daniel galera

Links da semana

Hoje foram divulgados os vencedores do Troféu HQ Mix, e a Quadrinhos na Cia. foi escolhida a editora de quadrinhos do ano. Spacca (Jubiabá), Chris Ware (Jimmy Corrigan) e Craig Thompson (Retalhos) também foram premiados. Obrigado a todos que votaram em nosso trabalho!

Falando em premiações, a casa britânica Ladbrokes está aceitando apostas sobre o próximo ganhador do Prêmio Nobel de Literatura. No momento, o poeta sueco Thomas Transtromer é o mais cotado para ganhar o prêmio.

Semana passada aconteceu a Homenagem a José Saramago, no SESC Vila Mariana. No site do programa Metrópolis você pode ver um trecho da apresentação. As fotos estão no nosso álbum do Picasa.

Uma pesquisa americana descobriu que um em cada quatro leitores de quadrinhos tem mais que 65 anos. A Raquel Cozer, do suplemento Sabático, entrevistou o quadrinista Joe Sacco, autor de Notas sobre Gaza.

A Juliana, do Portal PUC-Rio Digital, entrevistou Moacyr Scliar sobre seu novo livro, Eu vos abraço, milhões. A Kika, do Meia Palavra, escreveu uma resenha sobre o livro.

A revista Paris Review colocou em seu website todas as famosas entrevistas que realiza desde a década de 1950, com escritores como Truman CapoteJorge Luis BorgesJohn UpdikeGay Talese.

O Julio, do Digestivo Cultural, resenhou Ponto final, de Mikal Gilmore. O Mauro, do blog De vermes e outros animais rastejantes, falou sobre O único final feliz para uma história de amor é um acidente, de J.P. Cuenca.

Um longo artigo do New York Times fala dos julgamentos que decidirão o destino de documentos até então desconhecidos de Franz Kafka.

A Andréia, do Guia de Leitura, falou de AvóDezanove e o segredo do soviético, de Ondjaki. O Felipe, do Meia Palavra, leu Scott Pilgrim contra o mundo, de Bryan Lee O’Malley, e a Amanda, do blog O Café, resenhou Cachalote, de Daniel Galera e Rafael Coutinho.

O escritor Neil Gaiman disse pelo Twitter que está lendo Fábulas italianas, de Italo Calvino. A Kelly, do Blog da Cultura, falou sobre as manias que cada escritor tem.

O blog Classics Rock! se dedica exclusivamente a reunir músicas que mencionam ou foram inspiradas por livros, e o site Flavorwire critica os clichês em fotos de escritores.

O Evaldo falou em seu blog sobre Henry Louis Mencken, autor de O livro dos insultos. A Mariana, do Outra xícara por favor, resenhou O Dia do Curinga, de Jostein Gaarder, e o Alfredo falou em seu blog de O senhor vai entender, de Claudio Magris.

Os designers da IDEO divulgaram um vídeo com três idéias de inovações que a leitura digital pode trazer para os livros.

E Malcolm Gladwell, em um artigo na New Yorker, desdenha da possibilidade de as redes sociais causarem alguma mudança real no mundo. O texto causou um certo furor na internet, e respostas a ele apareceram em sites como WiredThe Atlantic Wire.

Luka e os videogames

Por Daniel Galera

O novo romance infanto-juvenil de Salman Rushdie, Luka e o Fogo da Vida, incorpora elementos da linguagem narrativa dos videogames. Luka Khalifa, o menino de doze anos que protagoniza a história, penetra num mundo paralelo derivado da imaginação do pai, ele mesmo um famoso contador de histórias. As regras do mundo real são alteradas aqui com a mesma liberdade que estamos acostumados a ver em quase todos os mundos fantásticos da literatura, de Carroll a Tolkien: animais falantes, deuses que interagem diretamente com os homens, deslocamentos impossíveis, a “magia” como justificativa suficiente para toda e qualquer ideia e ação mirabolante, cenários onde tudo é espantosamente maior e mais significativo do que poderia ser na natureza e na civilização que conhecemos. A novidade aqui é mais um acréscimo do que uma invenção original: as regras do mundo da fantasia são ligeiramente influenciadas por elementos da lógica narrativa dos videogames. Luka precisa coletar vidas para poder morrer e seguir “jogando”; enxerga contadores numéricos em seu campo de visão, indicando o número de vidas restantes e os níveis ou fases da história, que obedecem a um critério de dificuldade progressiva; precisa “salvar” o progresso em pontos-chave da narrativa, sob pena de recomeçar do início caso as vidas terminem etc.

Esse é o tipo de proposta que pode terminar em desastre, como se vê com frequência nas tentativas de adaptar videogames para o cinema. Mas Rushdie, felizmente, não parece ter partido da convicção de que seria possível escrever uma narrativa em prosa que pudesse ser lida como se joga um videogame. A intenção é mais sutil e muito menos ambiciosa. Tem se a impressão de que ele quis apenas incorporar ao livro alguns elementos reconhecíveis de um universo que encanta sucessivas gerações de jovens desde o início dos anos 1980, entre eles seu próprio filho, a quem o livro é declaradamente dedicado.

Não existe como transpor a experiência interativa dos videogames para a linguagem escrita. Toda vez que Luka era atropelado por um Super-Rato, numa das sequências mais “gamísticas” do romance, o autor nos informa que ele “perdia uma vida e se via de volta no ponto de partida”. Não há nada nesse dado narrativo que reproduza a sensação de estar jogando um game, morrer num obstáculo qualquer e ter que retornar a um ponto anterior para tentar superar de novo esse trecho do jogo. O fato de que Rushdie nem se dá ao trabalho de tentar emular essa experiência na prosa não é, ao contrário do que possa parecer, preguiça ou desconhecimento do assunto. Pelo contrário. Ele decerto queria escrever um livro envolvente, e não chato. E um livro que dependesse da interação do leitor e o carregasse para páginas anteriores em caso de fracasso seria um livro insuportável.

Assim, as manifestações do universo dos games na prosa do romance são apenas piscadinhas para o leitor entendido, ou simplesmente elementos fantásticos de um mundo que também inclui tapetes voadores de Scheherazade e luta na lama entre deusas da Antiguidade. Os companheiros que Luka acumula na jornada lembram muito os “sidekicks” dos jogos, com suas habilidades especiais (como é o caso das Transmutantes, dragoas que mudam de forma para superar determinados obstáculos) e itens. Os obstáculos que Luka encontra em sua jornada pelo Mundo da Magia precisam ser interpretados e resolvidos de forma semelhante ao que ocorre em muitos jogos eletrônicos, ainda que a experiência interativa (com seus aspectos especiais de imersão, agência etc.) se perca, pois na prosa nunca precisamos “fazer” nada, somos apenas “informados” de que a solução foi encontrada e implementada para que a história (o jogo) avance. A procura constante pelos “checkpoints” (“Onde é que salva?”, Luka pergunta mais de uma vez a outros personagens) ganha contornos ligeiramente cômicos por sua repetição ao longo do livro, chamando a atenção para a sua superficialidade dentro do contexto da escrita. Os exemplos são inúmeros. Se Rushdie não é ele próprio um entusiasta dos videogames, é certo que passou horas e horas observando seus filhos jogarem.

De certa forma, o que Rushdie acaba fazendo no livro é dedicar aos videogames um lugar de honra ao lado das incontáveis referências literárias, religiosas, mitológicas e históricas que formam a tapeçaria de Luka e o Fogo da Vida. Há um trecho, no início, em que os videogames são descritos como a principal fonte de histórias do pequeno Luka — depois do próprio pai, é claro. Não é nos livros que ele encontra “uma variedade quase infinita de realidades paralelas”, e sim nos videogames, onde essa variedade de histórias “começara a ser vendida sob a forma de brinquedos”. Algum defensor mais radical dos videogames como uma arte poderá bufar diante do rótulo de “brinquedo”, mas os videogames são, sim, brinquedos. A questão é que não são apenas brinquedos. São também um meio de expressão e um suporte para narrativas de todo tipo e pronfundidade. Soraya, a mãe de Luka, desdenha das “caixas de realidade alternativa” porque “na vida não há níveis de dificuldade, apenas dificuldades”. Mas assim como uma comédia romântica pode expressar verdades sobre a vida dentro de um esquema de convenções narrativas em boa parte irreal, os games, com suas lógicas próprias, podem nos oferecer histórias que representam a vida de um modo particular. O livro de Rushdie reconhece isso e estende a mão ao jovem leitor para quem os videogames são tão importantes quanto os livros, os filmes e as histórias que seus pais lhes contavam para dormir. Somente por isso, já merece ser saudado.

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Daniel Galera é escritor e tradutor. Publicou Dentes guardados, Mãos de Cavalo e Cordilheira, entre outros. Seu último livro é a graphic novel Cachalote, feita em parceria com Rafael Coutinho. Seu site é http://www.ranchocarne.org/.
A resenha acima foi escrita especialmente para o Blog da Companhia.

Links da semana

Acima você vê o teaser animado feito pelo Estúdio Birdo para a graphic novel Cachalote, de Rafael Coutinho e Daniel Galera. A curiosidade é que quem está tocando piano é ninguém menos que Laerte.

Christopher Hitchens escreveu na Vanity Fair mais um capítulo de sua batalha contra o câncer, e Ricardo Piglia falou ao El País sobre seu novo romance, Blanco nocturno.

O Gabriel, da revista Bula, resenhou 2666, de Roberto Bolaño. Se você gosta de Bolaño, compareça na disputa entre ele e Philip Roth na Livraria da Vila, dia 16.

Surgiram na internet as primeiras imagens de Rooney Mara como Lisbeth Salander, da trilogia Millennium. A escritora Carola Saavedra foi entrevistada para o Cultura News, e o André, do Lendo.org, indica 22 bibliotecas com conteúdo online.

Duas pessoas resenharam O Palácio de Inverno, de John Boyne: a Taize, do Meia Palavra, e a Fanny, do O restaurante do fim do universo.

Os colaboradores do Meia Palavra também deram suas opiniões sobre 1984, de George Orwell. No mesmo site, o Felipe escreveu sobre Paraíso perdido, de Cees Nooteboom, a Dinddi falou de O colecionador de mundos, de Ilija Trojanow, e o Luciano leu Mãos de cavalo, de Daniel Galera.

A NASA criou um Flickr com várias fotos históricas ligadas à agência de exploração espacial, e um grupo de designers tenta imaginar um mundo sem Photoshop.

O Eduardo, do blog Arte faz parte, resenhou Afluentes do rio silencioso, de John Wray. O Jorge, do I’m learning to fly, leu Infância, de J.M. Coetzee, e o Tuca resenhou em seu blog O único final feliz para uma história de amor é um acidente, de João Paulo Cuenca.

A Kelly, no blog da Livraria Cultura, escreveu sobre a dor que emprestar um livro pode trazer. A Livia, do Beco das palavras, falou sobre Retalhos, de Craig Thompson, e o blog da Raquel Cozer, que trabalha no caderno Sabático do Estadão, mudou de endereço.

Para terminar: um vídeo mostra que o escritor de ficção científica Arthur C. Clarke acertou algumas de suas previsões sobre o futuro, e três garotas criaram o Lady’s Comics, um site sobre mulheres nos quadrinhos — seja como personagens, autoras ou desenhistas.

Links da semana

Acima você vê, em primeira mão, uma foto do boneco de Xu, personagem de Cachalote, que está sendo produzido pelo estúdio Factotum para a exposição de originais da graphic novel que ocorrerá em setembro em São Paulo. A Aline, do blog Godot não virá, resenhou a hq de Daniel Galera e Rafael Coutinho.

O Rafael, do blog O Espanador, resenhou O castelo nos Pirineus, de Jostein Gaarder. Ele também falou sobre o encontro que aconteceu segunda-feira entre Mia Couto e Agualusa na Livraria da Vila.

Apesar das constantes manchetes sobre a morte do livro, a Veja on-line fala sobre as tecnologias que estão ajudando a melhorar o livro impresso.

O José Maurício, do blog Kínesis, leu Nove noites, de Bernardo Carvalho. No blog O Café, a Amanda fala de Bordados, de Marjane Satrapi, enquanto Jonas resenhou Uma solidão ruidosa, de Bohumil Hrabal, para o Scream & Yell.

Duas pessoas resenharam A vitória de Orwell, de Christopher Hitchens: o Thiago, do blog Os que cheiraram Cocteau, e a Anica, do Meia Palavra.

Não me abandone jamais, de Kazuo Ishiguro, ganhou adaptação para o cinema com participação de Keira Knightley e Carey Mulligan, e um novo pôster do filme foi divulgado.

jornal argentino Página 12 fala sobre Blanco noturno, primeiro romance de Ricardo Piglia em treze anos, e o site Geekologie mostra o que aconteceria se eventos históricos fossem usuários do Facebook.

No Meia Palavra, a Taize resenhou O único final feliz para uma história de amor é um acidente, de J.P. Cuenca. O lançamento em São Paulo do livro foi marcado para 2 de setembro.

Em entrevista a Mario Gioia, o crítico Lorenzo Mammì analisa os ensaios de Giulio Carlo Argan reunidos no livro A Arte Moderna na Europa.

No portal InfoEscola, a Ana Lucia resenha Invisível, de Paul Auster. A Marina resenhou em seu blog o clássico infantil Píppi Meialonga, de Astrig Lindgren, e Wellington fala sobre a obra de José Saramago no Digestivo Cultural.

Para terminar, o Alessandro, do blog Livros e afins, dá doze dicas para facilitar o hábito de leitura, e o Portal Exame mostra os detalhes de catorze leitores de e-books, para que você possa compará-los.

Vídeo do lançamento de Cachalote

Nesta quarta-feira acontece o lançamento de Cachalote em Curitiba, onde além dos autores estarão Rafael Grampá e Daniel Pellizzari (veja mais informações no site da Itiban Comic Shop).

Abaixo você vê um vídeo que foi feito no lançamento da HQ em São Paulo:

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