O ambivalente

Por Paulo Scott*


O sujeito que solicita que o seu nome não seja revelado é um escritor brasileiro de ficção de pouco mais de trinta anos que mora em São Paulo e consegue tempo e tranquilidade emocional para escrever seus livros sem que absolutamente nada o aborreça — ao menos durante a maioria dos meses do ano, isso já há seis anos —, graças ao trabalho de redator que sempre consegue em campanhas eleitorais. Pouco lhe interessa o partido, a coalizão partidária; sua verdadeira preocupação, praticamente a única preocupação (aguçada pelo velho e bom instinto de sobrevivência), quando chega o momento de se preocupar, é descobrir que político vai lhe pagar mais do que os outros políticos pagariam para fazer a sua magia de sempre, a magia de escrever para conseguir os resultados que esperam que os seus textos e ideias consigam produzir.

Neste ano de dois mil e catorze, o sujeito que solicita que o seu nome não seja revelado, no dia seguinte ao fim da Copa do Mundo, trabalhará para uma coalizão de partidos num dos estados mais pobres do nordeste do Brasil e não se ocupará apenas da eleição para governador, participará também de reuniões que definirão as estratégias para a participação da coalizão partidária na eleição presidencial. Este é um ano de Copa, mas também de eleição; e se, de certa forma, a Copa no Brasil só aconteceu porque antes dela houve uma eleição vencida por todos os que, juntando ambições políticas e esforços, trouxeram a Copa para o Brasil, então, de certa forma, é verdade que eleição no Brasil é mais importante do que Copa no Brasil.

O sujeito que solicita que o seu nome não seja revelado é bom de estratégias e é bom de pesquisa também, encontra o que ninguém encontra, afinal é bom leitor, do tipo de leitor que prevalece sem esforço entre os cabos eleitorais que, de tão rotineiros, estão acostumados à correria desenfreada da vitória, só à correria desenfreada da vitória, e domina como poucos a arte do recuo e do avanço na argumentação, a arte dos slogans, discursos, perguntas, respostas, mentiras que desmoralizem os adversários políticos da campanha política para a qual trabalha, é, sem dúvida, um sujeito criativo, afinal é um escritor, e escritores têm seus direitos, suas licenças poética, suas prerrogativas, sobretudo, quando se trata de estragar a festa dos outros.

Ele sabe que hoje os partidos brasileiros já não existem para representar, mas para se conservar no poder: a manutenção do poder pela manutenção do poder. Tudo fica mais prático e objetivo quando se entende que um projeto político pode ser apenas a manutenção do poder, fica mais fácil de encontrar a retórica adequada e fazer dela, enquanto se cria os textos de campanha eleitoral, um agradável parque de diversões. Esse é seu pequeno segredo, e ele não pretende revelá-lo a ninguém.

Alguém já lhe disse: nunca vi um redator de campanha com tanta vocação para destruir. No final das contas, tanto faz se você planta boatos absurdos em inocentes caixas de comentários, usando todos os recursos para que o seu endereço IP jamais seja descoberto, e esses boatos se espalhem como um vírus pela internet e pela imprensa e causem todos os estragos imagináveis na reputação das suas vítimas antes de serem apontados como falsos, ou se você consegue, numa velocidade impressionante, um contra-argumento que reduza o argumento inimigo a pó, que lapide uma versão ainda mais escandalosa envolvendo a vida secreta escandalosa de um parente próximo do inimigo eleitoral, tanto faz e tanto fez se você não conseguir emplacar no seu próprio olhar aquele seu velho olhar de destruição.

O sujeito que solicita que o seu nome não seja revelado é um brasileiro que não gosta muito de futebol, pelo menos não a ponto de bater no peito e gritar que o futebol é sua pátria, sua religião, sua alma, é do tipo de brasileiro — da parcela mínima de brasileiros que nos anos da adolescência descobriu que dedicar tempo demais da sua vida ao futebol, torcendo pelo futebol, mesmo sabendo que futebol sempre foi assunto de cartolas, pode estragar a sua vida. Ainda assim, não conseguiu conter-se de alegria quando ficou sabendo que a Copa do Mundo de dois mil e catorze seria no Brasil; até ficou feliz pela eleição dos que conseguiram trazer a copa do mundo para o Brasil.

O sujeito que solicita que o seu nome não seja revelado é um cínico, por isso, ao menos do seu ponto de vista, jamais será um ingênuo, um bobo alegre, como a maioria dos brasileiros costumam ser, ao menos os brasileiros do lugar de onde ele diz que veio, embora até hoje não tenha deixado claro de onde exatamente veio; sendo um cínico e um bom leitor, portanto um cético, ele sabia que as manifestações contra a Copa não resistiriam ao som do apito dando início à partida entre Brasil e Croácia. Nada como a democracia, o jogo da democracia, o tudo pode da democracia. (Democracia traz trabalho para escritores, e você é um escritor.) Ele gosta de assistir à seleção jogando as suas partidas da Copa e ele sabe que o seu trabalho vai depender do que vai acontecer com a seleção, porque atacar ou defender gastos exorbitantes não será algo efetivo se desconsiderar o desempenho da seleção.

Na verdade tanto faz o que vai acontecer com a seleção, o sujeito que solicita que o seu nome não seja revelado terá de escrever o que tiver de escrever, convencer quem tiver de convencer. Por isso, prefere pensar que a Copa é uma trégua, uma sequência de prestidigitações impedindo que ele entenda o que de fato está acontecendo, outro tipo de farra, um tipo diferente da farra para a qual trabalhará e que é uma farra à base de releituras, algumas mediúnicas até. Tudo que se ensaiou para acontecer, mas não aconteceu será a matéria-prima do seu trabalho, da sua magia.

O sujeito que solicita que o seu nome não seja revelado não vê problema em ser uma pessoa sozinha, uma pessoa sozinha observa melhor. Para observar o que talvez fosse mais que uma manifestação de protesto que não receberia atenção da imprensa, saiu do seu apartamento no centro de São Paulo, caminhou alguma quadras e foi até a Praça Roosevelt, lugar de resistência cultural onde ficam alguns teatros e onde estava acontecendo uma reunião pública com algumas centenas de pessoas para discutir os abusos cometidos pelas polícias civil e militar de São Paulo durante os protestos recentes contra a realização da Copa do Mundo, inclusive para tratar da prisão de um professor e um estudante, acusados de serem Black Blocs, detidos durante manifestação dias atrás.

O sujeito que solicita que o seu nome não seja revelado percebeu que o ambiente estava tenso, havia tropas especiais da polícia militar cercando os que estavam na reunião, intimidando a todos os que circulavam na área da praça, pensou em dar meia-volta e retornar, mas decidiu avançar, encontrou um lugar menos exposto e observou a reunião e os seus desdobramentos. Acompanhou quando dois advogados que estavam ali prestando assessoria aos manifestantes foram imobilizados e levados presos. Da última vez ele foi ao um protesto que lembrou todos os operários mortos nas obras dos estádios para a Copa do Mundo. Ele sabe que todos os protestos contra a Copa do Mundo durante a ocorrência da Copa do Mundo serão capitalizados pelos políticos de situação e pelos de oposição, por isso esperará pelo fim da Copa. Ele ainda só não sabe que o Brasil não será o campeão.

Para o sujeito que solicita que o seu nome não seja revelado o ano de dois mil e catorze só começa no dia seguinte à Copa do Mundo, então, junto aos problemas de sempre, problemas que ganham outra importância durante as campanhas eleitorais, ele vai ter que decidir rápido o que fazer com a Copa do Mundo e com todas as surpresas que aparecerão depois da Copa do Mundo. A vantagem está em saber antecipar, conseguir ler nas entrelinhas das tréguas. Ele sabe que para muitos dos que lucraram com a Copa do Mundo o ano acaba no dia seguinte ao fim da Copa do Mundo, mas não é o caso dele. Para o sujeito que solicita que o seu nome não seja revelado, o ano só acaba depois das eleições, quando então ele embolsará a pequena fortuna que lhe prometeram, tirará umas férias e voltará a escrever seus livros com a tranquilidade que a democracia lhe traz. Afinal ele sabe muito, só ainda não sabe que o Brasil não será o campeão.

*Trecho selecionado (e readaptado) de um texto que escrevi sobre o Brasil a pedido da Revista Granta Online em julho deste ano.

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Paulo Scott nasceu em Porto Alegre, em 1966, e mora no Rio de Janeiro. É autor dos romances Voláteis (Objetiva) e Habitante irreal (Alfaguara), do volume de contos Ainda orangotangos (Bertrand Brasil) e do livro de poemas A timidez do monstro(Objetiva). Seu romance da coleção Amores Expressos, Ithaca Road, foi lançado em 2013. Ele contribui para o blog com uma coluna mensal.

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Quem fala

Por Luiz Schwarcz


Quando Chico Buarque escrevia Budapeste, seu empresário e amigo Vinícius França foi acometido de enorme curiosidade. Vinícius é dos leitores mais compulsivos que conheço, e estava louco para saber mais detalhes do livro em gestação.

Em apenas dois momentos tive acesso, antecipadamente, a trechos dos romances de Chico. Assim que ele começou a escrever Estorvo, pude ler o primeiro capítulo. E agora, poucos meses atrás, por ocasião de uma dúvida que o acometia, Chico resolveu compartilhar trechos do novo livro comigo e com seu atual editor, Otávio Marques da Costa. Normalmente, eu e Maria Emília Bender — a editora de todos os outros livros do Chico — recebíamos o trabalho pronto, em formato final.

Naquela ocasião a ansiedade de Vinícius era grande, a ponto dele não acreditar quando eu confessava minha total ignorância sobre o teor do livro em questão.

“Luiz, o livro é em primeira pessoa? Só me conta isso, é em primeira ou terceira pessoa?”

Depois de repetir inúmeras vezes que não sabia a resposta, resolvi passar um trote em Vinícius:

“Está bem, já que você insiste, vou te contar. Achei que você soubesse que depois deste livro a carreira do Chico nos palcos vai estar encerrada! O livro é em primeira pessoa, sim, e o narrador é um músico. Trata-se de um roman à clef, no qual ele entrega todos os podres do mercado de shows e discos.”

Falei a sério e deixei o silêncio do outro lado da linha durar um certo tempo. Em seguida, tentei avisar o Chico sobre o trote que passara no Vinícius, para que ele sustentasse a brincadeira.

Liguei para sua casa e, como não o achei, acabei deixando recado na caixa postal. Chico havia ido ao dentista. Ao chegar em casa, encontrou o produtor de seus discos e shows sentado, à sua espera. Vinícius logo perguntou:

“Que negócio é esse de roman à clef sobre o mercado musical? Você está querendo dar uma de Paulo Francis, mandar tudo para os ares, qual é?”

Sem ter tido tempo de ouvir meu recado, Chico fez cara de desentendido e o trote durou pouco.

Lembrei-me dessa história porque andei pensando na diferença entre escrever em primeira e terceira pessoas. (Desculpem-me mais uma vez, críticos literários e escritores profissionais, pelas ralas reflexões que acompanham estas crônicas.)

Ao ler um romance, um conto ou um poema, a primeiríssima questão que nos ocorre é: “quem fala?”.

No meu caso, ao cometer no passado alguns contos, usei com muito maior assiduidade a primeira pessoa. Além desse tratamento ser bastante comum no gênero dos contos, para mim sempre foi mais fácil narrar diretamente na voz do personagem. A aparente dificuldade de se criar uma entonação original, com tique e dicção próprias, no meu caso era suplantada por uma grande comodidade: na primeira pessoa eu livrava-me com maior facilidade dos diálogos — sem dúvida alguma, a tarefa mais difícil para um escritor.

Isso porque, quando se narra a partir do pensamento do personagem, uma parte do diálogo já vem implícita. A outra pode ser expressa como entendimento ou como imaginação do próprio narrador. Se tudo é filtrado pela voz de um personagem dá-se um jeito de evitar que os vários protagonistas se expressem como na vida real. Como num passe de mágica, nos livramos dos travessões e das aspas, e não precisamos falar como fazem as pessoas normais. A voz do narrador, ou seus pensamentos, dão conta de tudo.

Na terceira pessoa, a necessidade dos diálogos é mais premente. Temos um artifício a menos para escapar do desafio de se expressar literalmente como um terceiro. O narrador se distancia, vai e volta, e na maior parte dos casos abre aspas para falar como seus personagens.

Podemos argumentar, só para complicar um pouco mais, que toda narração é uma forma de diálogo, e que a literatura nada mais é do que a invenção de diferentes formas de se expressar. O bom diálogo (ou a boa literatura) vence quando causa surpresa, quando, com verossimilhança, escapa da forma convencional de expressão humana.

Nesse sentido, se na primeira pessoa temos que criar uma voz própria, original e predominante, já na terceira nos abrigamos numa alteridade, numa voz chamada de “terceira”, que não é a de quem fala, nem a de quem lê. Dela saímos de vez em quando para abrigar novas vozes. É nessa hora que entram as aspas ou os travessões.

Mas como em literatura tudo é ambíguo, ao escrever utilizando quase sempre a voz de um narrador inventado, no meu caso, particularmente, eu buscava evitar a obrigação de falar exatamente como mais de um terceiro. Outros escritores mais talentosos não precisam de artifícios como este. Muitos utilizam a primeira pessoa e ainda assim criam diálogos fidedignos, abrindo o seu texto para muitas vozes.

Há também o fato curioso de que a terceira pessoa muitas vezes é nada mais do que uma narração em primeira pessoa, disfarçada. Nem sempre é fácil notar como um narrador, aparentemente isento, apresenta durante o livro, sem confessar, muito mais o ponto de vista de um dos personagens do que de outros.

A técnica e arte dos grandes escritores não se expressa de uma forma só. Na primeira, na terceira, ou mesmo na segunda pessoa (escrevendo diretamente em diálogo com o leitor, ou com um personagem), cada livro tem sua história e sua própria voz. Os truques de cada escolha narrativa são as cartas na manga que os escritores guardam e não desejam mostrar.

Para os leitores, a graça está em adivinhar qual seria essa carta, enquanto o escritor, por seu lado, já terá escondido a próxima.

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Luiz Schwarcz é editor da Companhia das Letras e autor de Linguagem de sinais, entre outros. Ele contribui para o Blog da Companhia com uma coluna mensal chamada Imprima-se, sobre suas experiências como editor.

Entendendo a América para o Negro Não Americano: O que os WASPS querem?

Por Ifemelu (Tradução de Julia Romeu)


Raceteenth ou Observações Diversas sobre Negros Americanos (Antigamente Conhecidos como Crioulos) Feitas por uma Negra Não Americana

1. Entendendo a América para o Negro Não Americano: O que os WASPS querem?

O Professor Gato recebeu uma visita de outro professor, um judeu com um sotaque forte do tipo de país europeu onde a maioria das pessoas bebe um copo de antissemitismo no café. O Professor Gato estava falando sobre direitos civis e o judeu disse: “Os negros não sofreram como os judeus”. O Professor Gato respondeu: “O que é isso, a olimpíada da opressão?”.

O judeu não sabia, mas “olimpíada da opressão” é o que os liberais americanos inteligentes dizem para fazer você se sentir burro e calar a boca. Existe mesmo uma olimpíada da opressão acontecendo. As minorias raciais americanas — negros, hispânicos, asiáticos e judeus — todas sofrem merda na mão dos brancos, merdas diferentes, mas merda mesmo assim. Cada uma secretamente acredita que sua merda é a pior. Então, não, não existe uma Liga Unida dos Oprimidos. No entanto, todos os outros acham que são melhores do que os negros porque, bem, eles não são negros. Um exemplo é Lili, uma mulher de pele café, cabelos negros e língua espanhola que limpava a casa da minha tia numa cidade da Nova Inglaterra. Ela era muito altiva. Era desrespeitosa, trabalhava mal, fazia exigências. Minha tia acreditava que Lili não gostava de trabalhar para negros. Antes de finalmente demiti-la, minha tia disse: “Que mulher idiota, ela pensa que é branca”. Ou seja, a brancura é algo a que se aspira. Nem todo mundo é assim, claro (por favor, não precisam afirmar o óbvio nos comentários), mas muitas minorias têm um anseio conflituoso pela brancura dos wasps ou, para ser mais exata, pelos privilégios da brancura dos wasps. Eles não devem gostar de pele branca, mas certamente gostam de entrar numa loja sem que um segurança os acompanhe. Fazer uma omelete sem quebrar os góis, como disse o grande Philip Roth. Então, se todos nos Estados Unidos querem ser wasps, o que os wasps querem? Alguém sabe?

2. Por que as mulheres negras de pele escura — tanto americanas quanto não americanas — amam Barack Obama

Muitos negros americanos se orgulham de dizer que têm antepassados índios. O que significa Graças a Deus, Não Somos Totalmente Negros. O que significa que não têm a pele muito escura. (Só para esclarecer, quando os brancos falam em pele escura eles querem dizer gregos ou italianos, mas quando os negros falam isso eles estão se referindo a Grace Jones.) Os homens negros americanos gostam que suas mulheres tenham uma parcela de exotismo, que sejam meio chinesas ou tenham um ancestral cheroqui. Gostam que as mulheres tenham a pele clara. Mas tome cuidado com o que os negros americanos consideram “pele clara”. Algumas dessas pessoas de “pele clara”, nos países dos negros não americanos, seriam simplesmente chamadas de brancas. (Ah, e os negros americanos de pele escura se ressentem dos negros de pele clara, pois acham que é fácil demais para eles atrair as mulheres.)

Mas, meus colegas negros não americanos, não fiquem se achando. Porque essa merda também acontece nos nossos países caribenhos e africanos. Não é tão ruim quanto com os negros americanos, você acha mesmo? Talvez. Mas ainda assim acontece. Aliás, que história é essa de os etíopes acharem que não são tão negros? E por que os caribenhos se apressam tanto em dizer que têm ancestrais de várias raças? Enfim, chega de divagações. O fato é que a pele clara é valorizada na comunidade dos negros americanos. Mas todo mundo finge que não é mais assim. Eles dizem que o dia do teste do saco de papel já passou (façam uma pesquisa sobre isso) e que devemos seguir em frente. Mas, hoje, os negros americanos que são figuras públicas e fazem entretenimento de sucesso têm, em sua maioria, a pele clara. Principalmente as mulheres. Muitos homens negros americanos têm esposa branca. Os que se dignam a ter esposa negra se casam com negras de pele clara (também conhecidas como amarelo-escuras). E é por isso que as mulheres de pele escura amam Barack Obama. Ele quebrou o padrão! Casou-se com uma delas. Ele sabe o que o mundo parece não saber: negras de pele escura são o máximo. Elas querem que Obama ganhe porque talvez, finalmente, alguém contrate uma mulher linda cor de chocolate para ser a estrela de uma comédia romântica de orçamento alto que vai estrear em cinemas no país inteiro, não apenas em três cineminhas de arte de Nova York. Na cultura pop americana, as mulheres bonitas de pele escura são invisíveis. (Outro grupo que é tão invisível quanto é o de homens asiáticos. Mas, pelo menos, eles são considerados superinteligentes.) Nos filmes, as mulheres de pele escura fazem o papel da empregada gorda e maternal, ou da amiga da protagonista, que é forte, desbocada e às vezes assustadora, e que está sempre ali para dar um apoio. Elas falam coisas sábias e têm atitude, enquanto a mulher branca encontra um grande amor. Mas elas nunca podem fazer o papel da mulher gostosa, linda e desejada por todos. Então, as mulheres de pele escura esperam que Obama mude isso. Ah, e elas também são a favor de tirar essa gente podre de Washington, de sair do Iraque e de todo o resto.

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Ifemelu é uma blogueira aclamada nos Estados Unidos e protagonista de Americanah, novo romance de Chimamanda Ngozi Adichie. Nos anos 1990, em busca de alternativas às universidades nacionais, paralisadas por sucessivas greves, a jovem Ifemelu muda-se para os Estados Unidos, deixando para trás sua família e Obinze, seu primeiro namorado. Ao mesmo tempo em que se destaca no meio acadêmico, ela se depara pela primeira vez com a questão racial e com as agruras da vida de imigrante, mulher e negra. O sucesso que obteve quinze anos depois, contudo, não atenuou o apego à sua terra natal, tampouco anulou sua ligação com Obinze. Quando ela volta para a Nigéria, terá de encontrar seu lugar num país muito diferente do que deixou e na vida de seu companheiro de adolescência.

Americanah foi o romance vencedor do National Book Critics Circle Award e eleito um dos 10 melhores livros do ano pela New York Times Book Review. O livro já está em pré-venda e chega nas livrarias no começo de setembro.

Arquivo da Flip 2014

Se você não foi a Paraty ou não conseguiu acompanhar as mesas da Flip pela internet, não se preocupe. Os áudios originais e alguns trechos das mesas estão disponíveis para você ver e ouvir na hora que quiser. Abaixo, confira os links para rever a participação de nossos autores na festa!

“Poesia & Prosa”, com Gregorio Duvivier, Eliane Brum e Charles Peixoto

 

“Porque era ele, porque era eu”, com Silviano Santiago e Mathieu Lindon

 

“Livre como um táxi”, com Antonio Prata e Mohsin Hamid

 

“Encontro com Andrew Solomon”

 

“A verdadeira história do paraíso”, com Etgar Keret e Juan Villoro

 

“Romance em dois atos”, com Daniel Alarcón e Fernanda Torres

 

“Mesa de cabeceira”, com Andrew Solomon, Eduardo Viveiros de Castro , Etgar Keret, Fernanda Torres, Graciela Mochkofsky, Juan Villoro, Joël Dicker e Marcelo Rubens Paiva

Caim

Por DW Ribatski

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DW Ribatski nasceu em Curitiba em 1982. É artista plástico, ilustrador e quadrinista. Já colaborou com diversas publicações, como o caderno Ilustríssima da Folha de S.Paulo e a revista Superinteressante, entre outras. Nas HQs, publicou Campo em branco (Quadrinhos na Cia., 2013), Como na quinta série (Balão Editorial, 2012), La naturalesa (coleção MIL, Cachalote/Barba Negra, 2011), Vigor Mortis (Quadrinhofilia/Zarabatana Books, 2011, com José Aguiar e Paulo Biscaia) e Dois (Roax Press, 2013). Contribui para o blog com uma coluna mensal de quadrinhos.
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