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Daniel Galera vence Prêmio São Paulo de Literatura com o romance “Barba ensopada de sangue”


(Foto por Renato Parada. Capa por Alceu Nunes.)

Anunciado nesta segunda-feira, 25 de novembro, a Prêmio São Paulo de Literatura teve Daniel Galera como grande vencedor. Seu romance Barba ensopada de sangue foi escolhido pelo júri como Melhor Livro do Ano de 2012. O autor, que não pode comparecer à cerimônia Museu da Língua Portuguesa, receberá R$ 200 mil da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo.

O destaque na obra de Galera, segundo os jurados, é a construção do personagem principal, um professor de educação física que tenta desvendar o que está por trás da morte misteriosa do avô, em um vilarejo de pescadores. “Fica, deste grande romance, a impressão de que não lembraremos do rosto do personagem, mas do traçado que ele deixa nas águas da literatura contemporânea”, observou o júri.

Antes de seu lançamento, em novembro de 2012, Barba ensopada de sangue teve o primeiro capítulo selecionado pela revista Granta em volume inédito dedicado ao Brasil – “Melhores Jovens Escritores Brasileiros”. O romance também recebeu boa acolhida crítica de escritores como o português Gonçalo M. Tavares e o argentino Ricardo Piglia. “Li com muito prazer, capturado pelas tramas abertas e trágicas. Me agradou especialmente o tom musical da prosa e o modo como os diálogos — precisos e rápidos — servem de contraponto à ação. Para felicidade do leitor, a imagem aterrorizante do título é apenas moldura para um romance lírico e sentimental”, escreveu Piglia.

Ao longo desse último ano, os direitos de publicação do livro foram vendidos para mais de dez países, entre eles Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha.*

A Companhia das Letras tem muito orgulho de ser a editora de Daniel Galera desde a publicação de seu romance Mãos de Cavalo, em 2006, e deixa aqui os parabéns ao autor pelo Prêmio!

 

*Abaixo, as editoras estrangeiras que o publicaram:

UK: Hamish Hamilton
US: The Penguin Press
China: Shanghai 99
Finland: Otava
France: Gallimard
Germany: Suhrkamp
Holland: Atlas Contact
Israel: Penn
Italy: Mondadori
Norway: Gyldendal Norsk
Portugal: Quetzal
Spain: Random House Mondadori for Castilian and L’Altra for Catalan
Sweden: Norstedts
Turkey: Can Yayinlari

31 de outubro é Dia de Drummond!


(Foto de Danielle Martins)

Hoje é Dia D, em comemoração pelo nascimento de Carlos Drummond de Andrade.

Para comemorar, estamos criando uma coleção de fotos tiradas com a estátua de Drummond em Copacabana. Para participar, é só enviar a sua para redes.sociais@companhiadasletras.com.br. Clique aqui para ver todas que já recebemos.

E aproveite: só até o dia 7 de dezembro, todos os e-books do escritor estão à venda por até R$14,50 cada, em todas as lojas.

Veja abaixo algumas animações de poemas com ilustrações e narração do próprio Drummond:

Alice Munro ganha o Prêmio Nobel de Literatura

A escritora canadense Alice Munro foi anunciada hoje como a nova ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura. Aos 82 anos, a contista já havia ganhado prêmios como o Man Booker, o Giller e o Trillium Book Award.

Jonathan Franzen, em ensaio sobre a escritora, disse: “[Munro] não é uma golfista treinando uma tacada. Ela é uma ginasta de collant preto, sozinha no chão liso, superando todos os romancistas com seus trajes chamativos, chicotes, elefantes e tigres.”

Em crítica sobre O amor de uma boa mulher, lançado pela Companhia das Letras em maio deste ano, o crítico da Folha Luiz Bras disse: “Alice Munro certamente pertence à linhagem de escritores como Tchekhov e Virginia Woolf, mestres da intimidade doméstica, da elipse e do desenlace indefinido. A única diferença é que em suas histórias o niilismo e o puritanismo jamais triunfam.”

Em junho deste ano, ela disse ao National Post que provavelmente não escreveria mais. Seu livro mais recente, Dear Life, será publicado pela Companhia das Letras em novembro.

Leia abaixo o conto “As crianças ficam”, retirado de O amor de uma boa mulher.

* * * * *

As crianças ficam

Por Alice Munro

Trinta anos atrás uma família passava as férias na costa leste da ilha de Vancouver. Um casal ainda jovem com suas duas filhas pequenas e um casal mais velho, pais do marido.

O tempo estava perfeito. Todas as manhãs iguais, os primeiros raios puros de sol varando os galhos altos e espantando o nevoeiro sobre as águas paradas do estreito de Georgia. Com a maré baixa, surge uma grande extensão de areia ainda úmida sobre a qual é fácil caminhar, como cimento prestes a secar. Na verdade, a maré ultimamente tem baixado menos; a cada manhã a área de areia encolhe, mas, de todo modo, é ainda bem ampla. As mudanças na maré são matéria de grande interesse para o avô, embora nem tanto para os demais.

Pauline, a jovem mãe, realmente não gosta tanto da praia quanto da estrada que corre atrás dos chalés por um quilômetro e meio, até chegar à margem de um pequeno rio que desemboca no mar.

Não fosse pela maré, seria difícil lembrar que se tratava do mar. Do outro lado das águas se erguem as montanhas que formam o paredão ocidental do continente norte-americano. Esses montes e picos, agora visíveis em meio à névoa enquanto Pauline empurra o carrinho de sua filha ao longo da estrada, também interessam ao avô e a seu filho, Brian, que é o marido de Pauline. Os dois estão sempre tentando decidir o que é o quê. Quais daquelas formas são de fato montanhas continentais e quais são elevações improváveis das ilhas que ficam diante da costa. É difícil dizer com certeza quando o conjunto é tão complicado e a distância de seus componentes se altera com as mudanças da luz ao longo do dia.

Mas, entre os chalés e a praia, há um mapa protegido por uma lâmina de vidro. Pode-se olhar o desenho, depois a paisagem à frente e mais uma vez o desenho até esclarecer tudo. O avô e Brian fazem isso todos os dias, em geral iniciando uma discussão, embora se devesse imaginar que haveria pouca margem para dúvida com o mapa bem ali. Brian alega que o mapa não é exato. Mas seu pai não admite críticas a nenhum aspecto daquele lugar, que foi sua escolha para as férias. O mapa, assim como as acomodações e o tempo, é perfeito.

A mãe de Brian não olha o mapa. Diz que atrapalha sua cabeça. Os homens riem dela, aceitam que sua cabeça é atrapalhada. O marido acredita que isso é porque ela é uma mulher. Brian acredita que é porque ela é sua mãe. A preocupação permanente dela é saber se alguém já está com fome ou com sede, se as crianças estão usando os chapéus de sol e o protetor solar. E o que é essa mordida estranha no braço de Caitlin, que não parece ter sido feita por um mosquito? Ela obriga o marido a pôr na cabeça um chapéu mole de algodão e acha que Brian deveria fazer o mesmo — lembrando como ele passou mal por causa do sol naquele verão em que foram para o Okanagan quando ele era pequeno. Às vezes Brian lhe diz: “Ah, mamãe, fecha o bico”. O tom é na essência carinhoso, mas o pai lhe pergunta se ele acha que agora pode falar desse jeito com a mãe.

“Ela não se importa”, diz Brian.

“Como é que você sabe?”, pergunta o pai.

“Ah, pelo amor de Deus”, diz a mãe.

[Clique aqui para ler o conto na íntegra.]

Rodrigo Amarante lê Vinicius de Moraes

A revista TPM divulgou em primeira mão o novo episódio da websérie em homenagem ao centenário de Vinicius de Moraes. Veja abaixo o vídeo em que Rodrigo Amarante lê “Ternura”:

No episódio anterior, Rodrigo Amarante leu “A mulher que passa”:

Novos colunistas no Blog da Companhia!

É com alegria que anunciamos que teremos novos colunistas aqui no Blog da Companhia das Letras!

Emilio Fraia, que lançou recentemente a graphic novel Campo em branco em parceria com DW Ribatski, escreverá mensalmente às terças-feiras, juntando-se a Carol Bensimon e Joca Reiners Terron. Ele foi um dos escritores brasileiros selecionados pela Granta e já escreveu dois posts aqui, “Um relato sobre o diário escrito quando eu tinha nove anos durante seis meses em 1992″ e “United Colors of Branco”. Sua estreia como colunista será no dia 20.

Já nesta semana teremos a estreia de Paulo Scott, vencedor do Prêmio da Fundação Biblioteca Nacional 2012 com o livro Habitante irreal. Ele alternará às sextas-feiras com Tony Bellotto, Leandro Sarmatz e Vanessa Ferrari. Ele já havia escrito o post “Uma procura” para nós, e em junho lançou o romance Ithaca Road pela coleção Amores Expressos.

Andréa del Fuego também estreará como colunista em breve. Seu primeiro romance, Os malaquias (Língua Geral, 2010), foi ganhador do Prêmio Saramago de literatura. Ela já escreveu no blog o post “Dos órgãos para os dedos”, e no começo deste mês lançou o livro As miniaturas.