Terceiro gole: a fusão com a Interbrew

 

Os 5 goles da AmBev, por Ariane Abdallah

 

Terceiro gole: a fusão com a Interbrew

Em 2002, a belga Interbrew, dona das marcas Stella, Bass e Beck’s, era a segunda maior cervejaria do mundo em volume, atrás da norte-americana Anheuser-Busch. Conhecida como a “cervejaria local mundial”, era o resultado da fusão das centenárias Artois e Piedboeuf, em 1987, e de uma série de aquisições posteriores. Uma estratégia de crescimento pioneira no setor, que décadas mais tarde se tornaria padrão. Mas no mapa da Interbrew, faltava um território importante: a América Latina — onde a AmBev havia se fortalecido desde o início da internacionalização da Brahma, nos anos 1990. A brasileira ainda não atuava na Europa, na Ásia, na África nem nos Estados Unidos. Portanto, aqueles eram dois negócios complementares. O sonho dos donos das cervejarias belga e brasileira havia se tornado o mesmo: ser líder do setor no mundo. O encontro entre os dois grupos aconteceu no Carnaval de 2003. Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles se aproximaram do mais ativo acionista da Interbrew, Alexandre van Damme, que foi recebido no Camarote da Brahma, no Rio de Janeiro. As conversas entre eles se tornaram frequentes. Até que, no dia 15 de outubro daquele ano, uma união ainda mais surpreendente que Brahma e Antarctica foi concretizada. Na sede do escritório de advocacia Cravath, Swaine & Moore, em Nova York, brasileiros e belgas selaram o início oficial da sociedade. Embora a Interbrew tivesse uma fatia maior do novo negócio, a gestão seria compartilhada. O negócio foi avaliado em 8 bilhões de euros e criou a maior cervejaria do mundo em volume, em 2004. Roberto Thompson, sócio do trio de banqueiros, considera que os belgas foram humildes e visionários ao se associar aos brasileiros — o que logo se revelaria mais do que isso, já que a liderança e o modelo de gestão que prevaleceram foram dos latino-americanos. “É de tirar o chapéu a atitude deles. São nobres de famílias que têm muitas gerações e tiveram o desprendimento de fazer um negócio meio a meio com os novos sócios.” A mudança que eliminava qualquer dúvida sobre quem comandaria a nova empresa foi a do principal executivo, Carlos Brito, que assumiu a presidência da InBev em janeiro de 2006.

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Leia também:

Primeiro gole: a compra da Brahma

Segundo gole: a fusão com a Antarctica

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Saiba mais sobre história da AmBev e a criação da maior cervejaria do mundo em De um gole só. O livro será publicado em junho e já está em pré-venda.

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Ariane Abdallah nasceu em São Paulo e é formada em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Entre 2004 e 2015, trabalhou como repórter nas editoras Trip e Globo, escrevendo reportagens sobre comportamento, negócios e economia. Em 2016, fundou o Atelier de Conteúdo, empresa de comunicação e conteúdo.

 

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