Viagem em busca de Ana C. -- 4º e último dia

Por Mariana Mendes

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“Viagem em busca de Ana C.” é um diário de bordo escrito durante quatro dias para um trabalho de pesquisa da disciplina de ensaio do curso de pós-graduação do Instituto de Ensino Superior do Vera Cruz, comandado pela escritora Noemi Jaffe. Leia os textos já publicados:

1º Dia

2º Dia

3º Dia

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Estou em casa, Ana, cheguei do Rio. Retornei da busca. Trouxe você comigo, mas confesso estar deprimida. De leve. Sai cedíssimo do albergue para a rodoviária. Acordei antes das cinco. Sabe aquele medo básico de perder a hora? Peguei o ônibus às 8h na rodoviária. A viagem até foi boa. Consegui vir metade do caminho sozinha com os dois bancos só para mim. Dormi umas 5h das 6h de viagem. O que também contribuiu para essa sensação de mudança brusca de paisagem. Como se eu tivesse atravessado uma porta: Rio de Janeiro -- São Paulo. É de deprimir qualquer um. São Paulo é mais massacrante, nos levamos muito a sério e não temos a beleza da cidade a nosso favor.

Cheguei na rodoviária, peguei o metrô e, olha, foi um baita de um perrengue que não vem ao caso.

Estou em casa, o Jorge comigo. Fui buscá-lo na avó. Estamos na sala, ele recortando figuras do jornal.

Tive um sábado carioca delicioso com paradas para ler você, lá na Argumento li todinho o A teus pés, lembra? Hoje, no ônibus, li umas 50 páginas do Autobiografia de Alice. Estou adorando, te contei? É fascinante o ponto de vista, a distorção entre o que se lê e o que acontece, o texto e suas camadas de sentido. Muito bom, Ana, excelente recomendação.

Acabo de ver na minha estante um livro da Katherine Mansfield. Uma edição luxuosa, não sei se tem o “Bliss”, seria maravilhoso se tivesse e a tradução fosse a sua, mas não olhei ainda. Vou tentar ler rápido o livro da Gertrude, ele pede essa velocidade, acho. Agora, Ana, me dá licença que vou tentar voltar aqui pra minha realidade. Tem uma boa reportagem na Ilustríssima hoje, da Francesca Angiolillo, amiga do Armando. Ele me falou dela. O olho da matéria cita você:

Na esteira da reedição de Leminski, Ana Cristina Cesar e Waly Salomão, encontro literário de Paraty recebe ex-integrante do coletivo carioca que fazia teatro e música e ‘dizia poesia’ nos anos 1970. Autores, estudiosos e editores analisam como a geração que nasceu à margem do mercado editorial é agora assimilada por ele.

Vou tentar assimilar a vida por aqui, Ana, teu nome lá no jornal e diz que estamos todos a teus pés. Vou ler.

Um grande beijo, Mariana

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Mariana Mendes é formada em Letras e trabalha no departamento de educação da Companhia das Letras desde 1998.

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