Semana dezenove

Não há silêncio que não termine, de Ingrid Betancourt (Tradução de Rosa Freire d’Aguiar, José Rubens Siqueira, Antonio Carlos Viana e Dorothée de Bruchard)
Entremeando a narrativa do cativeiro com reflexões sobre a morte, a liberdade e o poder, Não há silêncio que não termine reconstitui com implacável lucidez o período de mais de seis anos que Ingrid Betancourt passou no inferno verde da selva amazônica em poder das Farc, a principal organização guerrilheira da Colômbia. Leia dois post sobre o trabalho de edição do livro: “Seis anos na selva, quatro meses de trabalho”, da editora-assistente Lucila Lombardi, e “Originais aos pedaços”, do colunista Luiz Schwarcz.

Seu rosto amanhã – vol. 3, de Javier Marías (Tradução de Eduardo Brandão)
O narrador deste ambicioso thriller metafísico, Jacques ou Jaime ou Jacobo Deza — o ex-professor da Universidade de Oxford que, ainda no primeiro volume, decide voltar à Inglaterra e se juntar a um grupo de velhos espiões do núcleo do Serviço Secreto britânico que atuaram contra o nazismo —, acaba conhecendo aqui os inesperados rostos dos que o rodeiam e também o dele. Descobre então que, sob o mundo mais ou menos tranquilo em que os ocidentais vivem, sempre lateja uma necessidade de traição e violência que é inoculada em nós como um veneno.

No buraco, de Tony Bellotto
Em seu novo romance, Tony Belloto mimetiza às avessas sua história para contar com humor ácido e contundente as aventuras de Teo Zanquis, um tipo solitário, que atingiu muito rápido seu apogeu para, em seguida, com a mesma rapidez, mergulhar no mais retumbante esquecimento. Agora ele caminha sem ilusões para a velhice, mas isso não impede que Teo busque o amor no corpo de uma jovem coreana, nem que estreite laços de amizade com figuras de quem ele jamais imaginaria se aproximar em seus tempos de semi-ídolo do rock nacional, como a dona Gladys, velha e excêntrica vizinha da quitinete onde ele mora.

Os anéis de Saturno, de W.G. Sebald (Tradução de José Marcos Mariani de Macedo)
Internado no hospital, o narrador deste poderoso romance tece o relato de uma caminhada de um ano pelo leste da Inglaterra, investigando a história, a arte e a natureza numa mistura de autobiografia, ensaio, narrativa histórica e prosa de ficção. A lucidez, a originalidade e a beleza descritiva de Sebald resultam numa narrativa hipnotizante, que remete a influências como Jorge Luis Borges, Thomas Bernhard e Joseph Conrad.

Livro da vida, de Santa Teresa d’Ávila (Tradução de Marcelo Musa Cavallari)
Livro da vida, o clássico mais lido pelos espanhóis depois de Dom Quixote, é a autobiografia de uma mulher que conta, entre outros feitos, a experiência de seu contato direto com Deus, numa prosa que mistura conversa de freira, romance de cavalaria e teologia mística. Em notável prefácio, escrito especialmente para esta edição, Frei Betto descreve Teresa da seguinte maneira: “Feminista avant la lettre, esta monja carmelita do século XVI, ao revolucionar a espiritualidade cristã, incomodou as autoridades eclesiásticas de seu tempo, a ponto de o núncio papal na Espanha, Dom Felipe Sega, denunciá-la, em 1578, como ‘mulher inquieta, errante, desobediente e contumaz’”. Esta edição traz também uma esclarecedora introdução de J. M. Cohen, especialista em literatura de língua espanhola e um dos mais notáveis homens de letras da Inglaterra no séc. XX.

Sete suítes, de Antonio Fernando de Franceschi
O contraponto entre a musicalidade das palavras e o rigor da composição, entre a maneira que tem o poeta de entrar no assunto com leveza e de ao mesmo tempo conferir-lhe a força da revelação, caracteriza o poeta Antonio Fernando De Franceschi, não deixando dúvida quanto à importância dessa poesia mineral, feita de pedras, de paisagens bruscas e desse outro minério que é o produto da memória. Os temas das sete suítes são “Pirassununga” (memórias da infância), “Asa e vento” (uma contraposição entre passado e presente), “As formas clássicas”, “As palavras”, “Poços de Caldas”, “Retratos” e “Inquietudes”.

Padre Antônio Vieira, o imperador da língua portuguesa, de Amélia Pinto Pais (Ilustrações de Mariana Newlands)
Escrito como uma autobiografia, o livro traz os principais acontecimentos da vida de Antônio Vieira, além de trechos de seus mais conhecidos sermões e de sua correspondência. O volume inclui ainda dois anexos: um texto explica a estrutura de um sermão e outro contextualiza a ação da Inquisição. Dirigido aos jovens leitores, Antônio Vieira, o imperador da língua portuguesa pretende despertar neles o gosto por conhecer a vida e a obra deste que é um dos maiores prosadores da nossa língua.

Quem soltou o Pum?, de Blandina Franco (Ilustrações de José Carlos Lollo)
A história é simples, mas a sacada é das boas: imagine um cachorrinho de estimação que se chama Pum! Daí dá para tirar diversos trocadilhos, criando frases e situações realmente hilárias. É um tal de não conseguir segurar o Pum, que é barulhento e atrapalha os adultos, que dizem que o Pum molhado, em dia de chuva, fica mais fedido ainda, o que faz o menino passar muita vergonha. Pobre Pum. E pobre dono do Pum! Mas não tem jeito, com o Pum é assim mesmo: simplesmente ninguém consegue evitar que ele escape e cause certos inconvenientes.

3 Comentários

  1. [...] Blog da Companhia foi publicado os lançamentos da [...]

  2. Tantos bons autores… adoro Javier Marias.
    Quero comprar quase todos.

  3. [...] This post was mentioned on Twitter by José Nilo and Jackson Guedes Moura, Companhia das Letras. Companhia das Letras said: Entre os lançamentos da semana: W.G. Sebald, Tony Bellotto, mais um clássico Penguin-Companhia e um livro sobre o Pum http://bit.ly/ahw1Pe [...]

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