Dinossauros de Plástico

Por Randall Munroe (Tradução de Érico Assis)

E se…? é um guia dos curiosos para os tempos de internet, feito por uma das maiores personalidades da era digital. Com as tirinhas do XKCD, Randall Munroe começou a receber as perguntas mais estranhas de seus leitores: qual a velocidade máxima que você pode passar de carro por uma lombada sem morrer? Se os robôs causassem o apocalipse, quanto tempo a humanidade iria durar? Na ideia de atender a curiosidade de seus leitores, Munroe criou o também imensamente popular What If?, um blog destinado a resolver essas e outras grandes questões da humanidade. Para encontrar as respostas, Munroe cria complexas simulações computadorizadas, lê dezenas de memorandos do exército, resolve equações diferenciais e consulta operadores de usinas nucleares. Suas respostas são uma obra-prima da clareza e do humor. Em geral elas terminam com a aniquilação da humanidade, ou pelo menos numa grande explosão. Nas listas dos mais vendidos mesmo antes de ser publicado, E se…? traz novas e nunca antes respondidas questões, além de versões expandidas e atualizadas das perguntas mais populares do blog.

Para os leitores brasileiros, selecionamos algumas perguntas do site que não entraram no livro e vamos publicá-las nas próximas semanas aqui no blog. Leia abaixo a primeira delas.

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Já que plástico é feito de petróleo e petróleo é feito de dinossauro morto, quanto dinossauro tem um dinossauro de plástico? Steve Lydford

Não sei.

Chamamos carvão e petróleo de “combustível fóssil” porque eles se formaram há milhões de anos dos restos de organismos mortos que ficaram enterrados no solo. Quando se pergunta “Mas quais são as coisas mortas de onde sai o petróleo?”, a resposta padrão é: “Plâncton e algas marinhas”. Em outras palavras, não existe fóssil de dinossauro nesses tais combustíveis fósseis.

Só que essa resposta não é 100% correta.

Nosso contato com o petróleo geralmente é na sua forma refinada — querosene, plástico e aquilo que sai da bomba de combustível. Aí fica fácil imaginar que a fonte de tudo isso é uma matéria preta, uniforme e com um monte de bolhas.


Nossa casa tinha uma TV preto e branco quando eu era criança, então quando eu assistia Em Busca do Vale Encantando, só dava para saber a diferença entre poço de piche e poça de lava quando alguém caía.

Mas os combustíveis fósseis carregam marcas da sua criação. As características destes combustíveis — carvão, petróleo e gás natural — dependem dos organismos que entraram ali e do que aconteceu com eles. Depende de onde eles viveram, de como morreram, de onde seus corpos foram parar e da temperatura e pressão a que ficaram sujeitos.

A matéria morta carrega seu histórico — alterado e remexido de várias formas — por milhões de anos. Quando a gente desencava esse troço, passamos uma boa parte do tempo eliminando evidências desse histórico, refinando hidrocarbonetos complexos até virar combustível uniforme. Quando queimamos esse combustível, seu histórico enfim se apaga e a luz do sol jurássico que estava nele se liberta para dar propulsão ao nosso carro.1


“♫ Neste ciclooooo, neste ciclo com fiiiiiiiim ♫”

O histórico que fica nas rochas é meio complicado. Às vezes faltam um pedaços, ou eles são descartados ou transformados com um propósito enganador. Os geólogos — tanto os da universidade quanto os da indústria do petróleo — trabalham com muita paciência para reconstituir aspectos deste histórico e entender o que dizem as evidências.2

A maior parte do petróleo vem da vida oceânica que fica enterrada no leito marinho. Mas a ideia poética de que nossos combustíveis têm fantasma de dinossauro é, até certo ponto, verdadeira. O petróleo precisa de muito pouco para se formar, incluindo o depósito veloz de grandes quantidades de matéria orgânica rica em hidrogênio num ambiente de pouco oxigênio.3

Estas condições geralmente se encontram em mares rasos próximos a plataformas continentais, onde ressurgências periódicas carregadas de nutrientes do mar profundo provocam afloramentos de plâncton e alga. Estes afloramentos são temporários, logo se consomem, morrem e caem no leito marinho pobre em oxigênio na forma de neve marinha. Se forem enterrados depressa, eventualmente podem formar petróleo ou gás. A vida terrestre, por outro lado, tem mais chance de virar turfa ou, quem sabe, carvão.

O desenho que sobra é mais ou menos esse:


Vida terrestre -> Carvão  Vida marinha -> Petróleo e Gás (Bem simples!)

Mas a formação de hidrocarbonetos é um processo que tem vários passos.4 E tem muita coisa que pode afetar essa formação. Uma grande quantidade de material orgânico é varrida para o oceano e, embora a maior parte não vá parar em sedimentos que geram petróleo, um pouco vai.5 Alguns campos de petróleo — como os da Austrália — aparentemente têm muitas fontes terrestres. A maioria é planta, mas há uma parcela que sem dúvida é animal.6


Esse aqui podia virar o gráfico do Primer no xkcd.com/657

Independente de onde tenha saído, apenas uma fração minúscula do petróleo no seu dinossauro de plástico pode ter vindo de cadáveres de dinossauros de verdade. Se o plástico tiver saído de uma bacia de petróleo da era mesozoica fortemente alimentada por matéria terrestre, talvez ele contenha um percentual um pouco maior de dinossauro; se veio de uma bacia pré-mesozoica vedada sob rochas de cobertura, pode ser que não tenha dinossauro algum. Não há como saber sem traçar meticulosamente cada etapa do processo de fabricação do seu brinquedo.


Vai ser divertido! (Vai ser que nem O Segredo das Coisas, só que mais comprido!)

Pensando em um sentido mais amplo, toda a água do oceano já fez parte de um dinossauro. Quando esta água é utilizada na fotossíntese, partes dela são consumidas para construir as gorduras e carboidratos da cadeia alimentar — mas uma parte bem maior dessa água está no seu corpo nesse exato momento.

Em outras palavras, seus brinquedinhos de plástico têm bem menos dinossauro que você.



Um pouco de dinossauro. Mais dinossauro. Total dinossauro. (As aves são totalmente, decididamente, 100% dinossauro – vide xkcd.com/1211.)

* * *

[1] A fotossíntese leva os organismos a usarem a luz do sol para vincular dióxido de carbono e água, o que gera moléculas complexas. Quando queimamos petróleo, devolvemos o CO2 e a água à atmosfera — o que libera de uma só vez milhões de anos de dióxido de carbono acumulado. Isso tem lá suas consequências.

[2] Meu livro preferido sobre Geociências, T. rex and the Crater of Doom, de Walter Alvarez, é um relato em primeira mão sobre a pesquisa que confirmou a causa da morte dos dinossauros. A trama não é uma disputa entre teorias acadêmicas rivais, mas o descortinar de um mistério por meio de investigação detetivesca.

[3] Porque, de certo modo, o oxigênio faria o combustível entrar em combustão.

[4] Mais sobre o assunto aqui.

[5] Se você quiser passar um dia inteiro lendo textos sobre hidrocarbonetos e sedimentação marinha, é só ir aqui, aqui, aqui (pago), aqui e aqui. Se, como aconteceu comigo, você cansar e quiser mudar a marcha, leia este site maluco de teoria da conspiração que diz que petróleo não é matéria orgânica morta e que na verdade existe um estoque infinito de petróleo. A verdade é escondida de nós pela Nova Ordem Mundial e/ou os Illuminati.

[6] Vale dizer que existiram alguns dinossauros aquáticos — como o Espinossauro.

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Randall Munroe nasceu nos Estados Unidos em 1984. Depois de estudar física na Christopher Newport University, ele foi contratado pela NASA para construir robôs. Em 2006, ele abandonou o emprego para se dedicar exclusivamente ao XKCD, um dos sites mais populares da internet. Ele mora em Massachussetts.

Ar do tempo

Por Carol Bensimon


Naquele livro que foi talvez o primeiro a abordar a criação literária com alguma profundidade, Aspectos do romance, E.M. Forster compara, lá pelas tantas, o ser humano de ficção com o ser humano de carne e osso. E constata, naturalmente, que há uma desproporção nos aspectos-gerais-da-vida desses dois. Em outras palavras: o personagem quase nunca vai ao banheiro, a não ser que a gente queira mostrar algum acidente acontecendo com sua braguilha, ou a descoberta de sei lá o que no armarinho (e isso sou eu que estou dizendo); o personagem pode passar muito tempo sem dormir, enquanto nós precisamos de algo entre seis e oito horas de sono por dia; quanto às refeições, elas não parecem ter por objetivo realmente alimentar as figuras de ficção, mas antes são uma mera desculpa para que elas interajam, briguem, deem opiniões e decidam coisas. Forster também afirma que a morte está muito mais presente nos romances do que o seu contrário, o nascimento, embora um seja tão comum quanto o outro na vida real. Essa frase, enfim, resume tudo: “Geralmente, ele [o personagem] nasce de repente, é capaz de morrer aos poucos, não precisa de muito alimento nem de sono, e se ocupa incansavelmente de relacionamentos”.

Forster escreveu Aspectos do romance no final de década de 1920, e ele definitivamente não parecia um senhorzinho muito interessado nas vanguardas, de modo que seus exemplos em geral gravitam pelos romances do século 19. Digamos que era uma época em que muitas tramas terminavam em casamento. Nenhuma surpresa até aí. Se a sociedade era engessada como o diabo, é claro que a literatura tinha menos à sua disposição.

Hoje nós temos um número absurdo de caminhos e pequenos dramas. Alguns sabem transformar muito bem esse caldo insano e mutável em coisas fabulosas. George Saunders. Em Dez de dezembro, ele está falando sobre até onde iremos com os psicofármacos, sobre ostentação de classe média, sobre ser um menino gordinho e solitário com um bom coração, sobre pais e filhos nesse mundo louco de meu deus. Ele nunca esquece de onde e quando ele está. Ali Smith. Um homem se tranca no quarto de estranhos em Suíte em quatro movimentos. Sociedade do espetáculo, adolescentes vidrados em pequenas telas, insights sobre a passagem do tempo, menina superdotada, aulas de história com aquela levadinha marota. Ali Smith também nunca se esquece de onde estamos e quando estamos.

Diante disso, quem pode cair naquela velha conversa de que os temas se esgotaram? Pfff. Conta outra, vai.

Brasil, 2013-2014. Não por acaso, vimos chegar às livrarias uma leva de romances que lidam com questões ou de identidade sexual, ou de identidade de gênero. Cito de cabeça pelo menos cinco: Sérgio Y. vai à América, A vez de morrer, As fantasia eletivas, Nossos ossos, e o meu, Todos nós adorávamos caubóis. Seriam dramas impensáveis cinquenta anos atrás? Provavelmente, ao menos com essa abordagem (cinquenta anos atrás, o foco seria na repressão). Cem anos atrás? Absolutamente. A chance de vermos uma garota tranquila com sua bissexualidade cem anos atrás era a mesma de ver um iPod em cena. Ou seja, zero.

Mas você sabe que algumas pessoas se chocam com iPods em cena? Parece que sim. Elas não querem ver iPods e toda essa parafernália em cena. Elas não querem saber sobre narcisismo contemporâneo ou pessoas trans ou comida vegana. Porque, para muitos, a ideia de literatura — nesse sentido, as sofríveis leituras de vestibular não ajudam em nada — é sim uma coisa empoeirada, porém sólida, porém com capa de couro e letras douradas, porém distante como deve ser (?). Não. O tempo passa sim, os dramas mudam, se multiplicam, e terminar uma história com um casamento, hoje, seria uma péssima ideia.

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Carol Bensimon nasceu em Porto Alegre, em 1982. Publicou Pó de parede em 2008 e, no ano seguinte, a Companhia das Letras lançou seu primeiro romance, Sinuca embaixo d’água (finalista dos prêmios Jabuti e São Paulo de Literatura). Seu último livro, Todos nós adorávamos caubóis, foi lançado em outubro de 2013. Ela contribui para o blog com uma coluna mensal.
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Os mentirosos

Por Emilio Fraia


Acho que o cronista que mais li na vida foi o Mario Prata. Quando ele começou a publicar seu James Lins, o playboy que não deu certo, folhetim encartado às quartas, sábados e domingos n’O Estado de S.Paulo, eu tinha onze anos. Durante o fim de 1993 e os primeiros meses de 1994, não perdi nenhum dos 36 capítulos da história, que terminavam sempre com aquele típico gancho do gênero, algo em suspenso, pâm-pâââmmm, a promessa de continuação.

A experiência era também como a exumação de um cadáver. Largada numa curva dos anos 60 (pós-Asfalto selvagem, do Nelson Rodrigues, que foi sucesso no Última hora entre 1959 e 60), a ficção em capítulos havia migrado para a tevê e nunca mais voltaria às páginas dos grandes jornais. Meu pai, que lia a história comigo, me explicava o que era um folhetim (do jeito que provavelmente vamos falar aos nossos filhos sobre o orelhão e a videolocadora) e tentava dirimir com naturalidade/respostas técnicas minhas eventuais dúvidas (“pai, o que é ‘michê do Trianon’?”; “o que é 69?”).

De saída, ficávamos sabendo que James Lins, 51, “golpista, simpático, mulherengo, mentiroso”, havia sido condenado a trinta e dois anos de prisão. Mas qual teria sido o seu crime? Essa pergunta — e se o personagem ficaria ou não com a Teka, seu amor de juventude — era o que alavancava a ação. Ou melhor, a enrolação. No folhetim, tudo é postergado, o tempo todo, o que pode nos levar à ruína, sofrimento e morte. No caso do Prata, porém, esse procrastinar narrativo esbanjava simpatia, era também alvo das ironias do autor, e nos carregava por situações maravilhosas como a da freira que comia os próprios seios (na verdade, James Lins disfarçado, com duas mortadelas debaixo do hábito) ou a das estalactites de esperma no teto do vestiário feminino do clube da cidade. (Em tempo: no departamento dos truques, lenga-lenga e macetes narrativos típicos do gênero, nosso herói se chama Alexandre Dumas, criador de um personagem, o criado Grimaud que, taciturno, só respondia em monossílabos — porque os jornais da época pagavam por linha.)

Meu interesse pela história do James Lins, “playboy dos Jardins que gostava de loiras oxigenadas de vida duvidosa”, tinha ainda um elemento adicional: o fato de o personagem ter nascido na cidade da minha mãe, Lins, no interior de São Paulo — que é a cidade do Mario Prata também. Eu sabia muito pouco sobre Lins. Depois que minha mãe nasceu, meus avós logo se mudaram para São Paulo; eu não tinha parentes por lá, nada. Acompanhar o folhetim, então, fazia com que eu criasse uma ideia da cidade, que se tornou, para mim, a das sessões de Juventude transviada, no Cine Sebastião; dos carnavais no Linense; de amigos cujos apelidos eram Bambolê, Chinesinho e Pintassilgo; do James Lins que “andava de preto, usava topete, mascava chiclete, tomava Coca-Cola com Melhoral e ficava doidão”.

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Para mim, e ainda no terreno da memória afetiva, a história do Prata se ligava a uma outra, igualmente picaresca, até hoje meu livro preferido da infância: As aventuras do Barão de Munchausen. Havia algo de James Lins nas proezas contadas pelo Barão, que andara por São Petersburgo, Cairo, Londres, pelo Ceilão, África e uma infinidade de outros lugares.

Em ambas as histórias, os autores diziam ter conhecido seus personagens. O Mario Prata era “amigo de infância” do mentiroso James Lins (que em determinado momento da trama, aliás, se rebelava e passava a escrever o folhetim no lugar do Prata, afastado pela direção d’O Estado de S.Paulo). O Barão de Munchausen, por sua vez, parece realmente ter existido — quem somos nós para duvidar. Nasceu em 1720, foi tenente, capitão de cavalaria, serviu num regimento russo e teria lutado em duas guerras turcas. Depois de doze anos de serviço militar, aposentou-se. Nas recepções em sua casa em Hanover, na Baixa Saxônia alemã, gostava de entreter amigos e convidados com as histórias de suas aventuras, caçadas e viagens a terras estrangeiras.

Era exímio caçador, e entre seus relatos (não raro, politicamente incorretos, como os do James Lins) estava o da vez em que se viu diante de uma “esplêndida raposa negra, cuja pele valia demais para que a danificasse com uma bala” e não encontrou outra saída que não: chicotear o animal até que ele saltasse para fora da própria pele. Entre os ouvintes desse e de outros causos, a lenda conta, estava o bibliotecário e cientista Rudolf Erich Raspe (1737-1794), a quem se atribui a autoria das aventuras do Homem de Munchausen.

As primeiras histórias do Barão foram publicadas anonimamente em forma de anedotas, entre 1781 e 1783, numa revista chamada Vade Mecum für lustige leute (Manual para pessoas divertidas). Depois, acrescidas de mais relatos, viraram livro, A narrativa do Barão de Munchausen, de suas maravilhosas viagens e campanhas na Rússia. Originalmente, não foram escritas para crianças. Mas quem é que tem controle sobre essas coisas? “Kipling dedicou sua vida a escrever em função de determinados ideais políticos, quis fazer de sua obra um instrumento de propaganda e, no entanto, no final da sua vida teve que confessar que a verdadeira essência da obra de um escritor costuma ser ignorada por este; e lembrou o caso de Swift, que ao escrever Viagens de Gulliver quis levantar um testemunho contra a humanidade e deixou, no entanto, um livro para crianças”, escreveu Borges num ensaio do seu melhor livro, Discussão.

Meu episódio preferido das narrativas do Barão é uma das cenas clássicas da história da literatura, e quem me contou foi (de novo) meu pai, antes mesmo de eu ler o livro. A cavalo, Munchausen parte em viagem a Rússia, em pleno inverno. Errando à noite, pela escuridão, com o campo coberto de neve, decide parar para descansar. Está num lugar deserto, não se vê nada, apenas quilômetros de branco. Desmonta e amarra o animal a “uma coisa que despontava na neve, um tronco pontudo de árvore”. Deita agarrado a uma de suas pistolas (medida de cautela) e dorme “tão profundamente que só abre os olhos em plena luz do dia”. Quando acorda, tudo mudou: está no meio de um vilarejo, no pátio de uma igreja, e ouve seu cavalo relinchar num lugar distante, alto.

Olhando para cima, vê o bicho pendurado, pelas rédeas, na cruz da igreja. “Aí tudo ficou muito claro”, afirma, “durante a noite, o vilarejo tinha sido coberto de neve; mas acontecera uma súbita mudança no tempo; eu fui afundando devagar até o pátio da igreja enquanto dormia; e aquilo que, no escuro, eu tinha pensado ser o toco de uma árvore despontando acima da neve onde tinha amarrado meu cavalo, provou ser a cruz ou o catavento da torre da igreja!” (Tradução de Ana Goldberger, na edição da Iluminuras).

Há uns dois meses, participei de um bate-papo com o Mario Prata no Sesc Pinheiros. Contei a ele a história acima, de quando li o James Lins. Ele me falou do seu livro novo, que deve sair em breve. É uma série de entrevistas. O Prata encontrou e conversou com gente como o Aleijadinho, Pedro Álvares Cabral, o Bispo Sardinha, Ruy Barbosa, Anchieta (papo que aconteceu no Boteco das Ostra — assim mesmo, sem o plural —, na praia de Iperoig), o Carlos Gomes, a Marquesa de Santos, entre outros. Com o Cabral, aliás, além de revelações sobre o Descobrimento, um dos assuntos foi o Paulo Maluf — o tipo de coisa que o Munchausen aprovaria.

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Emilio Fraia nasceu em São Paulo, em 1982, é editor, jornalista e escritor. É autor da graphic novel Campo em branco (Quadrinhos na Cia., 2013, em parceria com DW Ribatski) e do romance O verão do Chibo (Alfaguara, 2008, com Vanessa Barbara). Escreveu para as revistas como serrote, piauí e Bravo!, e foi editor de ficção da editora Cosac Naify. Em 2012, fez parte da edição da revista britânica Granta dedicada aos melhores jovens escritores brasileiros. Atualmente, dirige a revista Trip e contribui com uma coluna mensal para o blog.

Marque na agenda

Roda da Folha de S. Paulo com Antonio Prata
Segunda-feira, 8 de setembro, às 19h
Autor de Nu, de botas,  o escritor e cronista participa de mais uma edição da Roda da Folha e conversa sobre literatura, o universo masculino e outros temas. Inscreva-se pelo e-mail eventofolha@grupofolha.com.br ou pelo telefone (11) 3224-3473.
Local: Auditório do MAM – Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, Parque do Ibirapuera – São Paulo, SP

Palestra com Mariana Castro
Quarta-feira, 10 de setembro, às 19h30
Mariana Castro fala sobre empreendedores da nova geração que estão revolucionando a forma de pensar conhecimento, criatividade e inovação e autografa o livro Empreendedorismo criativo.
Local: Livraria Cultura do Market Place – Avenida Dr. Chucri Zaidan, 902, Brooklyn – São Paulo, SP

Lançamento de (Quem contou?)
Dilea Frate autografa o livro (Quem contou?), com 26 divertidas fábulas ilustradas por Laerte.

  • Sexta-feira, 12 de setembro, às 18h
    Local: Livraria Argumento – Rua Dias Ferreira, 417 – Rio de Janeiro, RJ
  • Sábado, 13 de setembro, às 11h
    Local: Cidade das Artes – Trevo das Palmeiras, Barra da Tijuca – Rio de Janeiro, RJ

Socorro Acioli no Londrix 2014
Sexta-feira, dia 12 de setembro, às 20h
Socorro Acioli, autora de A cabeça do santo, participa do bate-papo “O nascimento do personagem”, com Rodrigo Lacerda e mediação de Suely Leite.
Local: Vila Cultural Cemitério de Automóveis – Rua João Pessoa, 103-A – Londrina, PR

Encontro de leitores de A escolha em São Luís
Sábado, 13 de setembro, às 15h
Leitores da Editora Seguinte organizam encontro sobre o livro A escolha, de Kiera Cass.
Local: Livraria Leitura do São Luís Shopping – Av. Prof. Carlos Cunha, 1000 – São Luís, MA

Matinê Companhia das Letrinhas
Domingo, 14 de setembro, às 11h30
Kiara Terra comanda mais uma manhã de contação de histórias na Matinê da Companhia das Letrinhas, com leitura do livro Uma amizade (im)possível, de Lilia Moritz Schwarcz e ilustrações de Spacca.
Local: Livraria da Vila – Rua Fradique Coutinho, 915 – São Paulo, SP

Semana Literária do Sesc Paraná
Autores da Companhia das Letras participam da 33ª Semana Literária do Sesc Paraná, que acontece em várias cidades do estado. Confira a programação:

  • Mesa com Simone Campos e Raphael Montes
    Segunda-feira, 15 de setembro, às 20h
    Autores de A vez de morrer e Dias perfeitos conversam sobre “A violência por escrito”.
    Local: Sesc Cascavel – Rua Carlos de Carvalho, 3367 – Cascavel, PR
  • Bate-papo com Luiz Ruffato
    Terça-feira, 16 de setembro, às 20h
    Luiz Ruffato, autor de Flores artificiais, participa do encontro “A invisibilidade como forma de violência”.
    Local: Sesc Cascavel – Rua Carlos de Carvalho, 3367 – Cascavel, PR

 

Semana duzentos e vinte

Os lançamentos desta semana são:

A caverna das maravilhas (Infinity Ring #5), de Matthew J. Kirby (Trad. de Alexandre Boide)
Próxima parada: Bagdá, 1258. É para lá que o Anel do Infinito manda Sera, Dak e Riq, com o objetivo de corrigir mais uma falha histórica em sua missão de salvar a humanidade. Em meio a caravanas de mercadores e feiras onde são vendidos perfumes, sedas, tapetes e especiarias, os três aventureiros precisam descobrir um jeito de impedir a destruição de uma das maiores bibliotecas da época. Os mongóis estão cada vez mais perto, e o cerco a Bagdá é inevitável. Pelo que Dak sabe, os invasores vão jogar todos os livros da cidade no rio Tigre, até deixá-lo preto de tanta tinta! Mas a importância dessas páginas vai além de da preservação de documentos históricos: sem as informações contidas ali, os três viajantes do tempo não poderão continuar a missão, e tudo o que eles conseguiram até então irá por água abaixo. Agora, os riscos são maiores do que nunca.

O pum, de Stela Greco Loducca e Luciano Tasso
Com o pum é assim: mesmo tentando evitar, vira e mexe ele acontece. Mas até Gabo descobrir isso, foi uma pesquisa e tanto. Ele queria muito entender quem era e de onde vinha esse tal de pum, que ele nunca via e cujos barulhos sempre escutavam. E, para encontrar essa resposta, Gabo teve de enfrentar cheiros nada agradáveis… Mas valeu a pena. Ele percebeu, por exemplo, que existem vários tipos de pum e finalmente compreendeu o que as pessoas já sabem mas não gostam muito de assumir: o pum vem lá de dentro da gente, por isso TODO MUNDO solta – e nem adianta dizer o contrário!

Pati e os lobos, de Pija Lindenbaum (Trad. de Fernanda Sarmatz Åkesson)
Todo mundo tem medo de alguma coisa: de aranha, tempestade, dentista… Mas Pati tem medo de quase tudo, até de fazer carinho em cachorros ou de segurar minhocas. E é justo ela que se perde de sua turma da escola durante um passeio no bosque. Pior do que estar sozinha, rodeada por árvores assustadoras, é ter a companhia de lobos cinzentos, dentuços… e apavorantes. Ou pelo menos à primeira vista. Pati não vai ter outra opção a não ser enfrentar os seus piores temores – e aprender que as coisas não são sempre aquilo que parecem ser.