Semana trezentos e cinquenta e cinco

Companhia das Letras

A fugitiva, de Lorenzo Mammi
A música não se deixa capturar pelas palavras - é ela própria a eterna fugitiva a que se refere o título deste livro. Consciente dessa dificuldade intrínseca, que lhe serve de desafio e de guia, Lorenzo Mammì reúne aqui uma espiral vertiginosa de escritos que testemunham quase trinta anos de convivência ensaística com a arte dos sons. Abordando as mais diferentes épocas e os mais distanciados gêneros, da canção brasileira ao serialismo, do canto gregoriano à ópera, ao jazz e ao rock?n'roll, passando por Mozart, Rossini, Wagner, Debussy e Villa-Lobos, entre outros compositores, o ensaísta busca surpreender as manifestações e as configurações musicais "com a guarda baixa, a descoberto". A fugitiva é a viagem de um pensamento crítico poderoso e sutil que, se não abarca, abraça milênios de música num arco generoso de reflexão que vai dos primórdios da escrita musical ao fim da era do disco.

Os testamentos traídos, de Milan Kundera (Tradução: Teresa Bulhões Carvalho da Fonseca e Maria Luíza Newlands)
Escritas diretamente em francês, as nove partes independentes que compõem Os testamentos traídos podem ser lidas como um romance - arte que Milan Kundera domina com maestria. Publicados originalmente em 1993, os textos evocam figuras como Ernest Hemingway, Igor Stravinski e Franz Kafka para discutir, entre outras questões intelectuais do século XX, a música e a literatura. Estão presentes nesta análise temas como o surgimento do humor nas letras a partir de Cervantes e Rabelais; a necessidade do compromisso com os recursos de linguagem e de estilo nas traduções de autores estrangeiros; os pontos de contato entre as histórias da música e da literatura, que parecem se desenvolver em três tempos. Com a elegância e a profundidade características de toda a sua obra, um dos mais celebrados autores contemporâneos de língua francesa reafirma sua devoção ao ato da escrita neste trabalho que é sobretudo um tributo às grandes artes.

Neve negra, de Santiago Nazarian
Na noite mais fria do ano, na cidade mais fria do Brasil, um pai de família volta para casa. Pintor de sucesso, passa boa parte de seu tempo em feiras e exposições no exterior. E na sua cidade natal, na Serra Catarinense, se depara com o inesperado. Enquanto a neve cai lá fora, sua família dorme. Mas quando seu filho de sete anos desperta é que começa um pesadelo que acabará com o aconchego do lar. Neste habilidoso misto de terror psicológico e drama familiar, o leitor se depara com paranoias e dúvidas ancestrais da paternidade. É também um raro registro da neve no Brasil, num romance no qual questões existenciais se mesclam com o humor negro de que só Nazarian é capaz.

Com o mar por meio, de José Saramago e Jorge Amado (Organização de Bete Capinan)
A amizade entre Jorge Amado e José Saramago teve início quando os dois já tinham idade mais avançada e consolidada carreira literária, porém o vínculo tardio não impediu que os escritores formassem um laço forte, estendido as suas companheiras, Zélia e Pilar. Este livro reúne a correspondência entre os dois mestres - e os dois casais, muitas vezes -, entre os anos de 1992 e 1998. São cartas, bilhetes, cartões e faxes com uma rica troca de ideias sobre questões tanto da vida íntima como da conjuntura contemporânea, sobretudo a cena literária. Eles debatem com humor sobre prêmios e associações de escritores, com especulações divertidas sobre quem seria, por exemplo, o próximo a ser contemplado com o Nobel ou o Camões. Com um projeto gráfico especial, ilustrado com facsímiles das missivas e belíssimas fotos do acervo pessoal dos autores, Com o mar por meio aproxima os leitores do universo particular dos dois amigos.

Companhia das Letrinhas

Eu não acho de jeito nenhum, de Blandina Franco
Às vezes começar uma discussão é quase inevitável: cada um teimando que está certo sobre determinado assunto e ninguém disposto a dar o braço a torcer. Com o Eunãoacho e o Dejeitonenhum é exatamente assim: mesmo sendo melhores amigos, os dois vivem brigando por qualquer motivo - qual será a próxima brincadeira, se vai chover ou não, quem vai emprestar o quê para quem... Será que tem um jeito dessa discussão acabar ou os dois, de tanta cabeça dura, vão acabar se distanciando?

Paralela

Os segredos do guarda-roupa europeu, de Anuschka Rees (tradução de Lígia Azevedo)
Você gosta de todas as suas roupas? Está feliz com a sua maneira de se vestir? Já se pegou desejando ter o estilo dos outros? Ou sentiu que tinha um monte de roupas, mas nada para usar? Quando Anuschka Rees se mudou para Londres, enfrentou o desafio de viver com menos espaço. Mas ela não precisou sacrificar o seu estilo por isso. Aprendeu com suas conterrâneas os segredos que podem nos tornar tão estilosas quanto as habitantes das capitais mais famosas da moda, sem gastar demais. Em Os segredos do guarda-roupa europeu ela ensina como montar um guarda-roupa de qualidade que seja a sua cara. 

Inquebrável, de Pablo Miyazawa e Fernando Fernandes
Escrito com o jornalista Pablo Miyazawa, este livro é um relato emocionante que mostra como um jovem apaixonado por esportes não se deixou abater por uma tragédia, transformando-se num exemplo nacional. Incluindo trechos impactantes do diário que Fernando escreveu no hospital dias depois da batida de carro, Inquebrável é uma história de resiliência, fé e, sobretudo, confiança no próprio potencial.

Quadrinhos na Cia

Aqui, de Richard McGuire (Tradução: Érico Assis)
Aqui conta a história de um canto de uma casa, e o que aconteceu ali durante centenas de milhares de anos. Aguardada há quase três décadas, trata-se da versão final de uma ideia que McGuire publicou numa revista independente nos anos 1980. Dramático, cômico e amplamente inovador, é o testemunho não apenas de um grande artista no auge de sua forma, mas também das possibilidades infinitas da linguagem dos quadrinhos. Ao extrapolar regras e inverter convenções, McGuire criou uma obra única, que não poderia ser contada de outra forma, um trabalho pioneiro que vai marcar para sempre o cenário das HQs.
 

Neste post