde isso de ninguém), era um colaborador incansável de jornais e revistas, além de ter sido também editor. Mas desconfio que ter parado de beber tenha quadruplicado sua energia laborante: ele literalmente passou de alcoholic a workaholic, e começou a escrever livros, muitos livros. Além do trabalho, seu vício confesso atualmente é sorvete de creme. Às vezes ele condescende numa goiabada com queijo, mas restaurante que se preze, pra ele, tem de ter uma dessas tradicionais sobremesas.
Devo admitir que ele me intimidava, no começo (eu tinha meros 20 e poucos), com seu vozeirão rouco e toda a experiência e erudição que já acumulara em anos de jornalismo. Mas com o tempo fomos adquirindo uma grande sintonia. Ele sabe bem o que quer e tem um texto primoroso, mas por outro lado conta muito com os palpites e sugestões dos editores.
Bem antes de virem as geniais biografias, vieram os livros de coletâneas de frases espirituosas. Fizeram tanto sucesso que houve várias versões. A mais famosa delas talvez seja O melhor do mau humor. Foi numa era pré-computador e as inúmeras frases, cuidadosamente digitadas pelo Ruy, foram também cuidadosamente recortadas e coladas em laudas, depois de muita discussão sobre como exatamente organizá-las. Por fim, essas laudas foram xerocadas pelo superprestativo Mário, que trabalha na editora há quase tanto tempo quanto eu, e viraram o “original” do livro. Parece inacreditável, hoje em dia, que já tenhamos trabalhado sem computador, mas garanto a vocês que isso já foi possível e que o resultado, atestam as vendas do livro, não foi de se jogar fora.
[Leia a 2ª parte do texto amanhã, aqui no blog.]
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Marta Garcia é editora da Companhia das Letras. Além de Ruy Castro, edita outros autores brasileiros como Tony Bellotto, Daniel Galera e Carol Bensimon.









[...] autores que conheci. Com toda a intimidade que nos uniu através dos anos, e que também o uniu a Marta Garcia, sua editora quase desde o primeiro livro na Companhia, não me lembro de conversa telefônica, ou pessoal, em que Ruy não colocasse à prova o nosso [...]
Cara Marta,
que generosidade a sua de compartilhar essa incrível experiência – editora do Ruy! – e casos sobre ele.
Sou aluna do Ruy num curso avançado de Biografia na Estação das Letras, no Rio, e me sinto como você no seus “meros 20 e poucos”, fascinada pela combinação de erudição e simplicidade dele.
Parabéns pelo post e continue dividindo mais Ruy com a gente!
Josiane Duarte
[...] Ruy Castro 1: papel recortado, cola pritt e xerox [...]
Para ilustrar o próximo post, sugiro que v. escaneie uma dessas páginas com os recortes o Ruy!
Na espera pela segunda parte do post. Deu vontade de conhecer mais sobre o cara… (Dos que você edita e que aparecem no final de teu post, só li o Galera e meio que sou viciado no cara).