Quinto gole: a compra da SABMiller

 

Os 5 goles da AmBev, por Ariane Abdallah

 

Quinto gole: a compra da SABMiller

Em 2008, a SABMiller era uma das opções que a InBev considerava comprar, antes de escolher a Anheuser-Busch. Naquele momento, unir-se à cervejaria originária de um país em desenvolvimento poderia não soar como um movimento seguro diante dos investidores. Em 2015, o cenário era outro, e o assunto voltou à pauta entre os controladores da ab InBev. A SAB era a segunda maior cervejaria do mundo e, se somada à companhia brasileiro-belga, estaria presente em todos os continentes. A primeira oferta foi de 38 libras por ação — rejeitada pelo conselho da SAB, que queria mais. A proposta foi revista algumas vezes, até a sul-africana aceitar 44 libras por ação, totalizando US$ 106 bilhões. Enquanto os cerca de trinta órgãos reguladores que precisavam dar seu aval analisavam o negócio, o Reino Unido decidiu deixar a União Europeia. A notícia teve impacto imediato nos mercados da Europa, dos Estados Unidos e da Ásia. A libra esterlina despencou em relação ao dólar, o que levou a ab InBev a fazer a oferta do “último pound”, somando exatamente este valor ao pagamento de cada ação da SAB. Aquela era a melhor e última proposta da brasileiro-belga. “Foi como uma jogada de pôquer. Poderíamos perder tudo”, diz David Almeida, diretor de integração da companhia, que participou da operação. Mas o acordo foi selado. Uma das principais preocupações do governo sul-africano com aquela venda era o que aconteceria em seguida com os empregos dos 5.732 colaboradores da empresa ícone da região? Como ficariam os fornecedores locais? Entre os principais termos assumidos pela cervejeira estavam o de não realizar nenhuma demissão involuntária como resultado da fusão e investir 1 bilhão de rands em fazendas e outros fornecedores da empresa. Antes de o brasileiro Ricardo Tadeu assumir como ceo da zona África, encontrou Jorge Paulo Lemann, que disse a ele: “Gostaria que você construísse uma empresa-modelo, que seja inspiradora para outras do mercado não só pelos resultados que gera, mas também pelo impacto positivo que causa no mundo”. A chegada à África poderia ser uma oportunidade para a ab InBev ressignificar toda a sua história.

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Leia também:

Primeiro gole: a compra da Brahma

Segundo gole: a fusão com a Antarctica

Terceiro gole: a fusão com a Interbrew

Quarto gole: a compra da Anheuser-Busch

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Saiba mais sobre história da AmBev e a criação da maior cervejaria do mundo em De um gole só. O livro será publicado em junho e já está em pré-venda.

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Ariane Abdallah nasceu em São Paulo e é formada em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Entre 2004 e 2015, trabalhou como repórter nas editoras Trip e Globo, escrevendo reportagens sobre comportamento, negócios e economia. Em 2016, fundou o Atelier de Conteúdo, empresa de comunicação e conteúdo.

 

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