Por Tony Bellotto
(A cena que se segue é baseada em fatos reais e tem como um dos personagens um famoso escritor. Teste seus conhecimentos literários adivinhando que escritor é esse).
Cidade do México, 06 de setembro de 1951.
Quando Bill e Joan entraram no apartamento, Marker e Eddie estavam na mesa, bebendo. Sobre a mesa, além dos copos e da garrafa, Bill notou o revólver. John, o dono do bar que funcionava no térreo, frequentado por americanos, conseguira a arma que Bill procurava.
“Estou pensando em levar Joan e Billy Junior para a América do Sul. Vamos viver na floresta, caçando e pescando para sobreviver”, disse Bill, lembrando-se dos tempos que passara na selva equatoriana com Marker em busca de yagé.
“Se dependermos de você como caçador, a família vai morrer de fome…”, disse Joan, sarcástica, irritada com a atenção exagerada que o marido dispensava a Marker em especial e a garotos em geral.
“É? Deixa eu mostrar pros rapazes aqui como o velho Bill sabe atirar…”, disse Bill, pegando a arma sobre a mesa. “Joan, lembra do Guilherme Tell?”
Joan, que nos últimos tempos andava abusando da benzedrina e do gim, topou o desafio. Sentou-se numa cadeira, colocou o copo de gim tônica sobre a cabeça e fechou os olhos.
“Não vou olhar”, ela disse, sorrindo. “Você sabe que eu não posso ver sangue…”
Bill começou a fazer a mira e, antes que os dois garotos bêbados percebessem que aquilo não era uma brincadeira, disparou.
A cabeça de Joan tombou devagar contra o peito, enquanto o sangue escorria do ferimento.
“Acho que sua bala atingiu a Joan, Bill”, disse Marker, rompendo o silêncio que se instalara no pequeno apartamento.
Bill largou o revólver, pegou a mulher nos braços e começou a chamá-la, inutilmente: “Joan! Joan!”
O copo de gim tônica permanecia no chão, intacto.
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Tony Bellotto, além de escritor, é compositor e guitarrista da banda de rock Titãs. Seu novo livro, Machu Picchu, acaba de ser lançado.













