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Grupo Companhia das Letras entre os finalistas do Prêmio Jabuti 2015

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Ontem, dia 22 de outubro, a Câmara Brasileira Do Livro divulgou os finalistas do Prêmio Jabuti 2015. O Grupo Companhia das Letras está presente na lista com 27 títulos em categorias como Romance, Contos e Crônicas, Biografia, Tradução e mais.

Romance
A Cabeça do Santo, de Socorro Acioli
Flores Artificiais, de Luiz Ruffato
O Irmão Alemão, de Chico Buarque
Semíramis, de Ana Miranda
Quarenta Dias, de Maria Valéria Rezende

Contos e Crônicas
A Calma dos Dias, de Rodrigo Naves
O Homem-mulher, de Sérgio Sant’Anna
Noites Lebloninas, de João Ubaldo Ribeiro

Biografia
Getúlio – da Volta pela Consagração Popular ao Suicídio (1945-1954), de Lira Neto
Luís Carlos Prestes – Um Revolucionário Entre Dois Mundos, de Daniel Aarão Reis
O Amigo Americano – Nelson Rockefeller e o Brasil, de Antonio Pedro Tota
Vida de Cinema, de Cacá Diegues

Economia, Administração, Negócios, Turismo, Hotelaria e Lazer
Bilhões e Lágrimas – a Economia Brasileira e Seus Atores, de Consuelo Dieguez

Gastronomia
Pitadas da Rita, de Rita Lobo

Ilustração
Vida e Obra de Terêncio Horto, de André Dahmer – malvados

Ilustração de Livro Infantil ou Juvenil
O Coiso Estranho – Ilustrador: José Carlos Lollo
Socorram-me em Marrocos – Ilustrador: Andrés Sandoval

Infantil
Quando Blufis ficou em Silêncio, de Lorena Nobel e Gustavo Kurlat

Capa
Monções e Capítulos da Expansão Paulista – Capista: Victor Burton
Pietr, o Letão – Capista: Alceu Chiesorin Nunes

Psicologia, Psicanálise e Comportamento
O Tronco e os Ramos – Estudos de História da Psicanálise, de Renato Mezan

Reportagem e Documentário
O Réu e o Rei – Minha História com Roberto Carlos, em Detalhes, de Paulo Cesar de Araújo

Ciências humanas
Modernização, Ditadura e Democracia: 1964-2010, de Daniel Aarão Reis (coordenador)

Tradução
Graça Infinita – Tradutor: Caetano Galindo
As Aventuras do Bom Soldado Svejk – Tradutor: Luís Carlos Cabral
Vida e Destino – Tradutor: Irineu Franco Perpetuo

Adaptação
Os Miseráveis, de Silvana Salerno

Os três vencedores de cada categoria serão anunciados no dia 19 de novembro e a cerimônia de entrega dos prêmios acontece no dia 3 de dezembro. Confira a lista completa dos finalistas do Prêmio Jabuti.

Svetlana Alexievich será publicada pela Companhia das Letras

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Foto: Zuma Press/Fotoarena

Quatro livros de Svetlana Alexievich serão traduzidos no Brasil pela Companhia das Letras. A jornalista foi laureada com o Nobel de Literatura de 2015 pela”obra polifônica, um monumento do sofrimento e da coragem em nosso tempo”.

Como escreveu o editor Leandro Sarmatz, “o Nobel de Literatura concedido semana passada à bielorussa Svetlana Alexievich tem o valor do ineditismo: pela primeira vez o escritor premiado não é poeta, dramaturgo ou ficcionista. Alexievich é jornalista. É uma autora, portanto, de não-ficção, esse gênero que já habitou arrabaldes movediços na periferia da grande literatura mas que hoje se torna protagonista no interior de uma série de manifestações culturais, da própria prosa de imaginação ao melhor cinema”.

Os títulos a serem lançados são “Time second hand”, “War’s Unwomanly Face”, “Last witnesses” e “Voices from Chernobyl”, ainda sem previsão de data para o lançamento.

Companhia das Letras publica os diários de Fernando Henrique Cardoso

Chega às livrarias em 29 de outubro, editado pela Companhia das Letras, o primeiro volume dos Diários da Presidência, de Fernando Henrique Cardoso. Trechos do livro serão antecipados na edição de número 109 da revista piauí, comemorativa de seu nono aniversário, nas bancas em 5 de outubro.

Gravados com frequência quase semanal durante os dois mandatos de FHC (a primeira entrada data ainda de 25 de dezembro de 1994, quando o presidente eleito mas não empossado reflete sobre a composição do ministério), os registros foram transcritos por Danielle Ardaillon, curadora do acervo da Fundação Instituto Fernando Henrique Cardoso, revistos pelo autor e pela editora, e serão organizados em quatro volumes bianuais (1995-6; 1997-8; 1999-2000; 2001-2). Os dois primeiros anos compreendem quase noventa horas de gravação, decupadas a partir de 44 fitas cassete.

Relato franco da prática política no Brasil, os Diários são a um só tempo documento histórico de valor inestimável e crônica cativante do exercício do poder. A editora planeja concluir a publicação dos Diários em meados de 2017.

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Lisbeth está de volta

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Depois de muita espera, finalmente A garota na teia de aranha chega às livrarias.

Hoje, 27 de agosto, é o dia do lançamento mundial do quarto livro da série Millennium, escrito por David Lagercrantz, que dá continuidade às histórias de Stieg Larsson publicadas há 10 anos. Na entrevista coletiva realizada ontem na Suécia, Lagercrantz confessou que “sentia medo de não estar à altura” dos três livros da série escritos por Larsson, mas a recepção, como mostram as resenhas do The New York TimesUSA Today The Guardian, garantem que a nova aventura de Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist vai agradar aos novos e antigos leitores de Millennium. Quem se encantou com as personagens fortes e polêmicas em Os homens que não amavam as mulheresA menina que brincava com fogoA rainha do castelo de ar, com certeza não vai perder este novo capítulo da série.

Neste novo livro, Lisbeth e Mikael estão presos a uma teia de aranha mortífera e terão mais uma vez que unir forças, agora contra uma perigosa conspiração internacional. É tarde da noite quando Blomkvist recebe o telefonema de uma fonte confiável, dizendo que tem informações vitais aos Estados Unidos. A fonte está em contato com uma jovem e brilhante hacker — parecida com alguém que ele conhece. Blomkvist, que precisa de um furo para a revista Millennium, pede ajuda a Lisbeth. Ela, porém, tem objetivos próprios.

A seguir, leia a tradução da resenha publicada ontem no The New York Times, por Michiko Kakutani.

* * *

A garota na teia de aranha traz de volta a dupla de detetives de Stieg Larsson

Os fãs do cativante e estranho casal da ficção policial moderna criado por Stieg Larsson — a genial hacker punk Lisbeth Salander e o seu parceiro ocasional, o determinado jornalista investigativo Mikael Blomkvist — não ficarão desapontados com suas aventuras mais recentes, escritas não pelo criador dos personagens, Stieg Larsson (que morreu de um ataque cardíaco aos cinquenta anos, em 2004), mas por um jornalista e escritor sueco chamado David Lagercrantz. Apesar de haver alguns sobressaltos ao longo do romance, Salander e Blomkvist sobreviveram intactos à transição de autores e continuam tão atraentes quanto sempre foram.

Em A garota na teia de aranha, a dupla se envolve no caso do enigmático cientista da computação Frans Balder: um proeminente especialista em inteligência artificial que se vê enredado em uma trama global envolvendo a Polícia de Segurança Sueca, a máfia russa, espiões industriais do vale do Silício e interesses de segurança nacional dos Estados Unidos.

Os esforços de Lagercrantz para conectar crimes na Suécia a maquinações dentro da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) são confusos e forçados — uma tentativa óbvia de capitalizar em cima das revelações de Edward Snowden sobre a agência e do debate a respeito dos seus métodos de vigilância. Por outro lado, os leitores de Os homens que não amavam as mulheres não foram arrebatados por conta da trama (fortemente baseada em clichês cinematográficos de serial killers), de sua plausibilidade ou da visão política anti-autoritarista de Larsson. Eles foram arrebatados pelo livro e pelos dois subsequentes — A menina que brincava com fogo e A rainha do castelo de ar — por causa do charme rude de Salander e Blomkvist e da química improvável entre os dois. E também porque Larsson foi tão hábil em retratar uma Suécia taciturna e com ares noir que transformou o estereótipo de uma Escandinávia limpa e resplandecente (onde as pessoas dirigem Volvos e compram móveis da Ikea) em uma terra de invernos longos, assombrada pelos fantasmas de Strindberg e Bergman.

Em A garota na teia de aranha, Langercrantz parece entender instintivamente o mundo que Larsson criou e os seus dois investigadores nada convencionais: Blomkvist, o repórter dedicado e honrado (e improvável sedutor de mulheres de meia-idade), e Salander, a garota hostil e machucada que parece uma versão raivosa e punk de Audrey Hepburn (se você conseguir imaginar Holly Golightly com tatuagens e piercings em vez da tiara), que luta com as habilidades arrasadoras da Lara Croft nos videogames.

Lagercrantz captura o cansaço, e até a vulnerabilidade, que se esconde por detrás da aparência de força desses dois personagens, e entende que eles são motivados por uma sede de justiça — Blomkvist por causa de um idealismo combativo, e Salander, de uma determinação para vingar o abuso que sofreu quando criança nas mãos do pai, Zala, um ex-agente da União Soviética que desertou e virou o comandante de uma vasta organização criminosa.

Assim como os romances anteriores, A garota na teia de aranha dá mais pistas sobre o passado de Salander, que lançam nova luz sobre como essa antiga vítima se tornou uma sobrevivente determinada e impiedosa, e foi capaz de se reinventar como uma espécie de super-heroína vingadora. De fato, a sua misteriosa gêmea Camilla, há muito desaparecida, ressurge aqui em algumas cenas exageradamente melodramáticas como sua arqui-inimiga, uma mulher bonita e perigosa que parece mais uma vilã de um filme de James Bond do que um ser humano de verdade.

Um personagem bem mais interessante e comovente é August, filho de Balder, um menino autista de oito anos de idade: um savant extraordinariamente talentoso como artista e matemático, mas severamente traumatizado pelos maus-tratos que sofreu do amante violento da mãe e quase incapaz de falar. August, que testemunhou o assassinato do pai e desempenha um papel crucial na busca pelo assassino, fará com que alguns leitores se lembrem do narrador autista do emocionante romance de 2003, O curioso incidente do cão a meia-noite, de Mark Haddon (posteriormente adaptado para o teatro e vencedor do Tony Award). Lagercrantz faz desse menino um personagem cativante. Seu sofrimento e suas habilidades excepcionais o transformam numa espécie de alter-ego de Lisbeth Salander, que usará toda a sua habilidade, toda a sua engenhosidade — em hackear, coletar informações e em sobreviver — para protegê-lo, quando os inimigos do pai do menino se lançam em sua caçada.

A garota na teia de aranha é menos sangrento e aterrorizante que os livros anteriores. Em outros aspectos, Lagercrantz parece ter canalizado — de maneira bastante hábil, em sua maior parte — o estilo narrativo de Larsson, misturando clichês do gênero com detalhes investigativos e originais, e concebe reviravoltas que lembram cenas dos romances de Larsson, com descrições muito bem pesquisadas sobre essa terra sem lei que é o lado obscuro da internet. É provável que a NSA tenha entrado na história em parte como um meio de prestar homenagem ao anti-autoritarismo de Larsson e sua visão sombria do poder do estado (desenvolvida de maneira mais completa em A rainha do castelo de ar, que abordava a corrupção política na Suécia e a conduta ilegal da Polícia Secreta).

E, ainda que o envolvimento da NSA com o caso investigado por Salander e Blomkvist nem sempre seja descrito por Lagercrantz de forma totalmente convincente, sua narrativa demonstra tanta segurança e agilidade nas sequências finas do livro que ele supera facilmente essas passagens mais dúbias.

Em vez de parar e analisar a plausibilidade de parte das conspirações interligadas em A garota na teia de aranha, o leitor vira as páginas com rapidez para ver como Salander e Blomkvist montarão as peças do quebra-cabeça do caso Balder (com grande ajuda de August). Nos perguntamos como as decisões tomadas por eles no calor do momento — em plena fuga ou sob ataque — lançam nova luz sobre quem eles são a esta altura de suas vidas. E, se a missão de cada um — no caso dele, desvendar a história de Balder; no dela, rastrear a organização criminosa comandada por seu pai odiado — os colocará em rota de colisão ou os irá transformar num par, romântico ou não, mais uma vez.

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Leia um trecho exclusivo de A garota na teia de aranha

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A revolução dos bichos: 70 anos

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Há 70 anos, o mundo conhecia uma das maiores obras de George Orwell: A revolução dos bichos. Escrita em plena Segunda Guerra Mundial e publicada em 17 de agosto de 1945 depois de ter sido rejeitada por várias editoras, essa pequena narrativa causou desconforto ao satirizar ferozmente a ditadura stalinista numa época em que os soviéticos ainda eram aliados do Ocidente na luta contra o eixo nazifascista. Para marcar a data, selecionamos para o blog trechos de A vitória de Orwell, de Christopher Hitchens, livro em que se dedica à desconstrução das mitologias montadas em torno da vida e da obra de Orwell. Leia a seguir.

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A revolução dos bichos foi, nas palavras de Orwell, “o primeiro livro em que tentei, com plena consciência do que estava fazendo, fundir intenção política e intenção artística em um todo”. O duradouro sucesso dessa empreitada reside em sua primorosa simplicidade e brevidade, mas também em uma incomum leveza. Um gracejo aparece logo no começo da revolução dos animais, quando “alguns presuntos, pendurados na cozinha”, são levados para fora e sepultados. Como o quadro inicial não é invariavelmente soturno, o gradual aparecimento de uma tragédia assume a devida proporção. As analogias são cativantes; cada animal é bem escolhido para seu papel, e ainda por cima todos são batizados com nomes excelentes.

[…]

Assim, o esquema de A revolução dos bichos deve sua profundidade e também sua simplicidade ao fato de que os animais não são todos iguais. Em um mundo de alegoria antropomórfica (no qual todos os homens são brutos), os animais podem ser diferenciados. Por exemplo, os porcos — que Orwell desprezava — pelo menos recebem notas altas pela inteligência, enquanto os cães — a quem ele muito admirava — são explorados e, por sua célebre lealdade, são aproveitados como impositores das regras. Orwell foi desde pequeno influenciado pela obra de Jonathan Swift, e seu fascínio pelas metáforas envolvendo criaturas não humanas (sem falar em sua obsessiva repugnância e sua incapacidade de afastar pensamentos ligados à sordidez) deve muito a esse autor. O limpo e honesto mundo dos Houyhnhnms em Viagens de Gulliver é parcialmente recriado em A revolução dos bichos; a morte do ferrenho e obtuso cavalo Sansão comove até mais — por causa da colossal inocência e mansidão do animal — do que a estrepitosa agonia final do elefante birmanês que Orwell matou na vida real.

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Leia mais sobre A vitória de Orwell A revolução dos bichos.