Por Fernanda Baggio de Almeida
Nesta segunda-feira, dia 19 de setembro de 2011, o Clube de Leitura Penguin-Companhia das Letras da Livraria Cultura comemora seu primeiro ano de existência. Colecionamos 12 encontros desde que começamos timidamente a trocar impressões sobre nossas leituras e a escolher nossos próximos livros do mês. Ler junto e poder conversar com alguém que mostre o mesmo interesse que o seu é uma experiência maravilhosa.
Descobrimos e redescobrimos autores, lemos obras que estavam esquecidas há muito e acrescentamos novos e inusitados escritores ao nosso gosto. Contudo, o mais relevante é o contato que tivemos com novos olhares, com novas formas de leitura e interpretação de textos clássicos e contemporâneos. Frente à liberdade e à ausência de qualquer espécie de filtro que a literatura nos propõe, nossos encontros dessacralizam todas as formas de convenção, regra ou mito que possam rondar um clássico já muito estudado e que nos induzem muitas vezes a uma leitura tendenciosa.
O envolvimento com a narrativa ou com os personagens, a atenção mais à forma ou ao argumento, o incômodo positivo ou negativo, o alumbramento ou a frustração que os livros podem nos causar, como de verdade o livro nos afetou, e a experiência propriamente dita é o que mais nos importa. Trata-se de uma experiência de troca e sinceridade, levemente arriscada, pois numa leitura em conjunto as convicções não valem mais nada. O entusiasmo de um pode contaminar e provocar uma leitura diversa em outro, que supostamente não tinha sido afetado pela leitura com a mesma intensidade do primeiro. Livros como As brasas, de Sándor Márai, Pelos olhos de Maisie, de Henry James, e Papéis avulsos, de Machado de Assis, geraram discussões intermináveis. E o mais interessante é que, de verdade, elas só terminam porque talvez não tenhamos o mesmo poder que esses livros têm de congelar ou condensar o tempo em palavras, parágrafos e capítulos.
Quando trocamos leituras, levamos para casa todo o conhecimento de mundo de nosso grupo: o olhar de uma estudante; a crítica de uma psicóloga; o conhecimento de um profissional de T.I.; o deslumbramento de uma advogada; o riso de uma dona-de-casa num trecho engraçado; as observações de uma vendedora; etc. Passados 12 meses desde que começamos, minha opinião é que, a cada encontro, mais leituras levo para casa e melhores os livros vão ficando, pois não leio sozinha como sempre fiz. Agora leio com novos olhos que acrescentam um mundo novo a cada obra.
[Veja a lista de cidades que recebem o Clube de Leitura]
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Fernanda Baggio de Almeida é funcionária da Livraria Cultura, do Conjunto Nacional, e mediadora do primeiro clube de leitura Penguin-Companhia das Letras.












