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31 de outubro é Dia de Drummond!


(Foto de Danielle Martins)

Hoje é Dia D, em comemoração pelo nascimento de Carlos Drummond de Andrade.

Para comemorar, estamos criando uma coleção de fotos tiradas com a estátua de Drummond em Copacabana. Para participar, é só enviar a sua para redes.sociais@companhiadasletras.com.br. Clique aqui para ver todas que já recebemos.

E aproveite: só até o dia 7 de dezembro, todos os e-books do escritor estão à venda por até R$14,50 cada, em todas as lojas.

Veja abaixo algumas animações de poemas com ilustrações e narração do próprio Drummond:

Alice Munro ganha o Prêmio Nobel de Literatura

A escritora canadense Alice Munro foi anunciada hoje como a nova ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura. Aos 82 anos, a contista já havia ganhado prêmios como o Man Booker, o Giller e o Trillium Book Award.

Jonathan Franzen, em ensaio sobre a escritora, disse: “[Munro] não é uma golfista treinando uma tacada. Ela é uma ginasta de collant preto, sozinha no chão liso, superando todos os romancistas com seus trajes chamativos, chicotes, elefantes e tigres.”

Em crítica sobre O amor de uma boa mulher, lançado pela Companhia das Letras em maio deste ano, o crítico da Folha Luiz Bras disse: “Alice Munro certamente pertence à linhagem de escritores como Tchekhov e Virginia Woolf, mestres da intimidade doméstica, da elipse e do desenlace indefinido. A única diferença é que em suas histórias o niilismo e o puritanismo jamais triunfam.”

Em junho deste ano, ela disse ao National Post que provavelmente não escreveria mais. Seu livro mais recente, Dear Life, será publicado pela Companhia das Letras em novembro.

Leia abaixo o conto “As crianças ficam”, retirado de O amor de uma boa mulher.

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As crianças ficam

Por Alice Munro

Trinta anos atrás uma família passava as férias na costa leste da ilha de Vancouver. Um casal ainda jovem com suas duas filhas pequenas e um casal mais velho, pais do marido.

O tempo estava perfeito. Todas as manhãs iguais, os primeiros raios puros de sol varando os galhos altos e espantando o nevoeiro sobre as águas paradas do estreito de Georgia. Com a maré baixa, surge uma grande extensão de areia ainda úmida sobre a qual é fácil caminhar, como cimento prestes a secar. Na verdade, a maré ultimamente tem baixado menos; a cada manhã a área de areia encolhe, mas, de todo modo, é ainda bem ampla. As mudanças na maré são matéria de grande interesse para o avô, embora nem tanto para os demais.

Pauline, a jovem mãe, realmente não gosta tanto da praia quanto da estrada que corre atrás dos chalés por um quilômetro e meio, até chegar à margem de um pequeno rio que desemboca no mar.

Não fosse pela maré, seria difícil lembrar que se tratava do mar. Do outro lado das águas se erguem as montanhas que formam o paredão ocidental do continente norte-americano. Esses montes e picos, agora visíveis em meio à névoa enquanto Pauline empurra o carrinho de sua filha ao longo da estrada, também interessam ao avô e a seu filho, Brian, que é o marido de Pauline. Os dois estão sempre tentando decidir o que é o quê. Quais daquelas formas são de fato montanhas continentais e quais são elevações improváveis das ilhas que ficam diante da costa. É difícil dizer com certeza quando o conjunto é tão complicado e a distância de seus componentes se altera com as mudanças da luz ao longo do dia.

Mas, entre os chalés e a praia, há um mapa protegido por uma lâmina de vidro. Pode-se olhar o desenho, depois a paisagem à frente e mais uma vez o desenho até esclarecer tudo. O avô e Brian fazem isso todos os dias, em geral iniciando uma discussão, embora se devesse imaginar que haveria pouca margem para dúvida com o mapa bem ali. Brian alega que o mapa não é exato. Mas seu pai não admite críticas a nenhum aspecto daquele lugar, que foi sua escolha para as férias. O mapa, assim como as acomodações e o tempo, é perfeito.

A mãe de Brian não olha o mapa. Diz que atrapalha sua cabeça. Os homens riem dela, aceitam que sua cabeça é atrapalhada. O marido acredita que isso é porque ela é uma mulher. Brian acredita que é porque ela é sua mãe. A preocupação permanente dela é saber se alguém já está com fome ou com sede, se as crianças estão usando os chapéus de sol e o protetor solar. E o que é essa mordida estranha no braço de Caitlin, que não parece ter sido feita por um mosquito? Ela obriga o marido a pôr na cabeça um chapéu mole de algodão e acha que Brian deveria fazer o mesmo — lembrando como ele passou mal por causa do sol naquele verão em que foram para o Okanagan quando ele era pequeno. Às vezes Brian lhe diz: “Ah, mamãe, fecha o bico”. O tom é na essência carinhoso, mas o pai lhe pergunta se ele acha que agora pode falar desse jeito com a mãe.

“Ela não se importa”, diz Brian.

“Como é que você sabe?”, pergunta o pai.

“Ah, pelo amor de Deus”, diz a mãe.

[Clique aqui para ler o conto na íntegra.]

Rodrigo Amarante lê Vinicius de Moraes

A revista TPM divulgou em primeira mão o novo episódio da websérie em homenagem ao centenário de Vinicius de Moraes. Veja abaixo o vídeo em que Rodrigo Amarante lê “Ternura”:

No episódio anterior, Rodrigo Amarante leu “A mulher que passa”:

Novos colunistas no Blog da Companhia!

É com alegria que anunciamos que teremos novos colunistas aqui no Blog da Companhia das Letras!

Emilio Fraia, que lançou recentemente a graphic novel Campo em branco em parceria com DW Ribatski, escreverá mensalmente às terças-feiras, juntando-se a Carol Bensimon e Joca Reiners Terron. Ele foi um dos escritores brasileiros selecionados pela Granta e já escreveu dois posts aqui, “Um relato sobre o diário escrito quando eu tinha nove anos durante seis meses em 1992″ e “United Colors of Branco”. Sua estreia como colunista será no dia 20.

Já nesta semana teremos a estreia de Paulo Scott, vencedor do Prêmio da Fundação Biblioteca Nacional 2012 com o livro Habitante irreal. Ele alternará às sextas-feiras com Tony Bellotto, Leandro Sarmatz e Vanessa Ferrari. Ele já havia escrito o post “Uma procura” para nós, e em junho lançou o romance Ithaca Road pela coleção Amores Expressos.

Andréa del Fuego também estreará como colunista em breve. Seu primeiro romance, Os malaquias (Língua Geral, 2010), foi ganhador do Prêmio Saramago de literatura. Ela já escreveu no blog o post “Dos órgãos para os dedos”, e no começo deste mês lançou o livro As miniaturas.

Vinicius, o centenário


[No vídeo: Rodrigo Amarante lê "A mulher que passa", de Vinicius de Moraes]

Sejamos sinceros. Há pouquíssimas culturas literárias que podem contar, o peito estufado de orgulho, com a presença de um escritor tão completo quanto Vinicius de Moraes. Poeta refinado desde o início da carreira literária — ainda mocinho penumbrista dado à metafísica —, escreveu crônicas com grande popularidade, enveredou pela crítica musical e de cinema, e por fim foi essa glória do nosso cancioneiro, um grande entre os grandes. Pensando bem, no fim das contas, quase não há similar em outras línguas. Vinicius, que tirava o chapéu tanto para T.S. Eliot quanto para Pixinguinha, traçou mesmo um caminho único. Mas nunca solitário.

E logo mais, no dia 19 outubro, Vinicius faria cem anos. Datas redondas, efemérides: sempre ótimas oportunidades para retomar o contato com um grande autor. Um livro como o recém lançado Jazz & Co., por exemplo. Despachado para o consulado do Brasil em Los Angeles em 1946, o futuro compositor da Bossa Nova iria mergulhar na cena da música negra da Costa Oeste americana. Fez camaradagem com músicos e produtores, frequentou o circuito de clubes, deixou-se embriagar pelo ritmo pulsante da música popular que tomou o mundo de assalto no pós-guerra. O volume, com textos garimpados por Eucanaã Ferraz e recheado de fotos incríveis e sacada gráficas, é de uma leitura deliciosa.

Durante a Flip, que começa na quarta-feira, o legado de Vinicius também será celebrado. No dia 5, sexta-feira, a aula-show “Vinicius 100: Palavra e Música”, reunindo os bambas José Miguel Wisnik, Paula Morelembaum e Arthur Nestrovski, traz uma seleção de canções do poeta, além de comentários — atiladíssimos, prevejo — sobre a presença do autor em nossa cultura. A noite promete.

Nos próximos meses, teremos mais lançamentos em torno de Vinicius de Moraes. Uma caixa com títulos essenciais do poeta e cronista, uma coletânea de suas crônicas para o leitor jovem para o selo Boa Companhia, um outro volume com textos inéditos e pouco conhecidos. Quer homenagear um autor? Publique seus livros. Porque Vinicius, aos cem, continua tinindo.

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Aula-show durante a Flip Vinicius 100: palavra e música
Sexta-feira, 5 de julho, às 21h30
O espetáculo traz uma seleção de canções de Vinicius de Moraes e seus parceiros, entremeadas de leituras de alguns poemas e conversas sobre vários assuntos. Da formação do cancioneiro brasileiro ao artesanato de letra e música; das potências transformadoras da bossa-nova ao debate sobre a “morte da canção”, Paula Morelenbaum, Zé Miguel Wisnik e Arthur Nestrovski cantam e contam a música de Vinicius, situada por eles no contexto da cultura brasileira hoje.
Ingressos disponíveis por R$12.