carlos drummond de andrade

Semana cento e quarenta e seis

Os lançamentos desta semana são:

O ateneu, de Raul Pompeia
A inesquecível galeria de tipos humanos imortalizada por Raul Pompeia no microcosmo do Colégio Ateneu constitui o centro deste romance, publicado originalmente em 1888 como folhetim na Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro e até hoje um marco de nossa prosa. A partir das memórias do autor como aluno do Colégio Abílio no bairro das Laranjeiras, onde estudou entre 1873 e 1877, o romance narra as experiências de Sérgio, um tímido garoto de onze anos como aluno interno no Colégio Ateneu. Esta edição de O Ateneu conta com texto introdutório de Pedro Meira Monteiro, doutor em Teoria e História Literária pela Unicamp e professor no Departamento de Espanhol e Português na Universidade Princeton, além de detalhada cronologia biográfica do autor.

Os dias lindos, de Carlos Drummond de Andrade
Contos, crônicas, causos e um mar de pequenas histórias dão forma a um dos livros mais queridos e sempre lembrados da prosa do mineiro Carlos Drummond de Andrade. Com sua investigação — sempre gentil, arguta e inventiva — sobre o poder da linguagem  em nosso cotidiano, Os dias lindos traz uma prosa poderosa, mas nunca forçosa ou altissonante, para falar das gentes e dos costumes do Brasil.

A oficina das borboletas, de Gioconda Belli (Trad. Julia Bussius)
Há muito tempo, quando vários animais e plantas não existiam, os criadores de todas as coisas trabalhavam dia e noite. Eles seguiam uma lei muito rígida: os inventores dos cães só podiam criar cães, os dos arbustos só podiam fazer arbustos e assim por diante. Rodolfo, responsável por fazer alguns insetos sem graça, como moscas, grilos, formigas, não se conformava com essa regra. Seu maior sonho era dar vida a uma outra criatura, que fosse ao mesmo tempo leve como um pássaro e bela como uma flor. Até que, um dia qualquer, ele sentou à beira do lago e viu um beija-flor em pleno voo. Então teve uma ideia…

Território da emoção, de Moacyr Scliar
As paixões da vida de Moacyr Scliar estão todas nestas crônicas, escritas alegremente, ao sabor do pensamento. Elas talvez se resumam a uma só: a palavra, ao mesmo tempo sede da memória, do conhecimento e da criação. Para Scliar, a palavra que entende e se articula no discurso é a mesma na medicina e na literatura; enquanto a palavra da ciência descreve a causa e o funcionamento das coisas, a da memória e da paixão se traduz em literatura. Outros temas de Scliar permeiam estas crônicas saborosas, pontuadas pelo humor sem travo, malicioso e cúmplice de Scliar. Um deles é a psicanálise. Com ela, Freud criou uma ciência capaz de desenhar a alma e expor a fonte das palavras — e com estas curá-la. E compareceram personagens insignes, muitos deles médicos sanitaristas, como Noel Nutels e Oswaldo Cruz, outros médicos escritores, como Thomas Mann, Tolstói e Molière. Todos eles estão atrás das “pequenas ressurreições” que redimem o homem do “aguilhão da morte”. A palavra, na medicina como na literatura, é capaz de operar esse prodígio.

Semana cento e trinta e dois

Os lançamentos da semana são:

Região, de Zulmira Ribeiro Tavares
Região reúne três livros de ficção curta de Zulmira Ribeiro Tavares, publicados desd e a década de 1970: Termos de comparação, O japonês dos olhos redondos e O mandril. Traz também obras ficcionais recentes, como a série “O Tio Paulista” e o conto notável que dá título ao volume. Além das ficções, o livro apresenta o ensaio inédito “Dois narizes”, no qual são analisados o conto “O nariz”, de Gógol, e As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. A comparação feita pela autora revela novos significados nos dois textos e aponta para uma estratégia literária muito cara também a ela própria/; uma prosa que leva ao limite a representação realista e traduz uma inusitada conjunção de comédia e absurdo que o leitor brasileiro conhece bem – tanto na ficção como na realidade.

A bolsa & a vida, de Carlos Drummond de Andrade
Com períodos como esse, tem-se como certo que o Drummond cronista não devia nada ao poeta. Aqui estão, em prosa limpa, divertida e sarcástica, algo melancólica – com o famoso pendor ao nonsense -, alguns dos melhores textos que publicou na imprensa, quando, sem favor nenhum ao autor de Claro enigma, figurava entre os grandes praticantes do mais brasileiro dos gêneros literários.

O Latke que não parava de gritar, de Lemony Snicket (Trad. Antônio Xerxenesky)
Esta história termina na boca de uma pessoa, mas começa num pequeno vilarejo mais ou menos coberto de neve, onde um punhado de batatas raladas, cebolas picadas, ovos batidos e uma pitada ou duas de sal nascem na forma de um bolinho frito chamado latke, degustado no feriado judaico de Chanucá. Agora só falta saber porque ele não parava de gritar.

O exército furioso, de Fred Vargas (Trad, Dorothée de Bruchard)
Uma lenda medieval volta a assombrar uma pequena cidade da Normandia: um exército fantasma desfila à noite por uma trilha na mata. Quem vê a tropa de zumbis é Lina, jovem atraente que vive com a mãe e três irmãos estranhos – um deles nasceu com seis dedos, outro come insetos e o caçula acredita ser feito de argila. O Exército Furioso não tarda a fazer jus a sua fama, e um dos habitantes mais odiados do vilarejo aparece morto. A lenda diz que outras mortes virão. O delegado Adamsberg é chamado de Paris. Dividindo-se entre investigações na capital e no lugarejo normando, ele tenta desvendar o mistério que envolve um caçador cruel, um piromaníaco, um conde decaído um empresário incendiado e os zumbis medievais. Com seus assistentes Danglard, Retancourt e Veyrenc, o delegado Adamsberg terá de investigar a crença nessa trupe sinistra, desafiar superstições ancestrais e descobrir onde termina a lenda e onde começam os planos macabros de assassinatos em série.

Risíveis amores, de Milan Kundera (Trad. Teresa Bulhões Carvalho da Fonseca)
Um homem diz que crê em Deus só para conquistar uma mulher e acaba descobrindo as virtudes da devoção a um deus que ele sabe inexistente. Namorados fingem que não se conhecem e aos poucos percebem como são, de fato, dois estranhos. Um mentiroso hábil brinca com as pessoas, mas elas são tão crédulas que ele perde o controle da situação. Nos sete contos de Risíveis amores, Milan Kundera retira do amor e do sexo a seriedade que costuma recobri-los. As situações se desenvolvem a partir de um mal-entendido, de um jogo com o outro. Mas o engano, que se inicia como brincadeira, mostra como na realidade o autoengano governa todos os aspectos da vida. Não são apenas histórias de amor que fazem rir. São, também, histórias sobre tentativas de repor alguma verdade à experiência amorosa.

Fazendeiro do ar, de Carlos Drummond de Andrade
Um dos títulos mais importantes da obra poética de Drummond, Fazendeiro do ar investe na metafísica e na observação da brevidade da vida – sem esquecer dos afetos e do mundo sensível. A incerteza, a angústia em das forma literária às oscilações do espírito em plena maturidade e a dura tarefa de encapsular liricamente as múltiplas faces de uma realidade que, em essência, é impossível de apreender ocupam diversos poemas deste livro sempre expressivo e fundamental.

V.I.S.H.N.U., de Eric Acher, Ronaldo Bressane e Fabio Cobiaco
Num futuro dominado pela tecnologia, nenhum produto se destaca tanto quanto o Noodle. Misto de assistente pessoal e gerenciador de tarefas, o Noodle é onipresente na vida de nove entre dez habitantes do planeta. Até entrar em colapso. Atrelado profundamente a sistemas vitais da sociedade, ele derrubou bancos, transporte, governos e décadas de avanços científicos. O mundo que emergiu desta crise aprendeu a tratar os computadores com desconfiança, mas não soube diminuir sua dependência deles. Wilczenski é uma das grandes mentes de seu tempo, e que agora se dedica à mesma ciência que trouxe tanta destruição no passado: a inteligência artificial. Até que tudo dá errado mais uma vez. Quando uma misteriosa entidade parece despertar nos galpões do grupo Gaia, Wilczenski é o primeiro a ser chamado. Mas a entidade, que se apresenta como V.I.S.H.N.U., pede para ser mostrada ao mundo por outro cientista, o grego-brasileiro Karabalis. Misto de thriller e ficção-científica, V.I.S.H.N.U. conta a história destes dois gênios em conflito, enquanto guerrilhas luditas, jornalistas, hackers, políticos e grupos religiosos tentam tomar o controle da situação. Tocando em questões atuais da ciência, o livro percorre continentes numa aventura que traz à tona um estranho e perigoso caminho que nossos avanços podem tomar.

Semana cento e vinte e três

Os lançamentos desta semana são:

A poesia das coisas simples, de Moacyr Scliar
“A poesia das coisas simples” é o título de uma crônica de 1990, escrita quando Rubem Braga fez o que, segundo Scliar, ninguém esperava: partiu deste mundo. Afinal, reflete o escritor, se ele já era “o velho Braga”, por que não ficou para sempre entre nós, mesmo velho? O texto comenta como Braga transformou a crônica, “tradicionalmente vista como um gênero menor, numa categoria literária de importância neste país [...] e transformou o cotidiano em matéria-prima para um trabalho literário de primeira grandeza”. Também Moacyr Scliar, afirma Regina Zilberman no prefácio, com sua “linguagem límpida, com toques de humor”, se tornou “um dos mais importantes cronistas da literatura brasileira das décadas finais do século XX e peimeira do século XXI”. Em uma de suas últimas crônicas, de novembro de 2010, o autor fala de Tolstói, “o primeiro hippie”. Nela o jovem septuagenário Scliar saúda as qualidades de vigor intelectual, independência e rebeldia de espírito do jovem octogenário russo — qualidades que também caracterizaram esse nosso escritor tão queridos de seus leitores.

Lição de coisas, de Carlos Drummond de Andrade
Um dos marcos na carreira de Carlos Drummond de Andrade, Lição de coisas, publicado há exatos cinquenta anos, aprofunda o percurso da lírica do itabirano e traz alguns elementos ainda mais ousados. Alternando a dicção filosófica, a leveza e a busca por novas formas de expressão poética, os 37 poemas reunidos neste volume constituem um dos capítulos mais expressivos da poesia brasileira do século XX, e sem dúvida ainda perduram entre os cumes da obra de um autor cuja riqueza expressiva parece inesgotável.

Semana cento e vinte e dois

Os lançamentos desta semana são:

Os destituídos de Lódz, de Steve Sem-Sandberg (Trad. Jaime Bernardes)
Mistura de romance social e literatura do holocausto, Os destituídos de Lódz enfileira personagens inesquecíveis enquanto retraça, com os poderosos instrumentos da melhor ficção, a história do gueto de Lódz, a macabra cidade segregada erguida pelos invasores nazistas da Polônia no início da Segunda Guerra. Chegando a reunir cerca de 200 mil almas em seu auge, o gueto era administrado por uma figura que, ainda hoje, mais de meio século depois de sua extinção definitiva, permanece um enigma. Trata-se de Mordechai Chaim Rumkowski, um judeu que vivia mergulhado em pensamentos de grandeza enquanto gerenciava a miséria humana: a fome, as precárias condições de higiene e a violência dos guardas nazistas. Escrito a partir da farta documentação sobre um dos episódios mais sombrios da trajetória humana, este é um romance destinado a ocupar um lugar especial na literatura contemporânea. Uma obra cuja denúncia ressoa na alma do leitor mesmo muito depois de seus acontecimentos já constarem dos livros de história.

O muro, de Peter Sís (Trad. Érico Assis)
Imagine crescer em um lugar de onde não se pode sair, em que tudo é regulado ou proibido, até mesmo desenhar. Peter Sís, vencedor do maior prêmio de literatura infantil, o Hans Christian Andersen, responde a essa pergunta narrando, com traços e memórias, o seu dia a dia no lado oriental e comunista da Cortina de Ferro, durante a Guerra Fria. Desde a infância, repleta de privações e obrigações, até os tempos de revolta, quando o garoto conhece o outro lado do muro, a história de Sís nos mostra como a arte – tão prazerosa para ele e ameaçadora para os outros – aproximou-se do sonho de ser livre.

A confissão da leoa, de Mia Couto
Ataques de leões aterrorizam uma aldeia de Moçambique. Da capital do país, um experiente caçador é enviado à região para liquidar as feras. Ao chegar ao local ele se depara com um mundo mais complexo e ameaçador do que imaginava, no qual mito e realidade se entrelaçam. Narrado em primeira pessoa alternadamente por dois personagens – o caçador e uma moradora da aldeia -, este romance inspirado em fatos reais desvenda aos poucos uma África profunda e sombria, onde o impulso rumo à liberdade e a uma vida digna é continuamente obstruído por práticas ancestrais de opressão política, social e sexual. Com sua prosa encantatória, o autor moçambicano chama a atenção para o papel da própria linguagem como força de recriação do real e transfiguração dos males do mundo.

Contos plausíveis, de Carlos Drummond de Andrade
Histórias, pequenas fábulas, iluminações cotidianas, causos deliciosos muitas vezes calcados nas pequenas e grandes notícias do jornal: esse é o refinado – e sempre encantador – cardápio oferecido pela prosa de um dos nossos autores mais importantes nestes Contos plausíveis. Poéticos, realistas e cheios de maravilhamento, os textos em prosa reunidos neste volume são “contos de bolso”, como dizia o próprio Carlos Drummond De Andrade, que os experimentou a partir de 1969, quando passou a assinar pequenas histórias no Jornal do Brasil.

Carcereiros, de Drauzio Varella
Em Estação Carandiru Drauzio Varella focou seu corajoso relato na população carcerária de um dos presídios mais violentos do Brasil. Mas os vinte e três anos atuando em presídios brasileiros como médico voluntário também o aproximaram do outro lado da moeda: as centenas de agentes penitenciários que, trabalhando sob condições rigorosas e muitas vezes colocando a vida em risco, administram essa população. Foi com um grupo desses agentes que Drauzio passou a se reunir depois das longas jornadas de trabalho, em um botequim de frente para o Carandiru. E essa convivência pôs o autor em contato com os relatos narrados em Carcereiros, segundo volume da trilogia iniciada por Estação Carandiru – o terceiro livro, Prisioneiras, terá como ponto de partida o trabalho do médico na Penitenciária Feminina da Capital. Acompanhamos, assim, uma rebelião pelos olhos de quem tenta contê-la. Entramos em contato com o cotidiano dos carcereiros e as situações desconcertantes impostas pelo ofício, que eles resolvem com jogo de cintura e, não raramente, com humor. O que emerge é um retrato franco de um mundo totalmente desconhecido para quem está de fora.

Semana cento e nove

Os lançamentos desta semana são:

Poemas, Adonis (Trad. Michel Sleiman)
Há muito tempo Adonis é considerado o maior poeta árabe vivo. Não apenas foi o principal renovador daquela poesia, ao introduzir algumas das mais importantes conquistas formais do modernismo ocidental, como continua a ser uma das vozes fundamentais e mais ativas da cultura árabe. Embora consciente de viver em tempos de corrosão, ele não teme exercitar uma poesia de sabedoria, na fronteira da filosofia ou mesmo da religião, chegando a cristalizar novas máximas, nunca dogmáticas, em seus textos. “A poesia”, disse recentemente Adonis, “não pode ser feita para se adequar a uma religião ou a uma ideologia. Ela oferece aquele conhecimento que é explosivo e surpreendente.” Em tradução inédita do árabe, este livro é a primeira seleta de poemas de Adonis publicada no Brasil.

As impurezas do branco, Carlos Drummond de Andrade
As impurezas do branco é um livro que aponta novos e múltiplos caminhos na lírica de Carlos Drummond de Andrade. Publicados em 1973 (década em que a vida política estava sufocada pela Ditadura ao mesmo tempo em que se assistia à explosão da cultura jovem em todos os cantos do mundo), os poemas tratam sem cerimônia alguma de temas maiúsculos como amor e metafísica, e abordam – com agudeza – aspectos da vida cotidiana, como o noticiário e a publicidade. Sem esquecer, é claro, daqueles motivos que consagraram o poeta mineiro como um dos pontos altos do tempo e a brevidade da vida.

Novos poemas e 5 elegias, Vinicius de Moraes
Os dois livros aqui alinhados formam um conjunto de grande força e beleza. Mas não é apenas isso: ambos se animam por um espírito comum. O abrir de olhos para o mundo alcança um momento excepcional em Cinco elegias, de 1943. Se os poemas que compõem o livro são, como os de Novos poemas, representativos de um período de transição, há também um salto: estamos diante de uma experimentação poética e humana que é um marco na poesia brasileira do século XX. O leitor tem em mãos dois livros que, além de vizinhos no tempo, definem uma mudança de rumo e um ponto alto na obra de Vinicius de Moraes.

Antologia poética, Carlos Drummond de Andrade
Com poemas selecionados e arranjados com inaudita perspicácia pelo prórpio autor há 50 anos, esta Antologia poética é ainda hoje a melhor e mais eloquente introdução panorâmica à obra de Carlos Drummond de Andrade. Dividido em nove seções – que dão conta com maestria do vasto escopo dessa lírica fundamental -, este volume traz diversos clássicos drummondianos e outros poemas que, lidos em conjunto, poderão ganhar uma nova luz.

Sentimento do mundo, Carlos Drummond de Andrade
Sentimento do mundo, publicado em 1940, é a obra em que o poeta mineiro traz um olhar cuidadoso para as temáticas políticas e sociais de seu tempo. Afinal, durante sua elaboração o Brasil vivia o Estado Novo de Getúlio Vargas e a Europa observava a assustadora ascensão nazifascista. Esse senso crítico apurado é perceptível em poemas como “Congresso Internacional do Medo” e “O operário no mar”, além do texto que dá título ao livro. O tom desesperançado não impede que Drummond revele também uma faceta delicada e intimista, seja lembrando-se de sua Itabira natal (“apenas uma fotografia na parede”), seja ao homenagear Manuel Bandeira em “Ode no cinquentenário do poeta brasileiro”.

Como ficar sozinho, Jonathan Franzen (Trad. Oscar Pilagallo)
Considerado um dos mais importantes ficionistas norte-americanos de sua geração, Jonathan Franzen retoma, em Como ficar sozinho, o ensaísmo em que também se destacara com A zona do desconforto (2008). O autor desfaz a fronteira entre ficção e não ficção nesta obra permeada pelo universo ficcional de grandes escritores como Kafka, Proust, Goethe, Daniel Defoe e Alice Munro. Uma verdadeira aula de literatura.

José, Carlos Drummond de Andrade
No ensaio de “José e algumas de suas histórias”, escrito especialmente para este volume, o crítico e poeta Júlio Castañon Guimarães analisa a fortuna do livro e do poema que lhe empresta o título. E revela que o próprio Drummond muitas vezes retomou o mote em algumas de suas crônicas publicadas em jornal. O poeta, aliás, reuniu numa pasta os mais diversos recortes em que o verso “E agora, José?” retornava, de forma paródica ou mesmo celebratória. Mais uma demonstração do enorme poder de penetração de um autor que marcaria para sempre o cenário da poesia do século XX.

Toda Rê Bordosa, Angeli
Dotada de um humor ácido e de um cinismo incontornável, Rê Bordosa viveu porres homéricos, ressacas épicas e amores tão duradouros quanto uma tira de jornal. Outros personagens de Angeli, como Bibelô, Meia Oito, Wood & Stock, passaram por sua vida (e sua cama). E ela acompanhou, alheia, as mudanças sociais e políticas dos anos 80 e 90. Reunidas pela primeira vez num álbum de luxo, e restauradas digitalmente a partir dos originais do autor, as tiras desse Toda Rê Bordosa trazem de volta à vida a musa do quadrinho brasileiro. Quem conhece apenas o mito terá acesso a todas as tiras, histórias longas, rabiscos e ameaças tramadas por Angeli contra sua criatura. E quem nunca se esqueceu dela pode ir encostando no balcão. A casa é sua, como ela disse tantas vezes.

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