Por Renata Megale

Salman Rushdie e seu filho Milan no Rio de Janeiro. (Foto por Bel Pedrosa)
Eram nove da noite e eu estava a postos no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, à espera de Salman Rushdie e de seu filho Milan, 13 anos. Não seria a primeira vez que eu estaria com o escritor, pude acompanhá-lo em duas outras visitas ao Brasil. Salman sempre foi extremamente agradável, e sua alegria de estar aqui, muito marcante em todas as vezes que o vi.
Este ano, Salman chega para o lançamento mundial de seu livro Luka e o fogo da vida, no Brasil. Uma semana antes ele postou uma mensagem, na rede social Facebook, sobre a alegria de ter seu romance mais recente publicado antes no Brasil do que em qualquer outro país. Talvez essa seja a grande diferença entre esta e as outras visitas ao Brasil, a nossa amizade via Facebook. Pude acompanhar o entusiasmo do escritor crescendo a cada dia que se aproximava a data da viagem. Até que o último post — Brasil!!!! — entrou minutos antes do embarque, comentado depois por Neil Gaiman e Hanif Kureishi, dois autores que já estiveram em Paraty e mencionaram a “inveja” que sentiam de Salman.
Mas, voltando à minha espera no aeroporto, o voo pousou às 21h40 e eles saíram somente às 22h45. A apreensão de quem recebe é sempre a mesma: será que chegaram bem? Será que estão contentes? Por mais que eu já o conhecesse, a tarefa de recepcionar traz sempre angústia. Apareceram os dois, pai e filho, com chapéu Panamá, sorridentes, e foram logo saudados pelo público que estava no aeroporto. Uma mulher disse, “é aquele escritor”, outro senhor emendou, “welcome Mr. Rushdie”. É essa calorosa recepção que Salman ressalta nas entrevistas que concede: “gosto de estar aqui, os brasileiros são sempre muito receptivos e calorosos. Além de estar com grandes amigos que mantenho por aqui, como meu próprio editor, Luiz Schwarcz”.
Fomos direto para o hotel e combinamos de nos encontrar logo de manhã, no dia seguinte, quando ele daria duas entrevistas e depois sairíamos para passear. Milan estava muito ansioso para relembrar o Rio de Janeiro. Ele esteve aqui aos 5 anos de idade e se recordava de pouca coisa. Após as entrevistas, fomos a um restaurante gostoso, recomendado por amigos cariocas, onde pudemos apreciar um bom peixe e porçōes de bolinhos de bacalhau e lula. Milan adorou e devorou tudo.
Comentei do sotaque britânico e como ele faria sucesso com as mulheres. Falamos de muitas amenidades e ficamos observando os aviões descerem. Estávamos muito próximos da pista de pouso do aeroporto Santos Dumont e Salman, muito paternal, mostrou conhecimento sobre pilotagem de avião. Nessas horas, é momento de ficar quieta e ouvir histórias. Em geral, como os convidados são muito viajados e pessoas interessantes, sempre fico sabendo de histórias divertidas e curiosas.
Após o almoço, Milan estava com muito sono e pediu uma siesta! Foi o que fizeram e saímos somente à noite para o Carioca da Gema, casa que toca samba na Lapa, tradicional bairro boêmio do Rio de Janeiro. Fechamos a noite assim, e com a promessa de no dia seguinte irmos ao Maracanã, Pāo de Açúcar e Jardim Botânico. Um dia antes de partirmos para Paraty, rumo à FLIP, onde mais histórias certamente virão.
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Renata Megale é jornalista e colaboradora da Companhia das Letras na FLIP.









