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Por DW Ribatski

Baseado em relato de Giovanna Rouvienko.

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DW Ribatski nasceu em Curitiba em 1982. É artista plástico, ilustrador e quadrinista. Já colaborou com diversas publicações, como o caderno Ilustríssima da Folha de S.Paulo e a revista Superinteressante, entre outras. Nas HQs, publicou Campo em branco (Quadrinhos na Cia., 2013), Como na quinta série (Balão Editorial, 2012), La naturalesa (coleção MIL, Cachalote/Barba Negra, 2011), Vigor Mortis (Quadrinhofilia/Zarabatana Books, 2011, com José Aguiar e Paulo Biscaia) e Dois (Roax Press, 2013). Contribui para o blog com uma coluna mensal de quadrinhos.

Senhoras e senhores, Policarpo Quaresma

Por José Luiz Passos

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A coluna deste mês fala sobre um clássico da literatura em comemoração aos 80 anos da Penguin.

No bairro de Salvador onde eu costumava alugar um apartamento há um busto em bronze, de costas para o mar, perto do ponto em que, dizem, nasceu o Brasil. Mas não é o busto de nenhum brasileiro. É Stefan Zweig, sereno, de olhos abertos, com o bigode polido pelo afago dos passantes. Zweig é famoso por ali; muita gente tira foto com ele. De manhãzinha, quando eu passava correndo, tinha sempre alguém dormindo ao pé do escritor. O busto fica ao lado de um banheiro público, de frente para dois bares e um grande centro hospitalar. Também divide a calçada com carrocinhas de água de coco. Então, matando a sede, as pessoas de vez em quando se escoram em Stefan Zweig.

Os “clássicos” ou homenageados têm, em geral, a sorte de uma companhia tão tranquila que se confunde com a insensibilidade. Duvido que Lima Barreto quisesse ter essa sorte. A lógica da vassalagem literária obedece a vários reis. Há a sanção popular, claramente evidente em leitores de ônibus, bancos de praça e fã-clubes; há o juízo da crítica, que se expressa em dissertações, teses e na contagem de artigos; e há o amor carnal de agentes e editores, cuja prova deveria ser a sequência ininterrupta das reedições de um autor. Sob qualquer um desses critérios, alguém ainda duvida que Lima Barreto mereça estar entre os principais da língua?

Bem, Policarpo, eu não quero contrariar você; continue lá com as suas manias. A cara do Brasil tem muitas cores. Seus escritores, muitas manias. A esse respeito, certa vez surgiu num encontro literário um debate curioso: que o Brasil deveria homenagear um escritor com a cara do Brasil; que tudo era político e o escritor que falasse a verdade, falaria politicamente. Não disputo a crença de que um diagnóstico crítico, a respeito das molas do poder de sua época, faça parte da relevância do escritor Lima Barreto. Tampouco ponho em questão a complexidade que a sua escrita deriva de uma trajetória praticamente ignorada pela literatura do período: os riscos de uma vida como autor negro, pobre, enfrentando-se a questões sexuais e problemas psiquiátricos, na pugna com o alcoolismo. Não é que essas variáveis outorguem à escrita mérito automático. É, mais ou menos, o contrário. A urgência de uma escrita que busque o registro de experiências inconformadas é índice da força e da variedade de um autor. E a literatura é o campo em que essas experiências deveriam contar para todos, não apenas para aqueles que passaram por elas. É precisamente aí que falar de uma política dos clássicos, ou da graça da dita literatura “séria”, alcança seu sentido maior.

— Sabes o que estou fazendo, Anastácio?

— Não “sinhô”.

— Estou vendo se choveu muito.

— Para que isso, patrão? A gente sabe logo “de olho” quando chove muito ou pouco…

Policarpo Quaresma precisa medir a chuva; a mesma chuva que seu ajudante Anastácio considera constatada a partir de um mero golpe de vista. O momento verdadeiramente político de um tributo a qualquer escritor é semelhante ao gesto de Policarpo: levar aquilo que parece opaco, pela sua imensa naturalidade, ao reino do visível; tornar a escrita que realiza tal operação nossa bem-vinda vizinha. Escrever bem não é escrever sério, nem tampouco levar-se a sério. Como me disse uma professora querida, literatura é leitura e leitores; os clássicos se fazem a partir do embate — também político — dessas leituras, refeitas a cada geração.

Entre as contribuições de Triste fim de Policarpo Quaresma está sua capacidade de tornar a vida de gente pequena um complexo de tramas desconfiadas; de usar o simplório como pedra no sapato dos grandes ideais; de lançar mão do ridículo na denúncia do nosso proselitismo; de enxergar a majestade do drama em detalhes comuns e, sobretudo, dar ao eu confundido uma dignidade que ele antes carecia, quando era tomado de cima para baixo, sob a ótica de instituições bem-nascidas. Para além do chavão, a leitura que se fizer de Lima Barreto só lhe fará justiça se incluir nossa carência dele: ver-nos na cara do autor é pensar com ele um Brasil que, de certa forma, o negou.

Qualquer homenagem deveria transformar a opacidade do óbvio em algo palpável, que passe a fazer parte da paisagem de todos. E não é óbvio que Lima Barreto é a nossa cara? Ele sabe mais do Brasil do que o Brasil quis saber dele. A pátria que quisera ter era um mito; era um fantasma criado por ele no silêncio do seu gabinete. Nem a física, nem a moral, nem a intelectual, nem a política que julgava existir, havia. A que existia de fato era a do tenente Antonino, a do doutor Campos, a do homem do Itamarati. Até no delírio patriótico, a pátria que lhe surge é inimiga e se denuncia.

Certa vez, a caminho de uma aula, cruzei novamente com o busto de Zweig. Quem olhe dali para longe, talvez buscando no outro lado do Atlântico uma ponta da África, dá de cara com o bronze nos olhando de volta, como quem diz que já sabia que o Brasil seria o país do futuro… Colei por cima da plaqueta, com o nome do escritor, um papelzinho avisando aos passantes: Lima Barreto nos representa. No final da vida, tal qual um Policarpo, Zweig teve a mania de entender o Brasil. Por outro lado, o sublime Lima, na sua singela grandeza, lá de trás, já havia entendido o esforço extravagante do próprio Stefan Zweig. Senhoras e senhores, Policarpo Quaresma ainda nos revela — e muito. Ora, me parece que isto vale bem mais do que um busto.

Texto publicado originalmente no Suplemento Pernambuco.

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José Luiz Passos nasceu em Catende, Pernambuco, em 1971. Formado em sociologia, doutorou-se em letras nos Estados Unidos. É autor dos ensaios Ruínas de linhas puras(1998) — sobre as viagens de Macunaíma — e Romance com pessoas (originalmente publicado em 2007 e reeditado pela Alfaguara em 2014). Também pela Alfaguara, publicou em 2009 seu primeiro romance, Nosso grão mais fino, selecionado para o prêmio Zaffari & Bourbon de literatura, e, em 2012, O sonâmbulo amador, com o qual venceu o Grande Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa em 2013. É autor de uma peça de teatro e de contos publicados no Brasil e no exterior — inclusive na revistaGranta em português. Vive atualmente com a esposa e os dois filhos nos Estados Unidos, onde é professor titular na Universidade da Califórnia em Los Angeles.

O melhor dos mundos possíveis

Por Juan Pablo Villalobos

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A coluna deste mês fala sobre um clássico da literatura em comemoração aos 80 anos da Penguin.

1. Na sexta-feira passada, eu estava no melhor dos mundos possíveis: tinha dedicado a semana a ler, escrever e a rabiscar ideias e frases soltas para meu novo livro. No final da tarde, fui caminhando até uma livraria para comprar uma nova edição de um dos meus livros favoritos, Cândido, ou o otimismo, de Voltaire. Tinha prometido escrever sobre esse livro para este blog e meu plano era levá-lo comigo para a praia, onde eu passaria o fim de semana com a família e uns amigos.

2. O melhor dos mundos possíveis continuou no sábado: passei o dia na praia e na piscina, lendo devagarinho oCândido. Eu devo ter lido esse livro pela primeira vez há pelo menos uns 25 anos, em algum momento entre os meus 15 e 17, e voltei a lê-lo duas ou três vezes nestes anos. De novo, como em cada releitura, as aventuras de Cândido, nas quais Voltaire reflete sobre os temas mais caros aos filósofos do Século das Luzes – religião, fanatismo, liberdade, opressão, obscurantismo, felicidade, infortúnio –, me encantaram.

3. Cândido é um jovem “reto de juízo e simples de espírito” que mora no castelo de um barão na Vestfália. Apaixonado pela filha dos barões, chamada Cunegundes, de dezessete anos, “corada, fresca, rechonchuda, apetitosa”, tem um preceptor, Pangloss, que ensina “metafísico-teólogo-cosmolonigologia” e acha que “este é o melhor dos mundos possíveis” e que “as coisas não podem ser de outra maneira”. Pangloss é um otimista que afirma o tempo todo que tudo está bem, que tudo está da melhor maneira possível e que não poderia ser de outra maneira. No decorrer do livro, Cândido, depois de ser expulso do castelo e sofrer inúmeras desgraças, irá conhecer o pessimismo e terminar acreditando que o otimismo é a mania de garantir que tudo está bem quando tudo está errado.

4. Acordei o domingo no melhor dos mundos possíveis e o projeto para o dia era ler mais Cândidona praia e na piscina. Porém, apareceu uma trinca no melhor dos mundos possíveis: notícias do México. Li a reportagem no celular, na beira do mar. O jornalista Rubén Espinosa, que tinha fugido de Veracruz ameaçado de morte, acabava de ser assassinado na Cidade do México. O corpo dele e de quatro mulheres foram encontrados com sinais de tortura e tiro de misericórdia num endereço da Colonia Narvarte.

5. Pensei, com raiva e tristeza, na descoberta de Cândido dos horrores do mundo – assassinatos, estupros, o terremoto de Lisboa, que inspirou Voltaire a escrever o Cândido– e na decepção que o leva a repudiar os ensinamentos do seu preceptor: “Ó Pangloss. Não tinhas imaginado esta abominação; não há remédio, acabo renegando o teu otimismo”.

6. Uma das mulheres assassinadas era uma amiga do Rubén, Nadia Vera, 32 anos, ativista que defendia a liberdade de expressão, antropóloga formada na Universidade Veracruzana, na mesma Faculdade de Humanas onde eu estudei Letras Espanholas. Fui procurá-la no Facebook: tínhamos dois amigos em comum.

7. Continuei a ler o Cândido durante o domingo, mas tudo tinha mudado: eu voltei a ser aquele leitor adolescente ansioso que exigia dos livros uma resposta ou, pelo menos, uma esperança. Também, de certo modo, me sentia culpado pela frivolidade da minha vidinha cheia de livros enquanto o meu país afunda.

8. Voltaire escreveu contra o otimismo porque queria atacar as ideias de Leibniz, que ele achava simplórias, mas também não se identificava com o pessimismo porque ele leva à inação. Uma das contribuições mais importantes do Iluminismo foi, justamente, a proposta de que temos que procurar a felicidade neste mundo e não, como propunha a religião, no além. O mundo, diz Voltaire noCândido, é horrível e o único lugar perfeito é o Eldorado, uma região tão rica e maravilhosa que se torna inacreditável. Não devemos procurar o Eldorado. O Eldorado não existe.

9. Ou, para ser exato, o Eldorado só existe como manipulação: é aquele lugar perfeito que só existe na mente dos governos corruptos e assassinos que falam que tudo está maravilhosamente bem quando está terrivelmente errado.

10. Entre o otimismo e o pessimismo, oCândidopropõe a ação modesta do trabalho pessoal e comunitário, resumido na frase final do livro, que já virou um lema famoso: “devemos cultivar nosso jardim”.

Devemos cultivar nosso jardim.

Cada um na sua própria trincheira.

Os livros e a escrita são também uma trincheira.

Não devemos nos render.

Descansem em paz Rubén, Nadia, Yesenia, Alejandra e Nicole.

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Juan Pablo Villalobos nasceu em Guadalajara, México, e morou alguns anos no Brasil. É autor de Festa no covil Se vivêssemos em um lugar normal, publicados pela Companhia das Letras e traduzidos em quinze países. Ele colabora para o blog com uma coluna mensal.
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É um clássico? Então chamem a polícia

Por Vanessa Ferrari

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“Quem lê o romance de sr. Flaubert? Serão homens que se ocupam de economia ou política social? Não! As páginas levianas de Madame Bovary caem em mãos mais levianas, nas mãos de moças, algumas vezes de mulheres casadas.”

Ernest Pinard, advogado de acusação durante a sustentação oral no processo contra Madame Bovary, em 1857.

Como disse certa vez não sei quem, é fácil prever o passado quando a coisa está consumada. A Penguin completa oitenta anos neste mês e alguns clássicos do catálogo que hoje são unanimidades tiveram uma estreia pouco gloriosa. Madame Bovary deixou o advogado de acusação muito angustiado por não haver um único personagem que pudesse controlar os impulsos daquela mulher. A petição de apreensão de Ulysses foi indeferida depois de o juiz considerar o livro sem tendências a “excitar impulsos sexuais ou pensamentos lúbricos”. Em 1960, a Penguin inglesa foi processada por ter publicado O amante de Lady Chatterley. O argumento jurídico era que o romance de D.H. Lawrence estimulava a depravação. Um dos episódios mais famosos talvez seja o de Lolita, de Nabokov, que saiu com a chancela de lixo pornográfico e ainda hoje provoca calafrios nos leitores. Há também 1984 e A revolução dos bichos, ambos de George Orwell, igualmente conhecidos por engrossar a lista dos encarcerados; e Os versos satânicos, de Salman Rushdie, em que a Fatwa “em nome de Deus Todo-Poderoso” condenou o autor (e os editores) à pena de morte.

Por aqui, apenas para ficar em um exemplo, Rubem Fonseca teve seu Feliz Ano Novo confiscado por retratar “personagens portadores de complexos, vícios e taras, com o objetivo de enfocar a face obscura da sociedade na prática da delinquência, suborno, latrocínio e homicídio”.

Peças jurídicas à parte, nem mesmo os leitores mais experientes estão imunes a julgamentos equivocados. Graciliano Ramos elogiou a autora Rachel de Queiroz no lançamento de Caminho de pedras usando um raciocínio extraliterário que hoje pegaria muito mal ao afirmar que a obra “fez nos espíritos estragos maiores que o romance de José Américo, por ser livro de mulher e, o que na verdade causava assombro, de mulher nova”. O autor de S. Bernardo, por sua vez, recebeu críticas que diminuíam o seu romance por ele não ter dado voz aos oprimidos.

Mário de Andrade, em carta a Manuel Bandeira, confessou se divertir com as angústias provocadas com a publicação de Macunaíma: “está tudo sarapantado, está tudo inquieto, está tudo não gostando com vontade de falar que não gosta porém meio com medo de bancar o bobo por não ter gostado duma coisa boa”.

E no meio desse emaranhado jurídico-intelectual estamos nós, leitores, às vezes defendendo declarações alheias, às vezes duvidando em silêncio, porque, convenhamos, ninguém gosta de apanhar à toa. Por isso, sugiro ao leitor que ao mergulhar em um clássico siga a regra infalível da preferência pessoal, se gostar, siga em frente, do contrário, eleja outro bom autor. E, no caso das narrativas contemporâneas, para apoiar-se em uma fonte confiável, consulte a polícia moral mais próxima, pois ela costuma ter um ótimo faro para obras-primas.

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Vanessa Ferrari é editora da Penguin-Companhia e mediadora do clube de leitura na Penitenciária Feminina de Sant’Ana.

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Por Érico Assis 

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Frank Miller não anda muito bem. Fotos do ano passado mostram um homem emaciado, esquelético, sem cabelo, barba nem sobrancelhas, o pescoço caído e o ombro direito sempre mais baixo que o esquerdo. Miller tem só 58 anos. Estava entre os 22 e os 24 quando se projetou no Demolidor, 28 quando se consagrou em Cavaleiro das Trevas, 34 quando inventou Sin City.

Angeli também tem 58 anos e está muito bem. John Romita Jr., Gilbert Hernandez e Dave Sim têm 58. Héctor Germán Oesterheld foi desaparecido pela junta militar argentina aos 58. Peter Bagge tem 57. François Schuiten, Geof Darrow e Suehiro Maruo têm 59. Osamu Tezuka morreu aos 60, de câncer no estômago.

Tezuka publicou seu primeiro mangá aos 17. Harvey Kurtzman entrou no mercado aos 17, Adrian Tomine autopublicou sua primeira Optic Nerve aos 17. Hugo Pratt e Moebius começaram aos 18. Jules Feiffer foi contratado como assistente de Eisner aos 16 (está com 86). Joe Kubert publicou aos 15 (faleceu aos 85). Pedro Cobiaco e João Montanaro começaram aos 14. Katsuhiro Otomo, Jack Kirby, Laerte, Robert Crumb, Barry Windsor-Smith, Hergé e Will Eisner começaram aos 19. Rob Liefeld e Garth Ennis também.

Dave Sim tinha 23 anos quando disse que ia publicar 300 edições de Cerebus, que começou aos 21 (e publicou mesmo, até os 48). Gilbert e Jaime Hernandez tinham 25 e 23 quando lançaram Love & Rockets. Morris criou Lucky Luke aos 23. Zep criou Titeuf aos 25. Neil Gaiman tinha 27 anos quando concebeu Sandman, mesma idade de Bill Watterson ao criar Calvin & Hobbes. Dan Clowes tinha 28 quando lançou a Eightball, Kurtzman tinha 28 quando lançou a Mad, Charles Schulz tinha 28 quando lançou Peanuts. Pat Mills e John Wagner criaram o Juiz Dredd com 28, Katsuhiro Otomo tinha 28 quando começou Akira. Hugo Pratt estreou Corto Maltese aos 30.

Joann Sfar publicou O Gato do Rabino aos 30 e no ano seguinte ganhou uma honraria do Festival d’Angoulême normalmente reservada a quem tem mais de 50. Para ser mais preciso, a média de idade de quem ganha o Grand Prix de la ville d’Angoulême é 52 anos. É um reconhecimento pela carreira. No Hall of Fame do Prêmio Eisner, equivalente dos EUA, a maioria dos premiados já é falecida.

Michael DeForge tem 28 anos. Bastien Vivès tem 31. DW tem 33. Caeto, Rafael Sica e Bryan Lee O’Malley têm 36. Fábio Moon e Gabriel Bá e Scott Snyder e Matt Fraction e Brian K. Vaughan e Tom Gauld e André Diniz e Shiko têm 39. Frederik Peeters, Manuele Fior e Jeffrey Brown têm 40. Liniers e Junko Mizuno têm 42. Paul Pope, Ludovic Debeurme e Marcello Quintanilha têm 44. Mark Millar e Rafael Campos Rocha têm 45, que Christophe Blain completa daqui a alguns dias. Chris Ware, Blutch, Warren Ellis, Frank Quitely, Jamie Hewlett e Brian Bendis têm 47. Odyr e James Kochalka têm 48. Lelis faz 48 esta semana. Julie Doucet, Killoffer e Guy Delisle têm 49. Lewis Trondheim, Jean-Christophe Menu e Jason têm 50. Spacca, Lourenço Mutarelli, Junji Ito, Emmanuel Guibert, Dave McKean e Jim Lee têm 51. David Mazzucchelli, Joe Sacco e Mike Mignola têm 54. Grant Morrison, Jeff Smith, Chester Brown e Scott McCloud e Eduardo Risso têm 55. Igort, Peter Kuper, Calpurnio, Marc-Antoine Mathieu e David B. têm 56.

David B. tinha 37 anos quando começou a publicar Epilético, sua autobiografia, mesma idade em que Harvey Pekar começou a contar sua vida na American Splendor. Alison Bechdel tinha 36 anos quando lançou Fun Home. Justin Green inaugurou a autobiografia no quadrinho underground aos 27, Marzena Sowa começou Marzi com 26, Craig Thompson começou Retalhos aos 24. Miriam Katin só publicou a história de sua família aos 63; Joyce Farmer, só aos 72. Marjane Satrapi e Art Spiegelman começaram Persépolis e Maus, respectivamente, aos 32.

Quino criou Mafalda aos 32. Gian Luigi Bonelli criou Tex aos 40. Uderzo tinha 33 e Goscinny tinha 34 quando criaram Asterix.

Goscinny morreu fazendo um teste ergométrico aos 51. Yves Chaland e Alex Raymond morreram em acidentes de carro, respectivamente aos 33 e aos 46. E.C. Segar morreu de leucemia aos 43, Henfil morreu de AIDS aos 43. Glauco foi morto aos 53, Wolinski foi morto aos 80. George Herriman morreu aos 63. Winsor McCay se foi aos 63 ou 67, pois não se sabe direito quando ele nasceu. Jijé, Martin Vaughn-James e Angelo Agostini morreram aos 66. Kurtzman, Pratt, Don Martin e Jean-Claude Forest, aos 68. Moebius, Gil Kane, André Franquin e Keiji Nakazawa morreram com 71. Hal Foster e Jerry Robinson morreram com 89. Rudolph Dirks, aos 91. G.L. Bonelli, aos 92. Carl Barks, aos 99.

Al Jaffee está com 94. Shigeru Mizuki, com 93. Mort Walker, com 91. John Romita Sr. tem 85 anos, Ziraldo tem 82, Kazuo Koike e Mauricio de Sousa têm 79. Jean-Claude Mézières, Jean Van Hamme e Jim Steranko têm 76. Joost Swarte, André Juillard e Jiro Taniguchi têm 67. Milo Manara está com (heh) 69.

Stan Lee está com 92 anos. Entrou de office boy numa editora de quadrinhos aos 17, publicou seu primeiro texto em gibi aos 18, criou (com colegas) o Universo Marvel contemporâneo aos 40. Continua trabalhando. Dizem que sua longevidade se justifica porque ele sempre escreveu de pé. Está com aparência melhor que a de Frank Miller.

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Érico Assis é jornalista, professor universitário e tradutor. Do selo Quadrinhos na Cia., ele já traduziu RetalhosHabibi, de Craig Thompson, Umbigo sem fundo, de Dash Shaw, e os três volumes de Scott Pilgrim contra o mundo, de Bryan Lee O’Malley, entre outros. Ele contribui quinzenalmente para o blog com textos sobre histórias em quadrinhos.
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