Conte uma história de amor

Em Meu tipo de garota, quatro passageiros que não se conhecem são obrigados a passar uma noite de inverno na sala de espera de uma estação de trens, enquanto aguardam a ferrovia voltar a funcionar. Após verem um casal apaixonado, eles resolvem contar histórias de amor que viveram ou presenciaram para passar o tempo.

Pensando nisso, resolvemos pedir a vocês, leitores do blog, que criassem seus mini-contos de amor. As histórias de amor devem ter no máximo 200 palavras, e podem ser bem-sucedidas ou não. Premiaremos os autores dos dois melhores mini-contos com um exemplar de Meu tipo de garota e uma antologia Contos de amor do século XIX.

Os mini-contos devem ser deixados como comentários deste post até o dia 14. Para evitar que outra pessoa possa usar sua ideia, todos os comentários ficarão presos na moderação até o dia 15, quando divulgaremos o resultado.

Leia abaixo um trecho do livro de Buddhadeva Bose, e boa sorte!

* * * * *

A ferrovia continuava fechada; nenhum trem chegaria mais naquela noite, nenhuma sineta tocaria. Sem os carregadores, os vendedores de doces ou de cigarros, o movimento tinha cessado. O ar estava gelado. Sob a luz fraca da sala de espera, essas quatro pessoas que nem sequer se conheciam, tendo a sutil fumaça azul de seus cigarros como única companheira, sentiam como se o mundo lá fora tivesse desaparecido e eles tivessem encontrado abrigo em uma ilha nada acolhedora, sem conforto algum. Não pareciam mais desconhecidos um para o outro; na verdade, havia até a sensação de que os quatro deviam estar pensando a mesma coisa. Aquele casal, apenas um breve vislumbre na porta, antes de desaparecer deixara algo atrás de si, como se o pássaro da juventude tivesse soltado algumas penas ao passar voando: algum sinal, algum calor, algum prazer, mágoa ou tremor que se recusava a se dissipar, algo com que esses quatro indivíduos — embora não falassem disso, embora só pensassem nisso em silêncio — pudessem sobreviver a essa noite gélida e tenebrosa.

De súbito o médico disse: “Talvez tenha sido falta de educação nossa”.

“Continua pensando neles?” O homem de Delhi riu, mas ficou óbvio, pela sua atitude, que ele também não tinha se esquecido deles.

“Eu estava pensando — pensando em outra coisa: quanto tempo será que isso vai durar para eles?”

Agora o homem de Delhi riu alto. “E isso é coisa que se pergunte? Pois todos nós já não sabemos a resposta?”

“Depois todos nós sabemos”, disse o magricela dos livros, “mas no momento em que se vive isso ninguém sabe. Por exemplo, será que esses dois conseguem ao menos imaginar como é breve tudo isso? Será que imaginam que não vão continuar desse jeito por muito mais tempo? Essa é a parte mais espantosa dessa espantosa ilusão.”

“Espantosa ilusão! Muito bem colocado!” O empreiteiro aprovou com a cabeça.

O café chegou.

“Nesse caso, será que tudo é uma ilusão?” Uma sombra de preocupação baixou sobre o enorme rosto do empreiteiro.

“Pelo menos este café não é ilusão. A fumaça é palpável. Açúcar para você?” O médico, sempre elegante, se ocupava em servir o café.

A aguda curiosidade do empreiteiro superou o langor; ele abandonou sua espreguiçadeira e, puxando uma cadeira para perto dos outros dois, pôs as mãos sobre a mesa gelada, inclinou-se para a frente e disse ao amante dos livros: “Então, será que tudo é ilusão? Nada permanece? Você que é escritor, por que não conta para nós?”

O magrinho pareceu envergonhado de receber assim o título de escritor, mas não demorou a responder.

“A memória permanece. Por fim apenas as lembranças permanecem, e nada mais.”

“E qual é o valor da memória?”

“Nenhum!”, anunciou alegremente o homem de Delhi. “Ela corrói o trabalho, desperdiça o tempo, deixa a gente triste. Venham, vamos tomar nosso café.”

Mas o empreiteiro insistiu: “E a lembrança da felicidade que passou — é feliz ou é triste?”.

Um sorriso de zombaria surgiu nos lábios do homem de Delhi. “Não adianta pensar nisso, mas se você nos contasse uma história, o tempo seria bem empregado.”

“Uma história?! Sobre o quê?”

“Ora, nós todos aqui somos velhos, somos homens, não há damas presentes — quer dizer, falar abertamente não será indecente, não é verdade?”

“Aonde você quer chegar?” O empreiteiro gordo parecia apreensivo.

“Ele está dizendo”, explicou o doutor, “que nós também tivemos o nosso tempo, assim como esse casal está tendo agora…”

“Eu não tive”, protestou o empreiteiro, e de imediato seu rosto sombreado pela barba noturna se ruborizou, mortificado.

“Você também”, disse o escritor. “Não existe ninguém que nunca tenha gostado de alguém. O que aconteceu depois não importa; o que importa é o gostar. Talvez seja a memória também o que importa. Alguma lembrança…”

“Eu não tenho nenhuma!”, protestou o empreiteiro em voz alta, abanando a mão. “Vou só ouvir as histórias de vocês.”

“Muito bem, nós também vamos contar nossas histórias”, disse o médico, solene, fitando o companheiro de viagem tão grandalhão e tão desconcertado. “Mas você também tem de contar. Não há esperança alguma de dormir, vamos passar a noite ouvindo histórias. Vamos começar.”

“Está falando comigo?” Ao levar sua xícara de café aos lábios, o empreiteiro interrompeu o gesto. “Sou um homem de negócios, não entendo nada além de negócios e coisas assim…”

“Sim, você também tem sua história”, disse o escritor com segurança

O empreiteiro ficou algum tempo em silêncio, de cabeça baixa. Então disse: “Não tenho uma história para contar, mas conheço a história de outra pessoa — de um amigo…”.

“Muito bem, vamos ouvir a história dele.”

O empreiteiro tomou um gole de café e começou.

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122 Comentários

  1. jose disse:

    Linda…história, sei oque sente hoje, tenho só 49 anos, fui feliz ao sentir e descobrir o primeiro amor aos 15 anos, o tempo vai passar, nunca vai esquecer, oque pode aconteceu como foi a minha Love history, deixei o destino me ajudar, eu vim conhecer uma pessoa que sentia a mesma coisa, e passei a admirar, casamos, filha, 25 anos passou…hoje revi o meu primeiro amor, e posso garantir que eu me sinto como um adolescente e sonhando por um beijo…, mais tem toda uma vida com outra pessoa, o meu medo é se eu beijar o me primeiro amor agora, não vou aguentar. Quero que você daqui um tempo conte uma outra historia diferente da minha, e comesse assim, “fui atrás do meu amor não deixei ir embora, lutei, se não dar certo é tentei até o fim.ainda da tempo…

  2. Gabriely disse:

    Bem não sei por onde começar… foi uam história de amor adolecente tenho 14 anos e tudo começo numa noite de carnaval, onde eu fiquei com essa pessoa que eu admirava tanto, agente ficava e cada dia que se passava o amor crescia dentro de nós.Foram 5 meses de amor intenso eu me entreguei de corpo e alma a essa história.Nosso unico problema foram meus pais que não aceitavam nós dois, tudo isso contribuiu pra que esse amor acabasse.Hoje tudo acabo tudo se foi jogado ao vento, eu ainda sinto o amor por que eu não querendo ou querendo eu sempre irei o ama-lo ele foi e sempre sera o amor da minha vida, eu tento esquece-lo mas não consigo mexeu com meu eu com minha vida.Muitas dizem que nós adolescentes não sabemos o que é o amor, mas sabemos sim pois é na adolescência que descobrimos o quanto podemos amar uma pessoa.E essa pessoa eua mei com todas as minhas forças, no começo ele me amava, fazia tudo por mim, sacrifícios eram feitos em meu nome… e voltamos depois de tudo que aconteceu, mas nada era a mesma coisa o amor não era o mesmo eu continuava o amando como sempre o amei mas ele mudo me tratava diferente e corri atras e ele somente me pisava….chegou uma hora que cansei de sofrer pois ele só me fazia sofrer com suas atitudes. Eu me afogava em minhas próprias lagrimas, hoje estou com outra pessoa que acho que realmente me ama e ele esta la em um canto e eu no meu, mas meu coração sempre sempre sera DELE. Por que ele desperto a mulher que existia dentro de mim, que me fez amar pela primeira e unica vez de verdade!!!!!