Design

25 anos em busca de qualidade

Por Elisa Braga

Muitas vezes vejo pessoas admiradas com a grande quantidade de profissionais envolvidos no processo de produção de um livro. Realmente é muita gente, são funcionários, colaboradores, parceiros, que precisam fazer bem a sua parte para o processo seguir adiante.

Em sua coluna desta semana na Folha de S.Paulo, Janio de Freitas cumprimenta a Companhia das Letras pelos seus 25 anos e diz “Os 25 anos da Companhia das Letras são mesmo para comemorar. Com sua chegada, o livro ganhou no Brasil um novo status, na elaboração carinhosa, no tratamento respeitoso ao texto, na elegância da identidade editorial. [...] O significado da Companhia das Letras chegou até mesmo à indústria gráfica brasileira, obsoleta e extenuada, e de repente forçada a repor-se à altura das edições pretendidas”. Sempre ouvimos o Nelson Vido, sócio-diretor da Geográfica, nos agradecer por isso.

Ontem, quase às dez da noite, recebi uma mensagem do Fabio, nosso supervisor de produção de capas, dizendo que a Geográfica recebeu o Prêmio Fernando Pini da Indústria Gráfica, na categoria Livros de Texto, pela impressão dos doze volumes da “Coleção Prêmio Nobel ― 25 anos da Companhia das Letras“. Na produção desta coleção, trabalharam juntos, cuidando de cada detalhe, a minha superequipe (incluindo o Teco), a dupla de artistas gráficos Claudia Warrak e Raul Loureiro (adoramos trabalhar com vocês), e os sempre atenciosos funcionários da Geográfica. Parabéns e obrigada a todos.

Para nós do departamento de produção, este prêmio é um símbolo do reconhecimento da qualidade que sempre buscamos, com a participação essencial de todos os nossos parceiros, as gráficas (Bartira, Donnelley e Prol, além da Geográfica), a indústria de papel, os artistas gráficos, os ilustradores, os diagramadores e os revisores.

Nos próximos 25 anos, vamos continuar querendo mais.

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Elisa Braga é diretora de produção e trabalha na Companhia das Letras desde 1987.

Concurso Getty Images de Melhor Capa de Livro 2010

O banco de imagens Getty Images promoveu o concurso Melhor Capa de Livro 2010, com o objetivo de reconhecer o talento dos designers — profissionais que têm a delicada e difícil missão de transmitir o conteúdo do livro na capa, atraindo o público certo para a obra.

Os jurados tiveram que decidir entre as 133 capas inscritas, todas elaboradas a partir de imagens da Getty Images. O resultado foi anunciado ontem, e ficamos felizes em saber que a capa de um de nossos livros foi a premiada!


Foto original do banco de imagens e a capa de Uma certa paz.

Parabéns aos designers, Claudia Warrak e Raul Loureiro, pelo ótimo trabalho!

60,8 sextilhões de capas

Por Elisa Braga

O lançamento de livro mais bonito que já vi foi em 1988 na Livraria Cultura, no mesmo espaço onde hoje funciona a loja Companhia das Letras por Livraria Cultura. Na ocasião, ao invés do autor, a capa, ou melhor, as capas foram as estrelas da festa. O livro era Os escritores – As históricas entrevistas da Paris Review vol. 1, e cada um dos 3 mil exemplares da primeira edição foi pintado à mão pelos artistas plásticos Marco Mariutti e Clovis França, sobre projeto gráfico de João Baptista da Costa Aguiar. Foram quinze dias de produção, e no final, com o prazo ficando apertado, lembro de o Luiz e eu irmos ajudar os artistas a colocar as capas para secar em estantes de arame na gráfica do avô do Luiz. A Júlia Schwarcz, cronista deste blog, na época tinha 7 anos e também pintou uma capa, que depois foi comprada no lançamento, na frente dela, que ficou vigiando.

O Luiz pediu ao Pedro Herz, da Livraria Cultura, para forrar todas as prateleiras da loja com os livros pintados artesanalmente. Para todos os lados que olhássemos só se encontrava o mesmo título, e assim ficou “menos difícil” de os leitores escolherem o seu exemplar.

Este projeto realça o caráter de unicidade do livro, a ideia de que o livro é formado pela leitura, que é singular a cada leitor.

No ano passado, quando soube que iríamos fazer uma nova edição das entrevistas da Paris Review,  pensei em reeditar a ideia de capas únicas, mas agora utilizando as novas tecnologias gráficas que não param de aparecer. Chamamos a artista gráfica Flavia Castanheira e a gráfica R. R. Donnelley para juntos pensarmos na possibilidade de usar a impressão digital com dados variáveis (método que utiliza impressão digital e um software especial, permitindo personalizar cada parte de um projeto — é a tecnologia utilizada para imprimir o nome e o endereço do destinatário em correspondências, por exemplo). Deu certo: graças ao software que faz as diversas combinações, podemos ter 60,8 sextilhões de capas com variações nas cores das tarjas, na posição dos nomes dos entrevistados e no logo da editora.

Começamos com 3 mil!

[Veja mais fotos da nova edição e da edição original]

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Elisa Braga é diretora de produção e trabalha na Companhia das Letras desde 1987.

Siga a seta: o trabalho de um ilustrador

Por Sandra Jávera

Meu nome é Sandra Jávera e sou assistente do ilustrador Andrés Sandoval. Acompanhei o desenvolvimento do último trabalho dele para um livro infantil e fiz algumas fotos para apresentá-lo a vocês.

Este é o espaço de trabalho do Andrés, lotado de esboços (que aparecem nas paredes e gavetas) que ele fez para o livro Siga a seta, da editora portuguesa Planeta Tangerina. A sequência dos desenhos mostra a evolução da linguagem e alguns estudos de ocupação do espaço da folha.

No começo, o trabalho se concentrou na representação das setas e caminhos que percorriam todo o livro. Apesar de serem o tema principal do texto, a narrativa estava um pouco monótona somente com elas. Assim, logo entraram as cores, acompanhadas de novas personagens e mais elementos da cidade, o que enriqueceu as imagens e deu novo ritmo à história.

Os desenhos de seta foram feitos à mão num pequeno caderno e depois vetorizados e transformados em carimbos. Andrés tem uma grande coleção de carimbos e também desenha os seus. Já os experimentou em outros trabalhos, como no livro Viagens para lugares que eu nunca fui, da Companhia das Letrinhas, e Histórias para ler sem pressa, da editora Globo.

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O cara da capa

Por Thyago Nogueira

Depois da invasão fotográfica, é a vez das capas ilustradas e tipográficas chamarem a atenção. E um dos bons culpados por isso talvez seja o designer londrino Jon Gray, cuja capa acima, da edição americana de Ilustrado, vai embalar também a versão brasileira do livro.

Gray é formado pelo London College of Printing, mas foi no emprego da editora inglesa Little, Brown que aprendeu a dar vida às capas, cortando, colando e desenhando à mão, para depois escanear o trabalho e manipulá-lo no computador.

Conhecido como Gray318 e colaborador de editoras inglesas e americanas, é autor de capas vibrantes e inventivas, que brincam com a caligrafia e a tipologia para dar movimento e graça ao título e ao nome do autor. Cores chapadas e contrastantes e uma divertida repetição de padrões gráficos, tirados de quadrinhos e cartazes, são marcas de seus melhores trabalhos, que trazem para o universo pop a aceleração futurista de Filippo Marinetti, a irreverência lúdica de Paul Rand e a concisão expressiva de Saul Bass, para citar apenas três gigantes da história do design.

Gray é o cara por trás das elogiadas capas de Jonathan Safran Foer, um namoro que começou com Everything is Illuminated (2003) e seguiu com a arrebatadora Extremely Loud and Incredibly Close (2005) — que chegou a ter duas versões. Para I’m ok, título anterior do livro que tem como protagonista um garoto e os desdobramentos do Onze de Setembro, Gray concebeu uma capa em preto-e-branco fúnebre, com letras que surgem dos vazios criados por uma renda de anjos, grifos e volutas. Mas o livro mudou de título no final da edição, e Gray teve de correr novamente à cartola.

A mão vermelha que estampa a capa definitiva do romance não é apenas um sinal de perigo e atenção. Quem a observa atentamente na livraria é capaz de vê-la pedir que você se aproxime e encaixe ali sua própria mão. Como faz uma criança que quer conferir seu contorno ou como faz um adulto que apalpa um objeto querido. Mas também como fez um designer talentoso, que mostra como transformar a literatura em grande fonte de inspiração.

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Thyago Nogueira é editor da Companhia das Letras e fotógrafo. É editor de Lourenço Mutarelli e da coleção Jorge Amado.