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Chat com Sylvia Day
Segunda-feira, 23 de fevereiro, às 19h
A autora da Série Crossfire vai fazer um bate-papo via web com seus fãs brasileiros! As senhas serão distribuídas no local uma hora antes do evento. Saiba mais.
Local: Teatro Eva Herz na Livraria Cultura do Conjunto Nacional — Av. Paulista, 2073 — São Paulo, SP

Lançamento de Monções e Capítulos de expansão paulista
Terça-feira, 24 de fevereiro, às 19h30
Participe do lançamento da nova edição Monções e Capítulos de expansão paulista, de Sérgio Buarque de Holanda, que contará com debate entre Laura de Mello e Souza e André Sekkel Cerqueira.
Local: Biblioteca Mário de Andrade — Rua da Consolação, 94 — São Paulo, SP

Debate sobre o livro Reinventado o capitalismo de Estado
Quarta-feira, 25 de fevereiro, às 19h
Para marcar o lançamento do livro Reinventando o capitalismo de Estado, Sergio Lazzarini, Delfim Neto e Samuel Pessoa participam de um debate no Insper. Saiba mais sobre o evento e inscreva-se.
Local: Auditório Steffi e Max Perlman, no Campus Insper — Rua Quatá, 300, Vila Olímpia — São Paulo, SP

Drauzio Entrevista com Laerte
Segunda-feira, 2 de março, às 19h30
No primeiro Drauzio Entrevista de 2015, Drauzio Varella vai conversar com Laerte! As senhas para o evento serão distribuídas a partir das 18h30 do dia do evento na entrada do auditório.
Local: Livraria Cultura do Shopping Bourbon — Rua Turiassu, 2100 — São Paulo, SP

Encontro com Mariana Castro
Terça-feira, 3 de março, às 19h
Mariana Castro, autora de Empreendedorismo criativo, e convidados participam do Encontros Criativos na Livraria Cultura.
Local: Loja da Companhia das Letras por Livraria Cultura — Av. Paulista, 2073 — São Paulo, SP

Semana duzentos e trinta e oito

blog

 

 

O pai Goriot, de Honoré de Balzac (Tradução de Rosa Freire D’Aguiar)
Um comerciante decadente ama as filhas de modo incondicional e assiste apático a sua fortuna sendo consumida pelos caprichos de sua prole e um estudante de direito deseja de todo modo inserir-se na alta sociedade parisiense e para isso abandona, aos poucos, os padrões morais para atingir seu objetivo. Balzac apresenta ao leitor as várias facetas de uma sociedade cruel, de moral elástica e dividida entre as regras de um passado regido pela nobreza e a nova ordem social em que o dinheiro é o protagonista.

Companhia das Letrinhas

Dudu e a Caixa, de Stela Greco Loducca (Ilustrações de Jean-Claude R. Alphen)
Quando a campainha tocava, Dudu adorava ficar imaginando quem estava do outro lado da porta. Até que um dia, chegou para sua mãe uma encomenda dentro de uma embalagem bem grande. Ou melhor, aquilo até podia ser uma simples embalagem de papelão, mas para Dudu ela se tornou um carro potente, uma prisão para bandidos perigosos, um barco cheio de navegantes e tudo mais que a criatividade dele permitiu. Mas pena que a brincadeira não durou para sempre. De repente, a caixa não estava mais lá. Onde será que tinha ido parar?

O estranho caso da massinha fedorenta, de Heloisa Prieto (Ilustrações de Adriana Fernandes)
Na classe de Caio, Estela, Flora, Victoria e João Afonso, a mania de brincar de massinha pegou pra valer. Eram cachorros barrigudos e serpentes peçonhentas de um lado, bolas espaciais e seres extraterrestres de outro — e farinha por todos os cantos. Mas no meio de tantas cores, formatos e ideias, um pote cheio de uma massa pra lá de esquisita e fedida chamou a atenção das crianças. Como aquela coisa tinha ido parar ali? É assim que toda a turma — e também os leitores — vão perceber que os mistérios podem surgir a qualquer hora e em qualquer lugar, e será preciso coragem para encarar o desafio de desvendar esse estranho e fedido caso.

O livro da vida, de Pernilla Stalfelt (Tradução de Fernanda Sarmatz Åkesson)
Este livro não pretende dar uma definição exata sobre o que é a vida — até porque isso seria impossível! —, mas sim, com palavras simples e ilustrações divertidas, trazer ao pequeno leitor temas que dizem respeito a todos que estão ou um dia já estiveram vivos. Pensando sobre essas questões, que costumam passar batidas no dia a dia, será possível perceber como a vida é importante e que cada um pode viver à sua maneira, mas também que todos nós passamos por algumas experiências em comum, como nascer, comer, respirar e envelhecer, e que então não estamos sozinhos no mundo.

Uma viagem pela literatura policial

Por Raphael Montes

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Com muita felicidade tenho reparado que, para muitos leitores (principalmente os jovens), Dias perfeitos serviu de porta de entrada para a literatura policial e de mistério. Em meu perfil no Facebook, é comum que venham pedir indicações de livros semelhantes ou até de outros livros de suspense, enigma, violência e tensão. Por isso, decidi fazer nesta coluna um breve guia de viagem pela literatura policial — um guia que sirva tanto aos marinheiros de primeira viagem quanto àqueles já íntimos da região, mas que podem ter deixado escapar algum ponto turístico importante.

Para começar, nada melhor do que uma passeada pelo berço da civilização policialesca. Em três contos protagonizados por Auguste Dupin, Poe fixou as bases arquitetônicas do gênero: Os crimes da rua Morgue, O mistério de Marie Roget e A carta roubada. São contos breves e potentes, vale conferir. Daí, seguimos para a primeira aventura de Sherlock Holmes em Londres com Um estudo em vermelho, e a primeira aparição do belga Hercule Poirot com O misterioso caso de Styles. Também escritos por Agatha Christie, a Rainha do Crime, três outros romances merecem atenção por quebrarem regras do gênero e trazerem inovações: O caso dos dez negrinhos, O assassinato de Roger Ackroyd e Assassinato no Expresso Oriente.

Aos que curtem uma programação mais pesada, hardboiled, mas também tradicional, as pedidas básicas são O falcão maltês, de Dashiel Hammet; A noiva estava de preto, de Cornell Woolrich, e O longo adeus, de Raymond Chandler. Numa abordagem mais psicológica, o melhor de todos é Pacto sinistro, de Patricia Highsmith, minha autora favorita. E se a viagem incluir uma passada pelos tribunais mais tradicionais, devem entrar na lista Tempo de matar, de John Grisham, e Acima de qualquer suspeita, de Scott Turow.

Acha que acabou aí? Todo lugar tem um bom serial killer para nos causar medo e, na literatura policial, o melhor é o famoso Dr. Hannibal Lecter. Para quem não conhece, O silêncio dos inocentes é leitura imprescindível. Na Inglaterra pós-Agatha Christie, duas damas do crime merecem uma visitinha com chá e bolos: Ruth Rendell com seu Um assassino entre nós e P.D. James com O enigma de Sally.

Pegando um avião para outros cantos do planeta, passemos pela França com O cachorro amarelo, de Georges Simenon, Tarântula, de Thierry Jonquet, e O homem dos círculos azuis, de Fred Vargas. Na Itália, O nome da Rosa, de Umberto Eco, e A forma da Água, de Andrea Camilleri. Na Suécia, Os homens que não amavam as mulheres, de Stieg Larsson — este último, o melhor romance policial da década. Dos romances policiais brasileiros, já falei muito nesta coluna, mas destaco o tempero carioca de O Xangô de Baker Street, O silêncio da chuva e o caos paulistano de O matador. A literatura policial pode ser tradicional, exótica, pop ou violenta. Compre sua passagem (só de ida) e se deleite nesta viagem cheia de cores, sabores, texturas e possibilidades.

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Raphael Montes nasceu em 1990, no Rio de Janeiro. Advogado e escritor, publicou contos em diversas antologias de mistério, inclusive na revista americana Ellery Queen Mystery MagazineSuicidas (ed. Saraiva), romance de estreia do autor, foi finalista do Prêmio Benvirá de Literatura 2010, do Prêmio Machado de Assis 2012 da Biblioteca Nacional e do Prêmio São Paulo de Literatura 2013. Em 2014 lançou seu novo romance pela Companhia das Letras, Dias perfeitos. Atualmente, o autor realiza trabalhos editoriais, ministra palestras sobre processo criativo e escreve o projeto de uma série policial para TV.
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O prêmio, essa força estranha

Por Ana Maria Bahiana

Oscars

Imprensada entre a discussão sobre o resultado dos desfiles das escolas de samba no Rio de Janeiro (vergonha) e a panela de pressão dos Oscars que se aproximam, no domingo (curiosidade amena), eu fico pensando que prêmio é uma coisa mesmo muito esquisita. Desde que saí da escola eu não ganhei nenhum. Já estive em alguns painéis e júris, entre festivais da canção (quando eles existiam) e de cinema. Nunca é uma situação confortável para mim, e sempre acabo aprendendo mais sobre meus colegas de escolha do que sobre as peças sendo escolhidas.

Aqui onde vivo, no olho do furacão da indústria de entretenimento, prêmios são mais que um ritual: são uma estação do ano. Assim: de setembro a novembro fala-se em quem pode ser que ganhe um prêmio; de novembro a fevereiro fala-se de quem tem mais chances de ganhar um prêmio e/ou congratula-se quem ganhou um prêmio e/ou gasta-se tempo e espaço para explicar/protestar quem não ganhou um prêmio.

De março a maio nada acontece. Em maio tem Cannes. Entre junho e agosto vende-se muita pipoca e muito refrigerante enquanto a garotada foge do calor no ar condicionado dos cinemas, na companhia de super-heróis, alienígenas e tartarugas ninja.

E aí o ciclo recomeça.

Nem sempre foi assim. O Oscar, a quem se deve a epidemia de estatuetas que se seguiu, começou em maio de 1929 como um jantar altamente etílico nos salões do Roosevelt Hotel em Hollywood (a um quarteirão de onde as estatuetas são distribuídas atualmente). Durante os comes e bebes rápido e rasteiro, distribuíam-se algumas láureas. A coisa era tão informal que os resultados eram anunciados duas semanas antes. Tudo muito simples, já que os Oscars eram escolhidos por 36 pessoas, os sócios-fundadores da Academia, e os convidados da noitada não passavam de 270.

Como esse convescote entre amigos transformou-se numa indústria dentro da indústria, dando origem a uma miríade de outros prêmios (um dos quais sou culpada de escolher) é uma longa história que não caberia, fisicamente, aqui. Simplificando: tem a ver com televisão (que entrou na história em 1953, quando os Oscars foram transmitidos pela primeira vez, apenas para os Estados Unidos); com a capacidade de renda através da televisão; e com a necessidade de encontrar novas ferramentas de marketing num mercado consumidor cada vez maior, mais complicado e mais internacional.

Cobri a cerimônia do Oscar mais de 20 vezes (perdi a conta) e a do Globo de Ouro, idem (trabalhei na festa, como parte da equipe de produção, quatro vezes). Sempre me divirto, de um modo ou de outro, e provavelmente não pelos motivos que a maioria das pessoas se diverte. É preciso certo distanciamento, o distanciamento do fã, para ter a completa experiência do glamour cintilante dessas festas. Isso eu já perdi faz tempo — o que me interessa e me diverte nessa orgia de premiações é acompanhar as marés interiores desse monstro, suas ambições, frustrações, ressentimentos, culpas, manias.

Sempre digo que esta indústria, que toca diretamente as vidas de milhões de pessoas pelo mundo afora, não é uma máquina: é um ser vivo, altamente adaptável, um primor de evolução que Darwin estudaria com afã. Ao escolher e entregar suas láureas anuais, essa criatura brevemente oferece suas entranhas à apreciação de quem sabe para onde olhar. Não importa quem ganhe, isso é sempre fascinante. (Uma exceção: em 1999, quando Roberto Benigni levou o Oscar que deveria ter ido para Central do Brasil, eu me retirei do recinto — o curral da imprensa — e fui afogar as mágoas com os colegas australianos que choravam a perda de Cate Blanchett para o vestido rosa-chiclete de Gwyneth Paltrow.)

Ainda torço: torço às vezes por amigos, ou por amigos de amigos, ou por coisas tão lindas, ou tão inesperadas, que, por seu triunfo, poderiam alimentar mudanças e aberturas. Torço sobretudo pelos forasteiros e pelos estranhos. Torci muito por Central do Brasil, Cidade de Deus e O tigre e o dragão, por Fernanda Montenegro e Marion Cotillard e Lupita Nyong’o e Javier Bardem, além do que fizeram nas telas, pelo simples fato de que suas presenças talvez possam ser agentes de transformação. O monstro, sendo vivo, muda. Como Dustin Hoffman diz no final de Pequeno grande homem, às vezes a magia funciona, às vezes não.

Prêmios são mesmo coisas esquisitas. Não creio ser possível apontar uma única entidade como melhor que todas as outras e, assim, premiá-la. É uma questão ontológica — há que se definir “melhor” e “todas as outras”. Aí complica.

Mas todos os anos, querendo ou não, entendendo ou não, lá vem ela de novo: a estação dos prêmios. Eis o melhor que consigo fazer, à guisa de definição do que realmente é um prêmio: é simplesmente a opinião de um grupo de pessoas num determinado momento. Mas como vende sabonete!

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Ana Maria Bahiana nasceu no Rio de Janeiro e vive em Los Angeles. Jornalista cultural, escreveu sobre cinema e música em publicações como Rolling StoneBizzJornal do BrasilFolha de S. Paulo, entre outras, e foi correspondente, na Califórnia, das redes Globo e Telecine. É autora de Como ver um filme (Nova Fronteira, 2012), Almanaque dos anos 70 (Ediouro, 2006) e Almanaque 1964 (Companhia das Letras, 2014), entre outros livros. Ela contribui para o blog com uma coluna mensal.
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Desenhando Manaus

Por Gabriel Bá

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“Zana teve de deixar tudo: o bairro portuário de Manaus, a rua em declive sombreada por mangueiras centenárias, o lugar que para ela era quase tão vital quanto a Biblos de sua infância: a pequena cidade no Líbano que ela recordava em voz alta, vagando pelos aposentos empoeirados até se perder no quintal, onde a copa da velha seringueira sombreava as palmeiras e o pomar cultivados por mais de meio século”.

Não há como imaginar Dois irmãos sem a cidade de Manaus. Ao longo do livro, Milton nos transporta com suas palavras para um lugar mágico, cheio de vozes, sons e cheiros, que se transforma junto com os personagens durante o desenrolar da história. Manaus é certamente uma peça principal nesta história e se o Fábio e eu tínhamos alguma pretensão de fazer uma adaptação à altura do livro, precisávamos conhecer a cidade.

Em abril de 2011, já havíamos lido e relido o livro, tínhamos um resumo de tudo e uma lista de coisas e lugares para ver em Manaus. O Milton nos enviou uma lista de locais que aparecem no romance e outros atrativos da cidade. Também nos colocou em contato com um amigo, Joaquim Melo, o Quim, que tem uma banca de livros e cartões no Largo São Sebastião, um entusiasta da história e cultura do Amazonas, que nos ajudou muito, nos guiou nesta viagem para dentro do livro, sabendo dizer quais lugares mudaram de nome, quais mudaram de cara e quais não existiam mais.

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Quim, cuidando da banca de Tacacá da Gisela, sua mulher, no Largo São Sebastião.

Passamos uma semana em Manaus andando pelas ruas do centro, percorrendo o caminho da praça Nossa Senhora dos Remédios até a praça Heliodoro Balbi, passando pela rua dos Barés, pelo porto, pela praça da Matriz. Atravessamos a ponte metálica ao lado da cadeia e visitamos o bairro dos Educandos. Algumas vezes nos escondemos da chuva, sempre gorda e passageira. Provamos o Tacacá, o Jaraqui frito. Passeamos de barco no rio Negro, visitamos comunidades flutuantes e nos perdemos em igarapés. Tiramos centenas, milhares de fotos, registrando a arquitetura das casas do centro, o movimento das ruas do comércio, as árvores nas largas avenidas e praças. Só indo até lá para entender a relação das pessoas com o rio, os barcos de vários tipos e tamanhos, as travessias, as viagens. O rio ali é uma estrada, é o caminho de pessoas de todas as partes do país e do mundo que estão ali de passagem, ou que ficaram, decidiram ficar, encontraram ali o seu porto.

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O Milton havia nos avisado que a Manaus que ele conheceu, que vive na sua memória e ele retrata em sua obra, não existe mais. Ao conversar sobre isso com ele, há um misto de paixão, encantamento, desilusão e mágoa. Todos estes sentimentos são encontrados no livro e só indo até lá é que eu pude entender do que ele estava falando. Essa viagem foi essencial para entender a cidade, desmistificá-la, compreender o universo geográfico da trama. Mas o livro conta uma história de época, uma viagem ao passado, e nós também queríamos captar esta aura. Trouxemos vários livros da história de Manaus, cheios de mapas, fotos e cartões postais de marcos históricos, praças, prédios, monumentos, lugares que o tempo apagou, mas que nos ajudaram a entender o encantamento do Milton pela cidade.

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Mapeamento das fotos que tiramos durante nossa visita a Manaus.

De volta a São Paulo, fizemos também muita pesquisa pela internet. Em uma das inúmeras buscas no grande oráculo (o Google), caímos em uma página no Facebook chamada Manaus de Antigamente, mantida por apaixonados pela história da cidade e que traz várias fotos (as mesmas que encontramos nos livros e cartões, além de muitas outras) e depoimentos sobre o passado da cidade, a vida cotidiana em várias épocas, as mudanças que ocorreram ao longo dos anos. Como a história do livro acontece ao longo de 50 anos, esta página foi de uma inestimável valia na nossa pesquisa, pra entender realmente o que mudou na cidade e em quais épocas.

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Quando já estávamos bem adiantados na produção da HQ, dezenas de páginas já desenhadas, nos vimos algumas vezes em busca de um ângulo novo que as fotos não traziam, de mais informações sobre a cidade que pudessem resolver uma cena. Voltamos virtualmente a Manaus pelo Google Maps, para relembrar os caminhos que fizemos e quais os caminhos dos personagens, tentamos imaginar percursos, rotas. De 2011 até 2014, a tecnologia caminhou bastante e adicionaram a ferramenta de Street View ao mapa de Manaus. Com isso, pudemos nos colocar novamente nas ruas da cidade e buscar os ângulos que nos faltavam. A cidade continuava em transformação e o Mercado Adolpho Lisboa, que estava em reforma quando fomos à cidade, agora havia sido reinaugurado. A casa que escolhemos de referência para ser a casa da família, que estava à venda na ocasião de nossa visita, agora trazia um muro alto que bloqueava a vista da rua. A constante transformação da cidade e a violência do progresso que são contadas no livro continuam até hoje.

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Na primeira imagem, fotos do coreto que tiramos durante nossa visita em 2011. Abaixo, imagem do Street View do mesmo coreto na praça Heliodoro Balbi, registrada em 2014.

No final das contas, assim como o romance, nós estamos contando uma ficção e o mais importante deste trabalho todo nunca foi retratar fielmente cada tijolo que existe nos prédios do centro, fazer um documentário sobre Manaus e as transformações que a cidade passou durante todos esses anos. O objetivo é conseguir transportar o leitor para dentro da história, fazê-lo acreditar que aquelas linhas em nanquim são ruas, praças e árvores, que está de dia ou de noite, acreditar na sombra dos oitizeiros e no balançar dos barcos no porto.

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Gabriel Bá nasceu em 1976, em São Paulo. Formado em Artes Plásticas pela ECA-USP, criou em 1997, em parceria com o irmão gêmeo, Fábio Moon, o fanzine 10 Pãezinhos. Por quase 20 anos, tem produzido Histórias em Quadrinhos para o mercado brasileiro e internacional. Seu último livro, Daytripper, estreou em primeiro lugar na lista de mais vendidos do NY Times, já foi publicado em doze idiomas e ganhou os prêmios Eisner Award e Harvey Award (E.U.A.), o Eagle Award (Reino Unido), o prêmio de melhor Bande Dessinée no festival Les Utopialles, em Nantes, e entrou na seleção oficial do Festival International de la Bande Dessinée d’Angoulême 2013 (França). Ele e o irmão publicam a tira Quase Nada aos sábados na Folha de São Paulo. Durante o mês de fevereiro, Gabriel Bá vai escrever para o blog contando mais detalhes sobre a adaptação de Dois irmãos para os quadrinhos.
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