Os mundos de Teresa

Por Carlo Giovani


Ilustrar livros infantis ainda é uma experiência nova pra mim. Minha formação como ilustrador começou com as revistas e a publicidade, duas mídias com dinâmicas muito rápidas enquanto processo criativo e na comunicação com o leitor ou o espectador. Livros obedecem à outra ordem, em que o diálogo entre essa plataforma e o leitor parece ser muito maior e mais profundo. E o mesmo acontece entre o ilustrador e o processo de criação. Pelo menos foi o que aconteceu comigo.

O texto de Os mundos de Teresa ficou muito tempo na minha cabeça antes de eu começar, de fato, as ilustrações. Fiquei observando o meu filho — também com seis anos, como Teresa — e seus amigos, pensando sobre o que eles imaginavam em suas brincadeiras e o que estavam “vendo” nesse mundo para o qual tinham sido transportados temporariamente. Fiz muitos estudos da personagem e das cenas da história ao longo desse período.

Pensei que as ilustrações poderiam ter momentos diferentes. Às vezes, poderiam representar a imaginação da criança, como na cena em que Teresa, antes de entrar no quarto do irmão, atravessa uma escada à beira de um fosso onde vive uma criatura misteriosa. E, outras vezes, poderiam mostrar o que Teresa, de fato, está fazendo — como no momento em que ela decide ser um sofá, por exemplo, aparecendo “exatamente” como o texto a descreve. Nesse caso, a ilustração assume o ponto de vista de um adulto, que geralmente vê apenas o que seus olhos lhe permitem ver, enquanto na cena anterior, a ilustração conversa com o texto e dá a ele uma outra perspectiva, já que mostra ao leitor a visão da própria Teresa.

Dessa forma, então, tentei fazer com que as transformações e experiências da personagem ao longo do texto também sofressem alterações na narrativa visual. A luz, nesse sentido, é um elemento visual bem marcante na narrativa. À medida que Teresa questiona o mundo e faz novas descobertas, o pequeno foco de luz que fica sobre ela, deixando as imagens escuras no início do livro, vai se abrindo. As imagens vão sendo iluminadas e o livro vai ficando claro. Para chegar nesse efeito, usei a fotografia como parte atuante da ilustração, e não só como uma maneira de capturar e reproduzir o trabalho em papel.

Um dos desafios do meu processo de criação foi conseguir produzir formas simples, sintéticas e sem excessos, mas que tivessem muita expressão e movimento. Decidi não usar nada além do papel. Essa limitação fez com que tudo fosse pensado para que funcionasse a partir das possibilidades de trabalho com esse material, levando em conta a textura das folhagens ou da roupa da personagem, as linhas ou elementos do cenário. A ideia era que as imperfeições e irregularidades aparecessem e, de alguma forma, interferissem na criação.

Acredito que isso também ajudou a tornar as ilustrações tão vivas e expressivas. Eu acho importante, quando se trata de trabalhos com técnicas manuais, que o leitor veja esse processo e o movimento do ilustrador. Me parece que, também nesse nível, há uma espécie de diálogo entre ilustrador e leitor… Assim, o mais interessante nesse meu processo de ilustrar com papel, um material tão próximo e familiar às pessoas, foi pensar que crianças poderiam criar elas próprias, a partir de duas ou três dobras, suas próprias Teresas, ou seus próprios Ovídeos, ou, ainda, seus próprios mundos.

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OS MUNDOS DE TERESA
Sinopse:
Aniversário muda tudo. Muda a idade e muda a gente. Teresa fez seis anos e mudou. Antes, só vivia. Agora, acha que tem uma missão: descobrir o mundo. E, para isso, ela vai se transformar em coisas diferentes, e vai experimentar como é viver assim por um dia inteiro. Primeiro ela quer ser menino, depois cachorro, planta, pedra… Tudo isso para ter certeza de que, no final das contas, ser criança é a melhor coisa que existe.

 

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Carlo Giovani nasceu em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Estudou design gráfico e desenvolveu a técnica de desenho com papel. Atualmente mora em Porto Alegre com a família.

 

Não perturbe, tô chocando

Por Juan Pablo Villalobos


Sempre achei que uma metáfora ruim fosse um dos inimigos mais ferozes da boa literatura. Sou capaz de abandonar um livro por causa de uma comparação gasta e de colocar o nome do autor na lista negra. Por isso fiquei tão abatido quando, na segunda-feira da semana passada, levantei a persiana de meu estúdio, no segundo andar de um sobrado, e encontrei um ninho no parapeito da janela. Acontece que eu estou na fase final da escrita de meu novo romance e, como é normal neste momento do processo, passo dias inteiros com o traseiro na cadeira, chocando o romance.

— Fala sério, vida, se esforça um pouco! pensei, enquanto abria a janela e o pássaro, um juruti, fugia do ninho, ainda vazio.

Para piorar, o tal de juruti (só fiquei sabendo o nome quando perguntei para o proprietário do estúdio que eu alugo) deve ser um dos pássaros mais folgados do mundo, já que o ninho era todo desajeitado. Então peguei o ninho e joguei a metáfora no jardim. Passei o dia trabalhando, mas não consegui esquecer o assunto, principalmente porque o juruti me vigiava de uma jabuticabeira. Ele olhava para mim com tanta obstinação que acabei paranoico e fiz uma pesquisa na internet para saber se por acaso era uma ave perigosa, do tipo dos filmes de Hitchcock. Descobri que o único risco era que se tratava de um pássaro da família das pombas, ou seja: uma metáfora suja.

Durante o dia, conversei com alguns amigos e vários deles (especialmente as amigas vegetarianas) encheram o saco falando que eu devia respeitar o juruti, e que se ele tinha escolhido o parapeito de minha janela para colocar o ninho era porque estava tentando me dizer alguma coisa. Ou seja, estavam acrescentando uma nova metáfora barata: a dos pássaros como mensageiros (essa até Deus usou).

— Olha — falou uma delas, pelo whatsapp, do México —, você vai terminar o romance quando o passarinho nascer.

— Jura? — respondi. — E será que o romance vai ter pulga?

À noite contei para minha esposa e filhos o que estava rolando no estúdio e minha filha de quatro anos me forçou a batizar o juruti, que passou a ser chamado de “Piquita”, em espanhol, que seria, em português, “Biquinha”.

— Deixa Piquita em paz, pai — disse minha filha, que já rejeita com bastante regularidade a carne e gosta muito de brócolis e abobrinha.

Na terça-feira cheguei no estúdio, levantei a persiana e Piquita saiu voando. Porra! Tinha colocado o ninho de novo. O ninho, para piorar, era ainda mais desajeitado que o do dia anterior. Esqueci das minhas promessas, abri a janela e joguei o ninho no jardim, sem contar para minhas amigas vegetarianas nem para minha filha, lógico. Passei o dia escrevendo e Piquita na jabuticabeira, fazendo esporádicos voos até o parapeito da janela, onde caminhava olhando para mim e falava, telepaticamente:

— Vá embora, seu sedentário, não aguento mais este ovo, acho que vou explodir!

Naquela tarde, quando fechei a janela e abaixei a persiana, eu sabia perfeitamente o que ia acontecer na quarta-feira quando chegasse para trabalhar, e aconteceu: o ninho estava lá de novo. E com um ovo! A vida realmente estava teimosa. Acontece que se eu ficasse com a persiana levantada e a janela aberta, Piquita não se aproximava. Olha, jogar um ninho no jardim eu jogo, mas não são um monstro, tenho meu coraçãozinho, não ia jogar um ovo fora.

Fechei a janela, abaixei a persiana, liguei o ventilador e me preparei para escrever numa caverna: outra imagem desafortunada. Piquita demorou uns minutos em voltar para o ninho, mas voltou e a gente se acostumou a cruzar olhares de vez em quando para ter certeza de que cada um continuava no seu lugar: ela, chocando o ovo, eu, chocando o romance. Durante o resto da quarta-feira, e durante a quinta e a sexta-feira, tive tempo de descobrir outro defeito dessa metáfora: era muito desconfortável. Com a persiana abaixada, a janela fechada, o barulho do ventilador e, eventualmente, a luz acesa, minhas condições para escrever pioraram imensamente. Mas o fato é que, ainda assim (ou graças a isso, segundo minhas amigas vegetarianas), o romance continuou voando, decidido, rumo ao final (mais uma metáfora péssima).

Minha filha acha que eu deveria dedicar meu novo romance à Piquita. Mas, por enquanto, depois de passar o final de semana longe do estúdio, trabalhando em casa, estou apavorado: e se na segunda-feira descubro que uma ave de rapina comeu meu romance? E se o ovo caiu acidentalmente no jardim e quebrou? E se o romance nasceu e está deforme?

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Juan Pablo Villalobos nasceu em Guadalajara, México, e atualmente mora no Brasil. Festa no covil, seu romance de estreia, foi publicado em quinze países. Em setembro a Companhia das Letras publicou seu segundo romance, Se vivêssemos em um lugar normal. Ele colabora para o blog com uma coluna mensal.

http://www.juanpablovillalobos.com/

 

Marque na agenda


Sessão de autógrafos com Ana Paula Padrão
Segunda-feira, dia 7 de abril, às 18h
A jornalista Ana Paula Padrão lança sua autobiografia, O amor chegou tarde em minha vida.
Local: Livraria Cultura Conjunto Nacional – Térreo – Av. Paulista, 2073, Conjunto Nacional – São Paulo, SP

Lançamento de Almanaque 1964
Quarta-feira, dia 9 de abril, às 19h
Porto Alegre recebe Ana Maria Bahiana para o lançamento de Almanaque 1964, com sessão de autógrafos com a autora.
Local:  Livraria Cultura – Av. Túlio de Rose, 80, Loja 302 – Porto Alegre, RS

Lançamento de Dias perfeitos
Raphael Montes autografa seu segundo livro no Rio de Janeiro e São Paulo.

  • Quinta-feira, dia 10 de abril, às 18h
    Local: Livraria Saraiva Shopping Rio Sul – Av. Lauro Muller, 116, Botafogo – Rio de Janeiro, RJ
  • Terça-feira, 15 de abril, às 18h30
    Local: Loja Companhia das Letras por Livraria Cultura – Av. Paulista, 2073, Conjunto Nacional – São Paulo, SP

Lançamento do livro Pérola imperfeita
Quinta-feira, 10 de abril, às 19h
Lançamento do livro Pérola imperfeita, com participação das autoras Lilia Moritz Schwarcz e Adriana Varejão.
Local: Escola de artes visuais do Parque Lage – Rua Jardim Botânico, 414 – Rio de Janeiro, RJ

Contação O mercador de Veneza
Sábado, 12 de abril, às 17h
Local: Livraria da Travessa Botafogo – Rua Voluntários da Pátria, 97 – Rio de Janeiro, RJ

Lançamento de O bicho alfabeto
Sábado, 12 de abril, às 17h
Lançamento do livro infantil de Paulo Leminski em Curitiba, com poemas selecionados a partir do livro Toda poesia e com ilustrações de Ziraldo.
Local:  Pátio Batel – Avenida do Batel, 1.868 – Curitiba, PR

Encontro de quadrinhos
Sábado, 12 de abril, às 15h
Bate-papo sobre quadrinhos com Rafael Coutinho, DW Ribatski e Emilio Fraia, com exposição dos desenhos de Campo em branco.
Local: Livraria da Vila Shopping Higienópolis – Av. Higienópolis, 618 – São Paulo, SP

Bienal Brasil do Livro e da Leitura de Brasília
Autores da Companhia das Letras participam da II Bienal do Livro de Brasília.

  • Lançamento de Almanaque 1964
    Sábado, 12 de abril, às 15h30
    Ana Maria Bahiana realiza palestra e lança o livro Almanaque 1964.
    Local: Espaço Bienal – Café Literário Jorge Ferreira – Brasília, DF
  • Debate com Sérgio Rodrigues e Xico Sá
    Sábado, 12 de abril, às 17h
    Sérgio Rodrigues, Xico Sá e Paulo Rossi debatem na mesa “Futebol e Literatura”.
    Local: Espaço Bienal – Auditório Jorge Amado – Brasília, DF
  • Lançamento de Marighella
    Sábado, 12 de abril, às 20h
    Palestra “Marighella: A batalha das biografias e o direito à memória”, com Mário Magalhães, e lançamento do livro.
    Local: Espaço Bienal – Auditório Jorge Amado – Brasília, DF
  • Mesa com Michel Laub
    Domingo, 13 de abril, às 11h30
    Mesa “A nova geração de ficcionistas brasileiros” com Michel Laub , Verônica Stigger, Luisa Geisler e José Rezende.
    Local: Espaço Bienal – Auditório Jorge Amado – Brasília, DF
  • Mesa com Daniel Galera e Joca Reiners Terron
    Domingo, 13 de abril, às 15h
    Daniel Galera e Joca Reiners Terron participam de seminário sobre internet na mesa “A Internet e os espaços democráticos de difusão literária”, com Alexandre Marino e André Giusti.
    Local: Espaço Bienal – Auditório Jorge Amado – Brasília, DF
  • Mário Magalhães fala sobre futebol e ditadura
    Domingo, 13 de abril, às 16h
    Com Eduardo Galeano, Lúcio de Castro e Rodrigo Merheb, Mário Magalhães participa d0 debate “Futebol e Ditaduras na América Latina”
    Local: Espaço Bienal – Auditório Nelson Rodrigues – Brasília, DF
  • Debate com João Paulo Cuenca
    Domingo, 13 de abril, às 20h30
    João Paulo cuenca participa de debate no seminário “Brasil, América latina e áfrica: novas realidades, novos escritores” com Nnedi Okorafor, Póla Oloixarac e Graça Ramos.
    Local: Espaço Bienal – Auditório Nelson Rodrigues – Brasília, DF
  • Debate com Antônio Prata
    Segunda-feira, 14 de abril, às 18h30
    Em nova edição do seminário “Brasil, América latina e áfrica: novas realidades, novos escritores”, Antônio Prata divide a mesa com Valeria Luiselli, Conceição Lima e Paulo Paniago.
    Local: Espaço Bienal – Auditório Nelson Rodrigues – Brasília, DF
  • Debate com Ruy Castro
    Segunda-feira, 14 de abril, às 19h
    Na mesa “Biografias: literatura, história e identidade cultural”, Ruy Castro participa de debate com José Paulo Cavalcanti Filho e Toninho Vaz.
    Local: Espaço Bienal – Auditório Jorge Amado – Brasília, DF
  • Seminário com Lilia Moritz Schwarcz
    Terça-feira, 15 de abril, às 17h
    Lilia Moritz Schwarcz participa da mesa “A diáspora africana e a construção do Brasil”, com Joel Rufino dos Santos, Marco Aurélio Schaumloeffel e Rafael Sanzio.
    Local: Espaço Bienal – Auditório Jorge Amado – Brasília, DF
  • Seminário com Ana Maria Machado e Ana Miranda
    Terça-feira, 15 de abril, às 19h
    Ana Maria Machado e Ana Miranda participam do seminário “Literatura no feminino”.
    Local: Espaço Bienal – Auditório Jorge Amado – Brasília, DF

Bate-papo com Carol Bensimon e Simone Campos
Segunda-feira, 14 de abril, às 19h
Após o bate-papo “Personagens femininas fora da norma”, o evento terá leitura de trecho inédito do novo livro de Simone Campos e sessão de autógrafos de Todos nós adorávamos caubóis, de Carol Bensimon.
Local: Livraria da Travessa Shopping Leblon – Avenida Afrânio de Melo Franco, 290, Leblon – Rio de Janeiro, RJ

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Semana cento e noventa e nove

Minha luta 2: Um outro amor, de Karl Ove Knausgård (Tradução de Guilherme da Silva Braga)
Com A morte do pai, Karl Ove Knausgård inaugurou o projeto monumental de seis romances autobiográficos que totalizam mais de 6 mil páginas e revelam os detalhes mais íntimos da vida do autor e de seus familiares. Se no primeiro volume da série acompanhamos sua infância e o processo destrutivo que levou seu pai a beber até a morte, na sequência, Um outro amor, Knausgård se debruça sobre o começo turbulento de seu segundo casamento e a descoberta da paternidade, conflituosa com suas ambições literárias. Logo depois de se separar da primeira mulher, Karl Ove deixa Oslo e se muda para Estocolmo, onde começa uma nova vida, experimentando a perspectiva do estrangeiro. Lá, ele cultiva uma amizade profunda e muitas vezes competitiva com Geir e persegue Linda, poeta que o conquistara anos antes durante um encontro de escritores.  Uma conversa com amigos durante o jantar pode se estender por cem páginas; saltos no tempo e flashbacks demonstram o pleno domínio do autor, capaz de conciliar a narrativa de episódios pontuais com longas digressões que acompanham o tempo interno das personagens. Na construção narrativa de Knausgård, as fronteiras entre memória e invenção são diluídas a tal ponto que a sua própria vida é recriada e ressignificada. Entre questões existenciais e reflexões acerca do fazer literário, o que emerge ao fim desse romance honesto e profundo é a conturbada e bela história de amor de um homem por sua mulher e seus filhos. Knausgård parte de sua experiência individual para criar uma obra arrebatadora e universal.

O caminho de ida, de Ricardo Piglia (Tradução de Sergio Molina)
Neste extraordinário romance que transcorre nos Estados Unidos da década de 1990, quando o terrosita conhecido como Unabomber assombrava as consciências do país ao recusar (com enorme violência) os rumos da sociedade capitalista, Ricardo Piglia desempenha com audácia o papel de ficcionista e comentarista cultural. A morte misteriosa de uma estrela do mundo acadêmico conduz Emilio Renzi a uma busca pelo entendimento da violência naquele país. Contudo, não há respostas simples, como se verá. Pois como em outros livros do autor, a conspiração se converte no cerne de toda narrativa. Ela será a própria narrativa.

O inventário das coisas ausentes, de Carola Saavedra
Como começa o amor? À primeira vista, num encontro casual, depois de anos de convivência? Qual é a distância entre dizer “eu te amo” e amar alguém? O que resta quando o tempo passa, as pessoas mudam e o amor acaba?
Nina tem vinte e três anos quando ela e o narrador se conhecem na faculdade. Os dois têm um envolvimento amoroso, mas certo dia ela desaparece sem deixar notícias. A partir da reconstrução ficcional dos diários deixados por Nina, o narrador conta a história de seus antepassados e assim vai delineando seus contornos, numa tentativa de recriar a mulher amada. Mas como falar do outro sem falar de si? E como falar de si quando a sua própria vida é marcada pelo abandono, pelo impalpável? Essas são algumas das questões que O inventário das coisas ausentes lança ao leitor e à sua própria estrutura narrativa. Com uma abundância de tramas paralelas que por vezes se entrelaçam e por vezes seguem independentes, o romance de Carola Saavedra investiga o fazer literário, a memória, o amor e as marcas deixadas pela ausência do outro.

O Brasil é bom, de André Sant’anna
Uma pessoa discursa com entusiasmo sobre como o nosso futuro será ótimo. Um homem sem nome, que se autodenomina “cidadão de bem”, entra numa diatribe contra os direitos humanos, que arruínam o país. Mas o Brasil não é ruim, afirma outro narrador sem nome do mais novo livro de contos de André Sant’Anna. Afinal, “os deputados brasileiros não são vagabundos, não ganham quase vinte cinco mil reais por mês” e “a esmagadora maioria dos congressistas brasileiros não é corrupta”. Usando a ironia como principal arma, e adotando o ponto de vista de seres movidos a preconceito, Sant’Anna constrói um verdadeiro libro-bomba. Ao denunciar a pobreza moral da classe média e as tensões taciais e sociais em ebulição no Brasil, estes contos compõem um retrato urgente, atual e necessário do nosso país.

Editora Seguinte

A quase honrosa Liga de Piratas – o tesouro da encantadora, de Caroline Carlson (Tradução de Ricardo Gouveia)
Há muitos anos, quando objetos mágicos eram tão comuns quanto panelas nos lares de Augusta, a magia era controlada por uma feiticeira muito poderosa: a Encantadora das Terras do Norte. Certo dia, cansada de sofrer ataques de cidadãos que queriam usar os poderes de maneira ilícita, ela resolveu se vingar: recolheu a maioria dos itens mágicos do reino e desapareceu, deixando os cidadãos sem notícias de seu paradeiro nem desse magnífico tesouro. Anos depois, quando Hilary Westfield decidiu que queria ser pirata, nem imaginava que estava prestes a participar da caça ao maior tesouro de todos os tempos. Afinal, tudo o que a preocupava era fugir da Escola da Senhorita Pimm para Damas Delicadas, onde as jovens da alta sociedade aprendiam a valsar, desmaiar e se comportar à mesa. Hilary não via utilidade nenhuma naquelas lições e queria se juntar à Quase Honrosa Liga de Piratas. Qualificações não lhe faltavam, mas a Liga não admitia garotas em sua equipe de algozes e pilantras.Decidida a partir para alto-mar a qualquer custo, Hilary responde ao anúncio de um pirata autônomo em busca de membros para sua tripulação. De repente, ela se vê no meio de uma aventura marítima em busca do tesouro mais valioso do reino: o tesouro da Encantadora. Para encontrá-lo, ela contará com um mapa sem X e precisará enfrentar o vilão mais traiçoeiro – e surpreendente – de todos os mares.

Meu irmãozinho

Por DW Ribatski

Olá, meu nome é DW Ribatski, começa hoje aqui essa minha “coluna” mensal de quadrinhos no Blog da Companhia.

Isso é parte de um sonho pessoal desde a época que eu publicava fanzines: ter um espaço periódico com uma proposta de “página” de quadrinhos. (Nesse sentido é um pouco mais duro pra quem não faz tiras de humor.)

Bem vindos às minhas fantasias urbanas, hoaxes anomalísticos, crônicas quânticas, koans de realismo fantástico, simbolismos, fantasmagorias e oficinas do diabo.

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DW Ribatski nasceu em Curitiba em 1982. É artista plástico, ilustrador e quadrinista. Já colaborou com diversas publicações, como o caderno Ilustríssima da Folha de S.Paulo e a revista Superinteressante, entre outras. Nas HQs, publicou Campo em branco (Quadrinhos na Cia., 2013), Como na quinta série (Balão Editorial, 2012), La naturalesa (coleção MIL, Cachalote/Barba Negra, 2011) e Vigor Mortis (Quadrinhofilia/Zarabatana Books, 2011, com José Aguiar e Paulo Biscaia).
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