Semana trezentos e sessenta e seis

Companhia das Letras

Verdade tropicalde Caetano Veloso 

Ao narrar sua formação cultural - que inclui música, cinema, artes plásticas, literatura e filosofia -, Caetano Veloso não se limita a escrever uma autobiografia. Nessa mistura de memórias, ensaio e história, tendo como eixo central a eclosão do tropicalismo em meio aos anos de chumbo, Caetano narra momentos decisivos da ditadura militar e elenca os nomes com quem travou apaixonadas conversas. Partindo de Santo Amaro, na Bahia, onde leu Clarice Lispector, assistiu a La strada, ouviu João Gilberto e teve sua primeira relação sexual, suas lembranças atravessam a adolescência, a prisão em 1968, o exílio em Londres e chegam ao fim da década de 1990 para compor um extraordinário panorama do Brasil. A edição comemorativa de Verdade tropical, com projeto gráfico redesenhado, inclui texto inédito escrito especialmente para este volume. Em "Carmen Miranda não sabia sambar", Caetano pondera sobre as duas décadas que se passaram entre o lançamento do livro, em 1997, e hoje. Aos 75 anos, ele se debruça sobre sua trajetória musical - e também literária - para um acerto de contas com suas experiências pessoais, além de analisar assuntos relacionados à cultura, política e identidade do país. "Sou brasileiro e me tornei, mais ou menos involuntariamente, cantor e compositor de canções", ele escreve. "Fui um dos idealizadores e executores do projeto da Tropicália. Este livro é uma tentativa de narrar e interpretar o que se passou."

Poliedrode Murilo Mendes

Profundo conhecedor de artes visuais, fascinado por Mozart e por Nijinski, o poeta mineiro reúne erudição singular e múltiplos interesses. Em Poliedro, seu largo horizonte intelectual se desenvolve em fragmentos que se aproximam dos aforismos e dão novos ares à prosa lírica, numa mistura de reflexão, memória, poesia, ensaio e verbete. Dividido em quatro partes — “Microzoo”, “Microlições de coisas”, “A palavra circular” e “Texto délfico” —, Poliedro foi publicado em 1972, três anos antes da morte de Murilo Mendes. Nesse livro, um dos poucos voos em prosa do consagrado poeta, a reformulação da linguagem e o constante diálogo entre arte e pensamento são elementos centrais. Para Carlos Drummond de Andrade, trata-se de um “fruto saboroso da cultura brasileira confrontada com valores universais”.

A vantagem humanade Suzana Herculano-Houzel (tradução de Laura Teixeira Motta)

Elefantes têm cérebros maiores que os humanos. Então por que somos mais inteligentes? Remontando ao homo erectus, que viveu há um milhão e meio de anos, a neurocientista brasileira Suzana Herculano-Houzel demonstra sua instigante tese de que o desenvolvimento extraordinário do cérebro humano não foi um desvio excepcional na evolução das espécies, mas uma decorrência da prática exclusivamente humana de se cozinhar os alimentos. Mas, se não somos uma exceção às regras da evolução, qual é a origem da vantagem humana? A autora mostra que não é o tamanho do cérebro que interessa, mas o fato de termos mais neurônios no córtex cerebral do que qualquer outro animal, graças à invenção de nossos antepassados — de cerca de um milhão e meio de anos atrás — de uma maneira mais eficiente de obter calorias: cozinhar. Aliando o rigor científico a um texto inspirador e divertido, A vantagem humana nos oferece uma entusiasmante explicação sobre como nos tornamos notáveis sem nunca termos sido especiais.

 

Objetiva

Pode não ser o que parecede Samy Dana e Sérgio Almeida

Quem tem mais dinheiro é mais feliz? O amor tem um preço? Por que nos importamos com a opinião dos outros? Como as emoções afetam nossas decisões? Talvez essas não pareçam perguntas que interessem a um economista, mas Samy Dana e Sergio Almeida vão muito além do cálculo de juros, inflação e crescimento do PIB. A economia também é a ciência que estuda como os seres humanos tomam decisões — em muitas das escolhas que fazemos, há um lado oculto que tem muito a ver com economia. Usando como base dezenas de estudos e artigos científicos, Pode não ser o que parece foge do senso comum e responde às dúvidas que afligem a todos. Um livro que mudará sua maneira de enxergar o mundo.

 

Alfaguara

Efetivo variávelde Jessé Andarilho

Vinicius tinha certeza de que seria dispensado do Exército. Como refratário, porém, não teve direito de escolha e acabou na companhia que fazia o trabalho mais pesado do batalhão. No começo, fez corpo mole, porém logo descobriu que sua atitude prejudicava os companheiros. Decidiu então dançar conforme a música. Lavar, correr, esfregar, pagar flexões... a rotina militar era dura, mas lhe trouxe amigos e um propósito. Só havia uma coisa com a qual ele não se acostumava: as humilhações do sargento Vieira. Para complicar, começa uma relação secreta com a filha do sargento. Com uma narrativa segura, Jessé Andarilho cria conflitos e reviravoltas que se escondem sob uma aparente normalidade e dá vida a um garoto comum, cheio de aspirações, em busca de si mesmo.

 

Suma

Belas adormecidas, de Stephen King e Owen King (tradução de Regiane Winarski)

Pelo mundo todo, algo de estranho começa a acontecer quando as mulheres adormecem: elas são imediatamente envoltas em casulos. Se despertadas, se o casulo é rasgado e os corpos expostos, as mulheres se tornam bestiais, reagindo com fúria cega antes de voltar a dormir. Em poucos dias, quase cem por cento da população mundial feminina pegou no sono. Sozinhos e desesperados, os homens se dividem entre os que fariam de tudo para proteger as mulheres adormecidas e aqueles que querem aproveitar a crise para instaurar o caos. Grupos de homens formam as “Brigadas do Maçarico”,incendeiam em massa casulos, e em diversas partes do mundo guerras parecem prestes a eclodir. Mas na pequena cidade de Dooling as autoridades locais precisam lidar com o único caso de imunidade à doença do sono: Evie Black, uma mulher misteriosa com poderes inexplicáveis. Escrito por Stephen King e Owen King, Belas Adormecidas é um livro provocativo, dramático e corajoso, que aborda temas cada vez mais urgentes e relevantes. 

 

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