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Liberdade para as biografias

Por Roberto Feith

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O Supremo Tribunal Federal aprovou ontem com unanimidade a liberação das biografias não autorizadas. Com isso, não é mais necessário a autorização prévia do biografado ou de sua família para a produção e publicação de suas biografias, dando liberdade para escritores, pesquisadores, jornalistas e editores de escreverem e divulgarem suas histórias. Roberto Feith, diretor do Grupo Companhia das Letras e representante da Associação Nacional de Editores de Livros, comemorou o resultado da votação do STF. Leia a seguir o comunicado oficial da ANEL.

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Hoje, os brasileiros reconquistaram o direito de livre acesso ao conhecimento sobre a sua História. A Associação Nacional dos Editores de Livros gostaria de expressar seu reconhecimento pela atuação firme, equilibrada e lúcida do Supremo Tribunal Federal, e em especial pela Ministra relatora Carmen Lúcia, na Ação Direta de Inconstitucionalidade que movemos relativa à censura prévia de biografias independentes, ou não autorizadas.

Esta decisão vem coroar três anos de empenho da ANEL e de muitos brasileiros pela plena liberdade de expressão no caso das biografias. Quando demos entrada na ADIN, em julho de 2012, não poderíamos imaginar que a ação terminaria por deflagrar um amplo e vibrante debate público sobre a questão, ocupando espaço importante nos meios de comunicação. Participaram intensamente dessa discussão, além de editores, escritores, juristas, intelectuais, jornalistas, políticos, artistas e representantes das mais diversas atividades e regiões do país. Foi um exemplo de democracia em ação, fundamentado na pluralidade de pontos de vista e ampla liberdade para a expressão de opiniões diversas.

O processo foi vital para aumentar o interesse e o conhecimento dos brasileiros sobre a questão, o que resultou na cristalização do pensamento de uma ampla maioria pelo fim da necessidade de autorização prévia e da censura às biografias independentes. A decisão do Supremo, fundamentada nos preceitos constitucionais, coroa e conclui a reflexão da sociedade sobre a liberdade para biografias. A decisão também abre um novo capítulo na produção da historiografia nacional e no acesso da sociedade brasileira ao conhecimento sobre as trajetórias e circunstâncias de vida dos protagonistas de sua história.

Estamos certos de que agora, historiadores, pesquisadores e escritores darão continuidade a inúmeras obras adiadas ou interrompidas como consequência das limitações erroneamente impostas às biografias independentes. Sempre confiamos que o Brasil não se conformaria a ser um país restrito às biografias autorizadas e hoje celebramos o fim desta distorção das nossas tradições e normas legais.

É sempre oportuno lembrar que o direito que a ANEL defende, e que os brasileiros reconquistaram em sua plenitude, é o de pesquisar, escrever e publicar informações verídicas, consistentes, apuradas de acordo com os melhores critérios acadêmicos, jornalísticos e editoriais. A publicação de informações falsas ou sem consistência continua passível das sanções legais e criminais, tal como deve ser. Todo direito implica em responsabilidade, e os editores brasileiros estão cientes das suas obrigações e comprometidos com o exercício responsável do seu ofício.

Finalmente, a ANEL agradece e congratula a todos que se uniram no esforço de reconquistar a liberdade para obras biográficas, e, em especial, à Academia Brasileira de Letras e aos autores de biografias, parceiros de primeira hora nesta caminhada.

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Roberto Feith é representante da Associação Nacional dos Editores de Livros e diretor do Grupo Companhia das Letras.

Morre Manuel Graña Etcheverry

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A Companhia das Letras lamenta a morte de Manuel Graña Etcheverry, que nos deixou na madrugada desta quarta-feira, 27 de maio. Manolo nasceu em Córdoba, na Argentina, onde foi advogado e deputado do Congresso Nacional aos 30 anos. Foi casado com Maria Julieta, filha única de Carlos Drummond de Andrade, e pai dos três netos do poeta — Carlos Manuel, Luis Mauricio e Pedro Augusto. Manuel traduziu as obras de Drummond e de diversos poetas brasileiros. Aqui no Brasil, a Companhia das Letras publicou em 2012 a Antologia Hede, um “manual da literatura fantástica” em que exalta a poesia de um povo fictício.

Parabéns, Rubem Fonseca

Por Luiz Schwarcz

RUBEM FONSECA

Parabéns a Rubem Fonseca, que hoje completa 90 anos.

A amizade e o relacionamento profissional que tivemos por tantos anos mudou as nossas vidas.

Novos colunistas no Blog da Companhia

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Temos novidades para o Blog da Companhia! A partir de abril, os autores e editores da Editora Objetiva também terão um espaço mensal aqui no blog.

Entre os novos colunistas está Luisa Geisler, autora de Luzes de emergência se acenderão automaticamente, publicado pela Alfaguara. “Adoro a diversidade e qualidade dos textos do blog da Companhia das Letras, que acompanho tem algum tempo. No momento, estou empolgada como aquela celebridade na galeria orgânica de plástico. Vou tentar estar à altura do excelente time e não encostar nas obras”, disse Luisa sobre sua participação no blog. A autora nasceu em Canoas (RS) em 1991. Além de Luzes de emergência se acenderão automaticamente, publicou Contos de mentira (finalista do Jabuti, vencedor do Prêmio SESC de Literatura) e Quiçá (finalista do Prêmio Jabuti, do Prêmio São Paulo de Literatura e do Prêmio Machado de Assis, vencedor do Prêmio SESC de Literatura).

Outro novo colunista é José Luiz Passos, vencedor do Prêmio Portugal Telecom e Prêmio Brasília de Literatura em 2013 com o romance O sonâmbulo amador, também publicado pela Alfaguara. José Luiz Passos nasceu em Pernambuco em 1971 e vive na Califórnia desde 1995, onde ensina literatura na UCLA. “Faz tempo que acompanho com grande prazer o Blog da Companhia. Aqui em Los Angeles, onde vivo há tantos anos, o Blog é para mim um canal útil, por onde sigo contribuições importantes sobre a literatura contemporânea e o mundo editorial”, disse Passos. “Participar disso será um gosto imenso, além da honra de dividir o espaço com profissionais que admiro.”

E as novidades já começam nesta semana com um texto do editor Marcelo Ferroni falando sobre um dos livros mais polêmicos do ano, Submissão, de Michel Houellebecq, que chega nas livrarias brasileiras agora em abril.

Comunicado Grupo Companhia das Letras

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Em seu primeiro comunicado aos leitores, aos autores, ao mercado e aos veículos de comunicação, o Grupo Companhia das Letras informa que, a partir desta data, a integração entre as editoras Companhia das Letras e Objetiva está consolidada. A empresa Editora Schwarcz controlará a gestão e 55% das ações do novo grupo, tendo como sócia a Penguin Random House, que deterá os outros 45% de participação acionária.

O Grupo Companhia das Letras nasce como um dos maiores do mercado editorial brasileiro, com 19 selos que lançam em média 45 novos títulos por mês, tendo cerca de 5 mil títulos ativos em seu catálogo. Em 2014, as editoras Companhia das Letras e Objetiva venderam conjuntamente 7,5 milhões de exemplares (incluindo e-books) e tiveram 59 títulos na lista dos mais vendidos do PublishNews. Os selos que integram o novo grupo são: Alfaguara, Alfaguara Infantil, Boa Companhia, Breve Companhia, Claro Enigma, Companhia das Letras, Companhia das Letrinhas, Companhia de Bolso, Foglio, Fontanar, Objetiva, Panelinha, Paralela, Penguin-Companhia, Ponto de Leitura, Portfolio-Penguin, Quadrinhos na Companhia, Seguinte e Suma de Letras. Os autores continuarão a ser publicados em seus respectivos selos.

O processo de integração das duas editoras se iniciou no ano passado com a adoção de uma nova estrutura editorial (veja mais detalhes abaixo) e, em janeiro de 2015, prosseguiu com a fusão das equipes de vendas, que passam a ter representantes nas principais regiões do país. Para o primeiro semestre deste ano, estão previstas a integração de sistema e das áreas administrativas, bem como a mudança do estoque para um novo depósito que aumentará ainda mais a reconhecida eficiência da Companhia das Letras na distribuição de livros. Embora a sede do novo grupo esteja localizada em São Paulo, a editora Objetiva continuará a operar no Rio de Janeiro. A presença nas duas cidades de maior vitalidade cultural no país enriquecerá e diversificará ainda mais, tanto do ponto de vista intelectual quanto do literário, o universo de atuação do novo grupo editorial.

O grupo será comandado por Luiz Schwarcz, fundador da Companhia das Letras, e sua diretoria será composta por Sergio Windholz (administrativo e financeiro), Lilia Moritz Schwarcz (educação, infantil & juvenil e publicações acadêmicas), Elisa Braga (produção) e Matinas Suzuki Jr. (divulgação, marketing e vendas). Roberto Feith, que deixa o comando do dia a dia da Objetiva, passa a ser consultor da diretoria, editor especial e representante nas entidades de classe do Grupo Companhia das Letras.

Na área editorial, Marcelo Ferroni, que está na Objetiva há nove anos, passa a ser publisher do selo Alfaguara, que já vinha editando, e dos livros de autores estrangeiros do selo Objetiva. Otávio Marques da Costa, publisher da Companhia das Letras, passa a ser responsável também pelos livros nacionais do selo Objetiva. Júlia Moritz Schwarcz, publisher dos selos Companhia das Letrinhas, Boa Companhia, Claro Enigma e Seguinte, assumirá o selo Alfaguara Infantil. Os selos Fontanar e Suma de Letras ficarão sob o comando do publisher Bruno Porto, já responsável pelos selos Paralela e Portfolio-Penguin. Os publishers reportam diretamente ao presidente do Grupo Companhia das Letras, Luiz Schwarcz, que coordena a reestruturação na área editorial.

Para Luiz Schwarcz, “há anos procuramos uma gestão participativa na Companhia das Letras, na qual não só os diretores, mas também os publishers assumem plena responsabilidade na gestão da empresa. Os editores ganham oportunidade não só de comandar comigo a linha editorial, como também a de representar a editora nacional e internacionalmente. O Grupo Penguin Random House tem promovido a integração internacional em eventos, onde não só a linha editorial é discutida, como também visões de futuro do mercado e técnicas editoriais são compartilhadas; abre-se assim um novo horizonte para a jovem equipe que comanda conosco o novo grupo editorial”.

O Grupo Companhia das Letras terá o mais expressivo acervo de escritores brasileiros. Entre seus autores estão nomes como Ana Maria Machado, Bernardo Carvalho, Chico Buarque, Daniel Galera, Erico Verissimo, Jô Soares, João Ubaldo Ribeiro, Jorge Amado, José J. Veiga, José Luiz Passos, Luis Fernando Verissimo, Lygia Fagundes Telles, Michel Laub, Milton Hatoum, Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos e Raduan Nassar.

O catálogo de poesia do grupo é também dos mais notáveis, contando com poetas da dimensão de Ana Cristina Cesar, Carlos Drummond de Andrade, Chico Alvim, Fernando Pessoa, João Cabral de Melo Neto, José Paulo Paes, Manoel de Barros, Mario Quintana, Paulo Leminski, Vinicius de Moraes e Waly Salomão – para ficarmos apenas nos versos escritos em língua portuguesa.

Com o maior número de escritores que ganharam o prêmio Nobel de Literatura publicados no Brasil, o grupo tem em seu catálogo de autores estrangeiros nomes como Amós Oz, Colm Tóibín, David Foster Wallace, Donna Tartt, Fernando Pessoa, George Orwell, Haruki Murakami, Ian McEwan, Italo Calvino, J. M. Coetzee, Jonathan Franzen, Jorge Luis Borges, José Saramago, Kazuo Ishiguro, Mario Vargas Llosa, Mia Couto, Oliver Sacks, Orhan Pamuk, Philip Roth, Salman Rushdie, Stephen King e Vassili Grossman, entre outros.

Além da proeminência na área literária, as editoras Companhia das Letras e Objetiva são também renomadas no mercado brasileiro pelas obras de não ficção que seus selos publicam. Entre os autores nacionais e estrangeiros dessa categoria estão Amartya Sen, Andrew Solomon, Daniel Goleman, Daniel Kahneman, Drauzio Varella, Fernando Morais, Gay Talese, Jon Lee Anderson, Lira Neto, Roberto Pompeu de Toledo, Ruy Castro, Simon Montefiore, Thomas L. Friedman, Tony Judt, Walter Isaacson e Zuenir Ventura.

Na área de divulgação escolar e de projetos de governo, o Grupo Companhia das Letras intensificará as atividades e expandirá a sua área de atuação, consolidando nesse setor a maior estrutura de uma editora não especializada em livros didáticos.

Somadas, as editoras Companhia das Letras e Objetiva são líderes na venda de e-books no mercado brasileiro. A comunicação na internet e nas redes sociais (blog, newsletters, Facebook, Twitter e Instagram) de todos os selos do Grupo Companhia das Letras chega a atingir mais de um milhão de pessoas e é um poderoso instrumento de divulgação.