Semana trezentos e sessenta e dois

Companhia das Letras

Viva la revolución, de Eric Hobsbawm (tradução de Pedro Maia Soares)

Após o triunfo de Fidel Castro em Cuba, em janeiro de 1959, e mais ainda após a tentativa fracassada de golpe dos americanos na Baía dos Porcos, dois anos depois, “não havia intelectual [de esquerda] na Europa ou nos Estados Unidos que não sucumbisse ao feitiço da América Latina, continente onde aparentemente borbulhava a lava das revoluções sociais”, escreveu Eric Hobsbawm. Mas o caso do grande historiador britânico era especial: ele dizia que a América Latina era a única região do mundo, além da Europa, que conhecia bem e onde se sentia totalmente em casa. Membro do Partido Comunista da Grã-Bretanha desde seus dias de estudante na Universidade de Cambridge, Eric visitou Cuba no verão de 1960. Em 1962, passou três meses viajando entre Brasil, Argentina, Chile, Peru, Bolívia e Colômbia. No Brasil, ficou chocado com o atraso econômico e a pobreza que encontrou, mas também reconheceu o “imenso” potencial dos trabalhadores do campo no Nordeste brasileiro, “aquela vasta área de cerca de 20 milhões de habitantes que deu ao país os seus mais famosos bandidos [e] revoltas camponesas”.

O fogo na floresta, de Marcelo Ferroni

A vida não deu a Heloísa as oportunidades que ela merecia, mas ela enfrenta bravamente as adversidades e, como boa brasileira, segue em frente. Apesar das agruras domésticas, das injustiças no trabalho, das desventuras da maternidade, das amigas invejosas, do marido sem graça, das prestações por pagar, da implicância da sogra, dos colegas incompetentes e do irmão desalmado, esta Emma Bovary dos trópicos persevera na busca da felicidade a que tem direito. Ao combinar o melhor da tradição do romance realista com a ironia que a tarefa demanda em nossos tempos, Ferroni constrói uma das personagens mais instigantes da literatura nacional, com a qual é impossível não se identificar.

Alfaguara

Conversas entre amigos, de Sally Rooney (tradução de Débora Landsberg)

Frances, uma estudante de vinte e um anos que vive em Dublin, é escritora e apresenta em público suas peças de poesia com Bobbi, sua ex-namorada e melhor amiga. Ela é tímida, austera e distante; Bobbi é mais comunicativa e de fácil trato. Quando Melissa, uma notável fotógrafa e ensaísta, se aproxima de ambas para oferecer um perfil em uma renomada revista, elas aceitam com entusiasmo. Enquanto o encanto de Bobbi por Melissa aumenta, Frances se aproxima pouco a pouco de Nick, o marido-ator não muito bem-sucedido, e a relação de poder que se estabelece entre os quatro se torna cada vez mais complexa. Escrito com precisão e inteligência, Conversas entre amigos é um relato impressionante das paixões e perigos da juventude. Neste romance de estreia, Sally Rooney consegue conciliar vulnerabilidade e força em um mundo que não tem nada de trivial.

Companhia das Letrinhas

Uma girafa e tanto, de Shel Silverstein (tradução de Ivo Barroso)

O garoto deste livro não está satisfeito com a sua girafa. Ele deseja “uma girafa e tanto”. E, a partir daí, passa acrescentar no animal tudo que vê pela frente: um chapéu barato onde mora um rato, um sapato com uma sola que fica grudada de cola... Mas será que essa tralha toda vai deixá-lo feliz? Neste jogo acumulativo de rimas, o autor convida o leitor a refletir sobre a sociedade de consumo em que vivemos.

Reimpressões

Mr. Mercedes, de Stephen King (tradução de Regiane Winarski)

O mundo assombrado pelos demônios, de Carl Sagan (tradução de Rosaura Eichenberg)

As meninasde Lygia Fagundes Telles 

Através do espelho, de Jostein Gaarder (tradução de Isa Mara Lando)

O evangelho segundo Jesus Cristo, de José Saramago

It - A coisade Stephen King (tradução de Regiane Winarski)

Hibisco roxo, de Chimamanda Ngozi Adichie (tradução de Julia Romeu)

 

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