Semana setenta e seis

Os lançamentos da semana são:

Seu genoma por mil dólares, de Kevin Davies (Tradução de Ivo Korytowski)
Câncer, diabetes, mal de Alzheimer, esclerosa múltipla, problemas cardíacos diversos: algumas das doenças mais mortíferas podem estar com os dias contados. O vertiginoso desenvolvimento das técnicas de decodificação do DNA já permite que muitas pessoas conheçam sua predisposição a vários males evitáveis. Ao mesmo tempo, pesquisas farmacêuticas imbricadas com o progresso da genética têm originado medicamentos altamente específicos e eficientes, que tornam a cura dessas doenças algo real. Da bilionária decodificação do primeiro genoma humano até os atuais serviços de análise cromossômica por correspondência, Seu genoma por mil dólares discute as principais questões tecnológicas e culturais ocasionadas pela revolução genética.

Omeros, de Derek Walcott (Tradução de Paulo Vizioli)
Poeta mulato das Antilhas, prêmio Nobel de literatura de 1992, Derek Walcott escreveu um poema destinado a permanecer entre os mais belos e instigantes do século XX. Com um desenho circular, que enfeixa tanto o mundo atemporal dos heróis gregos como o dia a dia de uma aldeia de pescadores do Caribe, Omeros (grego moderno para Homero) é, antes de tudo, uma história viva do oceano, dos povos e idiomas que por ele ressoam. Das raízes mediterrâneas aos grandes autores da língua inglesa, passando pelo patois crioulo das Antilhas e os sons africanos que pulsam até hoje nas margens do Caribe, este é um canto universal, que funde de modo magnífico o encontro de raças, línguas e culturas que se deu nas praias americanas.

Steve Jobs, de Walter Isaacson (Tradução de Berilo Vargas, Denise Bottmann e Pedro Maia Soares)
A vida de Steve Jobs tem o fascínio dos grandes folhetins: entregue para adoção ao nascer, imerso na contracultura dos anos 70 – com direito à maconha, LSD, vegetarianismo radical e peregrinação à Índia em busca de iluminação – milionário aos 25 anos, expulso de sua própria empresa aos 30 anos, retorna triunfalmente 12 anos depois. Essa biografia escrita a seu pedido, no momento em que lutava contra o câncer, é mais um exemplo dos paradoxos de Steve Jobs, conhecido por sua obsessão pelo controle de tudo: ele deixou claro que em nenhum momento interferiria em sua execução, nem exigiria ler o manuscrito antes da publicação. Como resume o próprio autor, “este é um livro sobre a vida de altos e baixos e a personalidade intensa e abrasadora de um empreendedor criativo, cuja paixão pela perfeição e cujo ímpeto feroz revolucionaram 6 indústrias: computadores pessoais, filmes de animação, música, telefones, tablets e publicação digital. É uma história tão instrutiva quanto admonitória, cheia de lições sobre inovação, caráter, liderança e valores”.

Travessias difíceis, de Simon Schama (Tradução de Denise Bottmann)
A travessia do oceano Atlântico nos porões dos navios negreiros foi uma das mais sombrias experiências de migração na história humana. Neste livro, Simon Schama trata da luta dos abolicionistas para encerrar o infame tráfico negreiro transatlântico e de suas relações com a história da colonização de Serra Leoa — a terra prometida dos ex-cativos, onde não havia escravidão. Articulando episódios fundadores do movimento antiescravista inglês ao papel desempenhado pela escravidão negra na Guerra de Independência dos EUA, Schama oferece uma envolvente narrativa sobre a luta dos africanos e de seus descendentes pela liberdade nos dois lados do Atlântico.

As esganadas, de Jô Soares
Rio, 1938. Um perigoso assassino está à solta nas ruas. Seu alvo: mulheres jovens, bonitas e… gordas. Sua arma: irresistíveis doces portugueses. Com requintes de crueldade gastronômica, ele mata sem piedade suas vítimas, e depois expõe seus cadáveres acintosamente, escarnecendo das autoridades. Com o hilariante e engenhoso As esganadas, Jô Soares está de volta ao seu gênero de predileção: o romance histórico policial. Veja um vídeo com Jô lendo um trecho do livro.

Antônio Vieira, jesuíta do rei, de Ronaldo Vainfas
Educado no colégio jesuítico de Salvador, fluente em tupi ainda na juventude e testemunha da invasão holandesa da Bahia, na maturidade Vieira foi um missionário incansável entre as tribos bravias do Maranhã e do Pará; já septuagenário, após uma longa temporada na Europa, recolheu-se a uma modesta casa religiosa na capital baiana, onde organizou a maior parte de seus escritos para publicação. Tais fatos já seriam mais que suficientes, segundo o historiador Ronaldo Vainfas, para justificar a inclusão de Vieira na coleção Perfis Brasileiros. Contudo, mesmo quando ausente do Brasil, o religioso exerceu vasta influência sobre os destinos da principal colônia portuguesa. Antônio Vieira, jesuíta do rei oferece um abrangente panorama biográfico dessa figura capital da literatura e da história da lusofonia.

Essencial Padre Antônio Vieira (Organização e introdução de Alfredo Bosi)
Embora o mundo monárquico, escravista e radicalmente dogmático de Vieira já tenha há muito desaparecido, sua extensa obra continua a iluminar a história e a literatura da lusofonia. Jesuíta, político e pregador, confessor de reis e profeta do Quinto Império, autor de centenas de sermões e de uma riquíssima correspondência, Vieira foi um homem de múltiplos interesses, unificados por sua fé inquebrantável e pela crença nos altos destinos de Portugal. Essencial Padre Antônio Vieira é uma generosa amostra de sua eloquente produção literária, incluindo alguns de seus melhores sermões, cartas e textos proféticos, além de uma esclarecedora introdução de Alfredo Bosi, membro da Academia Brasileira de Letras, e de excertos de A chave dos profetas.

A paixão de A., de Alessandro Baricco (Tradução de Roberta Barni)
Turim, anos 1970. Quatro adolescentes de 16, 17 anos, levam uma vida de classe média, pacata e sem sobressaltos. Todos são católicos, tocam numa banda de paróquia e fazem trabalho voluntário em um hospital da cidade. É quando aparece Andre, jovem rica, fascinante, desinibida, que reduz a pó a estabilidade do grupo de amigos. Seduzidos pela beleza da garota e pelo mundo completamente diferente no qual ela se move, os quatro amigos aos poucos vão se abrindo para experiências antes impensáveis, o que colocará em xeque suas convicções mais arraigadas, a começar pela fé. Tudo se precipita de modo muito veloz e, a partir de certo ponto, cada um deles seguirá seu rumo — um caminho necessariamente solitário e doloroso, mas também cheio de prazer.

E o cérebro criou o homem, de António R. Damásio (Tradução de Laura Motta)
O que é a consciência? Onde ela fica? Como se desenvolveu ao longo do processo evolutivo e que vantagens traz à sobrevivência? A ciência vem avançando na busca por essas respostas, que este livro apresenta numa discussão rica e instigante. Mas que não se espere uma resposta final. “A tarefa de compreender como o cérebro produz a mente consciente continua incompleta. O mistério da consciência ainda é mistério, apesar de termos conseguido penetrar um pouquinho em seus segredos”, diz o autor. Uma coisa é certa: sem a consciência em seu desenvolvimento máximo, a humana, não haveria ciência nem arte. E não haveria a possibilidade de buscar desvendar essa consciência. Neurocientista português radicado nos EUA, Damásio é um dos pensadores mais influentes do mundo no que diz respeito à investigação da mente.

Budapeste, de Chico Buarque
Nova edição do terceiro romance de Chico Buarque, que ganhou o Prêmio Jabuti de Melhor Livro de 2003. José Costa é um ghostwriter: ele escreve anonimamente, por encomenda, monografias escolares, cartas de amor, autobiografias romanceadas e até best-sellers involuntários. A versátil picaretagem mistura-se, na trama, com o seu enfeitiçamento pela língua húngara, após uma escala forçada de seu avião em Budapeste. A língua ininteligível invade-lhe os sonhos e o toma como uma idéia fixa, levando-o a criar uma tresloucada vida paralela em Budapeste. Casado aqui com uma apresentadora de telejornais, envolve-se lá com uma professora de húngaro. O que o leva, na verdade, a se afundar num estranhamento permanente, entre duas cidades, duas mulheres, dois livros, duas línguas…

A casa dos náufragos, de Guillermo Rosales (Tradução de Eduardo Brandão)
Internado pela família em uma instituição psiquiátrica em Miami, o escritor William Figueras, um cubano exilado, mergulha em um processo de desumanização gradual, apenas adiado pelo amor por uma mulher e o sonho de voltar a escrever. Massacrado pela doença mental e emparedado entre o ressentimento por Cuba e a marginalidade a que é relegado na “América livre”, Figueras naufraga sem esperança de encontrar, seja no passado ou no presente, um porto seguro. Escrito em evidente paralelismo com a experiência vivida no exílio pelo jornalista e escritor cubano Guillermo Rosales, este romance é considerado um marco da literatura hispano-americana do século XX.

Lulu: um livro sobre ser pequenininho, de Camilla Reid (Tradução de Júlia Moritz Schwarcz; Ilustrações de Ailie Busby)
A Lulu tem um gato chamado Aroldo e uma coelha muito bonitinha, a Coelhalda. Vai com a mãe ao supermercado, depois ao parquinho e faz bagunça em casa com seus dois melhores amigos, a Bia e o Teo. Espiando embaixo das abas, as crianças são apresentadas aos pais da Lulu, à sua casa e a seus brinquedos favoritos. Acompanham um dia na vida da personagem, a ajudam a encontrar a Coelhalda, a contar as pombas, e adivinham qual é a janela do quarto da menininha, entre outras brincadeiras. Com linguagem atenta ao universo das crianças pequenas, as histórias da Lulu são sucesso entre o público de um a quatro anos.

Fotografando Verger, de Angela Lühning (Ilustrações de Maria Eugênia)
Pierre Verger nasceu em Paris, em 1902, em uma família com boa situação social e econômica. Contudo, a vida confortável e os costumes da sociedade europeia de seu tempo não lhe satisfaziam. Aos 30 anos, aprendeu a fotografar com um de seus amigos artistas, e fez desse o seu principal ofício. Por meio da fotografia, despediu-se de forma definitiva do mundo que lhe era familiar, e partiu em busca de novas experiências, viajando por quase todo o planeta. Nessas viagens, Verger procurava captar a identidade de cada lugar visitado, registrando em suas fotos sobretudo pessoas, em situações cotidianas e da maneira mais espontânea: em seus afazeres domésticos, no trabalho, nas horas de lazer. Na década de 1940, Pierre chegou a Salvador, cidade que desejava conhecer desde que lera Jubiabá, de Jorge Amado, ainda na França. E foi na capital baiana que ele se estabeleceu até o fim de sua vida, dedicando-se às imagens e aos estudos da cultura africana. Em 1988, na casa onde morava, criou uma fundação destinada a preservar e divulgar sua obra, bem como destacar a importância das culturas africanas e afro-brasileiras.

Um Comentário

  1. Josue disse:

    Opa. Não faltaram os novos da Coleção Prêmio Nobel ? (inclusive os meus devem estar quase chegando :) )

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