Futuros lançamentos

As datas abaixo são previsões, e estão sujeitas a alteração.

(Clique aqui para ver os lançamentos de Abril/2011)
(+) Alex no país dos números, de Alex Bellos

Matemática | 512 pp. | R$ 44,00 | Tradução: Claudio Carina e Berilo Vargas | Capa: Mateus Valadares e Kiko Farkas/ Máquina Estúdio

[O autor virá ao Brasil para eventos de lançamento do livro em São Paulo e no Rio de Janeiro]

Alex no País dos Números narra as peripécias do autor no universo dos números por meio de uma linguagem ao mesmo tempo rigorosa e agradável. Para Bellos, a matemática, se encarada sem preconceitos, pode se transformar numa fonte inesgotável de entretenimento.

“Uma jornada a um universo espantoso e fascinante que está por toda parte mas que poucos realmente conhecem.” — The Guardian

Responda rápido: quanto é 3958728 × 9614923? Aritmética não é seu forte? Entretenha-se, então, brincando com um cubo mágico — e tentando concluir o problema em menos de vinte movimentos. Quando se cansar, que tal ir ao cassino e apostar todo o seu dinheiro num único número da roleta, enquanto ela gira e você calcula, por análise combinatória, suas remotas chances de finalmente ficar rico?

Tortura? Pois saiba que há pessoas que conseguem, em questão de segundos e com espantosa facilidade, realizar mentalmente cálculos ainda mais complexos. Alex Bellos empreende uma viagem exploratória pelo país da matemática para demonstrar que o estudo dos números e de suas mútuas — e, às vezes, estranhas — relações não precisa passar pelo tormento enfadonho do ensino tradicional. Dotado de profunda empatia com o mundo dos números, Bellos conduz o leitor por um roteiro de personagens tão interessantes quanto as singularidades inesgotáveis do número π. Viajando entre diferentes línguas e culturas, o autor investiga as fascinantes propriedades do jogo de Sudoku com seus inventores; conversa com um pesquisador francês especializado no raciocínio quantitativo de tribos indígenas da Amazônia; venera um guru indiano responsável pelo legado do mítico criador do zero; visita a escola japonesa em que professores e alunos fazem cálculos extraordinários imaginando o funcionamento de um ábaco; na companhia de um estatístico, aventura-se num cassino de Nevada para tentar prever os acasos da fortuna; consulta um famoso numerólogo sobre o nome profissional que deve usar.

O livro narra as andanças inusitadas de Bellos pelo território dos números com uma linguagem ao mesmo tempo acessível, divertida e precisa. Com uma mistura de curiosidade e rigor intelectual, o autor passa em revista os desenvolvimentos mais recentes de campos de vanguarda, como a teoria dos grandes números e a informática, sem negligenciar aspectos cotidianos, engraçados e surpreendentes da matemática. Ricamente ilustrado, o livro oferece a leigos e especialistas um entretenimento intelectual de primeira categoria.

Alex Bellos nasceu em Oxford, Reino Unido, em 1969. Jornalista e escritor, é graduado em matemática e filosofia. Foi correspondente do jornal The Guardian no Rio de Janeiro entre 1998 e 2003. É autor de Futebol: O Brasil em campo (Jorge Zahar, 2002).

(+) Borges ― Uma vida, de Edwin Williamson

Biografia | 672 pp. | R$ 68,00 | Tradução: Pedro Maia Soares | Capa: warrakloureiro

Com base em fontes anteriormente desconhecidas ou fora do alcance dos pesquisadores, Borges revela o lado humano do escritor: suas relações com uma família complexa, as dificuldades de relacionamento com as mulheres e as profundas raízes argentinas desse escritor cosmopolita.

“Vivaz e original [...] leva o leitor muito além de qualquer ponto anterior na compreensão da vida do mestre argentino.” — Harold Bloom

À primeira vista, a vida de Jorge Luis Borges não parece oferecer substrato para uma biografia movimentada. Trata-se de um homem que viveu imerso no mundo dos livros, sem maiores aventuras, que morou com a mãe até os 75 anos e para quem o universo se assemelhava a uma grande biblioteca. Mas não para Edwin Williamson, que com uma diligência quase obsessiva escavou com pá psicanalítica a vida e a obra de Borges em busca de um princípio que explicasse aspectos peculiares da vida do escritor, como seu casamento surpreendente aos 68 anos, sua vida inteira de submissão à mãe e suas reticências no que dizia respeito a relacionamentos amorosos.

Ao longo do texto, Williamson estabelece ainda uma engenhosa e ousada ponte entre a vida e a obra de Borges, traçando interpretações psicológicas de textos que até então eram considerados “metafísicos” e desenterrando de escritos aparentemente impessoais referências profundas aos conflitos interiores de sua vida. O resultado surpreenderá até os leitores mais escolados na obra do maior autor argentino do século XX.

Edwin Williamson (1949) é professor de espanhol na Universidade de Oxford. Consolidou-se como referência em literatura e história latino-americanas com a publicação de The Penguin History of Latin America.

(+) Brooklyn, de Colm Tóibín

Romance | 304 pp. | R$ 49,50 | Tradução: Rubens Figueiredo | Capa: Rita da Costa Aguiar

Este romance confirma Colm Tóibín como um dos maiores escritores irlandeses da atualidade. Sua narrativa, delicada e sem excessos ou arroubos, atinge uma profundidade que ecoará na memória do leitor muito tempo depois de terminada a leitura.

“Escrito com elegância e inteligência [...] O talento de Tóibín é surpreendente, um romance formidável, muito especial.” — The Washington Post

No início dos anos 1950, a Irlanda não oferece futuro para jovens como Eilis Lacey. Sem encontrar emprego, ela vive na pequena Enniscorthy com a mãe viúva e a irmã Rose. Mas eis que o padre Flood lhe faz uma oferta de trabalho e moradia no Brooklyn, Estados Unidos. De início apavorada com a ideia de sair do ninho familiar, ela acaba partindo rumo à América.

Triste e solitária em seu novo mundo, a tímida Eilis acaba por estabelecer uma rotina de trabalho diurno e estudo noturno na faculdade de contabilidade. No baile semanal da paróquia, conhece um jovem de origem italiana que aos poucos entra em sua vida. Mas quando começa a se sentir mais livre e segura, Eilis é obrigada a voltar, por algumas semanas, para Enniscorthy. E ali ela se vê, mais uma vez, diante de uma escolha muito difícil.

Sem nunca fazer de Eilis uma heroína clássica, Colm Tóibín trama uma delicada teia de sentimentos ocultos, de aceitação do destino e de sonhos abandonados que deixará o leitor preso à história muito tempo depois de terminar o livro.

Colm Tóibín nasceu em Enniscorthy, na Irlanda, em 1955. Além de escritor de ficção, é jornalista e ensaísta. Dele, a Companhia das Letras publicou O mestre, A luz do farol e Mães e filhos.

(+) Declaração de independência ― Uma história global, de David Armitage

História | 240 pp. | R$ 43,00 | Tradução: Angela Pessoa | Capa: Victor Burton

David Armitage, professor de história em Harvard, examina como a Declaração de Independência americana inaugurou um novo gênero no direito internacional e influenciou diversos outros documentos no mundo.

(Clique para ver em alta resolução)A historiografia americana é tradicionalmente vista como autocentrada e paroquial, em geral incapaz de analisar o impacto dos Estados Unidos no mundo e, sobretudo, de enxergar o país como parte da comunidade internacional. David Armitage, professor de história na Universidade Harvard, partilha dessa visão crítica da pesquisa histórica norte-americana, e propõe, em Declaração de Independência, uma “história global”, que contextualize a influência dos Estados Unidos no mundo e vice-versa. Para tanto, analisa o documento fundador do país, a Declaração de Independência, e seu papel como modelo e inspiração para a emancipação de comunidades políticas ao redor do mundo.

Hoje cultuada nos Estados Unidos pelos direitos individuais que assegura, a Declaração teve por razão primeira uma demanda cuja originalidade é hoje pouco lembrada: a independência desvinculada de outro poder soberano. Embora não seja o primeiro documento a questionar a autoridade de um território sobre outro — basta lembrar a independência das Províncias Unidas em relação à Espanha habsbúrgica —, a Declaração forjou o conceito de Estado, em oposição ao de império, e assim serviu de fundamento e inspiração para dezenas de documentos similares (muitos dos quais reproduzidos num anexo no final do livro), até dias bem recentes. Declaração de Independência foi escolhido o livro do ano pelo Times Literary Supplement.

David Armitage (1965) é doutor em história pela Universidade de Princeton e, desde 2004, professor em Harvard. É autor, entre outros, de The Ideological Origins of the British Empire (2000).

(+) Desejo, paixão e ação na ética de Espinosa, de Marilena Chaui

Filosofia | 360 pp. | R$ 56,00 | Capa: Moema Cavalcanti

Nesta reunião de ensaios sobre a ética de Espinosa, Marilena Chaui amplia o vasto estudo que vem desenvolvendo sobre o filósofo e esclarece conceitos-chave de sua obra, com a clareza que a caracteriza no trato das questões filosóficas.

Os oito ensaios reunidos neste livro foram escritos originalmente para conferências e artigos, e neles Marilena Chaui aborda os temas principais da ética de Espinosa, cuja obra ela estuda desde a época do doutorado. Participando do espírito seiscentista de recusar uma contingência inalcançável pela razão e de buscar pelo exercício lógico a compreensão das paixões humanas, Chaui constrói um quadro dos principais conceitos espinosanos, ilustrando-o por vezes com textos literários nacionais e universais, por outras com o rico diálogo entre Espinosa e seus contemporâneos.

Como é característico das outras obras da autora, sua enorme capacidade de síntese e sua escrita clara são fundamentais para oferecer um vasto painel da história da filosofia, aproximando o leitor comum dos conceitos intrincados do sistema filosófico e oferecendo instrumentos valiosos para pensar a sociedade contemporânea.

Marilena Chaui é professora de história da filosofia e de filosofia política na Universidade de São Paulo, onde leciona desde 1967. Dedica-se ao estudo de Espinosa e Merleau-Ponty e das questões sobre a sociedade e a política democráticas, além de participar ativamente da esfera política brasileira. Pela Companhia das Letras, publicou A nervura do real: imanência e liberdade em Espinosa e Política em Espinosa, além do primeiro e segundo volumes de Introdução à história da filosofia. É doutor honoris causa pela Université de Paris e pela Universidad Nacional de Córdoba, na Argentina.

(+) Eva Braun: a vida com Hitler, de Heike B. Görtemaker

Biografia | 408 pp. | R$ 51,00 | Tradução: Luiz A. de Araújo | Capa: Kiko Farkas/ Máquina Estúdio

Na primeira biografia acadêmica de Eva Braun, Heike B. Görtemaker ilumina a vida da namorada de Hitler e o cotidiano da “corte” do Terceiro Reich.

A historiografia sempre ressaltou a insignificância de Eva Braun, sua posição à margem das decisões que levaram aos piores crimes do século XX. No máximo, ela teria participado de um idílio privado que possibilitou a Hitler perpetrar o horror com mais consequência. Ela não passaria, enfim, de um “adorno”, uma fútil pequeno-burguesa deslumbrada pelo poder.

A indiferença por Braun, defende Heike B. Görtemaker, é reflexo tanto do mito do Führer inculcado pela propaganda nazista — o líder abnegado a quem cabia exclusivamente a execução de uma grande missão salvífica — quanto da posterior imagem do Monstro, identificado com terror, destruição e genocídio, o que teria desestimulado a investigação do ditador alemão — e, por tabela, de sua parceira amorosa — como uma pessoa.

Tentando mudar esse estado de coisas — e, por meio da vida íntima, ajudar na compreensão histórica do Terceiro Reich — Görtemaker escreveu, com acesso a amplo repertório de fontes, a primeira biografia acadêmica da namorada do Führer. Mundana, amante dos esportes, do cinema, da música e da dança — tão diferente do ideal de mulher nacional-socialista —, é difícil imaginar Eva Braun como par do ditador, e sobretudo como a seguidora fiel que o acompanhou até a morte no bunker. Para lançar luz sobre essa relação peculiar, Görtemaker estuda também a bizarra corte de Hitler, da qual Eva era a clara soberana, e nos conduz a esse mundo assustador em que a normalidade cotidiana convivia com um ideário genocida.

Heike B. Görtemaker (1964) é doutora em germanística pela Universidade de Indiana e professora da Universidade Livre de Berlim.

(+) A mulher de vermelho e branco, de Contardo Calligaris

Romance | 208 pp. | R$ 39,00 | Capa: warrakloureiro

Numa trama que une passado e presente em cidades como Nova York, São Paulo e Paris, Carlo Antonini se vê às voltas com duas mulheres misteriosas e fascinantes. Aparências enganosas, pistas deixadas para confundir, verdades construídas pelos mecanismos frágeis e subjetivos da memória, tudo se soma para tornar ainda mais complexa uma investigação que une elementos da psicanálise à ação dos melhores thrillers.

Carlo Antonini recebe uma nova paciente em seu consultório, em Nova York. O que parece uma consulta trivial, pouco antes de uma viagem que o terapeuta fará a São Paulo para uma palestra e alguns dias de férias, desencadeia uma trama envolvendo um casamento conturbado, uma organização suspeita de terrorismo, um assassinato e uma história familiar de vingança.

Para escrever a nova aventura do protagonista de O conto do amor, seu aclamado romance de estreia, Contardo Calligaris usou elementos autobiográficos recriados num enredo que une investigação psicanalítica e policial. “Minha memória é uma espécie de comédia dell’arte”, diz o autor, “na qual as lembranças ganham vida própria e vão, aos poucos, compondo uma história.”

O livro traça o paralelo aparentemente improvável entre o que Antonini desconfia se esconder sob as palavras de sua paciente — a descrição de uma festa com seus dois filhos na qual tudo será “vermelho e branco” — e o encontro fortuito, num restaurante do bairro da Liberdade, com uma namorada vietnamita dos tempos em que morou em Paris. “A tentativa de me enlouquecer, maquinada por duas mulheres perigosíssimas?”, ele pergunta a certa altura. A resposta talvez esteja em outra fala sua: “Policiais e psicanalistas temos isto em comum: não acreditamos em coincidências, não é mesmo?”.

Nesse mergulho num mistério que une passado e presente, há momentos dignos de um thriller, como o cerco a um suspeito num drive-in da zona leste paulistana, ou as conversas entre o narrador e um célebre consultor americano especializado em segurança pública. Ao mesmo tempo, emerge das ações externas uma reflexão delicada sobre identidades individuais — de ordem étnica, religiosa, ideológica, sexual — no mundo contemporâneo.

Por trás de tudo, como uma suma da variedade de temas que o romance trata por vezes com tensão dramática, por vezes com leveza e ironia, a impossibilidade de estabelecer uma versão definitiva dos fatos. “O que aconteceu é, antes de mais nada, o que contamos no primeiro relato”, diz Antonini. “E isso vale sobretudo quando se trata de um acontecimento que preferiríamos deformar ou esquecer.” Uma lição que terapeutas e escritores, acostumados a lidar com a ambiguidade das palavras e com as verdades construídas pelos mecanismos subjetivos da memória, sabem desde sempre.

Psicanalista e escritor, Contardo Calligaris (Milão, 1949) é italiano, formado na Suíça e na França, radicado no Brasil nos últimos 25 anos, dez dos quais vividos entre Nova York e São Paulo. Desde 1999 é colunista semanal da Folha de S.Paulo. Além do romance O conto do amor (2008), publicado pela Companhia das Letras e já negociado para o cinema, escreveu Adolescência, Terra de ninguém (Publifolha) e Cartas a um jovem terapeuta (Elsevier).

(+) Nunca vai embora, de Chico Mattoso (Coleção Amores Expressos)

Romance | 128 pp | R$ 34,00 | Capa: Retina_78

Um jovem dentista brasileiro viaja a Havana, onde sua namorada pretende filmar um documentário. O desaparecimento repentino da garota atira o protagonista numa espiral obsessiva que encontra eco nas idiossincrasias da vida cubana.

Renato Polidoro conheceu Camila no consultório odontológico — não em consulta, mas durante uma filmagem. Ocorreu então um pequeno milagre: a esperta aluna de cinema se apaixonou pelo dentista em eterna crise de autocomiseração.

Para Renato, o romance com Camila foi providencial, pois varreu para debaixo do tapete boa parte de suas agruras emocionais. Quando a garota termina a faculdade, decide arrastar o namorado para a viagem tão sonhada: Havana. Na capital cubana, ela pretende fazer um documentário que dê vazão a suas elevadas (e um tanto quanto idealizadas) ambições estéticas. Mas logo o que prometia ser uma temporada caliente resulta em uma sucessão de desencontros — e em um desaparecimento misterioso.

Em ritmo vertiginoso, Nunca vai embora é o relato de uma paixão obsessiva, que encontra eco nas idiossincrasias de um país que também parece viver à deriva, flutuando em algum lugar entre a nostalgia e a esperança. Combinando humor e melancolia, este é um livro sobre a busca de um jovem por amor, sexo e, talvez principalmente, algum sentido para um mundo que não admite se deixar controlar.

Chico Mattoso nasceu na França em 1978, mas sempre viveu em São Paulo. Formado em letras pela USP, foi um dos editores da revista Ácaro e tem textos publicados em diversos jornais e revistas. Longe de Ramiro (Editora 34, 2007), seu primeiro romance, foi finalista do prêmio Jabuti. Também trabalha como roteirista.

(+) Sobre a revolução, de Hannah Arendt

Filosofia política | 416 pp. | R$ 55,00 | Tradução: Denise Bottmann | Capa: warrakloureiro

Em um magnífico ensaio de filosofia política, Hannah Arendt disseca os mecanismos históricos e filosóficos dos movimentos revolucionários desde o século XVIII, apontando as conquistas, contradições e fragilidades. Apresentação de Jonathan Schell.

Desde 1789, numerosas revoluções têm seguido o script trágico de sectarismo e autoritarismo em que um grupo de radicais políticos toma o poder violentamente em nome da libertação dos oprimidos e da promoção do bem comum, mas, uma vez no comando, eles começam a aniquilar-se e a perseguir os ditos “inimigos da revolução”. A partir das grandes transformações políticas do século XVIII, Hannah Arendt identifica as principais linhas de força das revoluções modernas, apontando suas contradições e analisando as motivações de seus protagonistas.

Nesta incursão magistral pela filosofia política, a autora de Origens do totalitarismo identifica os fatores que historicamente conduzem à conquista, à manutenção e à perda do poder pela via revolucionária. Arendt aponta no desejo irresistível de liberdade e novidade do homem moderno a maior força motriz das revoluções. A autora celebra as conquistas libertárias que o acidentado mas previsível curso das revoluções ocasionalmente provoca, ao mesmo tempo que deplora o terrível sofrimento humano causado por seus excessos.

Hannah Arendt (1906-75) nasceu em Hannover, Alemanha, numa família judia culta e abastada. Estudou filosofia nas universidades de Berlim, Marburg e Heidelberg. Forçada à emigração pelo nazismo, viveu na França e nos Estados Unidos, onde ensinou em diversas universidades. Dela, a Companhia das Letras publicou Eichmann em Jerusalém, Origens do totalitarismo e Homens em tempos sombrios, entre outros.

(+) Tudo o que tenho levo comigo, de Herta Müller

Romance | 304 pp. | R$ 48,00 | Tradução: Carola Saavedra | Capa: Elisa v. Randow

Neste romance, a vencedora do prêmio Nobel de Literatura de 2009 narra um episódio pouco conhecido da história recente: a perseguição de Stálin às minorias alemãs na Romênia, enviadas a campos de trabalhos forçados sob a acusação de haver colaborado com Hitler.

Fim da guerra, 1945. Para a minoria alemã na Romênia é o início de um perío-do de horror e silêncio. Nos cinco anos seguintes, por volta de 30 mil saxões residentes na Transilvânia foram deportados para campos de trabalhos forçados. Segundo Stálin, os povos de origem alemã deveriam pagar pelos crimes da guerra e trabalhar na reconstrução da União Soviética. Os campos caracterizaram-se por condições desumanas e insalubres, e os ex-internos preferiram esquecer o que aconteceu ali.

Parte dessa minoria alemã, Herta Müller tomou o relato de um amigo, o poeta Oscar Pastior, como base para este romance sobre a dura experiência nos campos. O projeto que deveria ser realizado a quatro mãos foi interrompido com a morte de Pastior, e Müller o assumiu sozinha. O resultado é essa narrativa dolorosa, construída com uma escrita altamente poética, seca e pungente.

Trata-se da história de Leo Auberg, um jovem de dezessete anos, gay, que é internado num campo soviético. Ali ele convive com a fome, trabalhos forçados, doenças, solidão e morte. Cinco anos depois, Leo volta para casa, mas percebe que tal retorno é impossível.

Herta Müller nasceu em 1953, na Romênia, e é escritora, poeta e ensaísta. Ainda jovem foi perseguida pelo governo de Nicolae Ceausescu ao recusar-se a colaborar com o serviço secreto e precisou mudar-se para a Alemanha, onde vive desde 1987. Dela, a Companhia das Letras também irá publicar O homem é um grande faisão sobre o mundo.

(+) A viúva grávida, de Martin Amis

Romance | 528 pp. | R$ 59,00 | Tradução: Rubens Figueiredo | Capa: Flávia Castanheira

Polêmico e brilhante, Martin Amis faz seu acerto de contas autobiográfico com a revolução sexual dos anos 1970, que mudou o papel de homens e mulheres mas deixou uma herança incerta para o mundo.

Três estudantes da Universidade de Londres passam férias de verão num castelo da tórrida Campania italiana. O ano é 1970. Lily namora Keith Nearing, estudante de literatura inglesa e aspirante a poeta. Às vésperas de completar 21 anos, entretanto, Keith só tem olhos para a bela Scheherazade, para suas medidas exuberantes e seus inocentes banhos de sol à beira da piscina.

À maneira de uma divertida e apimentada comédia de costumes, o novo romance de Amis nos situa, de início, entre uma galeria variada de personagens que tateiam por um mundo em transformação radical.

Mas trinta longos anos são necessários até que o verão de 1970 alcance um Keith Nearing já cinquentenário. E sobre cada um deles paira uma sombra trágica: Violet.

Ousado e controvertido, A viúva grávida é um acerto de contas com a revolução sexual e com o mundo que ela gestou, mas é também um tributo pungente à irmã de Amis, Sally, morta em 1999 aos 46 anos de idade.

Martin Amis nasceu em 1949, em Oxford. Grande nome da literatura contemporânea, é colaborador de publicações como The Sunday Times e The New York Times. Trabalhou como editor de literatura da New Statesman e, de 2007 a 2011, foi professor de escrita criativa da Universidade de Manchester. Dele, a Companhia das Letras publicou Casa de Encontros (2007), Água pesada e outros contos (2001), Trem noturno (1998) e A informação (1995).

(+) Do contrato social, Jean-Jacques Rousseau (Penguin-Companhia)

Ciência política/filosofia | 208 pp. | R$ 24,00 | Tradução: Eduardo Brandão | Capa: Raul Loureiro, Claudia Warrak

Um dos mais importantes tratados políticos da história, em nova tradução e com prefácio de Maurice Cranston, especialista na obra de Rousseau.

“O homem nasceu livre, e em toda parte vive acorrentado. O que se crê amo dos outros não deixa de ser mais escravo que eles. Como essa mudança se deu? Não sei. O que a pôde tornar legítima?”

Este é o famoso enunciado que abre Do contrato social, tratado político escrito pelo filósofo Jean-Jacques Rousseau e publicado pela primeira vez em 1762. Polêmico e controverso, o livro suscitou um debate que dura até os dias de hoje e que atravessa muitos campos do conhecimento humano.

Rejeitando a ideia de que qualquer um tem o direito natural de exercer autoridade sobre o outro, Rousseau defende um pacto, o “contrato social”, que deveria vigorar entre todos os cidadãos de um Estado e que serviria de fonte para o poder soberano. Aos olhos de Rousseau, é a sociedade que degenera o homem, ele próprio um animal com pendor para o bem.

Extraído de uma obra maior, “iniciada outrora sem ter consultado minhas forças e abandonada faz tempo”, este é um livro que trata de questões ligadas à política e à lei, à liberdade e à justiça. A sociedade imaginada por Rousseau foi considerada por muitos um modelo de totalitarismo, e para outros foi uma poderosa declaração de princípios democráticos.

Esta edição inclui prefácio do cientista político Maurice Cranston, em que ele examina as ideias políticas e históricas que influenciaram Rousseau.

Jean-Jacques Rousseau nasceu em Genebra em 1712. Passou seus últimos anos na França, onde morreu em 1778.

(+) A menina do capuz vermelho e outras histórias de dar medo, de Angela Carter (Penguin-Companhia)

Conto de fadas | 144 pp. | R$ 19,50 | Tradução: Luciano Viera Machado | Capa: Raul Loureiro, Claudia Warrak

Em versões que mais lembram filmes de terror do que contos de fadas, Angela Carter reúne grandes fábulas do folclore mundial.

Durante o início da década de 1990, a escritora inglesa Angela Carter compilou em dois volumes, para a editora Virago, contos de fadas do mundo inteiro, tendo concluído a segunda coletânea pouco antes de morrer. Nesta edição, a Penguin-Companhia selecionou alguns dos mais célebres (e assustadores) contos de Carter, num breve painel do folclore mundial e das tradições narrativas dos mais variados povos.

Há poucas fadas nessas páginas, e o leitor também terá dificuldades em encontrar príncipes encantados e caçadores que salvam o dia no último momento. Escritas numa época em que esse tipo de história não era destinado a crianças, as fábulas aqui contidas dão lugar a uma série de tias malévolas, esposas traiçoeiras, irmãs excêntricas e perigosas feiticeiras.

Por terem sido registrados em papel pela primeira vez nos últimos duzentos ou trezentos anos, os contos oferecem — correndo por detrás da trama — um retrato do dia a dia no mundo pré-industrializado e um pouco das dinâmicas sociais e outros detalhes que com o tempo se perderam. Mais que isso, na tradição das histórias italianas reunidas por Italo Calvino em Fábulas italianas, esses contos de fadas oferecem um registro precioso de algumas matrizes que acabaram assimiladas pela literatura ocidental.

Angela Carter nasceu na Inglaterra, em 1940, e morreu em 1992. Formou-se em literatura na Universidade de Bristol, atuou como jornalista, escreveu ensaios, poemas, críticas, scripts para rádio e contos infantis e colaborou com o cineasta Neil Jordan na criação do roteiro de A companhia dos lobos, baseado em O quarto do Barba-Azul, de sua autoria.

(+) Scott Pilgrim contra o mundo ― vol.3, de Bryan Lee O’Malley (Quadrinhos na Cia.)

Quadrinhos | 432 pp. | R$ 35,00 | Tradução: Érico Assis

Mesmo que não aparente, Scott Pilgrim deu passos importantes em direção à vida adulta. Ele já tem um emprego, mora com a namorada, Ramona Flowers, sua bandinha de garagem percebe que não tem futuro e ele consegue até assumir a responsabilidade de criar um gato. Já era hora, pois Scott acaba de completar 24 anos.

Mas mesmo aos 24 você pode participar de festas a fantasia temáticas ― como a festa dos políticos-canadenses-por-volta-de-1972-que-na-verdade-eram-Batman ― regadas a tequila, intrigas e lutas com robôs. Sim, lutas com robôs, pois mais dos outros Ex-Namorados do Mal de Ramona apareceram, os gêmeos Katayanagi, e quem luta com Scott no lugar deles são suas criações robóticas.

Os gêmeos podem ser a menor preocupação de Scott Pilgrim. Não porque “ah, ele é o Scott Pilgrim”, como todos os seus amigos dizem, mas porque algo de estranho pode estar acontecendo com Ramona. São mensagens no celular, cartas suspeitas e o brilho que surge em torno de sua cabeça toda vez que ela entra num assunto de que não gosta. E por que ela não para de mudar o corte e as cores do cabelo?

Será que isso tem a ver com a chegada de Gideon, o líder de todos os Ex-Namorados do Mal, a Toronto? Pois é no clube noturno mais cool da cidade, o Chaos Theatre, criado por ele, que vai acontecer o clímax dessa história de paixões, lutas, ex-namorados e mexer-o-traseiro-para-defender-o-que-você-ama.

Videogames, música indie, amores ado-lescentes tardios, mangás e a chegada da vida adulta misturam-se no universo do canadense mais famoso do planeta em seu último volume de aventuras ― que reúne duas histórias originais do herói que virou cult instantâneo nos cinemas.

Bryan Lee O’Malley (1979) nasceu em London, Ontário. Sua única meta na vida era ficar rico. Até o presente momento, ele ainda não é muito rico. A série Scott Pilgrim é a obra de sua vida, e depois dela ele planeja aposentar-se com uma casa perto do oceano onde vai comer salmão defumado em todas as refeições até a morte. Ele atualmente mora em um apartamento em algum lugar do Canadá com Hope Larson e dois gatos.

(+) Três sombras, de Cyril Pedrosa (Quadrinhos na Cia.)

Romance gráfico | 272 pp. | R$ 39,50 | Tradução: Carol Bensimon

Este romance gráfico explora questões como a perda, o medo e o contraste entre o fantasioso mundo infantil e a aspereza da vida adulta. Grande sucesso de crítica, Três sombras foi vencedor de dois prêmios no Festival de Angoulême, o mais importante evento de quadrinhos da França.

Joachim e seus pais levam uma vida tranquila em uma pequena casa no campo. A aparição de três sombras no alto de uma colina, no entanto, corrói a harmonia da vida em família e enche os pais de dúvidas. Seriam viajantes? Por que estão rondando a casa? A cada tentativa de aproximação, as figuras misteriosas desaparecem. Logo, eles percebem que as sombras estão ali para buscar Joachim. Recusando-se a aceitar esse fato, o pai foge com o filho em uma viagem febril e desesperada, sempre com as sinistras sombras em seu encalço.

Joachim deixa assim seu mundo idílico pela primeira vez para viajar por terras hostis em um navio precário, onde conhe-cerá um mundo cercado de adultos trapaceiros e imorais. Três sombras é um romance de aventura, com contornos épicos, e que explora sutilmente questões de ordem filosófica e moral.

Cyril Pedrosa nasceu em 1972, em Poitiers, França. A experiência como animador nos estúdios Disney, em desenhos como O corcunda de Notre-Dame e Hércules, certamente influenciou seu traço como quadrinista, de enquadramentos precisos, nos quais se percebe uma grande preocupação com o movimento. Três sombras é seu segundo trabalho como desenhista e roteirista.

(+) Oriente, Ocidente, de Salman Rushdie (Companhia de Bolso)

Contos | 168 pp. | R$ 21,00 | Tradução: Melina R. de Moura | Capa: Jeff Fischer

Salman Rushdie é um espectador privilegiado da vida contemporânea. Equilibrista habituado à corda bamba entre dois mundos que parecem mais distantes entre si no tempo que no espaço (o Oriente e o Ocidente), lança sobre cada um deles um olhar enviesado — ou excêntrico, no sentido exato do termo.

É assim, por exemplo, que as trajetórias de personagens emblemáticas da cultura ocidental, como Hamlet e Cristóvão Colombo, são reinventadas pelo autor nesses contos, de uma perspectiva absolutamente irônica e original.

Não há fronteiras para a fabulação de Salman Rushdie. Unindo a fantasia exuberante de um narrador das Mil e uma noites ao completo domínio das técnicas literárias modernas, os nove contos de Oriente, Ocidente são a prova definitiva de que se trata de um dos grandes escritores de nosso tempo.

(+) Jean-Jacques Rousseau: A transparência e o obstáculo, de Jean Starobinsk (Companhia de Bolso)

Ensaio/ Filosofia política | 636 pp. | Preço a definir | Tradução: Maria Lucia Machado | Capa: Jeff Fisher

Neste livro já clássico, Jean Starobinski — a exemplo dos grandes humanistas — esquadrinha com o olhar do filósofo, do ensaísta, do médico, do músico e do crítico literário a obra de Jean-Jacques Rousseau. Delicadamente, dedica a mesma atenção à evidência e às sombras do espírito, interroga o sentido dos gestos começados e interrompidos, investiga a amarga reflexão de Rousseau ao ter de afrontar a perda de um mundo regido pela transparência e ser condenado a viver em um mundo mediado pela propriedade e pelas instituições. Apoiando suas análises na sensibilidade do artista e na razão do filósofo e cientista, Starobinski segue um duplo movimento, que alguns críticos chamam de “dialética das aparências”: interroga o mundo visível, denunciando as aparências enganosas, mas ao mesmo tempo dá a essas aparências um sentido novo.

(+) Contradança, de Roger Mello (Companhia das Letrinhas)

Infantil | 48 pp. | R$ 43,00

Uma menina e um macaco brincam de se mirar em uma loja de espelhos. Fotomontagens ilustram o texto, que é uma grande e sensível metáfora das várias identidades (ou reflexos) que compõem cada um de nós.

Alguns de nossos grandes ilustradores têm se revelado escritores de mão-cheia. Não é de estranhar: quem conta histórias com o traço está igualmente sensibilizado com a narrativa através de palavras. Roger Mello é um grande exemplo. Indicado ao prêmio Hans Christian Andersen, considerado o Nobel da literatura infantil, ele agora lança um de seus livros mais ousados e inventivos.

Em um diálogo que mais parece sonho, a filha de um vidraceiro conversa com um macaco que é quase o seu reflexo. Em poucas palavras, os dois falam sobre medo e coragem, e sobre os infinitos reflexos que nossa imagem pode gerar e sobre os outros tantos que podemos enxergar de nós mesmos e dos outros.

(+) Joca e a caixa, de Art Spiegelman (Companhia das Letrinhas)

Infantil | 40 pp. | R$ 27,00 | Tradução: Érico Assis

Curta, mas engenhosa, esta história em quadrinhos, criada por um dos maiores cartunistas do mundo, é diversão garantida para todos.

Joca acabou de ganhar dos pais um brinquedo novo, uma caixa cheia de surpresas. A cada vez que brinca com ela, ele nunca sabe o que vai acontecer: o que será que vai sair de lá de dentro? Um brinquedo assustador? Ou um brinquedo engraçado? Um jacaré ou muitos patinhos? O que mais? Surpresa!

Com poucas palavras e muita imaginação, Art Spiegelman — vencedor do prêmio Pulitzer por Maus: A história de um sobrevivente, publicado pela Companhia das Letras — criou uma história em quadrinhos para os pequenos leitores que fala sobre as brincadeiras incríveis que os próprios brinquedos nos propõem.

Segundo volume da série Toon Books — o primeiro é O ratinho se veste, de Jeff Smith —, que apresenta histórias em quadrinhos feitas por grandes artistas para crianças a partir de dois anos, mas que vão agradar leitores de todas as idades.

(+) O livro dos monstros, de Fran Parnell & Sophie Fatus (Companhia das Letrinhas)

Infantil | 64 pp. | R$ 34,00 | Tradução: Heloisa Jahn

Seis narrativas tradicionais de diversas partes do mundo tratam, com humor e sabedoria, do medo universal que temos dos monstros.

Um abominável homem das neves, um monstro aquático faminto, uma mulher-monstro, são algumas das terríveis criaturas com que os personagens das histórias deste livro se deparam. Eles vão descobrir que, apesar de serem cheios de truques, alguns desses monstros só precisam ser compreendidos. Como o terrível Chinu, que acaba sendo conquistado pelo afeto daqueles que queria assustar.

Composto de seis histórias provenientes de vários lugares — América do Norte, Austrália, Nepal, África do Sul, Taiti e Itália —, este livro pode auxiliar as crianças a lidar com o medo de monstros e superá-lo de uma forma criativa e original.

(+) Pompeia, de Richard Platt & Manuela Cappon (Companhia das Letrinhas)

Infantil | 48 pp. | R$ 32,50 | Tradução: Érico Assis

A emocionante história das mudanças sofridas ao longo dos séculos por uma típica casa em Pompeia é narrada neste livro por meio de textos explicativos e ilustrações detalhadas.

Era uma vez um casebre no sul da Itália, que, apesar de humilde, era o centro de uma das fazendas mais prósperas da região. Ao longo do tempo, a região passa por enormes transformações: a casa vai aos poucos se tornando uma luxuosa morada, e a fazenda é engolida por uma cidade vibrante — Pompeia. Seus habitantes prosperam, até que, em 62 a.C., sofrem com um forte terremoto. E não é só: dezenove anos depois, o vulcão Vesúvio entra em erupção, cobrindo Pompeia de cinzas.

Soterrada, a cidade é completamente esquecida. Sobre ela, um novo povoado, intitulado “la Cività”, aproveita o solo fértil, onde as uvas e os damascos crescem com rapidez, mas não faz ideia do que está abaixo de seus pés. É somente no século XVIII que um professor de literatura grega, Giacopo Martorelli, traz à tona a antiga Pompeia, com corpos, objetos e construções totalmente conservados. Transformada em sítio arqueológico e atração turística, Pompeia recebe, atual-mente, 7 mil visitantes a cada dia.

Ao acompanhar o cotidiano de uma casa em Pompeia, desde 750 a.C. até hoje, o leitor conhece em detalhes os usos e costumes desses italianos, com a ajuda de mapas e ilustrações explicativas: o que cultivavam, o que comiam, como se divertiam, o que vestiam, seus objetos e onde moravam. Assim, a partir da história de uma casa, é possível conhecer não só uma parte da história do antigo Império Romano, como as pessoas que lá viveram e trabalharam, e entender suas crenças e seu modo de vida.

(+) O rato me contou, de Marie Sellier, Catherine Louis & Wang Fei (Companhia das Letrinhas)

Infantil | 48 pp. | R$ 31,00 | Tradução: Eduardo Brandão

Neste livro, a lenda sobre a origem dos doze signos da astrologia chinesa é narrada e ilustrada pelos mesmos autores de O nascimento do dragão, também publicado pela Companhia das Letrinhas.

Na astrologia chinesa, os signos se organizam em ciclos de doze anos — cada ano é consagrado a um signo, representado por um animal diferente. Há muitas lendas a respeito da origem desse horóscopo, e este livro narra, em versos, uma delas.

Conta-se que um dia, no início do mundo, o Grande Imperador do Céu convidou todos os animais a visitá-lo, antes do nascer do sol. O gato, desacostumado a acordar tão cedo, pôs-se a reclamar. Seu amigo rato, muito solícito, ofereceu-se para despertá-lo; assim, eles fariam juntos a viagem até a montanha de Jade. Mas, no dia seguinte, não foi isso que ele fez: em vez de acordar o amigo, saiu a caminhar com os outros convidados.

À visita compareceram, então, o rato e mais onze animais — o boi, o tigre, a lebre, o dragão, a serpente, o cavalo, o carneiro, o macaco, o galo, o cão e o porco —, e a cada um deles o Grande Imperador dedicou um ano do início dos tempos, não sem antes elogiar-lhes as suas mais evidentes qualidades. Depois do último visitante, fez-se a primeira manhã do mundo e formou-se uma grande roda celeste na qual cada um dos bichos tomou o seu lugar.

Mas e o gato? O que teria acontecido quando descobriu que o rato havia lhe passado a perna? Desde esse dia gatos e ratos não são grandes amigos…

Ao final do volume, tabelas trazem os anos correspondentes a cada um dos signos chineses.

(Clique aqui para ver os lançamentos de Maio/2011)

Maio/2011

(+) Liberdade, de Jonathan Franzen

Romance | 620 pp. | R$ 46,50 | Tradução: Sérgio Flaksman | Capa: Elisa v. Randow

Walter e Patty Berglund estão às voltas com uma família problemática, escândalos ecológicos, um casamento em crise e a presença ambígua de um velho amigo roqueiro em suas vidas. Do mesmo autor de As correções, Liberdade é um painel comovente dos dilemas sociais e privados da vida contemporânea.

“O romance mais comovente de Franzen — um livro que se revela ao mesmo tempo uma envolvente biografia de uma família problemática e um retrato incisivo do nosso tempo.” — Michiko Kakutani, The New York Times

“Não é à toa que Liberdade menciona Guerra e Paz em todas as letras. Ele pede espaço na prateleira ao lado do tipo de livro que as grandes feras escreviam. Livros que eram chamados de importantes. Que eram chamados de os grandes.” — Benjamin Alsup, Esquire

“O livro do ano, e do século.” — The Guardian

Liberdade, quarto romance do norte-americano Jonathan Franzen, foi um dos mais festejados lançamentos literários de 2010. Publicado nove anos após As correções (vencedor do National Book Award), o livro foi saudado como um painel amplo e profundo da sociedade americana contemporânea e um triunfo da prosa refinada que já fazia a fama do autor.

A história de Liberdade gira ao redor de um trio de protagonistas. Walter e Patty Berglund formam, junto com os filhos adolescentes Joey e Jessica, uma típica família norte-americana liberal de classe média. Richard Katz é um roqueiro descolado que tenta fugir da fama que tanto buscava no passado. Os três se conhecem no final dos anos 1970, na universidade de Minnesota, e a partir daí suas vidas se entrelaçam numa complexa relação de amizade, paixão, lealdade e traições que culminará com uma série de conflitos decisivos na primeira década do novo milênio, época em que o conceito de liberdade parece tão onipresente quanto fugidio.

Como em As correções, Franzen mergulha numa tragédia familiar para dissecar, com incrível detalhe e personagens tão reconhecíveis quanto surpreendentes, a psique e os sonhos da classe média norte-americana, explorando temas como o choque entre as políticas liberais e conservadoras no contexto social e privado, os males da superpopulação e das ameaças ecológicas, a crise do politicamente correto e os dilemas afetivos de uma geração cada vez mais conectada, individualista e globalizada.

Aclamado pela crítica, Liberdade também foi um fenômeno de mídia. A apresentadora Oprah Winfrey o selecionou para o seu popular círculo do livro, o Oprah’s Book Club, e a revista Time estampou sua capa com o romance, algo que não acontecia desde o ano 2000, quando Stephen King figurou no mesmo espaço.

Nascido no estado de Illinois, Estados Unidos, em 1959, Jonathan Franzen vive atualmente em Nova York e na Califórnia. É autor de outros três romances e dois livros de ensaios. Dele, a Companhia das Letras publicou ambém o romance As correções, vencedor do National Book Award em 2001, e a coletânea de ensaios A zona do desconforto.

(+) As correções, de Jonathan Franzen (Nova edição, econômica)

Jonathan Franzen, uma das revelações da literatura americana, conta uma saga contemporânea tragicômica, que vai de Nova York à Lituânia, e expõe dramas pessoais, crises conjugais e os conflitos que separam duas gerações de uma típica família dos Estados Unidos nos anos 1990. Sucesso de público e crítica, o romance recebeu o National Book Award 2001.

As correções narra a história dos conflitos religiosos, geracionais e de costumes de uma típica família americana na última década do século XX. Nos Estados Unidos dos anos 1990, nada escapa ao olhar agudo do autor: a instabilidade do mercado financeiro, as promessas de bem-estar dos novos antidepressivos, a moral religiosa da velha geração e a ausência de escrúpulos dos jovens americanos.

A família Lambert encarna a crise de valores da sociedade contemporânea. Alfred é um engenheiro ferroviário aposentado, teimoso e cheio de manias agravadas pelo mal de Parkinson recentemente diagnosticado. Enid é uma dona-de-casa comum. O casal, na faixa dos setenta anos, vive às turras numa pequena cidade do Meio-Oeste americano.

Os três filhos foram para metrópoles da costa Leste a fim de se livrar da mediocridade da vida em família. Na Filadélfia, Gary, o mais velho, tornou-se banqueiro. Deprimido e paranóico, porém, acaba com o próprio casamento. A caçula, Denise, também mora na Filadélfia, onde é chef de cozinha, mas sua vida sexual tumultuada a faz perder o emprego. Em Nova York, Chip, o filho do meio, é um roteirista frustrado. Ao se envolver com uma aluna, arruína a carreira de professor universitário e vai parar na distante Lituânia, país imerso nas recentes transformações capitalistas do Leste europeu.

Para contar essa história em que todos procuram incessantemente corrigir os rumos que imprimiram às próprias vidas, o autor usa uma prosa ácida, que expressa o embate entre mundos inconciliáveis: o universo conservador dos pais e o pragmatismo sem horizonte dos filhos.

“Maravilhoso… Tudo o que se espera de um grande romance, exceto por um motivo: ele acaba.” – The New York Times Book Review

“À altura de Os Buddenbrooks, de Thomas Mann, e Ruído branco, de Don DeLillo… Uma realização notável” – Michael Cunningham

(+) O museu da inocência, de Orhan Pamuk

Romance | 568 pp. | R$59,00 | Tradução: Sergio Flaksman | Capa: warrakloureiro

Um par de brincos, um copo, um batom, um velocípede. Objetos que compõem um museu organizado como lembrança de um caso de amor vivido por um homem trinta anos antes, em Istambul, Turquia. Pamuk, no primeiro romance escrito depois de ser laureado com o prêmio Nobel, transforma a história em um microcosmo dos dilemas sociais e morais pelos quais a Turquia passava nos anos 1970.

“Esta representação dos órgãos internos do corpo humano foi tirada de um anúncio do analgésico Paradison, exibido nas vitrines de todas as farmácias de Istambul na época, e a exponho aqui para mostrar ao visitante do museu onde a agonia do amor apareceu primeiro, onde se tornou mais pronunciada e, depois, até onde se espalhou. É preciso explicar para os leitores sem acesso a nosso museu que a dor mais acentuada manifestava-se inicialmente no quadrante superior esquerdo do estômago. À medida que se intensificava, a dor se difundia, como indica o desenho, para a cavidade situada entre os pulmões e o estômago. A essa altura, sua presença não se limitava mais ao lado esquerdo do abdome, instalava-se também no direito, e eu tinha a impressão de que enfiavam em mim a ponta de um atiçador, ou uma chave de fenda.”

Kemal, homem nos seus trinta anos, descendente de uma família rica e tradicional, está prestes a se casar com Sibel, mulher inteligente e refinada. Na Turquia dos anos 1970, eles representam um casal moderno, que se arrisca a fazer sexo antes do casamento. A vida de Kemal, de fato, parece completa em todos os aspectos — financeiro, familiar e amoroso. No entanto, ao reencontrar-se com Füsun, uma prima distante de dezoito anos que trabalha como vendedora em uma boutique, toda a sua estabilidade colapsa. Ele passa a ter encontros sexuais frequentes com a jovem bela e esbelta, embora não considere romper o noivado com Sibel, a esposa perfeita aos olhos da sociedade turca. À medida que o dia do casamento se aproxima, a pressão sobre Kemal, que julgara ter tomado uma decisão muito moderna e europeia, aumenta.

A partir dessa história de desilusão, obsessão amorosa e embate entre Ocidente e Oriente, tradição e modernidade, Orhan Pamuk desenha um panorama social e cultural da Turquia. Como prova da existência de sua estreita ligação com Füsun, o narrador, que conta a história a partir do presente, está organizando um melancólico museu de objetos, que acaba sendo uma versão em miniatura dos dramas sociais da época e das relações entre homens e mulheres no país. Apesar do distanciamento cronológico, cada sofrimento e crise de ciúme do protagonista são rememorados nos mais íntimos detalhes, carregados de emoção e conduzidos com elegância pela prosa de Pamuk.

O Museu da Inocência articula o impasse que viveu a Turquia dos anos 1970 — e que ainda repercute nos dias atuais —, dividida entre impulsos ocidentalizantes e tradicionais. O estilo de Pamuk mimetiza este momento histórico, prestando uma homenagem ao mesmo tempo aos sentimentais romances do cinema popular turco e aos grandes clássicos da literatura europeia, de Goethe a Flaubert.

Orhan Pamuk nasceu em 1952, em Istambul, na Turquia. Prêmio Nobel de literatura de 2006, é autor de romances e ensaios, e foi traduzido para mais de quarenta idiomas. De sua autoria, a Companhia das Letras publicou O castelo branco, Istambul, O livro negro, A maleta do meu pai, Meu nome é vermelho, Neve e Outras cores.

(+) O homem de Beijing, de Henning Mankell

Policial | 512 pp. | R$ 46,00 | Tradução: George Schlesinger | Capa: Kiko Farkas/ Máquina Estúdio

Em um povoado do norte da Suécia, dezenove pessoas são assassinadas por um psicopata cruel e metódico, que antes de mutilar as vítimas com uma grande lâmina as amarra e submete a demorados tipos de tortura. Lendo por acaso os sobrenomes das vítimas nos jornais, a juíza Birgitta Roslin suspeita que os crimes estejam relacionados ao passado de pessoas muito próximas, e passa a investigá-los por conta própria.

“Henning Mankell é o rei do policial.” — The Economist

A juíza distrital Birgitta Roslin vive e trabalha em Helsinborg, sul da Suécia, região próxima aos cenários enevoados em que Shakespeare ambienta a tragédia de Hamlet. Embora cansada, devido ao excesso de casos em julgamento, e exasperada com a infindável crise no casamento com Staffan, um calado condutor de trens, não pode reclamar da vida confortável de que ela e sua família podem desfrutar, após um começo difícil. Filha de uma mulher muito humilde e quase sem instrução, Birgitta teve de batalhar muito na vida, o que lhe incutiu grande consciência social — para lutar pela abolição das injustiças do mundo, a futura juíza, quando estudante, chegara a se envolver nos movimentos radicais de esquerda que se inspiravam na Revolução Cultural de Mao Tsé-Tung, lembrança da juventude ingênua que ainda se conserva em sua admiração pela grande história cultural da civilização chinesa.

Mas o atual cotidiano pacato e previsível da juíza Roslin será chacoalhado pela notícia de um massacre de idosos, perpetrado num vilarejo do norte do país. Lendo por acaso os sobrenomes das vítimas nos jornais, Birgitta suspeita que o crime esteja relacionado ao passado de pessoas próximas, o que a leva a investigar os fatos por conta própria e à margem da lei — após o fracasso da polícia e da promotoria em decifrar esse enigma horripilante e complexo.

A heroína do novo romance de Henning Mankell possui uma inteligência analítica certamente comparável à do inspetor Kurt Wallander. No entanto, a inexperiência em casos criminais de grande envergadura logo coloca sua vida em grande perigo. Ligando o assassinato das dezenove vítimas inocentes ao rastro de fome, tortura e morte deixado pelo imperialismo ocidental no século XIX, a trama de O homem de Beijing estabelece conexões inauditas com a política internacional da atualidade. Distribuída entre quatro continentes, a narrativa desafia as convenções do gênero policial, conduzindo a um vertiginoso labirinto de referências históricas, culturais e geopolíticas.

Henning Mankell nasceu na Suécia, em 1948. Romancista, ensaísta e dramaturgo, há mais de quinze anos divide-se entre Estocolmo e Maputo, em Moçambique, onde dirige projetos de inclusão social. Grande sucesso de público e crítica, ganhou projeção internacional com as histórias protagonizadas pelo inspetor Kurt Wallander, entre as quais O homem que sorria, Os cães de Riga e O guerreiro solitário, publicadas no Brasil pela Companhia das Letras.

(+) As variações Bradshaw, de Rachel Cusk

Romance | 264 pp. | R$ 48,00 | Tradução: Fernanda Abreu | Capa: Elisa v. Randow

A autora do celebrado romance Arlington Park entretece aqui um sutil panorama social por meio de consciências singulares. Composto de cenas fragmentárias, o romance se apoia na inquietude de um casal que decide trocar de papéis.

Com quase quarenta anos e pais de uma filha de oito, Thomas Bradshaw e sua mulher, Tonie, têm uma vida estável nos arredores de Londres. No entanto, quando Tonie é chamada a trocar as aulas de literatura em tempo parcial pelo cargo de chefe do departamento de inglês na universidade, abandona a zona de conforto do trabalho entremeado à vida doméstica e avança com curiosidade por seu novo universo solidamente regulado. Movido por curiosidade simetricamente oposta, Thomas abdica de seu próprio emprego e assume o antigo lugar de Tonie, cuidando dos afazeres domésticos e estudando piano, à procura de resposta para a pergunta: “O que é a arte?”.

O leitor terá diante de si um ano na vida dos Bradshaw, flagrados em cenas do cotidiano em que não raro despontam o sinistro e o grotesco. Como um romance sem herói ou música que se faz no diálogo entre as partes executadas por seções diferentes de uma orquestra, a família se desdobra também pelos olhares de parentes e até da sublocatária imigrante, testemunhas da estranheza desse casal que decide conduzir uma nova experiência.

Como uma boa faxina na casa ou uma sinfonia, que podem trazer seu próprio momento de iluminação, um dos acidentes da vida que fará que a resposta às perguntas do casal surja onde não era esperada.

Rachel Cusk nasceu em 1967, no Canadá. É autora de nove livros. Foi finalista do Orange Prize em 2007 e ganhou o Whitbread First Novel Award por seu romance de estreia.

(+) Hibisco roxo, de Chimamanda Ngozi Adichie

Romance | 328 pp. | R$ 49,00 | Tradução: Julia Romeu | Capa: Mayumi Okuyama

Em um romance que mistura autobiografia e ficção, Chimamanda Ngozi Adichie — uma das mais aclamadas escritoras africanas da atualidade — traça, de forma sensível e surpreendente, um panorama social, político e religioso da Nigéria atual.

“Uma história sensível e delicada sobre uma jovem exposta à intolerância religiosa e ao lado obscuro da sociedade nigeriana.” — J.M. Coetzee

Protagonista e narradora de Hibisco roxo, a adolescente Kambili mostra como a religiosidade extremamente “branca” e católica de seu pai, Eugene, famoso industrial nigeriano, inferniza e destrói lentamente a vida de toda a família. O pavor de Eugene às tradições primitivas do povo nigeriano é tamanho que ele chega a rejeitar o pai, contador de histórias encantador, e a irmã, professora universitária esclarecida, temendo o inferno. Mas, apesar de sua clara violência e opressão, Eugene é benfeitor dos pobres e, estranhamente, apoia o jornal mais pro-gressista do país.

Durante uma temporada na casa de sua tia, Kambili acaba se apaixonando por um padre que é obrigado a deixar a Nigéria, por falta de segurança e de perspectiva de futuro. Enquanto narra as aventuras e desventuras de Kambili e de sua família, o romance também apresenta um retrato contundente e original da Nigéria atual, mostrando os remanescentes invasivos da colonização tanto no próprio país, como, certamente, também no resto do continente.

Chimamanda Ngozi Adichie nasceu na Nigéria em 1977 e imigrou para os Estados Unidos aos dezenove anos. Muitas vezes premiada e anunciada como a nova voz da literatura nigeriana, vem sendo comparada a autores do porte de V. S. Naipaul, Chinua Achebe e Nadine Gordimer. Seu romance Meio sol amarelo (Companhia das Letras, 2008) ganhou o prêmio Orange Prize de Ficção.

(+) Tóquio proibida ― Uma viagem perigosa pelo submundo japonês, de Jake Adelstein

Reportagem | 456 pp. | Preço a definir | Tradução: Donaldson M. Garschagen | Capa: Elisa v. Randow

Entrevistas com o autor: Japan Subculture | Tokyo Reporter

Nesta reportagem de tirar o fôlego, um jornalista americano traz à tona o submundo do crime japonês e revela uma Tóquio desconhecida, soturna e ameaçadora.

“Feroz, sagrada, profissional: Adelstein descreve a máfia japonesa como ninguém.” — Roberto Saviano, autor de Gomorra

Quando se mudou para o Japão, aos dezenove anos, Jake Adelstein buscava tranquilidade em um templo budista. Seu destino foi outro: repórter inexperiente que mal dominava o idioma do país, acabou sendo o primeiro jornalista estrangeiro contratado por um grande jornal japonês. No caderno de polícia, ganhou acesso a um mundo desconhecido do Ocidente e até dos próprios japoneses.

Em Tóquio proibida, Adelstein narra em ritmo de thriller os doze anos que passou no jornal, investigando casos de sequestro, pornografia infantil, extorsão e tráfico de órgãos. Por trás de tudo, paira a sombra da yakuza, a poderosa máfia japonesa.

Explorando as relações da yakuza com o governo, Adelstein depara com uma história de repercussões internacionais, envolvendo um chefão poderoso — o que lhe rende uma ameaça de morte e o faz mergulhar num jogo de corrupção, intrigas e mistérios, digno dos grandes romances policias.

Jake Adelstein nasceu no Missouri, em 1969. Foi repórter do Yomiuri Shimbun de 1993 até 2005, e foi investigador chefe de um estudo sobre tráfico de órgãos no Japão, financiado pelo governo americano.

(+) A quem de direito, de Martin Caparrós

Romance | 336 pp. | R$ 49,00 | Tradução: Lucia Jahn e Heloisa Jahn | Capa: Mariana Newlands

Aos sessenta anos de idade, Carlos, ex-militante de uma organização de esquerda dos anos 1970, faz o que Caparrós chamou de “revisão colérica” de sua vida. Examinando os tempos da ditadura militar, reflete sobre a utopia esquerdista e fala sobre a realidade argentina dos últimos trinta anos.

No povoado de Tres Perdices, um padre é encontrado morto a punhaladas em sua igreja. O assassinato é a ponta de uma cadeia de fatos iniciada na ditadura militar que, entre 1976 e 1983, prendeu, torturou e “desapareceu” cerca de 30 mil pessoas na Argentina.

Carlos — protagonista do livro — militou na esquerda revolucionária. Hoje sozinho, sem trabalho, doente, desiludido da política, mora com um gato arredio num apartamento tristonho onde o visita de vez em quando uma mulher mais jovem. Carlos se recusa a ter uma vida útil para a sociedade, como se diz, e a manter uma relação afetiva com a mulher que o visita.

Seu único objetivo, enquanto a doença avança, é esclarecer o que se passou com Estela, sua companheira de juventude: trinta anos antes, grávida, ela foi sequestrada, torturada e “desaparecida”. Sua investigação desnuda o funcionamento da máquina de morte que foi o período militar na Argentina. Ao mesmo tempo, mostra o que pensavam os militantes que enfrentavam essa máquina feroz: qual era o projeto pelo qual estavam dispostos a dar a vida.

Martín Caparrós nasceu em Buenos Aires, em 1957. Começou sua carreira de jornalista aos dezesseis anos. Entre 1976 e 1983, exilado de seu país, viveu em Paris e em Madri. Trabalhou na imprensa escrita, radiofônica e televisiva. Escreveu romances, crônicas e ensaios e, recentemente, com Eduardo Anguita, uma alentada história da militância revolucionária na Argentina.

(+) Ilustrado, de Miguel Syjuco

Romance | 440 pp. | R$ 52,00 | Tradução: Fernanda Abreu | Capa: Gray318

Um jovem filipino exilado nos Estados Unidos escreve a biografia de seu conterrâneo e mestre, encontrado morto no rio Hudson. Com este romance vertiginoso, Miguel Syjuco faz sua notável estreia na literatura.

Crispin Salvador, escritor filipino de êxito internacional, mas renegado pela elite intelectual do próprio país, morre em circunstâncias obscuras em Nova York. Seu aluno na oficina de criação literária da Universidade Columbia, Miguel Syjuco (autor e personagem do livro), resolve escrever a biografia do mestre.

A partir dessa situação, Syjuco compõe um fascinante jogo de espelhos, que entremeia trechos da biografia em andamento com passagens dos livros de Salvador e a narrativa em primeira pessoa dos percalços do jovem biógrafo, revelando, como pano de fundo, um retrato satírico e controverso da sociedade e da cultura filipinas vistas do exílio. Numa narrativa hábil, descontínua e vertiginosa — que lhe rendeu comparações com Roberto Bolaño, Haruki Murakami e David Mitchell —, personagens reais com nomes fictícios embaralham-se a personagens fictícios com nomes reais.

Ao usar com desenvoltura os mais diversos registros, gêneros e estilos, o jovem Syjuco foge das facilidades do exótico e do pitoresco e exibe um domínio literário notável, coroado em 2008 com o principal prêmio literário do Oriente, o Man Asian Literary Prize.

Miguel Syjuco nasceu em Manila, nas Filipinas, em 1976, e mora no Canadá. Graduou-se em literatura inglesa na Universidade de Manila e fez mestrado na Universidade Columbia, em Nova York.

(+) Ponto ômega, de Don DeLillo

Romance | 104 pp. | R$ 31,00 | Tradução: Paulo Henriques Britto | Capa: warrakloureiro

O jovem cineasta Jim Finley quer fazer um filme sobre a Guerra do Iraque a partir de uma entrevista com o intelectual Richard Elster, ex-funcionário do Pentágono. Elster convida Jim para uma temporada num deserto americano, onde ele se sente próximo do ponto ômega — estágio em que a consciência humana atinge sua essência.

O premiado autor americano Don DeLillo constrói em Ponto ômega uma narrativa de estrutura incomum para falar das ambivalências da representação artística e dos limites da consciência humana. O livro conta a história de dois homens — um jovem cineasta e um velho intelectual que trabalhou para o Pentágono — em busca de uma verdade essencial. Os caminhos de ambos, porém, são opostos: arte e guerra, reflexão e expressão, pensamento e imagem.

A linguagem de DeLillo se mostra a um só tempo experimental e envolvente, em uma narrativa concisa e poderosa. Neste relato sobre os limites da expressão, dois homens estão à procura da verdade, por estratégias singulares e muitas vezes opostas.

Guerra e paz, realidade e arte, silêncio e linguagem podem ser diferentes caminhos para atingir o ponto ômega, em que o pensamento se volta para si mesmo e atinge o limite da reflexão — isso se o acaso não vier abalar o frágil equilíbrio em que se sustenta a consciência humana.

Don DeLillo nasceu em 1936 nos Estados Unidos. Cresceu no Bronx, em Nova York. Um dos mais importantes escritores americanos contemporâneos, recebeu diversos prêmios, entre eles o National Book Award (1985), o PEN/Faulkner (1992), o Jerusalem Prize (1999) e a medalha Howells da Academia Americana de Artes e Letras (2000). Dele, a Companhia das Letras publicou Ruído branco, A artista do corpo, Cosmópolis, Os nomes e Homem em queda.

(+) Vida de um homem: Francisco de Assis, de Chiara Frugoni

Biografia | 176 pp. + 8 pp. (cad. de fotos) | R$ 33,00 | Tradução: Federico Carotti | Capa: Mariana Newlands

De modo simples, preciso e delicado, a historiadora medievalista Chiara Frugoni investiga a vida do homem (e santo) que forjou o conceito de individualidade e, para muitos, antecipou os valores do Renascimento.

Francisco de Assis foi o responsável por uma das mudanças mais fundamentais por que passou o cristianismo: a decisão de se guiar pelo Evangelho e pela conduta de Cristo, que o aproximou da natureza e dos homens, afastando-o das posições que viam o mundo apenas como lugar da tentação e do pecado.

Nesta biografia a um tempo acessível e rigorosa, Chiara Frugoni, respeitada medievalista italiana, mostra que o grande traço distintivo de Francisco de Assis foi, precisamente, saber responder com uma religiosidade ativa e generosa às trevas terrenas. Ele falava mais de perto a homens e mulheres às voltas com novos problemas e práticas, que não se deixavam guiar apenas pelo temor a um Deus punitivo.

A fé de Francisco não assentava em preceitos institucionais. Para isso bastaria a adesão a um mosteiro, o que nunca fez. Tinha Cristo por modelo, amava os cavaleiros da Távola Redonda e rechaçava a violência dos cruzados. Pregava a obediência, liderou uma profunda mudança no catolicismo e terminou em minoria dentro de sua própria ordem. Ajudou a criar a noção moderna de individualidade e rejeitava o individualismo. Desprezava a arte e lançou as bases do Renascimento com sua revalorização do mundo sensível. Foi santo por não saber ao certo quem era Deus.

Chiara Frugoni foi professora de história medieval nas universidades de Pisa, Roma e Paris. Publicou numerosos trabalhos sobre a vida de São Francisco, entre os quais Francesco e l’invenzione delle stimmate (1994).

(+) Chão de meninos, de Zélia Gattai

Memórias | 232 pp. | R$ 43,00 | Capa: Rita da Costa Aguiar

Entre viagens a países longínquos e sentimentos ambíguos diante da política e da realidade, pequenas histórias do dia a dia e amigos que não param de lhe trazer surpresas, Zélia Gattai continua sua trajetória de narradora sábia e serena neste livro de memórias delicado.

Lançado no ano em que Jorge Amado completou oitenta anos de idade, Chão de meninos retoma os temas que guiaram Zélia Gattai em sua travessia do mundo. Em primeiro lugar, a paixão por Jorge. Depois, a fé, às vezes vacilante, mas sempre forte, no socialismo. E, por fim, o amor incondicional pelos amigos, a aposta, sem receio, nos outros.

O mundo de Zélia é filtrado pelos sentimentos de Jorge. Quando narra a morte de Stálin, mais do que relatar a perda de um ícone, ou expressar a própria dor, é na desorientação de Jorge que ela se detém — assim como se dedica a cuidar da perplexidade dele quando, reveladas as atrocidades, ambos se decepcionam com o líder russo.

Na primeira vez em que embarcam em um DC-7 da Panair, mesmo maravilhada com o novo avião, ela se angustia diante do pânico do marido. Ao contar a morte de Graciliano Ramos, é da aflição de Jorge diante da morte que ela nos fala. Guiada sempre pelo olhar do outro, Zélia preferiu o lado discreto da sombra. Desse modo, tornou-se uma mulher notável, capaz de fazer do outro um espelho, e de se ver até em um menino que, descalço, pisa o chão.

Zélia Gattai (1916-2008) nasceu em São Paulo. Filha de imigrantes italianos, que chegaram ao Brasil no fim do século XIX, casou-se com Jorge Amado em 1945. Em 2001, foi eleita para a Academia Brasileira de Letras. É autora de livros de memórias, três infantojuvenis e um romance.

(+) O livro de Praga — Narrativas de amor e arte, de Sergio Sant’Anna (Coleção Amores Expressos)

Contos | 144 pp. | R$ 37,50 | Capa: Retina_78

Os sete contos de que compõem o sexto volume da coleção Amores Expressos narram a viagem improvável de Antônio Fernandes à capital tcheca. A ponte Carlos é o eixo geográfico de aventuras que insistem na ideia de que transcendência, arte e sexo convergem em morte.

No primeiro conto do Livro de Praga, “A pianista”, Antônio Fernandes acaba de chegar a Praga. Flanando pela cidade, ele vê o anúncio de uma exposição de Andy Warhol no Museu Kampa: Disaster Relics é o nome da mostra. Entre imagens terríveis de acidentes automobilísticos e retratos de personalidades conhecidas vistas como produtos em linha de montagem — e assim despojadas de sua identidade —, ele ouve o som de um piano. Quando se afasta da sala de exposições em busca da origem daquela música — “clarões sonoros com a brevidade de relâmpagos” —, ocorre uma cisão na serena ordem cotidiana: as situações bizarras se sucederão, de conto em conto, impregnadas de um sexo que parece fadado a jamais se satisfazer, a apontar para a perda e não para a satisfação, para a morte e não para a vida. A impressão que se tem é de que os desastres da exposição de Warhol passaram para a experiência pessoal do protagonista, e que o desejo o conduzirá, fatal e invariavelmente, à perda, à despersonalização e à morte.

Sérgio Sant’Anna nasceu no Rio de Janeiro, em 1941. Iniciou sua carreira de escritor em 1969, com os contos de O sobrevivente, livro que o levou a participar do International Writing Program da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos. Teve obras traduzidas para o alemão e o italiano e adaptadas para o cinema. Recebeu quatro vezes o prêmio Jabuti, a mais recente pelos contos de O voo da madrugada (2003), que recebeu também o prêmio APCA e o segundo lugar no prêmio Portugal Telecom de literatura.

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Penguin-Companhia:
(+) Essencial Franz Kafka, de Modesto Carone (org.)

Contos/ Romance | 304 pp. | R$ 26,00 | Tradução: Modesto Carone | Capa: Raul Loureiro/ Claudia Warrak

Essencial Kafka reúne momentos antológicos do autor de O processo, incluindo contos, fábulas e a novela A metamorfose, na íntegra além de 109 aforismos. Tradução, seleção e comentários de Modesto Carone.

Aprisionado à sufocante existência burguesa a que as convenções familiares e sociais o obrigavam, Franz Kafka (1883-1924) chegou certa vez a afirmar que “tudo o que não é literatura me aborrece”. Muitas narrativas que compõem o cerne da obra kafkiana se originaram da forte sensação de deslocamento e desajuste que acompanhou o escritor durante toda a sua curta vida. Apesar de seu estado fragmentário, o espólio literário de Kafka — publicado na maior parte em edições póstumas, graças à generosa traição de Max Brod, que se recusou a destruí-lo conforme a vontade do amigo — é considerado um dos monumentos artísticos mais importantes do século XX.

Esta edição de Essencial Kafka reúne em um único volume diferentes momentos da produção do autor de O processo. As traduções consagradas de Modesto Carone, realizadas a partir dos originais em alemão, permitem que clássicos como A metamorfose, Na colônia penal e Um artista da fome sejam lidos (ou relidos) com fidelidade ao estilo labiríntico da prosa kafkiana.

Além disso, esta edição traz 109 aforismos e uma introdução assinada por Modesto Carone, também responsável pelos comentários que antecedem os textos.

Franz Kafka nasceu em Praga em 1883. Formou-se em direito em 1906. Tuberculoso, alternou temporadas em sanatórios com o trabalho burocrático. A maior parte de sua obra foi publicada após sua morte, em 1924.

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Quadrinhos na Cia:
(+) Na colônia penal, de Sylvain Ricard & Maël

Romance gráfico | 56 pp. | R$ 33,00 | Tradução: Carol Bensimon

Versão em quadrinhos da clássica novela de Kafka, Na colônia penal narra, em tom de pesadelo, o funcionamento de uma terrível máquina de execuções.

Enviado a uma colônia penal para dar sua opinião sobre os métodos nela empregados, um viajante descobre ali um sistema judiciário bárbaro. Ele assiste a uma execução em que o condenado é preso a uma máquina, que inscreve em seu corpo a sentença, até que a morte venha.

Além dele e do próprio condenado, participam da cena apenas um soldado e o oficial encarregado de ministrar a justiça, o que será feito com o auxílio da máquina, expressamente concebida para que cada condenado sinta na carne o peso e a especificidade da sentença que recebeu.

Com esse texto, que evoca O jardim dos suplícios, do escritor francês Octave Mirbeau, Kafka retrata uma humanidade covarde e indiferente à sua própria violência. Novela cruel e sinistra que foi bastante criticada na época de sua publicação, Na colônia penal nada perdeu de sua pertinência, revelando a atemporalidade da obra de Franz Kafka.

Franz Kafka nasceu em Praga, na Boêmia (hoje República Tcheca), em 1883. Fez seus estudos na cidade natal, formando-se em direito em 1906. Tuberculoso, alternou temporadas em sanatórios com o trabalho burocrático. Jamais deixou de escrever, embora tenha publicado pouco. A maior parte de sua obra foi publicada após sua morte, que ocorreu em 1924, num sanatório perto de Viena. Quase desconhecido em vida, é considerado hoje um dos maiores escritores do século XX.

(+) A divina comédia de Dante, de Seymour Chwast

Romance gráfico | 128 pp. | R$ 33,00 | Tradução: Alexandre Boide

Dos nove círculos do Inferno ao Purgatório e ao Paraíso, uma adaptação para os quadrinhos do poema clássico de Dante.

“Dante + Seymour = Céu.” — Maira Kalman, autora de O princípio da incerteza

“A releitura de Seymour deste eterno clássico não é apenas fascinante e inteligente, mas é feita de forma tão engenhosa que torna a complexa obra-prima de Dante facilmente compreensível para qualquer leitor. Divino.” — Chip Kidd, designer e autor de The cheese monkeys

“Seymour Chwast! Como eu o odeio! Ele já é um grande artista! Já é um grande designer! E agora vai ser um grande quadrinista! Ele pode ir para o Inferno!” — Craig Yoe, editor de The art of Ditko

Nessa versão do designer americano Seymour Chwast para o poema épico renascentista, Dante e seu guia Virgílio vestem seus chapéus de feltro e vagam pelos domínios de um Inferno, um Purgatório e um Paraíso em estilo noir. No caminho, eles deparam com inúmeros pecadores e santos — muitos deles pessoas reais às quais Dante designa uma punição horrível ou prazeres indescritíveis — e ficam frente a frente com Deus e Lúcifer. Chwast cria uma fantasia visual a cada página, e suas ilustrações criativas resgatam a complexidade delirante desse clássico do cânone ocidental.

Seymour Chwast nasceu em 1931, em Nova York, nos Estados Unidos. É designer e ilustrador, além de ter criado inúmeras (e célebres) fontes tipográficas. Fundou, ao lado de artistas como Edward Sorel e Milton Glaser, o Push Pin Studios, que também publica uma importante revista de design. Seu trabalho figura em pôsteres, embalagens, capas de revista e peças publicitárias, e é conhecido por combinar um estilo de design inconfundível com doses de crítica social. A divina comédia é seu primeiro romance gráfico.

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Companhia de Bolso:
(+) O centauro no jardim, de Moacyr Scliar

Romance | 216 pp. | R$ 23,00 | Capa: Jeff Fisher

Eleito como um dos cem melhores livros de temática judaica escritos nos últimos duzentos anos, este premiado romance narra a história de uma família judia na qual nasce um centauro — um ser metade homem, metade cavalo.

No interior do Rio Grande do Sul, na pacata família Tratskovsky, nasce um centauro: um ser metade homem, metade cavalo. Seu nome é Guedali, quarto filho de um casal de imigrantes judeus russos. A partir desse evento fantástico, Moacyr Scliar constrói um romance que se situa entre a fábula e o realismo, evidenciando a dualidade da vida em sociedade, em que é preciso harmonizar individualismo e coletividade. A figura do centauro também ilustra a divisão étnica e religiosa dos judeus, um povo perseguido por sua singularidade.

Guedali cresce solitário, excluído da sociedade. Numa narrativa provocadora, ele rememora sua vida desde o nascimento em Quatro Irmãos, passando pela juventude em Porto Alegre, até chegar ao Marrocos.

(+) História do cerco de Lisboa, de José Saramago

Romance | 328 pp. | R$ 25,00 | Capa: Jeff Fisher

A história da tomada de Lisboa aos mouros no ano de 1147 e a crônica de um inesperado encontro amoroso na Lisboa do fim dos anos 1980: duas narrativas, tecidas e entretecidas de maneira brilhante, que exploram as possibilidades do romance como meio de recriar o passado e o presente.

Um ato gratuito, sem explicações aparentes, compele o revisor Raimundo Silva a inserir um termo que falsifica a “verdade” histórica. Essa fraude que se impõe àquele fiel respeitador de textos alheios é a origem da fascinante fabulação que Saramago sobrepõe à história do cerco de Lisboa.

A nova história do cerco é a crônica do amor tardio do revisor falsário por Mara Sara, que se espelha, oito séculos depois, no amor primevo do soldado Mogeuime por Ouroana, aos pés da cidade prestes a cair. Assim, a Lisboa de Saramago também se refaz nas ruas da cidadela moura e no arraial português, e o que surge desse amálgama é a um só tempo um thriller e um retrato histórico, como só a mais acabada literatura é capaz de fazer.

(+) Imperialismo ecológico, de Alfred W. Crosby

História/Ecologia | 384 pp. | R$ 27,00 | Tradução: José Augusto Ribeiro e Carlos Afonso Malferrari | Capa: Jeff Fisher

Instigante análise da contribuição dos animais, das plantas e das doenças para o sucesso da colonização nas zonas temperadas do Novo Mundo.

Em Imperialismo ecológico, o professor Alfred W. Crosby, da Universidade do Texas, conta a história da expansão europeia de um ponto de vista provocante e inovador. Em vez de estudar as batalhas militares ou a agressão cultural, Crosby concentra-se na pouco examinada invasão biológica das novas terras pelo que chama de “biota portátil”: o conjunto de animais, vegetais e doenças que embarcaram junto com os europeus nas caravelas e acabaram por expulsar ou liquidar a flora, a fauna e os habitantes nativos de várias regiões do mundo.

Da formação dos diversos continentes aos grandes êxitos do “imperialismo” no século XV, Crosby descreve como europeus se espalharam com arrojo pelos mares e continentes. Em três capítulos fascinantes ficamos sabendo que armas poderosas os navegadores levavam na bagagem: uma avalanche de seres vivos capaz de transformar o mundo.

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Cia das Letras:
(+) Estrela amarela, de Jennifer Roy

144 pp. | R$ 23,50 | Tradução: Ernani Ssó | Capa: Mariana Newlands

Em setembro de 1939 os alemães invadiram a Polônia, dando início à Segunda Guerra Mundial. Pouco tempo depois, trataram de isolar os judeus em guetos, como o de Lodz, onde, entre 233 mil pessoas, havia uma menina de quatro anos chamada Sylvia — uma entre as doze crianças desse gueto que sobreviveram ao Holocausto. Em Estrela amarela, a própria Sylvia fala sobre esses seis anos, compartilhando as dúvidas, os medos e as pequenas alegrias de uma criança judia em meio ao nazismo.

“Laranja. É esta a cor do meu casaco, que combina com um cachecol que me deram antes da guerra. Também deram um para Dora, só que azul e maior.

Amarelo. É esta a cor da estrela de seis pontas que costuraram no meu casaco. Há uma lei que diz que todos os judeus devem exibir a estrela de davi, na roupa, sempre que saem de casa, senão serão presos.

Como eu gostaria de arrancar a estrela (com cuidado, pouco a pouco, para não estragar meu casaco tão bacana), porque o amarelo deveria ser a cor da alegria, não a cor do ódio.”

Como tantos outros sobreviventes do Holocausto, Sylvia Perlmutter ficou em silêncio por muitos anos, tentando esquecer aquilo por que passou. Mas, aos poucos, com a chegada da velhice, as lembranças começaram a vir à tona; Sylvia sonhava com a guerra e se lembrava constantemente do sofrimento pelo qual havia passado. Era hora de contar a sua história.

E foi o que ela fez: falou e falou à sobrinha, Jennifer Roy, escritora experiente, que soube transformar essas conversas em um relato tocante e ao mesmo tempo delicado. Roy se utiliza da voz da própria Sylvia para narrar o dia a dia da família e a sua luta pela sobrevivência durante os seis anos de guerra. No começo, com apenas quatro anos, Sylvia nem ao menos entende o que se passa à sua volta. “Minha boneca é judia?”, ela se questiona. Seus pais decidem fugir para Varsóvia, mas não conseguem trabalho. Ao retornarem a Lodz, são obrigados a abandonar sua casa para viver em um apartamento bem pequeno, sem banheiro, com as duas filhas.

A partir daí, tudo passa a ser diferente: as meninas não podem ir à escola — a mais velha deve trabalhar, assim como os pais, e Sylvia fica em casa sozinha o dia todo —; é preciso reinventar as brincadeiras, já que não há mais brinquedos; comer o que os alemães permitem, e muitas vezes morrer de fome; se acostumar com as cores tristes do gueto e com alguns acontecimentos assustadores, como o dia em que Hava, a grande amiga de Sylvia, some sem deixar rastro.

As estações do ano se seguem e o plano de extermínio dos alemães se intensifica. Sylvia precisa passar as noites escondida em uma sepultura, no cemitério, e meses trancada com outras onze crianças pequenas, todas muito doentes, em um porão totalmente escuro e úmido. São “as crianças do porão”, as únicas sobreviventes do gueto. Quando os russos chegam, e Sylvia pensa em liberdade pela primeira vez, está a um dia de completar dez anos.

Dividido em quatro partes cronológicas, cada uma com uma introdução sobre os acontecimentos históricos do período, Estrela amarela é um relato íntimo e tocante, feito a partir dos olhos dessa menininha, que mais de uma vez escapa da morte apenas com a ajuda do acaso.

Jennifer Roy nasceu em Nova York. Autora de mais de trinta livros para crianças e jovens, graduou-se em psicologia e fez mestrado em educação. Por Estrela amarela, Jennifer recebeu diversos prêmios nos Estados Unidos. Atualmente vive no estado de Nova York com o marido e o filho.

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Companhia das Letrinhas:
(+) Na casa do Leo: Os dinossauros, de Philip Ardagh & Mike Gordon

64 pp. | R$ 27,00 | Tradução: Érico Assis

Segundo volume da coleção Na Casa do Leo, desta vez sobre o adorado tema dos dinossauros. Ao visitar essa casa incomum, o leitor vai descobrir, por exemplo, qual é o maior dinossauro de todos os tempos; que alguns dinossauros tinham penas, mas não podiam voar; e o que provocou a extinção desses animais.

Leo é um menino como outro qualquer, a não ser por um detalhe: em sua casa, costumam aparecer visitas extraordinárias. Desta vez, ele vai receber nada menos que os terríveis — alguns nem tanto assim — dinossauros.

Acompanhado de Naftalina, seu cachorro de estimação, e Jarbas, o prestativo zelador da casa, Leo vai conhecer algumas características desses animais pré-históricos, bem como curiosidades acerca deles. Vai descobrir, por exemplo, que havia espécies herbívoras e carnívoras, que ainda não sabemos ao certo de que cor era a pele dos dinossauros, quais eram os predadores mais terríveis e como eles agiam, entre muitas outras coisas.

Nessa jornada, Leo vai deparar também com um personagem um tanto amalucado, o cientista Magnus Sabidus, cujo grande projeto é fazer reviver algumas espécies de dinossauros. Será que ele terá sucesso nessa tarefa?

Em formato de história em quadrinhos, o livro tem linguagem acessível a leitores iniciantes, além de estar dividido em capítulos curtos, como convém a crianças que estão começando a aprender sobre ciências. Um glossário, ao final, complementa o volume com a explicação de alguns termos específicos sobre o assunto.

(+) Hamlet, de Andrew Matthews & Tony Ross (coleção Histórias de Shakespeare)

72 pp. | R$ 18,00 | Tradução: Érico Assis

Nesta adaptação em prosa de uma das mais famosas tragédias de todos os tempos, é o próprio Hamlet que conta a sua história. Conheça a tragédia e também um pouco mais sobre o teatro na época do grande dramaturgo inglês.

“Ser ou não ser? Eis a questão”: quem não conhece essa frase, uma das mais célebres de todos os tempos? Pois foi justamente de Hamlet que ela foi retirada.

Quando ouve o fantasma do pai dizer que sua morte não foi um acidente, mas sim assassinato, Hamlet passa a ser atormentado pela dúvida: o fantasma do velho rei diz a verdade ou seria um demônio tentando fazê-lo cometer uma loucura? Sobretudo porque, como afirma o fantasma, o assassino seria Cláudio, irmão do rei, que acabara de se casar com a mãe do jovem príncipe.

Confundido e torturado pela dúvida, Hamlet não consegue decidir o que fazer. Resolve então investigar a morte do pai e, para isso, finge-se de louco. Assim, ninguém desconfiará da terrível suspeita que lhe aflige o coração. Na adaptação é o próprio Hamlet quem conta a história dessa busca e dos caminhos que o levaram a finalmente vingar a morte do pai — mas com um custo terrível.

Nesta edição de Hamlet, além de ter um primeiro contato agradável com o universo dos clássicos universais, as crianças poderão ler um prefácio de Flavio de Souza sobre os atrativos desta tragédia e dois posfácios: um sobre o tema da vingança na peça e outro sobre Richard Burbage, o ator mais famoso e requisitado no teatro de Londres nos tempos da rainha Elizabeth.

Da mesma coleção, a Companhia das Letrinhas publicou Romeu e Julieta e Muito barulho por nada.

(+) Grécia Antiga, de Stewart Ross (coleção Histórias da Antiguidade)

32 pp. | R$ 35,00 | Tradução: Augusto Calil | Ilustrações: Inklink e Richard Bonson

Combinando uma história em quadrinhos sobre os Jogos Olímpicos com informações e ilustrações detalhadas sobre a vida na antiga Grécia — sua política, cultura, mitologia —, este livro é uma excelente leitura para aqueles que desejam conhecer mais sobre essa notável civilização.

No século V a.C., a Grécia foi assolada por intensas batalhas travadas entre Atenas e Esparta. Atenas era a mais poderosa e rica cidade da região, e as outras cidades, lideradas por Esparta, tentaram derrubá-la por anos a fio. Mesmo depois do fim dos combates, a competição entre elas se manteve — não era apenas na guerra que as duas buscavam a vitória.

Tendo como pano de fundo essa rivalidade, o livro conta, em quadrinhos, a história de Cinésias, o mais importante atleta de Atenas, em quem toda a cidade confia para disputar a principal prova dos Jogos Olímpicos que vão se realizar em 416 a.C. Mas, antes que isso aconteça, ele terá de enfrentar o desonesto Licurgo, o representante de Esparta. Será que o ateniense conseguirá se desvencilhar das armadilhas de seu oponente espartano?

No decorrer da leitura, o leitor vai descobrindo os cenários nos quais se desenrola a história, bem como o dia a dia da sociedade da época — desde roupas e alimentos até a crença em deuses e deusas de temperamento explosivo —, através de textos e ilustrações bastante detalhadas. Vai conhecer, por exemplo, como viviam os guerreiros espartanos, os navios usados pelos atenienses no comércio marítimo, o cuidado dos atenienses com a saúde do corpo e da mente.

Da mesma coleção, a Companhia das Letrinhas já publicou Egito antigo, Roma antiga e China antiga.

(Clique aqui para ver os lançamentos de Junho/2011)

Junho/2011

(+) Muito além do nosso eu, de Miguel Nicolelis

Neurociência | 536 pp. + 16 pp. (cad. de fotos) | R$39,50 | Capa: Thiago Lacaz e Kiko Farkas/Máquina Estúdio

The Daily Show With Jon Stewart Mon – Thurs 11p / 10c
Miguel Nicolelis
www.thedailyshow.com
Daily Show Full Episodes Political Humor & Satire Blog The Daily Show on Facebook

“Miguel Nicolelis não precisa ser reconhecido por mais ninguém ― e nem ganhar o Nobel no qual é listado como eterno candidato ― para provar que é o cientista brasileiro mais importante hoje.” ― O Estado de S. Paulo, caderno Link.

“É um verdadeiro prazer ler Muito além do nosso eu. O professor Miguel Nicolelis conseguiu fornecer uma visão provocativa, profunda e fluente acerca de como essa incrível máquina chamada cérebro processa e reage às informações que recebe do mundo.” — Thomas J. Carew, professor da Univerdade da Califórnia e presidente da Sociedade de Neurociência

“Neste livro maravilhosamente vívido e fascinante, Miguel Nicolelis nos proporciona uma nova visão do cérebro humano.” — Peter Agre, vencedor do prêmio Nobel de química em 2003

A nova neurociência que une cérebros e máquinas — e como ela pode mudar nossas vidas. O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis está à frente de um estudo revolucionário capaz de transformar a experiência humana na Terra. Neste livro, ele explica como a tão sonhada conexão entre cérebro e máquina está prestes a se tornar realidade.

Imagine um mundo onde as pessoas usam computador, dirigem seus carros e se comunicam entre si através do pensamento. Um mundo em que os paraplégicos podem voltar a andar e em que os males de Parkinson e Alzheimer são controlados. Parece cenário de ficção científica, mas tudo isso pode se tornar realidade. A humanidade está prestes a cruzar mais uma fronteira do conhecimento em direção à compreensão do imenso poder do cérebro, um conhecimento que poderá ser aplicado com grande proveito nas áreas de saúde e tecnologia.

Em Muito além do nosso eu, o premiado e internacionalmente reconhecido neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis revela suas ideias revolucionárias sobre essa nova tecnologia. Ele nos explica como o cérebro cria o pensamento e a noção que o ser humano tem de si mesmo (o seu self) — e como isso pode ser incrementado com o auxílio de máquinas. Este é o primeiro livro, destinado a um público leigo, a descrever com pormenores os enormes passos que a ciência vem dando para a criação das interfaces cérebro-máquina.

Nicolelis mostra como a tecnologia será capaz de transformar a sociedade humana e moldar uma nova “indústria do cérebro”, um empreendimento global com potencial de geração de trilhões de dólares. Essas interfaces, também chamadas ICMs, poderão um dia devolver a mobilidade a pacientes com paralisia grave, graças ao uso de “exoesqueletos” membranosos, que serão vestidos como uma roupa. As descobertas de Nicolelis e sua equipe oferecem também um caminho para a cura de distúrbios neurológicos como a doença de Parkinson e o mal de Alzheimer, sem contar as fascinantes perspectivas de comunicação tátil a longa distância e de exploração do fundo do mar e do espaço.

Muito além do nosso eu fala de um futuro tecnológico em que as visões catastrofistas dão lugar ao otimismo e à esperança. Essa é uma das maiores aventuras da ciência contemporânea, e Nicolelis nos proporciona uma compreensão profunda e iluminadora desse admirável mundo novo.

Miguel Nicolelis nasceu em São Paulo, em março de 1961. Formou-se em medicina (1984) e doutorou-se (1988) pela Universidade de São Paulo. Em 1989, determinado a desvendar as leis fisiológicas que regem a interação entre grandes populações de neurônios, mudou-se para os Estados Unidos. Desde 1994 está à frente de um grande laboratório na Universidade Duke, o Duke’s Center for Neuroengineering, base física das avançadas experiências com implantes de microeletrodos neurais em macacos que o tornaram conhecido no mundo todo. É também professor de neurociência na mesma universidade. Suas pesquisas foram publicadas na Nature, na Science e em inúmeras outras revistas científicas. A Scientific American o elegeu um dos vinte cientistas mais influentes do mundo. Membro das Academias de Ciências do Brasil e da França e da Pontifícia Academia das Ciências em Roma, é também fundador e Diretor Científico do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra, entidade dedicada ao fomento da pesquisa científica de ponta e ao desenvolvimento educacional e socioeconômico do Rio Grande do Norte e da região nordeste do Brasil.

Eventos de lançamento

O primeiro evento será no dia 22 de junho, em São Paulo, no Fronteiras do Pensamento Contemporâneo. Em julho, Miguel Nicolelis estará na IX Festa Literária Internacional de Paraty. Porto Alegre, Belo Horizonte e Natal também estão no roteiro. Em breve anunciaremos novas cidades.

(+) O amor do soldado, de Jorge Amado

Teatro | 48 pp. + 8 pp. (cad. de fotos) | R$39,00 | Posfácio: Aderbal Freire-Filho | Capa: Kiko Farkas e Mateus Valadares/ Máquina Estúdio

Em sua única peça teatral, Jorge Amado narra a triste história de amor entre Eugênia Câmara e o poeta Castro Alves, dividido entre a paixão carnal e a luta pela liberdade nos últimos anos de sua vida.

Escrita em 1944 por encomenda de Bibi Ferreira, o atormentado e trágico romance entre Castro Alves e a atriz portuguesa Eugênia Câmara é o tema desta única obra de teatro de Jorge Amado. O texto não chegou a ser encenado na época, uma vez que a companhia de Bibi Ferreira se dissolveu, mas foi publicado em livro três anos depois, em home-nagem ao centenário do nascimento do poeta dos escravos.

A ação se concentra na última parte da breve vida de Castro Alves (1847-71), entre 1866 e 1870, em Recife, São Paulo e Rio de Janeiro. Em cenas rápidas e diálogos inflamados, alternados com versos célebres de combate, vemos um poeta que divide sua energia e sua inspiração entre duas paixões exigentes: Eugênia Câmara e a luta pela libertação dos escravos e pela instauração da república.

Moderno para a época, o texto inclui peças dentro da peça e um narrador que fala diretamente ao público, além de traçar paralelos entre o movimento abolicionista e a luta contra o nazifascismo no século XX. Pressupõe ainda uma encenação ousada, com atores misturados à plateia.

Jorge Amado (1912-2001) foi um dos grandes nomes da literatura brasileira do século XX. Eleito deputado federal pelo Partido Comunista Brasileiro em 1946 e membro da Academia Brasileira de Letras, teve seus livros traduzidos para dezenas de idiomas. Entre os mais conhecidos estão Capitães da Areia, Gabriela, cravo e canela, Dona Flor e seus dois maridos e Tieta do Agreste. [www.jorgeamado.com.br]

(+) Bombaim: Cidade máxima, de Suketu Mehta

Reportagem | 512 pp. | R$ 58,00 | Tradução: Berilo Vargas | Capa: Christiano Menezes

Sucesso de público e crítica, este é um mergulho perturbador na metrópole mais populosa, violenta e fascinante da Índia. Reportagem inaudita e avassaladora das entranhas de Bombaim, foi indicada ao prêmio Pulitzer.

“O melhor livro já escrito sobre esta metrópole grande e arruinada!” — Salman Rushdie

Mais de vinte anos depois de fixar-se com a família em Nova York, Suketu Mehta decidiu retornar à cidade em que havia passado a infância. Planejando escrever um livro sobre as ruas caóticas que nunca conseguira de fato abandonar, o autor mergulhou no universo dos pistoleiros, políticos, religiosos, prostitutas e atores de cinema que fazem de Bombaim (também conhecida como Mumbai) um espetáculo incessante de luxo e miséria, violência e tradições.

O livro é o resultado grandioso da imersão de Mehta no cotidiano de uma das cidades mais populosas do mundo. Ele entra em contato com os tipos humanos mais variados, embrenhando-se na imundície das favelas ao mesmo tempo que frequenta os salões da diplomacia, da política e da alta sociedade. Os conflitos religiosos que marcaram a década de 1990 na cidade fornecem a pista inicial de uma série de deambulações urbanas, guiadas pelas histórias de numerosas personagens reais. Comparado a V. S. Naipaul, o autor percorre os meandros infindáveis de Bombaim para registrar os contrastes da metrópole em sua pulsação frenética.

Suketu Mehta nasceu em Calcutá, em 1963. Mudou-se ainda criança para Bombaim, de onde, em 1977, emigrou com a família para os Estados Unidos. Atualmente é professor associado de jornalismo na New York University.

(+) Como morrem os pobres e outros ensaios, de George Orwell

Ensaios | 416 pp. | R$ 44,00 | Seleção de João Moreira Salles e Matinas Suzuki Jr. | Tradução: Pedro Maia Soares | Capa: Kiko Farkas e Mateus Valadares/ Máquina Estúdio

Em textos escritos ao longo de duas décadas sobre tópicos que vão desde os dilemas do pacifismo até a decadência dos pubs londrinos, George Orwell emerge como um agudo observador do mundo e ao mesmo tempo um combatente incansável contra a hipocrisia política e a covardia intelectual.

Para George Orwell, nada substituía a experiência direta da vida. E foi com base na vivência pessoal e na observação crítica do mundo que ele escreveu ensaios, artigos e crônicas ao longo de toda a vida. Alguns dos mais representativos desses textos estão reunidos em Como morrem os pobres e outros ensaios.

Na primeira seção do livro, por exemplo, estão os relatos e reflexões de Orwell sobre sua vivência pessoal como sem-teto, colhedor boia-fria de lúpulo, presidiário e paciente de um hospital público. Em outra parte enfeixam-se seus vigorosos artigos sobre o uso da linguagem verbal no romance, na poesia, na propaganda política e no jornalismo.

A gama de interesses do escritor é inesgotável. Com a mesma verve e conhecimento de causa, ele fala sobre temas graves, como a hipocrisia intelectual, ao lado de assuntos mais leves e aparentemente até fúteis, como os trajes da elite britânica e o gosto do cidadão inglês por crimes sensacionalistas.

De todos os tópicos, sejam grandes ou pequenos, Orwell extrai revelações sobre a estrutura da sociedade, as mudanças nos costumes, as transformações profundas operadas na Inglaterra e no mundo na primeira metade do século XX.

George Orwell (pseudônimo de Eric Arthur Blair) nasceu em 1903, na Índia, e estudou em colégios tradicionais da Inglaterra. É um dos mais influentes escritores do século XX. Dele, a Companhia das Letras publicou A revolução dos bichos, 1984 e Na pior em Paris e Londres, entre outros.

(+) Um certo Henrique Bertaso, de Erico Verissimo

Memórias | 104 pp. | R$35,00 | Capa: warrakloureiro | Ilustração: Rodrigo Andrade

Relato sobre a Editora Globo, criada na década de 1920, em Porto Alegre, o livro fala de um espécime raro e fascinante, o editor à antiga — aquele que inventa uma editora e constrói seu catálogo. Prefácio de Luís Fernando Verissimo

Logo no início de Um certo Henrique Bertaso, Erico Verissimo diz que vai “Contar o que faziam entre fins de 1922 e 1930 — um em Porto Alegre e o outro em Cruz Alta — dois homens que um dia viriam a encontrar-se para juntos se lançarem numa aventura editorial [...]”. Quando a história começa, em 1922, os dois “homens” são adolescentes: Henrique Bertaso, dezesseis anos, “com tempo demais a pesar-lhe nas mãos e no crânio”, é posto pelo pai, um dos principais sócios da Livraria do Globo, a trabalhar durante as férias como caixeiro da livraria. Em Cruz Alta, Erico Verissimo, dezessete anos, começa a trabalhar para se sustentar. O amor pelos livros e pela literatura reunirá os dois dali a algum tempo na construção de uma das mais belas e importantes editoras que o país já teve — matriz de um modelo de casa que teria papel decisivo no amadurecimento cultural do país.

O grupo de intelectuais congregados em torno da Editora Globo e da Revista do Globo, com Erico Verissimo (conselheiro editorial) e Henrique Bertaso (editor) conduzindo a “publicadora”, foi responsável pela construção de um importante catálogo de obras contemporâneas brasileiras e estrangeiras e pelo estabelecimento de um novo patamar de qualidade nas traduções.

Erico Verissimo nasceu em 1905 em Cruz Alta, RS. Trabalhou como bancário, balconista e farmacêutico até se mudar, aos 25 anos, para Porto Alegre. Estreou como escritor com o conto “Ladrões de gado”. Ganhou diversos prêmios por sua obra literária. Morreu em 1975, antes de concluir o segundo volume de suas memórias, Solo de clarineta.

(+) Freud 15 – Psicologia das massas e análise do eu e outros textos, de Sigmund Freud

Psicanálise | 352 pp. | R$ 52,00 | Tradução: Paulo César de Souza | Capa: warrakloureiro

O volume 15 inclui textos de 1920 a 1923. Psicologia das massas e análise do Eu aborda o comportamento de grupos, partindo do fato de que as relações que moldam o indivíduo, desde a infância, são também fenômenos sociais. Assim, o irracionalismo dos movimentos políticos de massa — recorde-se que o fascismo e o comunismo estavam em ascensão na época — é explicado por conceitos psicanalíticos como libido e regressão.

O ensaio “Sobre a psicogênese de um caso de homossexualidade feminina” traz formulações sobre a sexualidade feminina e a homossexualidade em geral. Ainda, dois textos sobre a telepatia são testemunho do interesse de Freud pelo tema. Por sua vez, “Uma neurose do século XVIII envolvendo o Demônio” analisa o peculiar documento deixado por um pintor alemão, a história do pacto que ele fez com o Diabo a fim de livrar-se de sua neurose.

(+) Freud 16 – O eu e o id, estudo autobiográfico e outros textos (1923-1925), de Sigmund Freud

Psicanálise | 376 pp. | R$ 52,00 | Tradução: Paulo César de Souza | Capa: warrakloureiro

O volume 16 contém os textos publicados por Freud entre 1923 e 1925, dos quais se destaca O Eu e o Id, um de seus principais trabalhos teóricos, no qual faz a mais detalhada exposição da estrutura e do funcionamento da psique, lançando a hipótese de que ela se dividiria em três partes: Id, Eu (ou “ego”) e Super-eu (ou “superego”).

O segundo texto, “Autobiografia”, contém, na verdade, poucas informações pessoais. É um relato do desenvolvimento intelectual do autor e de suas contribuições para o surgimento e a elaboração da psicanálise. Ensaios de menor extensão incluídos no volume, mas bastante influentes, são, entre outros, “A dissolução do complexo de Édipo” e “A negação”.

(+) Heróis demais, de Laura Restrepo

Romance | 176 pp. | R$ 39,50 | Tradução: Ernani Ssó | Capa: Rita da Costa Aguiar

Até onde uma ditadura interfere nas relações pessoais? Como ela molda o caráter de seus adversários? Em um romance ágil e irônico, em que mãe e filho recompõem sua história, Laura Restrepo narra um acerto de contas político e familiar com o passado. A autora estará presente na Feira Literária de Paraty deste ano.

“Laura Restrepo é uma escritora que ilumina o mundo.” — The Washington Post

Heróis demais, oitavo livro de Laura Restrepo, traz a história clássica de um filho em busca do pai. Mas essa busca não é nada clássica, nem esse pai. Mateo, um adolescente de dezesseis anos, vai para Buenos Aires com a mãe, Lorenza, esperando encontrar o pai que não vê desde a infância. Para que Mateo entenda como e por que tudo aconteceu, Lorenza fala dos quatro anos de militância que ela e o pai de Mateo viveram, na Argentina nos tempos da guerra suja.

Apesar do olhar cheio de saudade pelo passado, os retratos de Lorenza, dos demais companheiros e da própria luta são traçados com alguma ironia, e a complacência da mãe esbarra nas críticas do filho. Mateo, um adolescente mais interessado em jogos eletrônicos que em política, está cansado: cansado desse pai fantasma, cansado da mãe onipresente, cansado de ser arrastado por acontecimentos que não compreende. Há uma tensão ambígua entre Lorenza e Mateo, feita de culpas, desculpas, acusações, mas também de compreensões e de um afeto enorme, que muitas vezes leva a cenas tristemente cômicas.

No centro do imbróglio está o silêncio. Por motivos de segurança, Lorenza e o amante calavam até o que não deviam, vivendo assim numa espécie de vácuo, sustentados quase que apenas pelo inimigo comum. Quando o inimigo sumiu, eles não se reconheceram mais, nem souberam o que fazer de si mesmos. Daí a dificuldade que Lorenza tem de falar para o filho sobre uma pessoa de carne e osso. Mas agora esse silêncio tem de ser rompido. O passado tem de ser amansado com palavras, ou continuará fazendo vítimas.

Um assunto delicado e doloroso, mas que Laura Restrepo aborda com extraordinária leveza e bom humor. Com uma linguagem perfeitamente coloquial, mas que não dispensa o rigor técnico, o romance se estrutura numa montagem de tempos e cenários que faz lembrar Mario Vargas Llosa, deixando o leitor à espera do desfecho do drama até os últimos parágrafos, como numa boa história policial.

Laura Restrepo nasceu em Bogotá, Colômbia, em 1950, e formou-se em letras e filosofia pela Universidad de los Andes. Atualmente escreve para o jornal espanhol El País e é professora na Universidade de Cornell, nos Estados Unidos. Escritora admirada por autores como García Marquez e Saramago e traduzida para mais de vinte idiomas, recebeu uma série de prêmios internacionais como o Prix France Culture, o prêmio Grinzane Cavour e o Prêmio Sor Juana Inês de la Cruz. Dela, a Companhia das Letras publicou A noiva escura (2003) e Delírio (2008).

(+) A lebre da Patagônia, de Claude Lanzmann

Memórias | 456 pp. | R$ 59,00 | Tradução: Eduardo Brandão e Dorothée de Bruchard | Capa: João Baptista da Costa Aguiar

Erudito e boêmio, engajado e sedutor, o cineasta francês Claude Lanzmann revisita seu passado em livro escrito com franqueza e paixão intelectual. Personagens marcantes das últimas sete décadas — como Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir, Brigitte Bardot e Gilles Deleuze, entre muitos outros — figuram nesta narrativa de uma vida repleta de ousadia e inconformismo.

Diretor de Shoah, documentário que representou para a história do Holocausto no cinema o que a obra de Primo Levi significou para a literatura, Claude Lanzmann é herdeiro de uma nobre linhagem de intelectuais franceses para quem o pensamento, a ação, a rebeldia e mesmo a sexualidade sempre ocuparam a mesma órbita. Como Sartre e Simone de Beauvoir (de quem foi amante), Lanzmann tem uma trajetória calcada na insatisfação e na busca permanente pela honestidade intelectual.

Escrito com punch romanesco, A lebre da Patagônia apresenta um intelectual sui generis: o mesmo sujeito que se diz dado a peripécias (pilotou aviões, escalou montanhas, foi dos poucos ocidentais a conseguir penetrar na Coreia do Norte), em seguida declara candidamente que a coragem e a covardia são os eixos de sua vida. Por isso, são especialmente elucidativos os capítulos sobre o intrincado processo, repleto de aventuras, fracassos e até farsas, de filmagem de seu famoso documentário, obra que consumiu dez anos e que ainda o assombra. Narrativa extraordinária de um percurso inconformista, A lebre da Patagônia é o autoexame profundo (e paradoxalmente muito pouco nostálgico) de um homem que sempre fez questão de habitar o seu próprio tempo.

Claude Lanzmann nasceu em 1925, em Paris. Antes dos vinte anos já combatia nas fileiras da resistência ao nazismo. Cineasta e jornalista, dirige há décadas a famosa revista Les Temps modernes.

(+) O Cavaleiro da Esperança – Vida de Luís Carlos Prestes, de Jorge Amado

Biografia | 384 pp. + 8 pp. de caderno de fotos | R$ 55,00 | Posfácio de Anita Leocadia Prestes | Capa: Kiko Farkas e Mateus Valadares/ Máquina Estúdio

Neste relato apaixonado da vida de Luís Carlos Prestes, Jorge Amado mescla o talento literário com a militância antifascista e a luta pela liberdade, para criar uma biografia que transita entre a tragédia e a epopeia.

Jorge Amado decidiu escrever a biografia de Prestes em 1941, como forma de pressionar pela libertação do líder revolucionário, preso desde 1936. Viajou então ao Uruguai e à Argentina, onde Prestes havia se exilado anos antes. Escrito em Buenos Aires, o livro foi publicado em 1942, em espanhol — e os primeiros exemplares eram negociados clandestinamente no Brasil. Até que a edição argentina também foi proibida e queimada por ordem do governo de Juan Domingo Perón. A primeira edição brasileira saiu em 1945. Com o golpe militar de 1964, o livro voltou a sumir das livrarias, e só reapareceu em 1979.

Movido por esse espírito engajado, Jorge Amado narra os momentos mais dramáticos da trajetória de Prestes: a épica coluna que atravessou o Brasil entre 1924-27, o exílio, a tentativa frustrada de levante contra Getúlio Vargas em 1935, a prisão na solitária, a entrega de Olga Benário — grávida de Anita Leocadia, que escreve o posfácio desta edição — ao governo nazista, a campanha internacional de Leocadia, mãe de Prestes, pela libertação do filho e de Olga, e pela guarda da filhinha do casal.

Jorge Amado (1912-2001) nasceu em Itabuna, Bahia. É um dos mais importantes escritores brasileiros do século XX. Foi deputado federal pelo PCB e membro da Academia Brasileira de Letras. Seus livros foram traduzidos para dezenas de idiomas e adaptados para cinema, teatro, televisão e histórias em quadrinhos. Entre seus romances mais conhecidos estão Capitães da Areia, Tenda dos milagres e Tieta do Agreste. [www.jorgeamado.com.br]

Equador, de Miguel Sousa Tavares
Guerra aérea e literatura, de W. G. Sebald
A mulher trêmula, de Siri Hustvedt

Oral & Sete noites, de Jorge Luis Borges

Silenciosa algazarra, de Ana Maria Machado

Penguin-Companhia:
(+) Orgulho e preconceito, de Jane Austen

Quando Elizabeth Bennet e Fitzwilliam Darcy se conhecem, ela o acha arrogante e convencido; quanto a ele, o bom partido da região, a única coisa que consegue sentir em relação à bela herdeira é indiferença. Quando esta descobre que Darcy se envolveu num triângulo amoroso com seu amigo Bingley e sua querida irmã Jane, decide odiá-lo com todas as forças.

Em Orgulho e preconceito, Jane Austen analisa as vicissitudes da vida em sociedade sob o ponto de vista de Elizabeth, cujos sentimentos oscilam entre os dois extremos do título. O romance, um dos clássicos mais lidos da língua inglesa, evoca as fofocas e coqueterias da classe média provinciana. Alheia às perturbações da Europa continental, convulsionada pelas guerras napoleônicas, a tranquilidade da vida na pequena Meryton encena um divertido painel das afinidades e repulsões que movimentam as relações sociais. Simultaneamente, a autora delineia um excepcional panorama histórico da Inglaterra rural no início do século XIX.

A volta do parafuso, de Henry James

Claro Enigma:

Primeiros-socorros, de Drauzio Varella & Caeto

Companhia de Bolso:

Idade Média, idade dos homens, de Georges Duby

Cia das Letras:

Por trás daquela foto, de vários autores

Companhia das Letrinhas:
(+) Água sim, de Eucanaã Ferraz & Andrés Sandoval

48 pp. | Preço a definir | Capa e projeto gráfico: Andrés Sandoval

Um poema sobre a água em todos os seus estados físicos, Água sim é uma espécie de iniciação à ciência e à ecologia: mostra, sem o didatismo incompatível com a liberdade do texto poético, a presença desse elemento na natureza e no ser humano.

Poesia combina com criança, é a mistura perfeita entre fantasia e brincadeira. Isso porque um poema não apenas conta uma história como propõe um jogo com as palavras, mostrando aos pequenos que a escrita pode ser manipulada, que existem associações inusitadas, sonoridades diferentes.

Ao ler um livro de poesia, a criança encontra um mundo que lhe é familiar, aquele da diversão, da imaginação e da reflexão livre, sem fins estabelecidos nem objetivos a ser alcançados. Mas encontra, também, um espaço em que o cuidado com o texto é privilegiado, em que a palavra, antes do enredo, é o mais importante.

Eucanaã Ferraz é um grande poeta, atualmente apaixonado pelos livros para crianças. Depois de Palhaço, macaco, passarinho, com a parceria de Jaguar, escreveu um poema sobre a água, com ilustrações de Andrés Sandoval.

A partir de frases extremamente simples, com pequenas mudanças a cada mudança de página, Eucanaã serpenteia com a água pelas pedras, árvores, nuvens, passando pelo gelo, pelo sol, pelo rio.

As ilustrações de Andrés partiram de um desafio gráfico — o trabalho com a monotipia, uma técnica de impressão explorada a fundo neste livro — e alcançaram uma linguagem totalmente nova e específica. Recheados de texturas que remetem à água, os desenhos acompanham o jogo de experimentação de sensações que existe no texto. Uma verdadeira viagem poética.

(+) O silêncio da água, de José Saramago & Manuel Estrada

“Voltei ao sítio, já o Sol se pusera, lancei o anzol e esperei. Não creio que exista no mundo um silêncio mais profundo que o silêncio da água. Senti-o naquela hora e nunca mais o esqueci.”

Uma passagem da infância de José Saramago, ilustrada pelo espanhol Manuel Estrada.

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Bafinhaca de volta aos trilhos, de Kaye Umansky

Quem sou eu?, de Sílvia Zatz & Simone Matias

(Clique aqui para ver os lançamentos de Julho/2011)

Julho/2011

(+) 36 argumentos para a existência de Deus, de Rebecca Goldstein

Romance | 536 pp. | R$ 59,00 | Tradução: George Schlesinger

Um romance que combina idiossincrasias intelectuais com fervor religioso, delírios místicos de grandeza com inseguranças práticas e afetivas. Goldstein apresenta o debate entre fé e razão, religião e ciência de maneira bem-humorada e inteligente.

Cass Seltzer é um professor mediano de psicologia da religião numa universidade de segunda categoria. Porém seu primeiro livro é um sucesso editorial e de vendas que lhe trouxe alguns belos dividendos: status intelectual, dinheiro, as atenções de uma famosa acadêmica, expert em teoria dos jogos, e uma proposta de emprego irrecusável em Harvard. Cass ganhou o apelido de “ateísta com alma”, pois, apesar de derrubar em seu livro um por um dos 36 argumentos a favor da existência de Deus, ele demonstrou notável conhecimento da essência da experiência religiosa e espiritual.

Rebecca Goldstein tece uma bem urdida trama de recordações, reflexões filosóficas e conceitos matemáticos apresentados com clareza, além de detalhar ricamente a vida dos personagens que circundam o protagonista.

São 36 capítulos (não por acaso) de humor sagaz e uma narrativa exuberante que proporcionam uma leitura deliciosa. E, no final do livro, somos brindados com os 36 argumentos que constituíam o apêndice original do livro de Cass Seltzer.

Rebecca Newberger Goldstein é doutora em filosofia pela Universidade de Princeton e pesquisadora da área de psicologia em Harvard. Autora de sete romances, além de coletâneas de contos e livros de não ficção, ganhou numerosos prêmios por seu trabalho como escritora. Dela, a Companhia das Letras publicou Incompletude (2008).

(+) Agenda brasileira ― Temas de uma sociedade em mudança, de Lilia Moritz Schwarcz & André Botelho (org.)

Ensaio | 312 pp. | Preço a definir | Organização e prefácio de André Botelho e Lilia Moritz Schwarcz | Capa: warrakloureiro

Nesta criteriosa seleção de artigos, elaborada para contribuir com o debate nas universidades mas especialmente para atrair o leitor não acadêmico, especialistas abordam as principais questões culturais, sociais, econômicas e políticas que estão no centro das discussões sobre o Brasil.

Dando continuidade ao projeto iniciado com Um enigma chamado Brasil (prêmio Jabuti 2010), que reuniu ensaios de importantes intérpretes do país, os organizadores Lilia Moritz Schwarcz e André Botelho, professores e pesquisadores da USP e da UFRJ, respectivamente, convidaram para esta Agenda brasileira cinquenta profissionais de diversas áreas para contribuir com o debate sobre as principais questões nacionais.

Autores de interesses tão diferentes como o ex-jogador de futebol Tostão e o economista Luiz Carlos Bresser-Pereira, o cientista político Bolivar Lamounier, o crítico de teatro J. Guinsburg, o poeta Eucanaã Ferraz, a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha e tantos outros, todos profundos conhecedores em suas áreas, integram a lista dos que aceitaram o desafio de pensar o país a partir de ângulos distintos. A questão dos índios, da periferia, do racismo, da segurança pública e do meio ambiente, entre outros temas, estão na pauta do dia e apresentam, cada um à sua maneira, diversos graus de complexidade. Os artigos foram organizados de modo a serem lidos separadamente, à escolha do leitor. Mas, ao ler o conjunto dos textos, as interpretações ganham outra dimensão, à medida que os temas se conectam e iluminam uns aos outros.

Das consequências nefastas da escravidão e do latifúndio sobre a distribuição de renda da população às mais sofisticadas realizações estéticas das artes plásticas e da literatura, este livro percorre questões relacionadas à natureza multifacetada do que se convencionou chamar de “o povo brasileiro”. Além de um núcleo especialmente dedicado às questões étnicas, os organizadores agruparam as atuais vertentes do pensamento social em grupos temáticos: sociedade brasileira, relações internacionais, cidadania, trabalho, ecologia e minorias, Estado brasileiro, cul-turas políticas e sociabilidade, incluindo subtemas como futebol e carnaval e, finalmente, movimentos culturais e cultura contemporânea.

André Botelho é professor do Departamento de Sociologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e autor de Aprendizado do Brasil (Editora Unicamp, 2002) e O Brasil e os dias — Estado-nação, modernismo e rotina intelectual (Edusc, 2005).

Lilia Moritz Schwarcz é professora titular do Departamento de Antropologia da USP. Seu livro As barbas do imperador — D. Pedro II, um monarca nos trópicos ganhou o prêmio Jabuti “Livro do ano” em 1999. Publicou também O espetáculo das raças e O sol do Brasil (prêmio Jabuti em 2009 como melhor biografia), entre outros livros.

Os autores

André Botelho

Antônio Flávio Pierucci

Antonio Sérgio Alfredo Guimarães

Bernardo Ricupero

Bolívar Lamounier

Brasilio Sallum Jr.

Celso Athayde

Celso Castro

Dalila Andrade Oliveira

Eduardo Gonçalves Andrade, Tostão

Elide Rugai Bastos

Esther Hamburger

Eucanaã Ferraz

Eugênio Bucci

Fabio Feldmann

Fernando Antonio Pinheiro Filho

Gilberto Hochman

Guita Grin Debert

Heloisa Maria Murgel Starling

Hermano Vianna

Ismail Xavier

J. Guinsburg e Rosangela Patriota

Jairo Nicolau

José Murilo de Carvalho

José Reginaldo Santos Gonçalves

José Ricardo Ramalho

Júlio Assis Simões

Lilia Moritz Schwarcz

Luciano Migliaccio

Luiz Camillo Osorio

Luiz Carlos Bresser-Pereira

Luiz Eduardo Soares

Luiz Werneck Vianna e Fernando Perlatto

Manuela Carneiro da Cunha

Marcelo Ridenti

Maria Alice Rezende de Carvalho

Maria Laura Viveiros de Castro Cavalcanti

Maria Tereza Aina Sadek

Mariza Correa

Neide Esterci

Nísia Trindade Lima

Ruben George Oliven

Rubens Ricupero

Sergio Adorno

Silvana Rubino

Silvia Figueirôa

Valdemir Zamparoni

Wander Melo Miranda

(+) A ausência que seremos, de Hector Abad

Relato biográfico | 320 pp. | R$ 46,00 | Tradução: Rubia Prates Goldoni e Sérgio Molina | Capa: Mariana Newlands

Em A ausência que seremos, Héctor Abad — um dos maiores escritores colombianos da atualidade — faz um comovente relato sobre a vida e a morte trágica de seu pai, numa prosa literária rica e complexa.

“Um espantoso mergulho no inferno da violência política colombiana, na vida e na alma da cidade de Medellín, nos ritos, insignificâncias, intimidades e grandezas de uma família, um testemunho delicado e sutil do amor filial. É uma história real, mas ao mesmo tempo uma magnífica ficção, pela maneira como está escrita e construída.” — Mario Vargas Llosa

A ausência que seremos é, antes de mais nada, a “biografia” escrita pelo filho do médico sanitarista colombiano Héctor Abad Gómez (1921-87), defensor de causas sociais e dos direitos humanos executado pelos esquadrões da morte que golpearam seu país nos anos 1980.

O título do livro provém do primeiro verso do soneto “Epitáfio”, atribuído a Jorge Luis Borges, que Héctor Abad filho encontrou no bolso do pai, pouco depois de seu assassinato: “Ya somos el olvido que seremos./ El polvo elemental que nos ignora/ y que fue el rojo Adán, y que es ahora,/ todos los hombres, y que no veremos”.

Mas este livro é muito mais que uma biografia. Seu fascínio e graça resultam da própria dificuldade de escrevê-lo, que levou seu autor a arrastar a tarefa por quase vinte anos. Uma tarefa árdua, em primeiro lugar, porque o personagem central é uma pessoa extremamente complexa. Um homem de fortes convicções, que conduziu sua batalha sanitarista com paixão missionária, mas que nunca abraçou nenhum dogmatismo, advogando acima de tudo pela liberdade de pensamento. Sua doutrina máxima era o “mesoísmo” filosófico, termo que ele cunhou para defender o meio-termo e a negociação; almejava a criação de um novo ramo da medicina, a poliatria, voltada não ao tratamento do corpo social, mas intervindo nas causas mais profundas de suas mazelas. Levado por essa crença, entregou-se de corpo e alma à luta em prol dos direitos humanos, denunciando incansavelmente as barbaridades praticadas pelos paramilitares, com a conivência das autoridades. Pacifista convicto, foi vitimado pela própria guerra suja que denunciava.

O desafio de retratar um homem irrepreensível sem resvalar no elogio exagerado é ainda mais árduo quando o retratista é nada menos que o próprio filho. Como o autor declara a certa altura, teria sido fácil para ele fazer uma Carta ao pai às avessas da kafkiana, onde em vez de medo haveria confiança; em vez de poder despótico, o diálogo tolerante. Consciente do risco do louvor excessivo, soube evitá-lo com maestria recriando a realidade em diversos planos, sob diversos olhares. Seu ponto de vista pessoal — como criança encantada pelo pai-herói, adolescente em conflito com o pai-coruja e adulto perplexo aos pés do pai-mártir — completa-se em contraponto com o do próprio protagonista, em trechos dos escritos que legou, somado ao de amigos, colegas e conhecidos, da viúva e das filhas, que emprestam sua voz para oferecer cada qual um ângulo particular. Nesse caleidoscópio coral cabem até os escritos de inimigos e desafetos, como os burocratas acadêmicos que o perseguiram na Universidade de Antioquia e o líder dos paramilitares que articulou sua execução.

Seu texto denso, carregado de dor e violência, traz também poesia e lances de fino humor, comprovando o refinamento da escrita de Héctor Abad.

Jornalista, escritor, editor e tradutor, Héctor Abad nasceu em 1958, em Medellín (Colômbia). Nessa cidade cursou filosofia, medicina e jornalismo, mas formou-se em letras, pela Universidade de Turim. Publicou os romances Asuntos de un hidalgo disoluto (1994), Fragmentos de amor furtivo (1998), Basura (2000, prêmio Casa de América de Narrativa Inovadora, Espanha) e Angosta (2004, Prêmio Nacional de Melhor Romance Estrangeiro, China), além de Tratado de culinaria para mujeres tristes (1996), de gênero inclassificável, e dos livros de ensaios breves Palabras sueltas (2002) e Las formas de la pereza (2007).

Causas nada naturais, de P. D. James
(+) Comédia em tom menor, de Hans Keilson

Romance | 120 pp. | Preço a definir | Tradução: Luiz A. de Araújo | Capa: João Baptista da Costa Aguiar

Comédia em tom menor presta uma comovente homenagem à coragem das pessoas que arriscaram suas vidas para proteger judeus da perseguição nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

A história é universalmente conhecida. Durante a ocupação dos Países Baixos, uma menina judia chamada Anne Frank foi obrigada a esconder-se com sua família num porão. Entre julho de 1942 e a captura por membros da SS, em agosto de 1944, ela relatou seus medos e esperanças num diário que se tornaria um dos maiores best-sellers do século XX. Entretanto, o trágico final de Frank, morta em Bergen-Belsen, não se repetiu para milhares de judeus salvos do extermínio por pessoas que os abrigaram ao longo da guerra. Este livro, publicado em 1947, reconstitui a coragem e o sacrifício demonstrado por esses heróis quase anônimos.

Hans Keilson, hoje com 102 anos, fornece um testemunho ficcional de suas próprias experiências. Médico judeu de origem alemã, o autor emigrou para a Holanda em 1936, após o recrudescimento do antissemitismo, e a partir de 1941 passou a viver na clandestinidade. Abrigado por um casal em Delft, participou ativamen-te da resistência, e após a guerra daria continuidade a uma bem-sucedida carreira de escritor e psiquiatra. Os lances divertidos do livro, cuja trama é deflagrada por um acontecimento imprevisto, matizam o horror do Holocausto com calculadas doses de comicidade, demonstrando que não há assunto trágico que a literatura não seja capaz de tratar com humor e leveza, revelando toda a ironia da condição humana.

Hans Keilson (1909) é romancista, poeta e psiquiatra. De sua obra de ficção destaca-se ainda Der Tod des Widersachers [A morte do adversário].

Os fatos são subversivos, de Timothy Garton Ash

A flecha de Deus, de Chinua Achebe

Sonetos luxuriosos, de Pietro Aretino (coleção Má Companhia)

Microcosmos, de Claudio Magris

Monsieur Pain, de Roberto Bolaño

A rosa de Sarajevo, de Margaret Mazzantini

O silêncio do túmulo, de Arnaldur Indridason

A máscara da África, de V.S. Naipaul

Penguin-Companhia:
(+) Memórias do sobrinho de meu tio, de Joaquim Manuel de Macedo

Romance | 388 pp. | R$ 27,00 | Capa: Raul Loureiro/ Claudia Warrak

Uma história de corrupção, troca de favores e politicagem ganha contornos folhetinescos nas mãos de Joaquim Manuel de Macedo. Nesta deliciosa crônica ambientada no Brasil imperial, um herdeiro esperto e sua ambiciosa esposa fazem o que for preciso por dinheiro e poder. Introdução de Flora Süssekind.

“O diabo é que em política no século XIX quem fecha uma porta abre outra, e quando não quer abrir, às vezes o povo arromba”, observa o debochado e autocomplacente narrador de Memórias do sobrinho de meu tio, romance de Joaquim Manuel de Macedo escrito entre os anos 1867 e 1868. Fraude eleitoral, jornalistas a mando de poderosos e alianças espúrias são alguns dos temas da prosa ligeira dessa sátira política.

O sr. F., narrador destas memórias, herda uma pequena fortuna, logo acrescida pelos outros tantos contos de réis de sua prima Chiquinha, com quem se casa. Juntos, os dois empreendem uma busca voraz por mais dinheiro e poder, este último representado pela eleição de F. a presidente de província (hoje o equivalente a governador). No meio do caminho, conchavos, amizades interesseiras e lances rocambolescos que parecem exemplificar a interpretação do crítico Antonio Candido sobre a obra de Macedo, que apresentaria duas tendências: o realismo e o tom folhetinesco.

Egoísta, anárquico e paradoxalmente um moralista, o protagonista parece antecipar as vestes do conto “Teoria do medalhão”, de Machado de Assis, em que a busca de poder e prestígio no Brasil parece estar acima de tudo, inclusive e principalmente da honestidade.

Joaquim Manuel de Macedo (1820-82) formou-se em medicina e estreou na literatura com o romance A Moreninha. É autor de O moço loiro, A luneta mágica e várias peças teatrais, sátiras políticas e crônicas sobre o Rio de Janeiro.

Companhia de Bolso:

O rei do mundo, de David Remnick (coleção Jornalismo Literário de bolso)

A lentidão, de Milan Kundera

Cia das Letras:

O anexo, de Sharon Dogar

Companhia das Letrinhas:

Macbeth, de Andrew Matthews & Tony Ross (Coleção Histórias de Shakespeare)

Histórias e versos com as épocas do ano, vários autores

Agosto/2011

Alvo noturno, de Ricardo Piglia

Ao anoitecer, de Michael Cunningham

Ao ponto, de Anthony Bourdain

Burocracia e sociedade no Brasil colonial, de Stuart Schwartz

O cheiro do ralo, de Lourenço Mutarelli

E se Obama fosse africano?, de Mia Couto

(+) Escuta só, de Alex Ross
A forma difícil, de Rodrigo Naves

Forma e exegese & Ariana, a mulher, de Vinicius de Moraes

O homem frondoso e outras histórias da África, de Claude Blum & Grégoire Vallancien

O metro nenhum, de Francisco Alvim

(+) Não há nada lá, de Joca Reiners Terron (coleção Má Companhia)

Terramarear, de Ruy Castro

Os últimos soldados da Guerra Fria, de Fernando Morais

Coleção Prêmio Nobel – 25 anos da Companhia das Letras:

40 novelas, de Luigi Pirandello

Henderson, o rei da chuva, de Saul Bellow

A morte de Matusalém, de Isaac Bachevis Singer

Neve, de Orhan Pamuk

Penguin-Companhia:

Amores / Arte de amar, de Ovídio

A importância de ser prudente, de Oscar Wilde

Lembranças de 1848, de Alexis de Tocqueville

(+) A letra escarlate, de Nathaniel Hawthorme

Figura-chave da literatura norte-americana no século XIX, Hawthorne publicou sua obra-prima em 1850. A história de pecado e arrependimento de uma jovem adúltera infuenciou autores como D. H. Lawrence e Henry James.

Nova tradução de Christian Schwartz. Introdução de Nina Baym. Notas de Tomas E. Connolly.

Companhia de Bolso:

A crônica dos Wapshot, de John Cheever

Visões da liberdade, de Sidney Chalhoub

Claro-Enigma:

De olho em Lampião, de Isabel Lustosa

Cia das Letras:

Contos e lendas da Amazônia, de Reginaldo Prandi & Pedro Rafael

Histórias de mistério, de Lygia Fagundes Telles

A lua no cinema e outros poemas, de Eucanaã Ferraz & Fábio Zimbres

Companhia das Letrinhas:

Branca de neve, de Fabrice Tourrier

Cachinhos dourados, de Annelore Parot

O cobertor de Jane, de Arthur Miller & Elisabeth Teixeira

Como vou?, de Mariana Zanetti, Renata Bueno & Fernando Almeida

Jake Cake e a merendeira robô, de Michael Broad

Meu filho pato e mais contos sobre aquilo de que ninguém quer falar, de Ilan Brenman & Rafael Anton

Setembro/2011

Antônio Vieira, de Ronaldo Vainfas (coleção Perfis Brasileiros)

Os ásperos tempos (subterrâneos vol. 1), de Jorge Amado

Denúncias, de Ian Rankin

Dormindo com o inimigo, de Hal W. Vaughan

Em casa, de Bill Bryson

A especulação imobiliária, de Italo Calvino

Fotobiografia de Fernando Pessoa, de Richard Zenith & Joaquim Vieira

Herzog, de Saul Bellow

A ideia de justiça, de Amartya Sen

O livro do desassossego, de Fernando Pessoa (Nova edição)

Os livros perdidos da Odisseia, de Zachary Mason

Meus prêmios, de Thomas Bernhard

Nêmesis, de Philip Roth

Nômade, de Ayaan Hirsi Ali

Omeros, de Derek Walcott

Poemas, de Wislawa Szymborska

Zuckerman acorrentado, de Philip Roth (coleção Listrada)

Penguin-Companhia:

Essencial Padre Vieira, organização de Alfredo Bosi

O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald

Odisseia, de Homero

Quadrinhos na Cia:

Clara dos anjos, de Marcelo Lélis & Wander Antunes de Souza

Companhia de Bolso:

Cultura e imperialismo, de Edward Said

Jakob, o mentiroso, de Jurek Becker

Claro-Enigma:

Biodiversidade em questão, de Henrique Lins de Barros

Cia das Letras:

A arqueologia passo a passo, de Raphaël de Filippo & Roland Garrigue

Contos e lendas: jogos olímpicos, de Gilles Massardier & Nicolas Thers

Inventores e suas ideias brilhantes, de Mike Goldsmith & Clive Goddard (coleção Mortos de Fama)

Noah foge de casa, de John Boyne

Companhia das Letrinhas:

Cinco contos de cinco continentes, de vários autores

Diálogos fabulosíssimos, de Gilles Edouard

Na casa do Leo: bichos arrepiantes, de Philip Ardagh & Mike Gordon

Pequenos contos para sentir medo, de Christine Palluy

Quero um bicho de estimação, de Lauren Child

Outubro/2011

Agonia da noite (subterrâneos vol. 2), de Jorge Amado

Budapeste, de Chico Buarque (Nova edição, econômica)

Chatô: o rei do Brasil, de Fernando Morais (Nova edição, econômica)

Da arte das armadilhas, de Ana Martins Marques

E o cérebro criou o Homem, de Antonio Damasio

As esganadas, de Jô Soares

Formação do Brasil contemporâneo, de Caio Prado Jr.

Fotografia e império, de Natalia Brizuela (coedição IMS)

O monte do Mau Conselho, de Amos Oz

Passaporte para a China, de Lygia Fagundes Telles

Rock & Roll e outras seis peças, de Tom Stoppard (coleção Listrada)

O seu genoma por mil dólares, de Kevin Davies

Travessias difíceis, de Simon Schama

O último da tribo, de Monte Reel

Coleção Prêmio Nobel – 25 anos da Companhia das Letras:

Amor, de novo, de Doris Lessing

O ano da morte de Ricardo Reis, de José Saramago

A curva do rio, de V. S. Naipaul

A noite das mil e uma noites, de Naguib Mahfouz

Penguin-Companhia:

Ilusões perdidas, de Honoré de Balzac

O jornal e o livro, de Machado de Assis

O manifesto do partido comunista, de Karl Marx

Quadrinhos na Cia:
(+) Asterios Polyp, de David Mazzucchelli (Quadrinhos na Cia.)

Asterios Polyp é um esteta mulherengo cuja vida vira de ponta cabeça quando seu apartamento em Nova York é destruído por um incêndio. Ele resolve se mudar para um pequeno vilarejo da América profunda. Mas o que ele pretende com essa fuga? À medida que a história se desenrola, o leitor começa a conhecer melhor esse intrigante personagem.

Asterios Polyp vem sendo saudado como a obra-prima de Mazzucchelli. Nas palavras da New York Times Book Review, “o livro é simultaneamente uma comédia satírica sobre casar-se novamente, um tratado de estética, design e ontologia, um romance de formação tardio e um romance de ideias”.

Avenida Paulista, de Luiz Gê

Quando meu pai encontrou o ET fazia um dia quente, de Lourenço Mutarelli

O segredo do licorne & O tesouro de Rackham, o terrível, de Hergé

Companhia de Bolso:

Tio Tungstênio, de Oliver Sacks

Claro-Enigma:

Química em questão, de Alfredo Luis Mateus

Saúde em questão, de Francisco I.P.M. Bastos

Cia das Letras:

Histórias arrepiantes de crianças prodígio, de Linda Quilt

Sombras no asfalto, de Luís Dill & Sabine Dowek

Companhia das Letrinhas:

O anel mágico da tia Tarsila, de Tarsila do Amaral

Fotografando Verger, de Angela Lühning & Maria Eugênia

A Índia, de Laurence Quentin & Catherine Reisser

Lulu – Um livro sobre ser pequenininho, de Camilla Reid & Ailie Busby

Olavo Holofote, de Leigh Hodgkinson

(+) Qual é o seu Norte?, de Silvana Salerno & Cárcamo (Companhia das Letrinhas)

Com diversas imagens e informações sobre a região Norte do Brasil, este livro traz mitos, lendas e o relato da vida de duas personalidades marcantes para a região: o marechal Rondon e o ambientalista Chico Mendes.

Novembro/2011

14 contos, de Kenzaburo Oe (coleção Listrada)

Assim falou Zaratustra, de F. Nietzsche

Como mudar o mundo, de Eric Hobsbawm

O espetáculo mais triste da Terra, de Mauro Ventura

A gênese da sociedade do espetáculo, de Christophe Charle

A luz no túnel (subterrâneos vol 3), de Jorge Amado

Mercado sombrio, de Misha Glenny

Mr. Peanut, de Adam Ross

Negros estrangeiros, de Manuela Carneiro da Cunha

Preto no branco, de Thomas Skidmore

Provas, de Antonio Cicero

Reparação, de Ian McEwan (Nova edição, econômica)

(+) Steve Jobs: uma biografia, de Walter Isaacson

Steve Jobs é a única biografia autorizada do co-fundador da Apple, escrita por Walter Isaacson após três anos de entrevistas exclusivas e inéditas com Steve Jobs.

Isaacson, autor do best-seller Einstein — sua vida, seu universo, começou a trabalhar no livro em 2009 e, além de Jobs e membros de sua família, fez entrevistas extensas com funcionários da Apple e seus concorrentes.

Walter Isaacson começou sua carreira como jornalista no The Sunday Times. Foi para a revista TIME em 1978, tornando-se seu editor em 1996. Depois virou presidente da CNN, em 2001, e diretor-geral do Aspen Institute, em 2003.

Vento sul, de Vilma Arêas

O vermelho e o negro: uma história do Flamengo, de Ruy Castro

Penguin-Companhia:

Madame Bovary, de Gustave Flaubert

O mal-estar na civilização, de Sigmund Freud

Senhora, de José de Alencar

Quadrinhos na Cia:

Coletânea de tiras de Angeli

Claro-Enigma:

De olho em Zumbi, de Flávio Gomes

Cia das Letras:

O canto das musas, de Péricles Cavalcanti & outros autores

Reckless, de Cornelia Funke

A vida de Joana d’Arc, de Erico Verissimo & Rafael Anton

Companhia das Letrinhas:

Chakchuca desaparece, de Galia Oz & Sandra Javera

A cozinha da dona Nininha, de Lená Loureiro

O peixe e a passarinha, de Blandina Franco & José Carlos Lollo

O segredo do rio, de Miguel Sousa Tavares

Dezembro/2011

O anjo pornográfico, de Ruy Castro (Nova edição, econômica)
(+) O imperador de todos os males, de Siddhartha Mukherjee
Nove ensaios dantescos & A memória de Shakespare, de Jorge Luis Borges

O romancista ingênuo e o sentimental, de Orhan Pamuk

Companhia de Bolso:

Fim da terra, de Marcelo Gleiser

A vida está em outro lugar, de Milan Kundera

Cia das Letras:

Les eveilleurs, de Pauline Alphen

O livro selvagem, de Juan Villoro

Companhia das Letrinhas:

Bocejo, de Ilan Brenman

Divinas travessuras, de Heloisa Prieto & Maria Eugênia

The latke who couldn’t stop screaming, de Lemony Snicket

2012:

Chamadas telefônicas, de Roberto Bolaño

Coletânea não-ficção de David Foster Wallace

(+) Contra o dia, de Thomas Pynchon
Os destituídos de Lodz, de Steve Sem-Sandberg

The education of a British protected child, de Chinua Achebe

Os enamoramentos, de Javier Marías

As entrevistas da Paris Review – vol. 2

Focus, de Arthur Miller

The great house, de Nicole Krauss

O homem é um grande faisão, de Herta Müller

Humboldt’s gift, de Saul Bellow

Livro, de José Luis Peixoto

Mahatma Gandhi, de Joseph Lelyveld

Malcolm X, de Marable Manning

The marriage plot, de Jeffrey Eugenides

Moonlight mile, de Dennis Lehane

Sunset park, de Paul Auster

The thousand autumns of Jacob de Zoet, de David Mitchell

Uma arte: as cartas de Elizabeth Bishop, de Elizabeth Bishop

Varieties of disturbance, de Lydia Davis

O xá dos xás, de Ryszard Kapuscinski (coleção Jornalismo Literário)

Penguin-Companhia:

Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust

Ulysses, de James Joyce

Quadrinhos na Cia:

Campo em branco, de Emilio Fraia & DW

Diomedes, de Lourenço Mutarelli

Forget sorrow, de Belle Yang

(+) Três amigos completos, de Laerte, Glauco e Angeli (Quadrinhos na Cia)

Blog dos Quadrinhos: A volta de Los Três Amigos

Wilson, de Daniel Clowes

Sem data:

Coletânea de poesia de Elizabeth Bishop (coleção Listrada)

Coletânea de prosa de Elizabeth Bishop (coleção Listrada)

Manual do Minotauro, de Laerte Coutinho (Quadrinhos na Cia.)

(+) Mensur, de Rafael Coutinho (Quadrinhos na Cia.)

Leia mais sobre a HQ no blog do autor.

Livro de memórias de Fernando Gabeira

Dois irmãos, adaptação da obra de Milton Hatoum por Gabriel Bá e Fábio Moon (Quadrinhos na Cia.)

Sopa de salsicha, de Eduardo Medeiros (Quadrinhos na Cia.)

Transubstanciação, de Lourenço Mutarelli (Quadrinhos na Cia.)

Biografia em 3 volumes de Getúlio Vargas, de Lira Neto

Alabardas, Alabardas! Espingardas, Espingardas!, de José Saramago

Claraboia, de José Saramago

Endpoint, de John Updike

Infinite Jest, de David Foster Wallace

The pale king, de David Foster Wallace

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