Semana trezentos e cinquenta e quatro

Companhia

Diário do hospício e o cemitério dos vivos, de Lima Barreto (Organizadores: Augusto Massi e Murilo Marcondes de Moura)
Internado por duas vezes em instituições psiquiátricas por delírios alcoólicos, Lima Barreto documentou em Diário do hospício sua passagem pelo Hospício Nacional dos Alienados, no Rio de Janeiro, de maneira lúcida e contundente. No romance inacabado O cemitério dos vivos, o autor transpôs para a chave ficcional a mesma vivência. Os dois textos foram publicados em conjunto postumamente, em 1953 e em 2010, receberam nova e cuidadosa edição organizada por Augusto Massi e Murilo Marcondes de Moura e prefaciada por Alfredo Bosi. Relançada agora pela Companhia das Letras, esta edição conta com notas e imagens inéditas, que oferecem nova contextualização do ambiente manicomial, além de incluir ao final uma nova reportagem de Raymundo Magalhães datada de 1920.

Não está mais aqui quem falou, de Noemi Jaffe
Os fragmentos que compõem o novo livro de Noemi Jaffe podem ser variados em sua forma, estilo e temática, mas como não poderia deixar de ser, são o resultado da forma particular e sensível com que a autora observa o mundo. Seja ao narrar um encontro amoroso, ao inquirir sobre a origem e os significados de uma palavra, seja ao imaginar um encontro improvável entre duas figuras históricas, Jaffe mobiliza um repertório rico e original no qual as fronteiras entre ficção e realidade se apagam sutilmente. Literatura e linguagem, ficção e história compõem este livro da autora que Valter Hugo Mãe chamou de "um tesouro da língua e da literatura em português".

Os impunes, de Richard Price
Nos anos 1990, Billy Graves vivia seu auge. Integrava os Gansos Selvagens, um entusiasmado grupo independente de jovens policiais que investigavam os crimes das regiões mais violentas de Nova York. Porém, depois de atirar por acidente em um garoto de dez anos, o detetive ganhou fama indesejada nas manchetes dos jornais e foi confinado ao Departamento de Identificação do necrotério. Billy está agora na casa dos quarenta e cuida do turno da noite, atendendo a chamados e despachando as pendências para a equipe da manhã. No entanto, quando um dos crimes tem como vítima uma pessoa ligada ao passado de um de seus colegas dos Gansos Selvagens, o policial vai reviver os velhos tempos numa busca por vingança e redenção. Com os afiados diálogos característicos de Richard Price, Os impunes é uma história de tirar o fôlego, escrita por um dos grandes nomes da literatura policial americana.

A família Manzoni, de 
Natalia Ginzburg (Tradução: Homero Freitas de Andrade)
Alessandro Manzoni escreveu um dos grandes clássicos da literatura italiana, o romance histórico Os noivos, de 1840. Viveu 88 anos, foi pai de família dedicado e católico de primeira linha. A primeira mulher, Enrichetta, lhe deu nove filhos. Tudo isso num cenário em que a radicalização das questões nacionais sacudia a Itália. Natalia Ginzburg, uma das principais narradoras italianas do século XX, escolheu um ponto de vista nada épico para contar a história dos Manzoni. E o fez com sua linguagem áspera, no mesmo ritmo plano que esconde, na verdade, uma poesia secreta. A família Manzoni, publicado em 1983, é um romance montado a partir de cartas e relatos históricos. Um mergulho no universo de uma família, belo e profundo em toda a sua humanidade.

Suma

O prisioneiro do céu, de Carlos Ruiz Zafón (Tradução: Eliana Aguiar)
Barcelona, 1957. É natal e os clientes são escassos na livraria Sempere & Filhos; as contas vêm se acumulando. É quando um homem com mão de porcelana visita a loja e compra o item mais caro: um exemplar raríssimo de O conde de Monte Cristo, onde deixa a dedicatória "Para Fermín Romero de Torres, que retornou de entre os mortos e tem a chave do futuro". Este é o ponto de partida para que conheçamos mais da história de Fermín, incluindo seus anos no Castelo Montjuic, a prisão do governo Franco, na época gerenciada pelo nefasto Mauricio Valls. Com medo de que um segredo enterrado há vinte anos finalmente viesse à tona, ele narra a Daniel suas tentativas de fuga da prisão, junto a um companheiro de cárcere. O prisioneiro do céu é uma história sobre prisão, tortura, inveja, traição e assassinato, em que as tramas de A sombra do vento e O jogo do anjo convergem para a resolução do enigma escondido no coração do Cemitério dos livros esquecidos.

A hora do lobisomem, de Stephen King (Tradução: Regiane Winarski)
O primeiro grito veio de um trabalhador da ferrovia isolado pela neve, enquanto as presas do monstro dilaceravam sua garganta. No mês seguinte, um grito de êxtase e agonia vem de uma mulher atacada no próprio quarto. Agora, a cada vez que a lua cheia brilha sobre a cidade de Tarker's Mill, surgem novas cenas de terror inimaginável. Quem será o próximo? Quando a lua cresce no céu, um terror paralisante toma os moradores da cidade. Uivos quase humanos ecoam no vento. E por todo lado as pegadas de um monstro cuja fome nunca é saciada. Um clássico de Stephen King, com as ilustrações originais de Bernie Wrightson.

Sempre vivemos no castelo, de Shirley Jackson (Tradução: Débora Landsberg)
Morando na casa da família Blackwood com Constance, a irmã mais velha, e o tio Julian, Merricat só quer manter o delicado equilíbrio conquistado pelos três. Mas, desde que Constance foi acusada de assassinar o restante da família, ninguém deixa os Blackwood em paz. Quando o primo Charles chega à cidade, tentando fazer amizade com Constance e despedaçar tudo o que Merricat conquistou, ela entende que precisa fazer o possível para proteger o que sobrou de sua família - e isso pode levar a atitudes inesperadas. Com um humor macabro, Sempre vivemos no castelo conta a história deliciosamente sombria de Constance e Merricat Blackwood, uma das maiores anti-heroínas da literatura americana.

Alfaguara


A estrada verde, de Anne Enright (Tradução: Débora Landsberg)
Irlanda, 1980. Quando Dan anuncia que pretende ser padre, a jovem Hanna assiste a agonia de sua mãe. Nos anos seguintes, todos os filhos da família Madigan vão deixar a casa da matriarca Rosaleen. Dan parte para o frenesi de Nova York, e precisa lidar com o fantasma da Aids. Constance se vê em um hospital em Limerick, com uma possível tragédia de grandes proporções. Emmet percorre o continente africano e encontra o amor em Mali. E Hanna atravessa o cotidiano da maternidade na moderna Dublin. Quando eles se reúnem para o Natal, segredos e conflitos do passado virão à tona, e toda família precisará encontrar seu caminho de volta para casa. Um livro profundamente impactante sobre laços familiares, A estrada verde é Anne Enright em sua melhor forma.
 

O guardador de águas, de Manoel de Barros
Em O guardador de águas, Manoel de Barros duplica-se e cede a palavra a outro personagem, o Bernardo da Mata. Bernardo era empregado de sua fazenda e foi seu amigo de vida inteira. Em vários poemas, é Bernardo quem apresenta a fala primal da natureza que tanto caracteriza o poeta. Mas a poesia de Manoel não é ingênua, ela não ignora a teia estabelecida pela cultura. Ela desafia a lógica convencional, exercitando-se na metalinguagem. Este livro é feito de frases em mutação, que juntam as águas, o mato e os pequenos seres da mata. Mas não se deixem enganar: Manoel é muito maior que um "poeta pantaneiro", expressão tantas vezes utilizada para defini-lo. É ele quem diz: "Não tenho em mente trazer contribuição para o acervo folclórico do Pantanal. Meu negócio é descascar as palavras, se possível, até a mais lírica semente delas".


Objetiva
 

 

 

O poder do sentido - Os quatro pilares essenciais para uma vida plena, de Emily Esfahani Smith (Tradução: Débora Landsberg)
Ser feliz virou uma obsessão. No entanto, nos sentimos mais insatisfeitos do que nunca. Neste livro, Emily Esfahani Smith argumenta que estamos fazendo a busca errada. Não é a felicidade que faz a vida valer a pena - é o sentido que damos a ela. Mas a busca por sentido ganhou uma conotação esotérica, como se fosse preciso viajar para um monastério distante ou folhear livros empoeirados para descobrir os segredos da vida. Com base nas mais recentes pesquisas de sociólogos, psicólogos e filósofos, a autora nos mostra como podemos trazer sentido paras as várias esferas de nossa vida. O poder do sentido instiga o leitor a priorizar uma vida que tenha espaço para a introspecção e o deslumbramento, a cultivar um senso de comunidade e a aprofundar nossa relação com os outros e consigo mesmo.

 

Reimpressões

 
O arco-íris da gravidade, de Thomas Pynchon (Tradução: Paulo Henriques Britto)
Contos de horror do século XIX, Vários autores (Organizador Alberto Manguel)
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