Segundo gole: a fusão com a Antarctica

 

Os 5 goles da AmBev, por Ariane Abdallah

 

Segundo gole: a fusão com a Antarctica

Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles tinham uma ideia fixa desde a compra da Brahma: transformá-la em uma das cinco maiores cervejarias do mundo. Logo, o sonho foi atualizado. Queriam ser donos da maior cervejaria do mundo. No geral, o plano soava como devaneio. Para eles, no entanto, o primeiro passo estava claro: unir-se à Antarctica.

Até a chegada dos empresários à Brahma, a disputa com a rival paulista era equilibrada. As marcas eram líderes do setor, alternando a primeira posição no ranking brasileiro. A história das duas empresas também era similar. Assim como a gestão enroscada em excessos de hierarquias e processos, e as decisões lentas.

Unir as duas era, por um lado, óbvio. Afinal, ambas eram marcas tão fortes que se tornaram sinônimo de cerveja. Por outro, era inusitado, já que no fim dos 1990, a fusão entre duas grandes companhias era uma prática incomum no Brasil.

Quando a Antarctica começou a perder market share e a aumentar sua dívida, o desfecho natural parecia ser outro: a chegada de algum gigante estrangeiro para adquirir a marca. Por exemplo, a Anheuser-Busch, que tinha uma parceria comercial com a cervejaria.

Mas Marcel ligou para Victorio de Marchi, então presidente da Antarctica, no fim de semana de 8 de maio de 1999. Os dois combinaram de almoçar na segunda-feira seguinte. Encontraram-se na sede do banco norte-americano Morgan Stanley, em São Paulo. E começaram a discutir um acordo. Quase dois meses depois, a AmBev nasceria com um valor de mercado estimado em R$ 7,4 bilhões.

O principal desafio da companhia era também sua maior força: deter 70% do mercado de cervejas do Brasil. Uma empresa que domina uma parcela tão grande do mercado tem poder para fazer o que quer com o preço do produto. Seria preciso enfrentar o Cade e uma forte oposição para concluir o negócio.

Enquanto isso, no escritório da Antarctica, uma sala foi transformada em “war room” (sala de guerra). Ali, dezenas de executivos, das duas cervejarias, passaram oito meses se encontrando diariamente para estudar as principais práticas de cada empresa. Ao final, a grande maioria do que foi adotado pela AmBev era herança da Brahma — e, no futuro, ditaria as regras do setor cervejeiro ao redor do mundo.

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Primeiro gole: a compra da Brahma

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Saiba mais sobre história da AmBev e a criação da maior cervejaria do mundo em De um gole só. O livro será publicado em junho e já está em pré-venda.

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Ariane Abdallah nasceu em São Paulo e é formada em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Entre 2004 e 2015, trabalhou como repórter nas editoras Trip e Globo, escrevendo reportagens sobre comportamento, negócios e economia. Em 2016, fundou o Atelier de Conteúdo, empresa de comunicação e conteúdo.

 

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