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Um passo importante na luta pela liberdade de expressão

Roberto Carlos emitiu hoje, 30 de maio de 2014, uma declaração de que não irá tomar medidas jurídicas contra o livro O réu e o rei, de Paulo Cesar de Araújo. No livro, lançado na semana passada pela editora, Paulo Cesar narra a sua história com o cantor, dando detalhes do julgamento que tirou das livrarias, em 2007, a biografia Roberto Carlos em Detalhes, em que o autor trabalhou por 16 anos. Leia a seguir a declaração de Roberto Carlos sobre O réu e o rei e a nota da editora sobre a questão das biografias.

Declaração de Roberto Carlos:

Com relação ao livro O réu e o rei, Roberto Carlos não vai tomar qualquer medida jurídica, em face de: a) o livro não ser uma biografia sua, mas uma autobiografia do autor; b) ao contrário do livro anterior, não conter invasão de sua privacidade e/ou injúrias ou difamações a sua pessoa. O livro Roberto Carlos em Detalhes não foi censurado ou apreendido, mas saiu do mercado em face de um acordo judicial, irrevogável e definitivo, assinado espontaneamente pelo autor do livro, o editor e a Editora.

Declaração da Companhia das Letras:

A Companhia das Letras considera o livro de Paulo Cesar de Araújo, O réu e o rei — com o relato da pesquisa e dos passos que fizeram com que a biografia de Roberto Carlos fosse retirada do mercado — um marco na história da luta pela liberdade de expressão no Brasil, e em particular da luta pela liberdade de publicação de biografias e livros que retratem a história do nosso país. Como todos os editores, aguardamos agora que o Senado dê continuidade à tramitação do Projeto da nova Lei das biografias.

 

Autores da Companhia das Letras na Flip

Ontem foi divulgada a programação completa da Festa Literária Internacional de Paraty de 2014, que acontece de 30 de julho a 3 de agosto e homenageará o escritor Millôr Fernandes. Veja quais são os autores da Companhia das Letras que vão participar da 12ª Flip!

 

Gregorio Duvivier

Dia 31/7 — Mesa 1 — Poesia & Prosa
Com Eliane Brum, Charles Peixoto e Gregorio Duvivier

Autor de Ligue os pontos, Gregorio Duvivier vai integrar a primeira mesa da programação principal da Flip. A escrita poética de Duvivier tem foco na importância descomunal dos momentos insignificantes do cotidiano. A constelação de poemas de Ligue os pontos revela uma dicção marcadamente individual, que flerta, contudo, com o melhor da tradição carioca nonchalante, e extrai do dia a dia compartilhado imagens de desconcertante beleza.

 

Antonio Prata e Mohsin Hamid

Dia 1/8 — Mesa 8 — Livre como um táxi
Com Antonio Prata e Mohsin Hamid

O escritor e colunista da Folha de S. Paulo irá dividir a mesa 8 com o paquistanês Mohsin Hamid. No ano passado ele lançou Nu, de botas, um livro cheio de humor e lirismo que resgata suas memórias de infância.

Mohsin Hamid lançará em julho o livro Como ficar podre de rico na Ásia emergente. O romance acompanha a trajetória de um homem que sai da pobreza da zona rural para se tornar um magnata do mundo corporativo que constrói seu império a partir da água, baseando seu negócio nos conselhos de livros de autoajuda devorados por jovens ambiciosos.


Andrew Solomon

Dia 1/8 — Mesa 9 — Encontro com Andrew Solomon

Com Longe da árvore, Andrew Solomon fez uma abrangente pesquisa sobre o universo da diversidade em famílias com filhos marcados pela excepcionalidade. No livro, ele escolheu dez identidades de pessoas que “fogem do padrão” para falar sobre os sentidos de ser diferente e, principalmente, aprender a amar e respeitar as diferenças.

 

Juan Villoro

Dia 2/8 — Mesa 13 — A verdadeira história do paraíso
Com Etgar Keret e Juan Villoro

Juan Villoro é autor de O livro selvagem e vai lançar em junho no Brasil o seu novo romance, Arrecife. Se no primeiro livro o protagonista de treze anos se aventura atrás de uma obra na biblioteca de seu tio, o novo romance aborda o mercado do turismo no México ao apresentar um hotel que oferece pacotes de entretenimentos diferentes para seus hóspedes.

 

Fernanda Torres

Dia 3/8 — Mesa 18 — Romance em dois atos
Com Daniel Alarcón e Fernanda Torres

Mais conhecida pelo seu trabalho na televisão, cinema e teatro, Fernanda Torres estreou na literatura no ano passado com Fim. O livro acompanha a história de um grupo de cinco amigos cariocas que rememoram as passagens marcantes de suas vidas: festas, casamentos, separações, manias, inibições e arrependimentos.

* * *

Vai para a Flip mas ainda não conhece nossos autores? Vamos sortear um kit com cinco livros dos convidados da festa:

Ligue os pontos, de Gregorio Duvivier
Nu, de botas, de Antonio Prata
Longe da árvore, de Andrew Solomon
O livro selvagem, de Juan Villoro
Fim, de Fernanda Torres

Para participar, deixe um comentário neste post até o dia 1º de junho dizendo qual autor você mais quer ver durante a Flip 2014. Só aceitaremos um comentário por pessoa. O resultado da promoção será anunciado aqui no blog no dia 2 de junho.

RESULTADO

A vencedora do kit com os livros dos autores que participarão da Flip 2014 foi a Denise Weisheimer. Iremos entrar em contato por e-mail e, caso não houver resposta em 48h, realizaremos um novo sorteio.

Obrigado a todos que participaram!

Sem Deb

Por Luiz Schwarcz


O avião acabara de pousar em Ilhéus, onde, a convite de um amigo, Lili e eu passaríamos o feriado de Primeiro de Maio. Comecei a ler meus e-mails no iPhone e, pelo assunto, fui direto ao que dizia: PRIVATE, For Luiz Schwarcz only. A mensagem era da minha amiga Laurence Laluyaux, que trabalha na agência com a qual correpresentamos internacionalmente a maior parte dos nossos autores. O assunto sigiloso era tristíssimo. Laurence me comunicava que a fundadora da agência e minha grande amiga pessoal, Deborah Rogers, falecera havia poucos minutos, ao que tudo indica vitimada por um ataque cardíaco fulminante, ao estacionar o carro em frente de sua casa, no bairro de Notting Hill, em Londres. Laurence me pedia que por ora guardasse em segredo a triste notícia, já que parte de seus autores mais próximos ainda não haviam sido localizados e informados.

Estive recentemente com Deb. Neste ano, o prêmio mais importante da Feira de Londres — que normalmente é agraciado apenas a editores de grande prestígio, em reconhecimento pelo que realizaram ao longo de sua trajetória profissional — foi concedido, pela primeira vez, a um agente literário. Deb estava desconfortável com a premiação. Respondera a meu e-mail de parabéns, anterior à cerimônia, tentando desconversar, falando de mim. Na cerimônia vestia uma roupa comum, como se aquela fosse uma jornada normal de trabalho. De diferente talvez trouxesse apenas um colar de pérolas, uma echarpe e uma leve maquiagem nos olhos. Seu discurso foi precedido pela apresentação de Kazuo Ishiguro, um de seus autores mais próximos. Ish, de forma muito bem-humorada, lembrou que Angela Carter, ao lhe recomendar o trabalho de Deborah Rogers, contou que ela aliava o melhor e mais sofisticado gosto literário a um interesse superkitsch por objetos de decoração, sugerindo que o escritor levasse um pato de madeira ou algum ornamento de gosto discutível, para quebrar o gelo no primeiro encontro com a cobiçada agente. Ao entregar a ela o objeto físico que simbolizava o prêmio, Ishiguro disse estar finalmente realizando o gesto proposto por sua mentora. Todos riram, criando a atmosfera perfeita para Deborah começar a proferir, com sua voz aguda, as poucas e tímidas palavras que preparara como agradecimento. Sentado com a equipe da agência, não resisti e assobiei no momento dos aplausos, como se estivesse num show de rock, homenageando meu grande ídolo, ou num estádio de futebol após a entrada do meu craque mais querido. No ambiente quase formal da sala na Feira de Londres, o assobio causou estranhamento em um agente literário, ao mesmo tempo, amigo e rival de Deborah que se sentava à nossa frente.

Deborah merecia meu entusiasmo e a ovação que recebeu da sala toda. Parece que a comissão que a premiou, e todos nós no auditório, sem saber nos despedíamos de uma grande amiga, a mais importante agente literária que conheci.

Com ela todos os profissionais do livro que gostam de boa literatura aprenderam não só a ler bons livros como a compreender melhor a natureza da relação com os autores que publicamos. Se algum título passava por Deborah, já havia uma qualidade na leitura prévia, nos primeiros esforços de edição realizados pelo próprio agente. Havia segurança na ética profissional que se seguiria logo nas primeiras negociações entre os partícipes do jogo editorial.

Em 2012, acompanhando Ian McEwan, outro de seus autores mais próximos, Deb veio à Flip. Lançávamos na ocasião o último romance de Ian, Serena — que saía primeiro no Brasil, graças à generosidade do autor e da agência. Deb veio com o marido, Michael Berkeley, e Ian, com Annalena McAfee. Depois da feira, saímos os três casais e Jonathan Galassi, editor da Farrar Straus, num tour pelas cidades históricas mineiras. Foram seis dias de puro deleite e aprendizado. O auge se deu em Ouro Preto, num show de rua da velha guarda da Portela, quando Deb foi cortejada por um bêbado de plantão, que a tirou para dançar, quase de rosto colado, alguns dos sambas mais tradicionais do grupo. Michael, um importante compositor de música contemporânea, ria conosco às gargalhadas, observando o espetáculo, mas tentava ao mesmo tempo entender a estrutura melódica das canções, em busca de inspiração para seus trabalhos. Terminado o show, fomos, como de costume, a um restaurante local, onde Deborah encabeçava o bloco das caipirinhas, seguido do tradicional Sauvignon Blanc, seu vinho predileto, tomado como acompanhamento não só de peixes, mas também de tutu de feijão, torresmo ou de qualquer outro prato da pesada comida mineira.

Na semana anterior à sua morte, liguei para Deb para comentar minha leitura do novo livro de Ian McEwan. Falamos não só do livro, que ela começava a ler pela segunda vez, mas também do prêmio que lhe fora concedido, do meu assobio estridente, da caneta com frases de Paulo Coelho que ela recebera e do patrocínio de um fabricante de grappa à cerimônia, que no passado era bem mais informal. Terminamos o telefonema às gargalhadas.

Do aeroporto de Ilhéus à casa dos meus amigos fui pensando no que representa a morte de Deborah. Sua agência ainda trabalha com a filosofia de um tempo largo, onde o senso de oportunidade de um livro vem basicamente de sua qualidade literária. Sou dessa turma, talvez mais ainda por ter encontrado e convivido com Deborah Rogers na vida. Com ela aprendi a curtir um livro até que ele esteja pronto. Com ela me acostumei a olhar para o sucesso como fruto de uma construção lenta e constante.

É uma era que se vai com Deb. Sem ela será muito mais difícil resistir ao jogo do sucesso rápido. Viveremos uma vida literária mais pobre e triste, sem Deb.

* * * * *

Luiz Schwarcz é editor da Companhia das Letras e autor de Linguagem de sinais, entre outros. Ele contribui para o Blog da Companhia com uma coluna mensal chamada Imprima-se, sobre suas experiências como editor.


Livros da Companhia das Letras ganham selo da FNLIJ

É com muita alegria que compartilhamos com vocês a lista dos livros da Companhia das Letras que receberam o selo Altamente Recomendável 2014 (produção 2013) da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Comemorem conosco!

  • Categoria Imagem: Bárbaro, de Renato Moriconi
  • Categoria Tradução/adaptação Jovem: O menino negro, de Camara Laye. Tradução Rosa Freire D’Aguiar

 

Penguin Random House Brasil adquire Editora Objetiva

A Penguin Random House firmou acordo com o grupo editorial espanhol Santillana para adquirir todos os selos de interesse geral do grupo. O anúncio foi feito hoje em Madrid pelos CEOs Markus Dohle, da Penguin Random House, e Miguel Angel Cayuela, da Santillana. O acordo inclui os selos editoriais da Santillana da Espanha, Portugal, América de língua espanhola e Brasil.

Pelo acordo, a nova empresa Penguin Random House Brasil, que possui participação acionária na Companhia das Letras, adquire a totalidade do controle da Editora Objetiva, incluindo os selos Alfaguara, Suma, Fontanar, Ponto de Leitura e Foglio. As atividades da Penguin Random House Brasil serão supervisionadas por Luiz Schwarcz, que continuará exercendo a função de Diretor Geral da Companhia das Letras. A Objetiva continuará a ser administrada pelo Diretor Geral Roberto Feith e sua equipe de colaboradores.

Para Luiz Schwarcz, “será uma honra para a Companhia das Letras fazer parte deste fantástico universo criativo que combina algumas das melhores editoras do mundo e um catálogo de autores sem rival. Será um tremendo privilégio e um prazer poder, em breve, colaborar com Roberto Feith e a excelente equipe da Objetiva. Ao unir as trajetórias bem sucedidas e os extraordinários autores das duas editoras, preservando a autonomia e a identidade editoriais dos seus selos, acredito que podemos aspirar à construção de um novo padrão para a nossa atividade no Brasil.”

Roberto Feith, Diretor Geral da Objetiva, comentou: “Para mim e toda a equipe da Objetiva será uma oportunidade única e uma satisfação imensa fazer parte de Penguin Random House, uma empresa editorial genuinamente global e extraordinariamente capacitada. Além disto, uma vez concretizada a operação, será um prazer trabalhar com o Luiz Schwarcz. Somos colegas e amigos há anos e já colaboramos em mais de um projeto. A Objetiva certamente vai se beneficiar de sua liderança experiente e do seu respeito pela nossa equipe e nossos programas editoriais”.

Markus Dohle, Diretor Geral da Penguin Random House disse em Madrid que “ficamos muito felizes que a primeira aquisição internacional de Penguin Random House seja o prestigioso grupo de selos de Interesse Geral de Santillana. A operação atende aos nossos dois principais objetivos estratégicos: fortalecer nosso compromisso com a publicação de livros em língua espanhola, incrementando nosso potencial comercial e literário em um dos mercados linguísticos mais dinâmicos do mundo, e estabelecer uma forte presença no Brasil. Vamos nos inspirar e trabalhar a partir das grandes tradições de Penguin Random House, Santillana, Companhia das Letras e Objetiva, e a criatividade e dedicação de suas equipes tremendamente talentosas.”

A operação de aquisição da Santillana somente se concretizará após finalizados os requisitos jurídicos e administrativos pertinentes.

Penguin Random House nasceu em 1º de julho de 2013, após celebração de acordo entre os grupos Berteslmann e Pearson. Bertelsmann é proprietária de 53% da nova empresa, e Pearson de 47% .