Elas por elas: Noemi Jaffe

Por João Lourenço

Para celebrar a semana do Dia Internacional da Mulher, conversamos com quatro escritoras da Companhia das Letras sobre o papel da mulher na ficção. Além de compartilhar suas descobertas mais recentes, elas também falam sobre mulheres inspiradoras que influenciaram seus trabalhos. 

Hoje, confira o papo com Noemi Jaffe, autora de Não está mais aqui quem falou.

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Na década de 1970, Joyce Carol Oates disse em entrevista à Paris Review que existem algumas desvantagens para mulheres na ficção. Ela disse, por exemplo, que pelo simples fato de ser mulher ela não é levada a serio pelos críticos do sexo oposto. Para você, a afirmação de Oates permanece verdadeira? Quais as vantagens e desvantagens em ser uma escritora de ficção?

Sim, para mim a afirmação de Oates permanece verdadeira. Penso que as mulheres ainda são preteridas por editoras, críticos, jornalistas e leitores. Muitos até dão atenção a nós, agora, por uma questão de consideração aos movimentos minoritários. Mas uma mudança realmente estrutural, em que as mulheres sejam tão consideradas quanto os homens, em todos os estratos do mundo literário, isso está longe de ocorrer. Trata-se de uma prática muito antiga e, portanto, arraigada e, além disso, hoje também há ou condescendência ou preconceito em relação às mulheres. É um processo lento e difícil.

 

Qual sua personagem fictícia favorita?

Minha personagem fictícia favorita? Há muitas. Mas eu poderia citar a Maga, de O jogo de amarelinha, de Julio Cortázar.

 

Se você tivesse que escolher um livro para figurar em todas as bibliotecas da rede pública, qual seria?

Um livro para figurar em todas as bibliotecas públicas seria A legião estrangeira, da Clarice Lispector.

 

Durante sua formação, qual escritora mais te impactou? Você recomenda algum livro especifico da autora?

Uma das escritoras que mais me impactou foi Virginia Woolf e eu recomendo muito o livro Ao farol.

 

Qual foi a sua última grande descoberta literária?

Minha última descoberta literária foi a Adelaide Ivánova, poeta de Pernambuco.

 

Literatura feminina. Às vezes, esse termo soa excludente, ruim, quase como um subnível de literatura. Além das razões comerciais, você acredita que essa divisão em gêneros ainda é importante?

Gostaria que este termo desaparecesse e, é claro, ficássemos somente com "literatura". O que é importante é que haja mulheres em todos os espaços ligados à literatura: escrevendo, editando, publicando, criticando, noticiando, agenciando, promovendo etc. Mas não há a menor necessidade de pensarmos em literatura feminina. Não há mais uma forma feminina de escrever, embora isso já tenha existido, por razões sociais e históricas.

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João Lourenço é editor at large da revista semestral *ffwMAG* e escreve sobre cinema, literatura, música e comportamento para publicações como Harper’s BazaarABD Conceitual. Atualmente, ele planeja lançar uma revista literária independente nos EUA e está terminando de escrever uma coletânea de contos.

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