blandina franco

Semana cento e trinta e oito

Os lançamentos desta semana são:

O leão e a estrela, de Mariana Zanetti
Nem sempre é fácil sair de casa de manhã e enfrentar o dia que temos pela frente. Mas, em geral, com uma ajudinha, ou apenas com a nossa confiança, conseguimos vencer o medo e seguir em frente.  Já o leão desta história preferia ficar sempre sozinho em sua caverna e sair somente à noite, quando corria até o lago para observar as estrelas nele refletidas. Seu medo era tão grande que ele nem levantava a cabeça, e assim não sabia que, na verdade, as estrelas moravam no céu. Até que um dia, uma estrela resolve descer à terra.

Adonis, de Blandina Franco
Adonis era um filhote de elefante como qualquer outro: adorava correr por aí, rolar na lama e derrubar algumas árvores pelo caminho. Acontece que, um certo dia, durante o banho de rio, Adonis percebeu uma coisinha nas costas, uma coisinha que ele nunca tinha visto ali – pois é, de repente ele tinha asas!

Editora Paralela

Corpo de delito, de Patricia Cornwell (Trad. Celso Nogueira)
Cary Harper é um escritor famoso. logo após o cruel assassinato de sua filha adotiva, ele também é assassinado. A irmã de Harper morre em circunstâncias igualmente misteriosas. Quem cometeu os crimes? Por que cometeu? Essas são as perguntas que guiam a médica-legista Kay Scarpetta. Além das provas que consegue colher nos corpos levados ao necrotério, Scarpetta sai a campo com o chefe de polícia Pete Marino e com o agente do FBI Benton Wesley na tentativa de solucionar o caso. As mais variadas hipóteses vão sendo sucessivamente abandonadas. Nada parece dar conta de todas as circunstâncias. Um dia, porém, a dra. Scarpetta recebe a visita de um desequilibrado mental que acaba fornecendo a única pista para a identidade do assassino. Envolvida demais no caso, a jovem legista começa a receber telefonemas ameaçadores. Seria ela a próxima da lista?

Semana oitenta e seis

Os lançamentos da semana são:

Os gêmeos (Crônicas de Salicanda – Volume 1), de Pauline Alphen (Tradução Dorothée de Bruchard)
Na floresta de Salicanda vivem os gêmeos Jad e Claris, que na noite em que completam três luadas perdem a mãe e passam a apresentar alguns poderes estranhos. Estamos no século XXIII, em um mundo de práticas quase medievais: o escambo impera e não há o menos sinal da tecnologia que conhecemos nos dias de hoje. Os irmãos não conhecem a história da humanidade, assim como não sabem por que a mãe desapareceu, e estão em busca de respostas.

O último suspiro do mouro, de Salman Rushdie (Tradução Paulo Henriques Britto)
Em 1988, o aiatolá Khomeini condenou Salman Rushdie à morte por ter escrito um livro que desagradou aos fundamentalistas islâmicos. A resposta do autor foi este romance: uma defesa contundente das virtudes do pluralismo e da tolerância, em oposição às pretensas verdades únicas e excludentes. O protagonista da história é o “Mouro” Zogoiby – filho único de uma família abastada da boemia artística de Bombaim –, que se encontra num momento de crise profunda. Sua mãe, uma pintora famosa, ama a beleza, mas o Mouro é feio e tem uma mão deformada. Ele se apaixona por uma mulher casada e ambos acabam sendo expulsos de casa, levando a um pacto suicida que não funciona como o esperado. O Mouro decide aceitar seu destino e mergulha numa vida depravada em Bombaim.

A educação de uma criança sob o Protetorado Britânico, de Chinua Achebe (Tradução Isa Mara Lando)
“Onde quer que haja Alguma Coisa, Alguma Outra Coisa virá ficar a seu lado”. Formulado pela tradição imemorial da cultura igbo, o provérbio citado pelo nigeriano Chinua Achebe nesta coletânea de ensaios poderia resumir sua própria visão de mundo como romancista e pensador. Instantâneos autobiográficos e bastidores da criação literária, bem como reflexões históricas e culturais, dialogam de modo fecundo com as opiniões do autor de O mundo se despedaça acerca da tumultuada política de seu país, mostrando que realidade e ficção são faces complementares da experiência. Achebe, um dos escritores mais importantes da literatura contemporânea, analisa as conseqüências funestas do colonialismo sem jamais dispensar a lucidez, o bom humor e a ironia.

Clara dos Anjos, de Lima Barreto
Livro-chave para a interpretação da obra de Lima Barreto, Clara dos Anjos narra as desventuras de uma adolescente pobre e mulata seduzida por um malandro branco. Os subúrbios do Rio de Janeiro no início dos anos 1920, desempenham papel central num enredo de conexões históricas e sociológicas que, na habilidosa construção da narrativa, converte o triste fim da protagonista numa crítica feroz da alegada “democracia racial” brasileira. A edição traz textos elucidativos de Beatriz Resende, Lúcia Miguel Pereira e Sérgio Buarque de Holanda, e notas elaboradas por Lilia Moritz Schwarcz e Pedro Galdino.

Diário de Oaxaca, Oliver Sacks (Tradução Laura Teixeira Motta)
Como são e o que fazem cientistas quando se vêem longe de seus laboratórios e perto do habitat de seus objetos de pesquisa? O que explica seu entusiasmo quase juvenil pela descoberta de um novo espécime? Ao narrar sua experiência junto a um grupo de aficionados por samambaias que se desloca de Nova York a Oaxaca, no sul do México, para ver as pteridófitas mais raras do mundo, Oliver Sacks nos mostra como o romantismo é inerente à ciência e homenageia os grandes pioneiros da biologia, como Alexander on Hulbold e Charles Darwin, cujos relatos célebres de expedições são até hoje lidos com entusiasmo.

A águia que não queria voar, de James Aggrey e Wolf Erlbruch (Tradução Sergio Tellaroli)
A águia, rainha das aves, é símbolo de nobreza e poder. Já a galinha não teve a mesma sorte. E que, na imaginação das pessoas, ser águia significa encarar o sol de frente e alçar grandes voos. Ao passo que ser galinha…Bom, além de mal sair do chão, elas têm de se contentar com os grãozinhos de milho que recebem. Majestade e submissão se encontram nesta bela história da águia que, criada como galinha, se recusa a voar. Escrita para os povos africanos — que, dominados pelos europeus, deixaram de acreditar na riqueza da sua cultura e na capacidade de tomar o seu destino nas próprias mãos –, esta fábula nos lembra que, mesmo adormecida, a grandeza humana não se deixa extinguir nem mesmo pela mais severa opressão.

Na casa do Leo — O corpo humano, de Philip Ardagh (Tradução Érico Assis)
Entre (não precisa bater!) e descubra: que os bebês têm mais ossos que um adulto; que os nossos ouvidos, além de responsáveis pela audição, promovem também o equilíbrio do corpo; por que o nosso pulmão esquerdo é menos que o direito. Uma casa repleta de curiosidades e diversão!

Beto e Bia em De Mentirinha, de Geoffrey Hayes (Tradução Érico Assis)
Beto adora brincar de pirata valente, mas é difícil viver suas aventuras com Bia, sua irmã menos, sempre atrás dele. Ela quer brincar junto, mas é pequena demais e não entende nada! Beto precisa dar um jeito de fugir dela. Quando ele finalmente consegue se livrar da irmã, descobre que brincar sozinho não é tão divertido.

O peixe e a passarinha, de Blandina Franco e José Carlos Lollo
Em um rio cercado de árvores viviam um certo peixe, que passava horas admirando o desenho das nuvens, e uma certa passarinha, que adorava observar a paisagem refletida na água. Quando um dia os dois resolvem comer a mesma minhoca na mesma hora dão início a uma longa amizade, que acaba se transformando em amor. Dos autores de Quem soltou o Pum?, uma história de um amor improvável mas não impossível.

iPum

Por Júlia Moritz Schwarcz

Depois de várias reuniões, alguns quilos de biscoito de polvilho e milhares de e-mails, ficou pronto o primeiro livro infantil digital da Companhia. A versão para iPad do livro Quem soltou o Pum? poderá ser comprada na Apple Store a partir do dia 15 de agosto. E já que fazer esse livro foi uma novidade do começo ao fim (pelo menos para quem está acostumado com papel, caneta e uma boa dose de Microsoft Word), vou tentar relembrar um pouco do que se passou ao looongo desse looongo processo.

Sabe aquela sensação de tela em branco? Pois foi assim que tudo começou. Em primeiro lugar, era preciso decidir se queríamos algo próximo do livro em papel ou um “produto” totalmente diferente. Melhor que seja diferente, peromuy importante! — sem que se tornasse um quase jogo eletrônico. Partindo daí, decidimos que cada página teria por volta de duas animações. E bolar o “roteiro” dessas animações foi menos simples do que parecia. O Lollo, ilustrador do livro, sempre chamava a nossa atenção para a história do livro: por que fazer a mosquinha se mexer e zunir se ela não tinha importância nenhuma no que acontecia naquela parte da narrativa? Claro! As animações deveriam incrementar a história e não desviar a atenção do leitor; uma salva de palmas ao Lollo, que, aliás, teve que praticamente redesenhar o livro.

Enquanto isso, já que não entendo bulhufas da parte de programação eletrônica, sugeria as animações mais espalhafatosas e absurdas aos olhos dos meus colegas do outro lado do balcão. “E fazer ele se esconder debaixo da cama, essa é fácil, vai?” Sem dominar a tecnologia, sem poder saber se era possível programar tal movimento e se ele não ficaria artificial porque a ferramenta existente tinha não sei qual empecilho, era difícil bolar essas animações. E os sons, então, mais uma estreia para uma editora de livros, que acabava sempre sugerindo clichês da publicidade e reclamava que o barulho do bebê chupando chupeta não estava bom. De resto, a Helen precisou rediagramar o livro, abrindo espaço para os movimentos das ilustrações, que passavam a ocupar novos espaços nas páginas, e também para juntar o texto, já que o livro acabou com 16 páginas em vez de 32.

Mas ficou pronto e ficou muito bom, espero que todo mundo ache o mesmo. Pena só que não vou poder dar um desses de presente para o filho do Domingos — o entregador da lanchonete aqui perto da editora, que um dia me pediu a indicação de um livro para o filho ler nas férias, ganhou um de presente e depois de um mês se deu ao trabalho de vir me deixar um x-bacon-salada-maionese de presente; maior obrigado que eu já recebi!

* * * * *

Júlia Moritz Schwarcz é editora dos selos Companhia das Letrinhas e Cia. das Letras. Ela contribui quinzenalmente para o blog com textos sobre literatura infantil.

Semana quarenta e um

Os lançamentos da semana são:

Lições de filosofia primeira, de J. A. Giannotti
Giannotti compõe um roteiro didático diferente das “introduções à filosofia” usuais. Em vez de apresentar um desfile mais ou menos apressado de nomes, conceitos e sistemas, o autor prefere concentrar-se nos momentos que conduziram à grande crise do século XX, quando pensadores como Heidegger e Wittgen-stein solaparam as bases do discurso filosófico tradicional. Dividido em duas partes, dedicadas respectivamente aos pensadores clássicos e contemporâneos, o livro percorre as principais questões da metafísica desde Platão e Aristóteles, proporcionando a estudantes e especialistas um excelente guia para a prática e o ensino da filosofia.

Mensagem de uma mãe chinesa desconhecida, de Xinran (Tradução de Caroline Chang)
Xinran, jornalista e autora do best-seller internacional As boas mulheres da China, retorna às histórias verídicas de mulheres chinesas que a tornaram mundialmente conhecida. Desta vez ela aborda com delicadeza um dos aspectos mais cruéis e polêmicos da sociedade chinesa contemporânea: em dez capítulos, são apresentadas dez histórias marcadas pela interrupção da relação mãe-filha. Após relutar, Xinran decidiu abordar esse delicado tema e dedicar um livro às centenas de milhares de mães chinesas que se viram levadas a rejeitar — e até mesmo a matar — suas bebês: pela primeira vez, elas teriam suas histórias ouvidas. São, é claro, histórias alarmantes, como a vez em que a própria autora testemunhou uma parteira afogar uma menina recém-nascida num balde de água suja. Juntos, material humano, dados históricos e informações estatísticas compõem um envolvente panorama de tristes experiências de maternidade e confirmam a autora como uma das principais vozes a traduzir a complexa realidade chinesa para o público-leitor ocidental.

Apego, de Isabel Fonseca (Tradução de Alexandre Barbosa de Souza)
Aos 46 anos, Jean Hubbard é uma profissional de sucesso que leva uma vida doméstica relativamente feliz. Jornalista formada em Oxford, escreve colunas sobre saúde e bem-estar para inúmeras publicações e é casada com Mark, homem igualmente bem-sucedido, proprietário de uma das mais criativas agências de publicidade da Inglaterra. A harmonia cotidiana se dissolve quando Jean intercepta uma carta indecorosa remetida pelo escritório londrino de Mark. Em vez de apresentar sua descoberta e inquirir o marido, Jean decide acessar um endereço de e-mail fornecido pela signatária da carta e encontra fotos picantes da suposta amante. Tomada por um misto de ciúme, curiosidade masoquista e dependência, Jean começa a se corresponder com a moça, passando-se por Mark. Num crescendo de drama e suspense, Fonseca compõe um painel delicado e surpreendente da meia-idade, mostrando que a maturidade e o sucesso não trazem necessariamente segurança ou amadurecimento emocional.

Mortalha para uma enfermeira, de P.D. James (Tradução de Daniel Estill)
Mortalha para uma enfermeira é um dos primeiros e mais elogiados livros de P. D. James, tido pelo New York Times como “a narrativa de mistério em sua melhor forma”. Os métodos inteligentes e minuciosos de investigação de Adam Dalgliesh, o charmoso inspetor da Scotland Yard que protagoniza uma série de romances da autora, serão postos à prova por intrigas que envolvem algumas mortes misteriosas em Nightingale House, escola de enfermagem anexa a um renomado hospital do sul da Inglaterra. O assassinato de duas jovens estudantes inaugura a série de crimes. A primeira vítima foi envenenada e a segunda era uma bela aluna que, descobre-se, estava grávida de três meses. No cenário de um sombrio casarão vitoriano, com a atmosfera pesada dos ambientes hospitalares, os principais suspeitos serão os estudantes, professores e médicos — justo aqueles que deveriam proteger vidas.

Um lugar incerto, de Fred Vargas (Tradução de Dorothée de Bruchard)
Para o delegado Jean-Batiste Adamsberg seria apenas uma curta estada do outro lado do canal da Mancha, mas a participação em um colóquio sobre crimes ligados à imigração reservou surpresas macabras. Dezessete pés foram encontrados, dentro de sapatos, junto ao cemitério de Highgate. O local é famoso. Corre a lenda que Highgate tem um “mestre”, uma entidade vampiresca que assombra o cemitério e tem ligação com ninguém menos que Bram Stoker, o criador do conde Drácula. Mas Adamsberg tem de retornar à rotina em Paris, onde irá se confrontar com um crime não menos assustador e repulsivo: o corpo de um velho jornalista é encontrado em pedacinhos, estripado em sua residência em um subúrbio de luxo. Pouco depois, descobre-se que um crime semelhante aconteceu recentemente na Áustria. Nessa galeria de personagens, crimes e lugares sinistros, só a imaginação e a argúcia de Adamsberg são capazes de deslindar as relações que ligam suspeitos, épocas e paisagens tão incertos quanto sombrios.

Grande, pequeno, de Blandina Franco (Ilustrações de José Carlos Lollo)
Muito adulto jura de pés juntos que nunca fez aquelas coisas que criança sempre faz — pintar a parede com canetinha, vestir uma capa e pular da cadeira, tentando voar, enfiar o dedo no nariz… Pois os autores deste livro revelam alguns segredinhos de infância de personagens insuspeitos: um campeão de natação que perdeu a sunga na piscina; a freira carmelita que usava vestido de chita, o segurança grandão que no teatro da escola fez papel de abelhinha; e muitos mais. Ser grande ou pequeno é mesmo curioso. E só depende do ângulo de que a gente está olhando. Dos mesmos autores de Quem soltou o Pum?.

Semana dezenove

Não há silêncio que não termine, de Ingrid Betancourt (Tradução de Rosa Freire d’Aguiar, José Rubens Siqueira, Antonio Carlos Viana e Dorothée de Bruchard)
Entremeando a narrativa do cativeiro com reflexões sobre a morte, a liberdade e o poder, Não há silêncio que não termine reconstitui com implacável lucidez o período de mais de seis anos que Ingrid Betancourt passou no inferno verde da selva amazônica em poder das Farc, a principal organização guerrilheira da Colômbia. Leia dois post sobre o trabalho de edição do livro: “Seis anos na selva, quatro meses de trabalho”, da editora-assistente Lucila Lombardi, e “Originais aos pedaços”, do colunista Luiz Schwarcz.

Seu rosto amanhã – vol. 3, de Javier Marías (Tradução de Eduardo Brandão)
O narrador deste ambicioso thriller metafísico, Jacques ou Jaime ou Jacobo Deza — o ex-professor da Universidade de Oxford que, ainda no primeiro volume, decide voltar à Inglaterra e se juntar a um grupo de velhos espiões do núcleo do Serviço Secreto britânico que atuaram contra o nazismo —, acaba conhecendo aqui os inesperados rostos dos que o rodeiam e também o dele. Descobre então que, sob o mundo mais ou menos tranquilo em que os ocidentais vivem, sempre lateja uma necessidade de traição e violência que é inoculada em nós como um veneno.

No buraco, de Tony Bellotto
Em seu novo romance, Tony Belloto mimetiza às avessas sua história para contar com humor ácido e contundente as aventuras de Teo Zanquis, um tipo solitário, que atingiu muito rápido seu apogeu para, em seguida, com a mesma rapidez, mergulhar no mais retumbante esquecimento. Agora ele caminha sem ilusões para a velhice, mas isso não impede que Teo busque o amor no corpo de uma jovem coreana, nem que estreite laços de amizade com figuras de quem ele jamais imaginaria se aproximar em seus tempos de semi-ídolo do rock nacional, como a dona Gladys, velha e excêntrica vizinha da quitinete onde ele mora.

Os anéis de Saturno, de W.G. Sebald (Tradução de José Marcos Mariani de Macedo)
Internado no hospital, o narrador deste poderoso romance tece o relato de uma caminhada de um ano pelo leste da Inglaterra, investigando a história, a arte e a natureza numa mistura de autobiografia, ensaio, narrativa histórica e prosa de ficção. A lucidez, a originalidade e a beleza descritiva de Sebald resultam numa narrativa hipnotizante, que remete a influências como Jorge Luis Borges, Thomas Bernhard e Joseph Conrad.

Livro da vida, de Santa Teresa d’Ávila (Tradução de Marcelo Musa Cavallari)
Livro da vida, o clássico mais lido pelos espanhóis depois de Dom Quixote, é a autobiografia de uma mulher que conta, entre outros feitos, a experiência de seu contato direto com Deus, numa prosa que mistura conversa de freira, romance de cavalaria e teologia mística. Em notável prefácio, escrito especialmente para esta edição, Frei Betto descreve Teresa da seguinte maneira: “Feminista avant la lettre, esta monja carmelita do século XVI, ao revolucionar a espiritualidade cristã, incomodou as autoridades eclesiásticas de seu tempo, a ponto de o núncio papal na Espanha, Dom Felipe Sega, denunciá-la, em 1578, como ‘mulher inquieta, errante, desobediente e contumaz’”. Esta edição traz também uma esclarecedora introdução de J. M. Cohen, especialista em literatura de língua espanhola e um dos mais notáveis homens de letras da Inglaterra no séc. XX.

Sete suítes, de Antonio Fernando de Franceschi
O contraponto entre a musicalidade das palavras e o rigor da composição, entre a maneira que tem o poeta de entrar no assunto com leveza e de ao mesmo tempo conferir-lhe a força da revelação, caracteriza o poeta Antonio Fernando De Franceschi, não deixando dúvida quanto à importância dessa poesia mineral, feita de pedras, de paisagens bruscas e desse outro minério que é o produto da memória. Os temas das sete suítes são “Pirassununga” (memórias da infância), “Asa e vento” (uma contraposição entre passado e presente), “As formas clássicas”, “As palavras”, “Poços de Caldas”, “Retratos” e “Inquietudes”.

Padre Antônio Vieira, o imperador da língua portuguesa, de Amélia Pinto Pais (Ilustrações de Mariana Newlands)
Escrito como uma autobiografia, o livro traz os principais acontecimentos da vida de Antônio Vieira, além de trechos de seus mais conhecidos sermões e de sua correspondência. O volume inclui ainda dois anexos: um texto explica a estrutura de um sermão e outro contextualiza a ação da Inquisição. Dirigido aos jovens leitores, Antônio Vieira, o imperador da língua portuguesa pretende despertar neles o gosto por conhecer a vida e a obra deste que é um dos maiores prosadores da nossa língua.

Quem soltou o Pum?, de Blandina Franco (Ilustrações de José Carlos Lollo)
A história é simples, mas a sacada é das boas: imagine um cachorrinho de estimação que se chama Pum! Daí dá para tirar diversos trocadilhos, criando frases e situações realmente hilárias. É um tal de não conseguir segurar o Pum, que é barulhento e atrapalha os adultos, que dizem que o Pum molhado, em dia de chuva, fica mais fedido ainda, o que faz o menino passar muita vergonha. Pobre Pum. E pobre dono do Pum! Mas não tem jeito, com o Pum é assim mesmo: simplesmente ninguém consegue evitar que ele escape e cause certos inconvenientes.