história

Semana cinquenta e cinco

Os lançamentos da semana são:

Heróis demais, de Laura Restrepo (Tradução de Ernani Ssó)
Até onde uma ditadura interfere nas relações pessoais? Até onde ela molda o caráter de seus adversários? Até onde ela é o sentido da vida desses adversários? Heróis demais é um duplo acerto de contas: político e familiar. De um lado, a mãe, a jornalista e escritora colombiana Lorenza, que militou na Argentina nos tempos da guerra suja. Do outro, seu filho Mateo, um adolescente que não se interessa por política, mas tem toda a vida enredada por ela. Entre eles, Ramón, antigo dirigente trotskista argentino, ex-amante de Lorenza e pai de Mateo. Após a queda da ditadura argentina, Lorenza e Ramón se separam, e o pai praticamente some da vida do filho. Doze anos mais tarde, Mateo, cansado da ausência do pai e de não entender o que viveu, exige ir a Buenos Aires para encontrá-lo e insiste em interrogar a mãe sobre um passado que nem mesmo ela conhece inteiramente.

Como morrem os pobres e outros ensaios, de George Orwell (Tradução de Pedro Maia Soares)
Conhecido sobretudo por seus romances de grande impacto, 1984 e A revolução dos bichos, o britânico George Orwell foi também um vigoroso ensaísta e cronista, atento aos mais variados aspectos da vida de seu tempo. Em Como morrem os pobres e outros ensaios estão reunidos textos escritos ao longo de duas décadas sobre temas que vão desde o dia a dia dos sem-teto britânicos (que Orwell experimentou na pele por um tempo) até o ritual de preparação do chá; da vida num internato de elite aos programas radiofônicos durante a guerra; da linguagem dos políticos às revistas de aventuras para jovens; da importância das lareiras para a vida doméstica inglesa à condição dos pubs londrinos. Combatente incansável contra a hipocrisia e a covardia intelectual, o escritor defende em todos os momentos, com verve e humor admiráveis, o uso corajoso e criativo da linguagem verbal como instrumento de emancipação do indivíduo num mundo crescentemente massificado.

Imperialismo ecológico, de Alfred W. Crosby (Tradução de José Augusto Ribeiro e Carlos Afonso Malferrari)
Em Imperialismo ecológico, o professor Alfred W. Crosby, da Universidade do Texas, conta a história da expansão europeia de um ponto de vista provocante e inovador. Em vez de estudar as batalhas militares ou a agressão cultural, Crosby concentra-se na pouco examinada invasão biológica das novas terras pelo que chama de “biota portátil”: o conjunto de animais, vegetais e doenças que embarcaram junto com os europeus nas caravelas e acabaram por expulsar ou liquidar a flora, a fauna e os habitantes nativos de várias regiões do mundo. Da formação dos diversos continentes aos grandes êxitos do “imperialismo” no século XV, Crosby descreve como europeus se espalharam com arrojo pelos mares e continentes. Em três capítulos fascinantes ficamos sabendo que armas poderosas os navegadores levavam na bagagem: uma avalanche de seres vivos capaz de transformar o mundo.

Hibisco roxo, de Chimamanda Ngozi Adichie (Tradução de Julia Romeu)
Protagonista e narradora de Hibisco roxo, a adolescente Kambili mostra como a religiosidade extremamente “branca” e católica de seu pai, Eugene, famoso industrial nigeriano, inferniza e destrói lentamente a vida de toda a família. O pavor de Eugene às tradições primitivas do povo nigeriano é tamanho que ele chega a rejeitar o pai, contador de histórias encantador, e a irmã, professora universitária esclarecida, temendo o inferno. Mas, apesar de sua clara violência e opressão, Eugene é benfeitor dos pobres e, estranhamente, apoia o jornal mais progressista do país. Durante uma temporada na casa de sua tia, Kambili acaba se apaixonando por um padre que é obrigado a deixar a Nigéria, por falta de segurança e de perspectiva de futuro. Enquanto narra as aventuras e desventuras de Kambili e de sua família, o romance também apresenta um retrato contundente e original da Nigéria atual, mostrando os remanescentes invasivos da colonização tanto no próprio país, como, certamente, também no resto do continente.

Semana quarenta e oito

Os lançamentos da semana são:

Desejo, paixão e ação na ética de Espinosa, de Marilena Chaui
Os oito ensaios reunidos neste livro foram escritos originalmente para conferências e artigos, e neles Marilena Chaui aborda os temas principais da ética de Espinosa, cuja obra ela estuda desde a época do doutorado. Como é característico das outras obras da autora, sua enorme capacidade de síntese e sua escrita clara são fundamentais para oferecer um vasto painel da história da filosofia, aproximando o leitor comum dos conceitos intrincados do sistema filosófico e oferecendo instrumentos valiosos para pensar a sociedade contemporânea.

Scott Pilgrim contra o mundo — vol. 3, Bryan Lee O’Malley (Tradução de Érico Assis)
Mesmo que não aparente, Scott Pilgrim deu passos importantes em direção à vida adulta. Entretanto, algo de estranho pode estar acontecendo com Ramona. São mensagens no celular, cartas suspeitas e o brilho que surge em torno de sua cabeça toda vez que ela entra num assunto de que não gosta. Será que isso tem a ver com a chegada de Gideon, o líder de todos os Ex-Namorados do Mal, a Toronto? Videogames, música indie, amores adolescentes tardios, mangás e a chegada da vida adulta misturam-se no universo do canadense mais famoso do planeta em seu último volume de aventuras – que reúne duas histórias originais do herói que virou cult instantâneo nos cinemas.

A menina do capuz vermelho e outras histórias de dar medo, de Angela Carter (Tradução de Luciano Viera Machado)
Nesta edição, a Penguin-Companhia selecionou alguns dos mais célebres (e assustadores) contos de fadas compilados por Angela Carter, num breve painel do folclore mundial e das tradições narrativas dos mais variados povos. Há poucas fadas nessas páginas, e o leitor também terá dificuldades em encontrar príncipes encantados e caçadores que salvam o dia no último momento. Escritas numa época em que esse tipo de história não era destinado a crianças, as fábulas aqui contidas dão lugar a uma série de tias malévolas, esposas traiçoeiras, irmãs excêntricas e perigosas feiticeiras.

Declaração de independência — Uma história global, de David Armitage (Tradução de Angela Pessoa)
Hoje cultuada nos Estados Unidos pelos direitos individuais que assegura, a Declaração teve por razão primeira uma demanda cuja originalidade é hoje pouco lembrada: a independência desvinculada de outro poder soberano. Embora não seja o primeiro documento a questionar a autoridade de um território sobre outro, a Declaração forjou o conceito de Estado, em oposição ao de império, e assim serviu de fundamento e inspiração para dezenas de documentos similares. No livro, David Armitage, professor de história na Universidade Harvard, analisa esse documento fundador dos EUA, e seu papel como modelo e inspiração para a emancipação de comunidades políticas ao redor do mundo.

Para conhecer melhor os tabus e as proibições, de Patrick Banon (Ilustrações de Sabine Allard; Tradução de Eduardo Brandão)
“Não ponha a mão no fogo! Não enfie o dedo na tomada!” Desde bem cedo, nossa vida é cercada de proibições. Em Para conhecer melhor os tabus e as proibições, Patrick Banon investiga a origem dessas regras, procurando desvendar os medos ancestrais dos homens — ligados principalmente às forças naturais e sobrenaturais — e analisar os sistemas criados para enfrentar esses medos desde os primórdios da história humana. Dessa forma, ele sugere que as ligações existentes entre os tabus e o pensamento dos antigos clãs permitem compreender melhor as leis e as proibições que regem nossa vida. O que Banon nos mostra é que todos os tabus têm um denominador comum: pretendem proteger o fraco contra o forte e permitir uma vida social tranquila. Para ele, um mundo sem tabus seria um mundo desumano.

Contradança, de Roger Mello
Alguns de nossos grandes ilustradores têm se revelado escritores de mão-cheia. Não é de estranhar: quem conta histórias com o traço está igualmente sensibilizado com a narrativa através de palavras. Roger Mello é um grande exemplo. Indicado ao prêmio Hans Christian Andersen, considerado o Nobel da literatura infantil, ele agora lança um de seus livros mais ousados e inventivos. Em um diálogo que mais parece sonho, a filha de um vidraceiro conversa com um macaco que é quase o seu reflexo. Em poucas palavras, os dois falam sobre medo e coragem, e sobre os infinitos reflexos que nossa imagem pode gerar e sobre os outros tantos que podemos enxergar de nós mesmos e dos outros.

Semana quarenta e dois

Os lançamentos da semana são:

Honra teu pai, de Gay Talese (Tradução de Donaldson Garschagen)
Poucas mitologias de nosso tempo causam tanto fascínio quanto a máfia, e não por acaso esse universo já rendeu obras-primas como O poderoso chefão, Os bons companheiros e, mais recentemente, a série de tevê Família Soprano. Honra teu pai é livro-reportagem sobre os meandros desse mundo, centrado na história de Joseph “Joe Bananas” Bonanno, que controlava uma das chamadas Cinco Famílias de Nova York, e de seu filho Salvatore “Bill” Bonanno, protagonista de uma sangrenta guerra entre mafiosos. Gay Talese, um dos pais do new journalism americano, obteve vasto acesso ao clã Bonanno, e pela primeira vez trouxe à tona uma visão de dentro da máfia, objetiva e despida de romantismo.

O navio negreiro — Uma história humana, de Marcus Rediker (Tradução de Luciano Vieira Machado)
Muito se escreveu sobre a escravidão e o sistema de plantations que empregou grande parte da mão de obra africana no Novo Mundo, mas pouco se sabe sobre a principal “tecnologia” que tornou tudo isso possível: o navio negreiro. Com base em mais de trinta anos de pesquisas em arquivos marítimos, Marcus Rediker, grande especialista em tráfico transatlântico, escreveu uma história sem precedentes dessas embarcações e de seus passageiros, voluntários e involuntários. O autor reconstrói com detalhes sombrios a vida e a morte de escravos e marujos, os desmandos e a perversidade dos capitães, o dia a dia do navio — com suas doenças terríveis, motins e violência —, sem se esquecer dos detalhes técnicos e das principais diferenças entre os vários tipos de embarcação dedicados ao comércio de carne humana.

As entrevistas da Paris Review — vol. 1, de vários autores (Tradução de Christian Schwartz e Sérgio Alcides)
Essa antologia traz uma seleção de catorze entrevistas da Paris Review, cobrindo as quase seis décadas de existência da publicação. Fazem parte do volume autores como W. H. Auden, Paul Auster, Jorge Luis Borges, Truman Capote, Louis-Ferdinand Celine, William Faulkner, Ernest Hemingway, Primo Levi. Concebidas como um contraponto à crítica academicista e formal que imperava nos Estados Unidos na época, as entrevistas buscam revelar o autor de forma profunda, cobrindo sua vida passada, sua visão de mundo, suas motivações e as peculiaridades de sua criação literária. Editadas com maestria, inclusive com revisão e aprovação dos próprios autores, elas transcendem o formato jornalístico e adquirem qualidade literária. O livro sai com um projeto gráfico inovador, no qual cada exemplar terá uma capa única (leia o post de Elisa Braga sobre o projeto).

O visconde partindo ao meio, de Italo Calvino (Tradução de Nilson Moulin)
O visconde partido ao meio, publicado originalmente em 1952, veio a compor com O cavaleiro inexistente e O barão nas árvores, ambos publicados pela Companhia das Letras, uma trilogia a que Italo Calvino (1923-85) chamou de Os nossos antepassados, uma espécie de árvore genealógica do homem contemporâneo, alienado, dividido, incompleto. É a história de Medardo di Terralba, o voluntarioso visconde que, na defesa da cristandade contra os turcos, leva um tiro de canhão no peito, mas sobrevive, ficando absurdamente partido ao meio, a metade direita atormentada pela maldade e a esquerda, pela bondade. “Ainda bem que a bala de canhão dividiu-o apenas em dois”, comentam aliviadas suas vítimas.

Os últimos dias de Tolstói, de Liev Tolstói (Organização de Elena Vássina; Tradução de Anastassia Bytsenko, Belkiss J. Rabello, Denise Regina de Sales, Graziela Schneider e Natalia Quintero)
Traduzidos diretamente do russo, os ensaios, cartas, parábolas e fragmentos de obras de Tolstói reunidos neste volume, escritos a partir de 1882, pregam contra o hábito de se comer carne, contra o sexo sem fins reprodutivos, contra a excessiva cobrança de impostos, contra o patriotismo, contra o alistamento militar obrigatório e contra os dogmas e ritos das religiões que considerava como desvios da fé (ele foi excomungado pela Igreja Ortodoxa Russa). No imaginário russo, Tolstói passou a ocupar o lugar de profeta e uma legião de seguidores, mendigos e oportunistas passou a se dirigir a Iasnaia Poliana, a grande propriedade rural de sua família. Seus famosos ensaios estéticos “O que é arte?” e “Shakespeare e o drama” completam o volume. Os textos foram escolhidos por Jay Parini, autor do romance histórico A última estação: os momentos finais de Tolstói, que serviu como inspiração para o filme homônimo estrelado por Christopher Plummer, Helen Mirren e Paul Giamatti.

Mecanismos internos — Ensaios sobre literatura, de J.M. Coetzee (Tradução de Sergio Flaksman)
Exercitada em sua vasta experiência como professor, tradutor e pesquisador de literatura, a verve crítica de Coetzee — que transparece na trama híbrida de seus melhores romances — é apresentada em sua plenitude nos 21 textos reunidos em Mecanismos internos, quase todos escritos para a prestigiosa New York Review of Books. Coetzee oferece sua visão pessoal sobre a vida e a obra de alguns de seus maiores precursores e contemporâneos — Nadine Gordimer, Robert Musil e Walter Benjamin, entre outros —, reafirmando o papel histórico do escritor e intelectual criticamente engajado.

Cleópatra — A rainha dos reis, de Fiona Macdonald (Ilustrações de Chris Molan; Tradução de Augusto Pacheco Calil)
Cleópatra morreu há mais de dois mil anos, mas sua vida ainda desperta curiosidade e fascínio. Quando ela nasceu, em 69 a.C., o Egito corria o risco de ser dominado por Roma. Ao tornar-se regente, Cleópatra mudou essa situação. Usando seus encantos e inteligência, conquistou os generais romanos Júlio César e Marco Antônio, tornando-os seus aliados, e assim conseguiu manter-se no poder por cerca de duas décadas. Neste livro, o leitor conhece essa notável história, assim como diversos aspectos da vida no antigo Egito através de ilustrações, fotografias e textos complementares. Além disso, as páginas centrais do volume se desdobram, fornecendo uma visão panorâmica dos acontecimentos.

Semana trinta e nove

Os lançamentos desta semana são:

O campo e a cidade, de Raymond Williams (Tradução de Paulo Henriques Britto)
O campo e a cidade é considerado a obra-prima de Raymond Williams, um dos mais finos e respeitados críticos literários ingleses do século XX. O autor oferece leituras detalhadas de poemas bucólicos e antibucólicos, comparando-os com o desenvolvimento efetivo da sociedade rural inglesa, e examina as reações aos centros urbanos a partir dos séculos XVI e XVII, as mudanças decisivas ocorridas na Londres do século XVIII e a nova literatura urbana dos séculos XIX e XX.

O caderno de Liliana, de Livia Garcia-Roza (Ilustrações de Taline Schubach)
Liliana não entende por que a mãe, que foi internada, não vai mais voltar para casa. Como não pode visitá-la, a menina se põe a escrever. Contar sua rotina — as visitas da avó, os irmãos bagunceiros, o batizado da boneca preferida… — é uma forma de continuar conversando com a mãe. Palavra atrás de palavra, com leveza e sabedoria que só as crianças têm, Liliana vai aprender a dizer o que sente e a descobrir como dar sentido a sua tristeza, a suas alegrias e a sua maneira de ver o mundo.

Ordinário, de Rafael Sica
Ordinário é uma coletânea da série de tiras de mesmo nome, publicada por Rafael Sica em seu blog desde 2009. Essas tiras, em preto e branco e sem falas, retratam a vida na metrópole, marcada por sentimentos intensos como solidão, tristeza, medo e horror, sempre com um humor ácido e um toque de surrealismo. Nesse universo bastante particular — e facilmente reconhecível — criado por Sica, de um modo quase tragicômico questiona-se a vida urbana e o comportamento do homem contemporâneo. O resultado seria algo próximo de Macanudo, se fosse escrito por alguém como Tim Burton. Haverá lançamentos com sessão de autógrafos em Porto Alegre, São Paulo e Curitiba.

Semana trinta e oito

Os lançamentos desta semana são:

O triunfo da música, de Tim Blanning (Tradução de Ivo Kotytovski)
O que um concerto de Franz Liszt, uma improvisação de John Coltrane e uma turnê de Paul McCartney possuem em comum? Transitando livremente entre fronteiras estéticas, geográficas e temporais, o especialista em história cultural Tim Blanning analisa os fatores históricos que tornaram a música a mais bem-sucedida e influente forma artística da atualidade. Professor da Universidade de Cambridge, o autor amalgama os mais variados estilos — ópera e rock’n'roll, jazz e música sinfônica — numa fascinante história dos instrumentos, gêneros e práticas de escuta e execução.

Em defesa de Deus, de Karen Armstrong (Tradução de Hildegard Feist)
Numa prosa ao mesmo tempo erudita e fluente, Em defesa de Deus resgata os fundamentos históricos e filosóficos das religiões abraâmicas. Judaísmo, cristianismo e islamismo são apresentados em suas principais diferenças e semelhanças. O livro percorre a labiríntica história da fé para apresentar os conceitos fundadores da ideia revolucionária de uma divindade única, atemporal e criadora dos homens e do Universo. Karen Armstrong demonstra como ethos social dos povos monoteístas foi construído em torno do enigma da figura de Deus.

Gumercindo e a galinha garoupa, de Joaquim de Almeida (Ilustrações de Laurabeatriz)
Quando encontrou uma galinha no meio da rua, em plena noite de sexta-feira 13, Gumercindo não imaginava que aquele seria o início de uma amizade que incluiria um desafio entre repentistas, uma maldição e uma viagem pelo sertão até o oceano. E tudo isso embalado pelos versos improvisados na levada do repente…

Papéis avulsos, de Machado de Assis
Papéis avulsos, primeiro livro de contos publicado por Machado de Assis (1839-1908) após o lançamento de Memórias póstumas de Brás Cubas (1881), é integralmente composto por momentos antológicos da ficção curta brasileira. De “O alienista”, um dos mais famosos contos do autor, a “O espelho”, cujo enredo psicológico tem fascinado sucessivas gerações de leitores e escritores (inclusive Guimarães Rosa, que escreveu um conto homônimo como “resposta”), este livro concentra alguns dos melhores personagens e situações do criador de Dom Casmurro. Com introdução de John Gledson e notas de Hélio Guimarães, esta edição dispõe os contos de acordo com a data original de publicação, indicada por Machado na primeira edição do livro (1882).

Crônica de uma namorada, de Zélia Gattai
Este livro acompanha as dores e descobertas da menina Geane, que precisa enfrentar a morte da mãe e conviver com uma madrasta ao mesmo tempo que experimenta transformações físicas e o despertar da sexualidade. Sem moldes e sem fórmulas, a menina se faz a cada pequeno golpe que a realidade lhe aplica. As paixões súbitas que atordoam suas relações com os meninos; a força das palavras, que pode estar nas linhas precárias de um telegrama; as lembranças infantis das férias, do Natal, das conversas com os mais velhos, que ajudam a temperar a agitação das mudanças. Tendo como pano de fundo o início dos anos 1950 na cidade de São Paulo, Zélia não se deixa levar nem pela tentação sociológica nem por apelos da psicologia. Ela não escreve para explicar ou para interpretar, mas para contar uma boa história.

Juca e os anões amarelos, de Jostein Gaarder (Tradução de Luiz Antônio de Araújo; Ilustrações de Jean-Claude R. Alphen)
Ao voltar da escola, Juca descobre que está completamente só: não há ninguém em casa, nem na rua, em lugar nenhum. Há apenas um anão amarelo que lança sem parar um dado, repete frases estranhas e está por trás de um plano para ocupar o nosso planeta. E o menino é o único que pode salvar a humanidade do “perigo amarelo”. Uma história cheia de mistérios e surpresas contada pelo consagrado autor norueguês e ilustrada pelo franco-brasileiro Jean-Claude R. Alphen.