Final de ano é época tanto de escolher presentes para os amigos e a família quanto de escolher suas leituras de férias. Pensando nisso, pedimos para os funcionários da editora sugerirem alguns títulos para os nossos leitores aqui do blog.
Nessa primeira parte, você conhece os livros indicados pelo departamento editorial:
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O quarto volume das Histórias à Brasileira, A donzela guerreira e outras, de Ana Maria Machado: dez histórias do folclore narradas com aquele toque caloroso da oralidade.
Passageiro do fim do dia, de Rubens Figueiredo: uma viagem de ônibus, do centro à periferia, em uma narrativa precisa e atenta às nossas contradições cotidianas.
- Ana Maria Alvares, editora assistente
Do fundo do poço se vê a lua e Método prático da guerrilha: dois livros tão diferentes quanto surpreendentes. No primeiro, Egito, mistério, troca de sexo e muitos pacotes de bala Soft. No segundo, os últimos dias de um revolucionário, descritos por um narrador nada confiável.
- André Conti, editor
Indico Não há silêncio que não termine, de Ingrid Betancourt. A autora relata seu sequestro, suas tentativas de fuga, tudo o que passou no cativeiro durante mais de seis anos em poder das Farc.
- Cintia Lublanski, assistente editorial
Todos os homens são mentirosos, de Alberto Manguel — uma bela ficção que trata da ditadura militar argentina e de como podemos nos enganar profundamente sobre as pessoas.
Vergonha, de Salman Rushdie — como diz o próprio autor, é uma espécie de “conto de fadas” sobre um suposto país (Paquistão) onde convivem os sentimentos de muita vergonha e a total falta dela. Os personagens são bem alegóricos, como a mulher que chega a queimar os outros de tanto corar, e o homem obeso e pândego (filho de três mães histéricas), sem o menor escrúpulo. Um dos primeiros livros de Rushdie, é realmente muito bom.
- Julia Bussius, editora assistente
O palhaço é engraçado, o macaco faz macaquice, o passarinho voa — o que deve ser uma delícia —, mas escrever poesia para crianças, isso é com o Eucanaã Ferraz. Indico Palhaço, macaco, passarinho.
Outro livro que acho um presentão é O rei e o mar: 21 mini-histórias sobre um rei que quer fazer valer a própria vontade, até frente à natureza, e só pensa em mandar, mandar e mandar — alguma semelhança com as crianças e seu rei na barriga não é mera coincidência.
- Júlia Moritz Schwarcz, editora
É um livro (Lane Smith): no ano em que só se falou de e-book, uma homenagem aos nossos livrinhos de papel.
Esquimó (Fabrício Corsaletti): o frescor da poesia jovem, permeada de delicadeza e melancolia.
- Lígia Azevedo, editora assistente
O alufá Rufino. Um livro de história com sabor de ficção. Junto com o protagonista entendemos os meandros do comércio negreiro da África ao Brasil e vice-versa.
Recordações do escrivão Isaías Caminha. Romance de estreia do escritor Lima Barreto, a narrativa já traz todos os elementos de uma obra em tudo original: a crítica à ciência e ao jornalismo (considerado por ele o 4º poder da república); a denúncia da política discriminatória; a condenação à modernização artificial; a denúncia da violência urbana e das práticas veladas mas eficazes de racismo, e uma profunda identificação com os despossuídos e com a vida de subúrbio.
- Lilia Moritz Schwarcz, diretora-presidente
Boas pedidas para este Natal são A sociedade da neve, que reúne pela primeira vez os relatos emocionantes dos sobreviventes do famoso desastre aéreo dos Andes, e Uma solidão ruidosa, romance curto e delicioso sobre um operário de uma prensa apaixonado por literatura.
- Lucila Lombardi, editora assistente
Eu recomendo Em outros quartos, outras surpresas, de Daniyal Mueenuddin, um livro de contos singelamente interligados, e Recordações do escrivão Isaías Caminha, de Lima Barreto, um dos meus escritores favoritos, em bonita edição da Penguin-Companhia.
- Luiz Schwarcz, diretor-presidente
Sugiro Nada me faltará, do Lourenço Mutarelli, pela história que inquieta o leitor ao mesmo tempo que oferece o prazer da escrita econômica e absolutamente clara.
E Solar, porque é do Ian McEwan e muito engraçado.
- Márcia Copola, editora de texto
Nada a dizer, de Elvira Vigna: adultério + humor + dor.
Outras cores, de Orhan Pamuk: ensaios sobre literatura e memórias, escritos com sensibilidade e clareza.
- Maria Emília Bender, diretora editorial
Passageiro do fim do dia, de Rubens Figueiredo: um romance primoroso que reafirma o lugar de destaque de Rubens Figueiredo na literatura brasileira contemporânea. O livro narra uma viagem de ônibus repleta de tensão, partindo do centro e chegando à periferia pobre de uma cidade grande.
68 contos de Raymond Carver: Raymond Carver é um dos maiores ficcionistas americanos do século XX. Esta coletânea organizada em ordem cronológica mostra bem sua trajetória como escritor. Carver tinha um visão incrivelmente poética sobre as cidades pequenas dos Estados Unidos e sua população de “caipiras de shopping center”: personagens traumatizados pela exclusão, em luta consigo mesmos, mas de uma generosa humanidade. Nestas histórias, emoções vastas são comprimidas em episódios cotidianos, com naturalidade de tom e irrestrita solidariedade com as fraquezas humanas.
- Marta Garcia, editora
Dois clássicos do jornalismo: Dez dias que abalaram o mundo, de John Reed, que recebeu edição integral e nova tradução, e Esqueleto na lagoa verde, de Antonio Callado, uma das melhores narrativas do jornalismo brasileiro.
- Matinas Suzuki Jr., diretor executivo
Hitler, Ian Kershaw: a vida toda do Monstro, das montanhas bucólicas da Áustria ao colírio de cocaína no bunker, com fineza analítica e fluência literária.
A trilogia autobiográfica (A língua absolvida, O jogo dos olhos, Uma luz em meu ouvido), em edição de bolso, do romancista e ensaísta Elias Cannetti, prêmio Nobel de literatura em 1981: da infância na Bulgária natal aos muitos exílios em terras de língua alemã; a formação da linguagem e das obras-primas de um dos mais lúcidos observadores do poder explosivo das massas.
- Otávio Marques da Costa, editor assistente
Só garotos, de Patti Smith: arte & amor & rock’n'roll pra chacoallhar o coração e espantar a caretice.
Quer saber do que é capaz um escritor munido apenas de diálogos? Nada me faltará, do irreverente Mutarelli — e não falta mesmo.
- Thyago Nogueira, editor
Para leitores bem-humorados, fãs de Marjane Satrapi e mulheres mal-intencionadas, recomendo a leitura de Bordados, um manual prático de como burlar a rigorosa moral da sociedade iraniana. E também, mudando radicalmente de tema, Recordações do escrivão Isaías Caminha. Descobrir Lima Barreto foi muito legal.
- Vanessa Ferrari, editora assistente













