Semana trezentos e sessenta e nove

Companhia das Letras

Cosmosde Carl Sagan (tradução de Paulo Geiger)

Escrito por um dos maiores divulgadores de ciência do século XX, Cosmos retraça 14 bilhões de anos de evolução cósmica, explorando tópicos como a origem da vida, o cérebro humano, hieróglifos egípcios, missões espaciais, a morte do sol, a evolução das galáxias e as forças e indivíduos que ajudaram a moldar a ciência moderna. Numa prosa transparente, Carl Sagan revela os segredos do planeta azul habitado por uma forma de vida que apenas começa a descobrir sua própria identidade e a se aventurar no vasto oceano do espaço sideral. Aqui, o tratamento dos temas científicos está sempre imbricado com outros campos de estudo tradicionais, como história, antropologia, arte e filosofia. Publicado pela primeira vez em 1980, Cosmos reúne alguns dos conhecimentos mais avançados da época sobre a natureza, a vida e o Universo — e se mantém até hoje como uma das mais importantes obras de divulgação científica da história. Embora diversas descobertas fascinantes tenham ocorrido nos últimos quarenta anos, o tema central deste livro nunca estará desatualizado: nosso fascínio pelo conhecimento e a prática da ciência como atividade cultural.

 

A glória e seu cortejo de horroresde Fernanda Torres

A glória e seu cortejo de horrores, novo romance de Fernanda Torres, acompanha as desventuras de Mario Cardoso, um ator de meia-idade, desde os dias de sucesso como astro de telenovela até o total declínio quando decide encenar uma versão de Rei Lear — e as coisas não saem exatamente como esperava. Mescla eletrizante de comédia de erros com a velha e nem sempre boa vida como ela é, o livro atravessa diversas fases da carreira de Mario (e da história recente do Brasil), suas lembranças de juventude no teatro político, a incursão pelo Cinema Novo dos anos 1960, a efervescência hippie do Verão do Desbunde, o encontro com o teatro de Tchékhov, a glória como um dos atores mais famosos de uma época em que a televisão dava as cartas no país. Um painel corrosivo de uma geração que viu sua ideia de arte sucumbir ao mercado, à superficialidade do mundo hiperconectado e à derrocada de suas ilusões.

 

Pretérito imperfeitode B. Kucinski

A adoção de um bebê por um casal que não consegue ter filhos é o fato fundador de Pretérito imperfeito, romance em que B. Kucinski conta a história de uma paternidade que começa intensa e amorosa e termina em destroços. A derrocada tem início na adolescência do menino, marcada pelo envolvimento com maconha, crack e anfetaminas, um processo descrito pelo narrador como uma busca frenética de um paraíso artificial. Entrelaçam-se nessa história de vida três situações limite: a adoção, a dependência química e o racismo. O pai narrador se pergunta: “Teria sido possível em algum momento barrar o curso dessa história? Ou estava tudo escrito no livro do destino?”. A abordagem é minuciosa e sutil, porém o estilo é seco e duro. O resultado é um texto pungente, que confirma o lugar de B. Kucinski como um dos escritores mais destacados da atualidade.

 

Roupas sujasde Leonardo Brasiliense

Nesta comovente saga familiar, Leonardo Brasiliense retraça as consequências da perda da figura materna, e explora a brutalidade das relações humanas e sua persistência no tempo. No embate entre o poder indomável da natureza e a rigidez moral dos costumes, cada personagem ilustra a seu modo o mesmo conflito. Por meio de uma prosa cortante, que toma emprestados o vigor e a austeridade do ambiente doméstico rural do Sul do Brasil, Brasiliense faz da ausência a matéria-prima para o desenrolar de um drama a um só tempo particular e universal. Tão importante quanto aquilo que se diz é o que não se chega a pronunciar, e uma palavra represada na boca do filho temeroso ou do pai taciturno prenuncia a irrupção de segredos que podem ser guardados, mas não extintos.

 

Uma forma de saudadede Carlos Drummond de Andrade

Trinta anos após a morte de Carlos Drummond de Andrade, as páginas arrancadas de seu diário e guardadas por sua filha Maria Julieta num envelope com a inscrição “Diário de papai/ Família e amigos” compõem Uma forma de saudade. Precedidas por uma introdução de Pedro Augusto Graña Drummond, organizador do volume, e sucedidas por uma seleta da poemas, as páginas revelam ao público reflexões do poeta acerca de familiares e amigos próximos como Manuel Bandeira e Rodrigo Melo Franco de Andrade. O livro conta ainda com fotos do arquivo da família e fac-símiles das anotações do poeta, além de projeto gráfico especial, assinado por Raul Loureiro.

 

Manuscritos notáveisde Christopher De Hamel (tradução de Paulo Geiger)

Misto de impressão de viagem e história de detetive, Manuscritos notáveis é, assim como cada um dos doze tesouros que o compõem, um livro de maravilhas. Nunca pudemos chegar tão perto do Evangelho de Santo Agostinho, que nos leva a uma era na qual um novo letramento cristão emergia do colapso da Roma antiga; ou de Carmina Burana, que reúne canções de amor e luxúria dos estudantes e doutos errantes da Munique do início do século XIII. Em edição colorida e fartamente ilustrada por imagens dos documentos, o autor retraça os elaborados percursos que esses valiosos artefatos empreenderam ao longo do tempo, mostrando as condições em que foram copiados, quem os possuiu ou os desejou, como foram implicados nos rumos da política e passaram a ser encarados como objetos de suprema beleza e símbolo de identidade nacional.

 

Companhia das Letrinhas

Bebês brasileirinhosde Lalau (ilustrações de Laurabeatriz)

Milhares e milhares de animais silvestres nascem nos quatro cantos do Brasil. Infelizmente, a maioria já nasce correndo algum perigo de vida, proveniente da caça implacável e predatória, a invasão desordenada em seu habitat, o desmatamento, a poluição, o tráfico, os atropelamentos ou outras ações provocadas pelo homem. Nesta nova edição, além da reunião dos brasileirinhos — aqui todos retratados filhotes — que estão nessa triste situação, o livro ganha dois novos poemas, uma lista de parques nacionais e organizações preocupadas com a conservação da diversidade e uma nova capa. Vamos salvar nossos brasileirinhos?

 

O mundo seria mais legalde Marcelo Tolentino

O mundo é um lugar legal. Mas já imaginou se o mar não tivesse sal — e a gente pudesse tomá-lo de canudinho —, se todo encontro fosse pontual e se a sobremesa nunca chegasse no final? Não seria sensacional? Neste livro, leitores de todas as idades vão conhecer uma série de propostas malucas (e rimadas) para um mundo mais divertido. E ainda terão a chance de inventar o seu próprio planeta e dar a ele um toque único e especial!

 

Paralela

Antes da tempestadede Dinah Jefferies (tradução de André Fontenelle)

Rajputana, Índia, 1930. Desde a morte de seu marido, a jovem inglesa Eliza tem como única companhia sua câmera. Determinada a se firmar como fotógrafa profissional, ela acaba de aceitar um convite do governo britânico para se hospedar durante um ano no castelo da família real local. Sua missão: fotografar, para o acervo da Coroa inglesa, a vida no Estado principesco de Juraipore. Ao conhecer Jayant, irmão mais novo do marajá, Eliza embarca na aventura mais transformadora de sua vida. Acompanhada pelo príncipe rebelde e misterioso, ela conhecerá uma terra marcada por contrastes — com paisagens de beleza incomparável, cultura rica e vibrante e, ao mesmo tempo, a mais devastadora das misérias. Enquanto Eliza desperta Jayant para a pobreza que circunda o castelo, ele mostra a ela as injustiças do domínio britânico na Índia. Juntos, descobrem uma afinidade de alma e uma paixão arrebatadora. Mas a família real fará de tudo — até o impensável — para impedir a aproximação entre o nobre indiano e a viúva inglesa.

 

Gorda não é palavrãode Fluvia Lacerda

Mesmo quem sabe que peso não é indicativo de beleza, saúde ou caráter ainda tem dificuldade em superar os valores associados às palavras “gorda” e “magra”. Pra quê? Por que permitirmos que “gorda” seja praticamente um palavrão, um insulto? Através de sua história única de trabalho duro e conquistas, Fluvia Lacerda, a mais renomada modelo plus size brasileira, oferece um manifesto inspirador de autoaceitação. Ela encoraja mulheres a questionarem a falta de representatividade de tamanhos na moda e na mídia e a deixarem de se submeter aos padrões alheios.

 

Objetiva

A ciência da meditaçãode Daniel Goleman e Richard J. Davidson (tradução de Cássio de Arantes Leite)

Quarenta anos atrás, Daniel Goleman e Richard Davidson, amigos e colaboradores na Universidade Harvard, eram dois dos poucos cientistas que defendiam os benefícios da meditação para o cérebro. Hoje, ela passou a ser estudada em diversos laboratórios. Com base nas mais recentes pesquisas, os autores desconstroem concepções equivocadas e revelam o que podemos aprender sobre a meditação a partir de um surpreendente conjunto de dados. Eles compartilham pela primeira vez descobertas que mostram como essa prática pode mudar de forma extremamente positiva nossa maneira de pensar, sentir e agir. O treinamento mental constante cultiva qualidades como desprendimento, amor e compaixão, redesenhando de forma duradoura nosso circuito neural. A ciência da meditação é um daqueles raros livros que têm o poder de fazer grandes transformações.

 

Silênciode Erling Kagge (tradução de Guilherme da Silva Braga)

Com o barulho do trânsito, dos celulares e dos nossos próprios pensamentos, o silêncio parece algo inalcançável. A partir de sua experiência pessoal e das ideias de filósofos, escritores e artistas clássicos e contemporâneos, o explorador e escritor norueguês Erling Kagge reflete sobre a importância de trancar o mundo do lado de fora. Segundo ele, silêncio não significa necessariamente ausência de ruído, e sim um recurso que está ao alcance de todos nós, em qualquer lugar: no meio do deserto e do polo sul, mas também no chuveiro ou na pista de dança. Por meio dele, aprendemos a nos conhecer melhor. Um livro sensível e brilhante, que faz com que o leitor volte a se deslumbrar com o mundo. 

 

Antenas da florestade Elvira Lobato de Araujo

Na região amazônica existem centenas de pequenas emissoras de TV que, durante algumas horas do dia, têm permissão legal para exibir suas próprias produções. É comum encontrar cidades pequenas com duas ou mais TVS com logomarca, estúdio, apresentadores, repórteres e dinheiro entrando no caixa pela venda de anúncios. Entre 2015 e 2016, a jornalista Elvira Lobato realizou expedições ao interior dos estados do Mato Grosso, Maranhão, Tocantins e Pará para registrar esse fenômeno tão singular. Os protagonistas desta história são os repórteres, apresentadores e cinegrafistas que, diariamente, abastecem seu público com notícias de um Brasil que não aparece nas telas das grandes redes.

 

Suma

A expansãode Ezekiel Boone (tradução de Leonardo Alves)

Ao receber um pacote em seu laboratório, em Washington, a dra. Melanie Guyer não poderia prever que, de um dia para o outro, a espécie ancestral de aranhas que eclodiu daquela bolsa de ovos causaria o caos no mundo inteiro. Em Los Angeles, cidadãos desesperados furam a quarentena. No Japão, uma bolsa de ovos gigantesca pulsa e brilha na escuridão. Enquanto Espingarda e Gordon tentam criar uma arma capaz de conter as aranhas, a presidente Stephanie Pilgrim é pressionada a tomar decisões com consequências catastróficas. Milhões de pessoas estão mortas. Outras milhares foram feitas de hospedeiras. Aranhas devoradoras de carne marcham por todo lugar, e a expansão está só começando. Ninguém está a salvo.

 

Reimpressões

Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda 

Brasil: Uma biografia, de Lilia Moritz Schwarcz e Heloisa M. Starling

Caçando carneirosde Haruki Murakami (tradução de Leiko Gotoda)

O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde (tradução de Paulo Shciller)

Sete breves lições de física, de Carlo Rovelli (tradução de Joana Angélica D'Ávila Melo)

Enclausurado, de Ian McEwan (tradução de Jorio Dauster)

O dono do morro, de Misha Glenny (tradução de Denise Bottmann)

It: A coisade Stephen King (tradução de Regiane Winarski)

No seu pescoço, de Chimamanda Ngozi Adichie (tradução de Julia Romeu)

Quarenta dias, de Maria Valéria Rezende

A era dos extremos, de Eric Hobsbawm (tradução de Marcos Santarrita)

Moda com propósito, de André Carvalhal

Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis

Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto

A sereia, de Kiera Cass (tradução de Cristian Clemente)

Poemas escolhidos, de Mia Couto 

Cartas de amor aos mortos, de Ava Dellaira (tradução de Alyne Azuma)

Na minha pelede Lázaro Ramos

Para educar crianças feministas, de Chimamanda Ngozi Adichie (tradução de Denise Bottmann)

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