Semana trezentos e quarenta e sete

Companhia das Letras

Prisioneiras, de Drauzio Varella
O trabalho de Drauzio Varella como médico voluntário em penitenciárias começou em 1989, na extinta Casa de Detenção de São Paulo, o Carandiru. Os anos de clínica e as histórias dos presos, dos funcionários e da própria cadeia seriam retratados nos aclamados livros Estação Carandiru (1999) e Carcereiros (2012). Em 2017, Drauzio encerra sua trilogia literária sobre o sistema carcerário brasileiro com Prisioneiras. Alçando as mulheres encarceradas a protagonistas, o médico rememora os últimos onze anos de atendimento na Penitenciária Feminina da Capital, que abriga mais de duas mil detentas. São histórias de mulheres que não raro entram para o crime por conta de seus parceiros - inclusive tentando levar drogas aos companheiros nas penitenciárias masculinas em dias de visita -, mas que são esquecidas quando estão atrás das grades. As famílias conseguem tolerar um encarcerado, mas não uma mãe, irmã, filha ou esposa na cadeia. No ambiente carcerário feminino, há elementos comuns às penitenciárias masculinas. Assim como no Carandiru, um código de leis não escrito rege as prisioneiras; o Primeiro Comando da Capital (PCC) está presente e mostra sua força através das mulheres que integram a facção; e a relação entre aquelas que habitam as cadeias não é menos complexa. As casas de detenção femininas, no entanto, guardam suas particularidades - diferenças às quais o médico paulistano dedica atenção especial em sua narrativa. Desde a dinâmica dos atendimentos e a escassez de visitas até os relacionamentos entre as presas, fica nítido que a realidade das prisões escapa ao imaginário de quem vive fora delas. Prisioneiras é um relato franco, sem julgamentos morais, que não perde o senso crítico em relação às mazelas da sociedade brasileira. Nesse encerramento de ciclo, Drauzio Varella reafirma seu talento de escritor do cotidiano, retratando sua experiência e a vida dessas mulheres com a mesma disposição, coragem e sensibilidade que empreendeu ao iniciar seu trabalho nas prisões há quase três décadas.

Em teu ventre, de José Luís Peixoto

As aparições de Nossa Senhora a três crianças em Fátima, interior de Portugal, entre maio e outubro de 1917, são o pano de fundo deste delicado romance de José Luís Peixoto, que lança um olhar inusitado sobre um dos episódios mais emblemáticos do século XX no país. Tomando como protagonista a mãe de Lúcia, a mais velha dos três pastorinhos que teriam presenciado o milagre, o autor investiga questões profundas de fé e de ruralidade, mas sobretudo a relação entre mães e filhos. A maternidade, como bem indica o título, é o ponto fundamental deste livro. Com rigor histórico e extrema beleza ficcional, esta é uma história permeada de assombro, milagre e poesia.

Fontanar

O livro das santas, de Sarah Gallick (tradução de Laura Teixeira Motta)
A grande maioria dos livros sobre santos fala pouco sobre mulheres. Em O livro das santas, a pesquisadora Sarah Gallick corrige esse erro, nos presenteando com o relato impressionante da trajetória de centenas de santas, muitas delas canonizadas ou beatificadas em pleno século XX pelo Papa João Paulo II. Graças a um trabalho rigoroso de pesquisa em arquivos recentemente descobertos, diários e outras fontes primárias, o leitor encontrará nesta obra recursos inéditos, por meio dos quais poderá aprender, refletir e se inspirar todos os dias do ano com uma santa diferente. Um livro de importância ímpar para aqueles que desejam se sentir mais próximos dessas mulheres exemplares que dedicaram suas vidas a Deus, triunfando sobre as vicissitudes humanas sem nunca sacrificar sua alma ou o seu gênio feminino.

Reimpressões

Globalização, democracia e terrorismo, de Eric J. Hobsbawm
Hibisco roxo, de Chimamanda Ngozi Adichie
História da eternidade, de Jorge Luis Borges
História universal da infâmia, de Jorge Luis Borges
Nossas noites, de Kent Haruf
O continente - Vol. 1, de Erico Verissimo
O luxo eterno, de Eliette Roux
O que é fascismo? E outros ensaios, de George Orwell
O tribunal da quinta-feira, de Michel Laub
O último leitor, de Ricardo Piglia
Objecto quase, de José Saramago
Ruído branco, de Don DeLillo
 
 
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