Quarto gole: a compra da Anheuser-Busch

 

Os 5 goles da AmBev, por Ariane Abdallah

 

Quarto gole: a compra da Anheuser-Busch

A consolidação do mercado de cervejas era uma tendência mundial no começo do século XXI. Apesar de a norte-americana Anheuser-Busch (AB), dona da Budweiser, ter perdido o posto de líder mundial do setor desde a criação da InBev, em 2004, a família Busch não parecia acusar o golpe. Em 2007, August IV, um dos herdeiros e então ceo da cervejaria, se reuniu com Jorge Paulo Lemann, em Nova York, em um encontro aparentemente casual. Mas havia cinco meses que as equipes financeira e jurídica da InBev estudavam um modelo para a compra da norte-americana. Na conversa com o concorrente, Lemann sugeriu que August IV considerasse a possibilidade de fundir suas companhias. O ceo da AB não levou a proposta adiante. Até que, em 11 de junho de 2008, recebeu uma carta assinada por Carlos Brito, com a oferta de US$ 65 por ação, o que totalizava US$ 46 bilhões pela aquisição da cervejaria. O advogado Francis Aquila, sócio do Sullivan & Cromwell, que assessorou a InBev na operação, lembra de uma pergunta de Brito antes de fazer a proposta: “Se você estivesse representando a Anheuser-Busch, o que diria se não quisesse aceitar?”. O advogado respondeu: “Vocês precisam de uma estratégia financeira à prova de balas”. Como o valor oferecido era bastante agressivo, no momento em que o mundo vivia uma crise econômica sem precedentes, seria de esperar que o conselho da AB duvidasse da capacidade de qualquer empresa honrar a quantia. A  AB recusou a primeira oferta. Quase um mês depois, Brito ligou para August IV e, no viva-voz, anunciou a nova proposta: “Setenta dólares por ação”, o que somava US$ 52 bilhões de dólares. O vice-presidente de marketing e braço direito de August vi, Dave Peacock, estava na sala naquele momento. “Era difícil argumentar contra. A decisão estava tomada.” A Anheuser-Busch aceitou o acordo, mas impôs uma dura condição: se os brasileiros e belgas não conseguissem pagar a conta, a venda iria se inverter, e a InBev seria da Anheuser-Busch. O negócio foi fechado, mas as emoções da empresa em território norte-americano continuariam pelos dias, meses e anos seguintes.

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Leia também:

Primeiro gole: a compra da Brahma

Segundo gole: a fusão com a Antarctica

Terceiro gole: a fusão com a Interbrew

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Saiba mais sobre história da AmBev e a criação da maior cervejaria do mundo em De um gole só. O livro será publicado em junho e já está em pré-venda.

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Ariane Abdallah nasceu em São Paulo e é formada em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Entre 2004 e 2015, trabalhou como repórter nas editoras Trip e Globo, escrevendo reportagens sobre comportamento, negócios e economia. Em 2016, fundou o Atelier de Conteúdo, empresa de comunicação e conteúdo.

 

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