ian mcewan

Semana cento e quarenta e cinco

Os lançamentos desta semana são:

Sábado, de Ian McEwan (Trad. Robens Figueiredo)
Nascido em 1948, Ian McEwan é considerado por muitos o melhor romancista de sua geração. Em Sábado, ele conta todas as horas de um dia na vida de Henry Perowne, neurocirurgião londrino de alto gabarito. A data é 15 de fevereiro de 2003. No centro de Londres se prepara a maior manifestação popular já vista na cidade, com 1 milhão de pessoas nas ruas para contestar a invasão iminente do Iraque; ao mesmo tempo, um banal acidente de trânsito envolvendo o carro de Perowne e o de um homem com problemas neurológicos trará consequências graves para o médico e sua família. McEwan retrata com agudeza um momento em que o impacto dos atentados de Onze de Setembro em Nova York repercute na consciência dos ingleses. O escritor vale-se do ambiente impregnado pelo temor de novos atentados para conferir a detalhes triviais do cotidiano uma carga de tensão que carrega o leitor até a última página.

Machu  Picchu, de Tony Bellotto
Ambientado num único dia, Machu Picchu é um romance sobre as agruras do casamento e da família. Mas engana-se quem pensa encontrar aqui pessoas sentadas à mesa, discutindo o trabalho e a vizinhança. Presos em seus carros, a caminho de celebrar dezoito anos de casamento, Zé Roberto e Chica reveem cada um dos seus dramas, a maioridade de uma relação conturbada e não exatamente honesta. A partir desse cenário, Tony Bellotto coloca sob a lupa a geração que viveu a euforia dos anos 1990, e que chega agora à meia-idade sem planos nem projetos. Uma visão ácida, cômica e assustadoramente real do nosso tempo.

Editora Seguinte

Dizem por aí, de Ali Cronin (Trad. Rita Sussekind)
Entre seus amigos, Ashley sempre foi a garota divertida que sabe o que quer. Ela nunca procurou um compromisso sério, mas tudo muda quando, através de sua melhor amiga Donna, ela conhece Dylan. Pela primeira vez, Ash fica interessada em mais do que só uma noite. Contudo, os sinais recebidos de Dylan a deixam confusa — quando estão sozinhos, eles se dão bem e se aproximam; quando se encontram nas festas, o garoto a evita. Com esse vaivém, Ashley fica insegura e passa a tomar decisões erradas. Será que ela conseguirá deixar seu estilo de vida para trás e viver esse novo amor?

London Calling

Por Tony Bellotto


Christopher Hitchens e Salman Rushdie com busto de Voltaire.

Confesso que nunca tinha lido nada do Salman Rushdie até o final do ano passado, quando li Joseph Anton: memórias, que narra a experiência do escritor durante os anos em que viveu escondido e sob proteção policial, depois de sua condenação à morte pelo abominável aiatolá Khomeini.

Joseph Anton — o codinome escolhido por Salman para enfrentar a forçada clandestinidade, inspirado por dois de seus ídolos literários, Joseph Conrad e Anton Tchekhov — é um livro delicioso, da estirpe dos que não se consegue largar, uma reflexão preciosa sobre a liberdade (e a falta dela) num mundo confuso em que barbárie e obscurantismo desfilam como um casal charmoso de monarcas up to date.

Em Joseph Anton, Salman afirma que o apoio dos amigos foi fundamental para que sobrevivesse à angústia do desterro surreal. Entre eles encontram-se três figuras destacadas da literatura e do jornalismo britânicos: Martin Amis, Ian McEwan e Christopher Hitchens.

Nas trevas, os bons companheiros se aproximam de Salman com as potentes lanternas da razão e da solidariedade, acendem a fogueirinha (nunca usando livros como lenha), cantam velhas canções dos Rolling Stones e bebem algumas garrafas de uísque antes que o sol nasça de novo (devem ter cantado também “Here Comes The Sun”, dos Beatles).

Gosto de deixar que livros que me impressionam orientem minhas próximas leituras. Portanto, para mim o ano começa com um sabor de London Calling (apesar das temperaturas saarianas do verão carioca).

Além de Os versos satânicos (que pretendo ler em breve ), termino de ler Hitch-22, uma autobiografia impiedosa e divertida de Christopher Hitchens — nos picos de seu estilo verborrágico, irônico e digressivo —, e já acabei de ler Grana, de Martin Amis, um romance de 1984 (alguém pensou em George Orwell?) que transborda cinismo com a acuidade de uma prosa que pode ser definida como Vladimir Nabokov viajando de ácido.

Do Ian McEwan o último que li acho que foi Solar, mas Serena já está taxiando no tapete.

London calling to the faraway towns
Now war is declared and battle come down
London calling to the underworld
Come out of the cupboard, you boys and girls!

Pressinto um ano de muitos combates e altas temperaturas.

* * * * *

Tony Bellotto, além de escritor, é compositor e guitarrista da banda de rock Titãs. Seu livro mais recente, No buraco, foi lançado pela Companhia das Letras em setembro de 2010.

Orgulho e indagação

Por Luiz Schwarcz


Ian McEwan (Foto por Lilia M. Schwarcz)

Acompanhar autores, editores e agentes literários em visita ao Brasil é um dos grandes prazeres da vida de um editor tupiniquim. Pelo menos é o que sinto quando recebo pessoas e me ponho a mostrar não só a mim mesmo, como sobretudo a Companhia das Letras, e meu país. É curioso como nessa hora percebo o quanto me orgulho de ser brasileiro. É um sentimento que não sei explicar, mas, ao frequentar o país com os olhos de quem o visita pela primeira vez, eu sinto uma alegria imensa.

Ao emprestar o olhar do estrangeiro, as vantagens de ter nascido e construído a vida no Brasil me parecem muito maiores do que as dificuldades e vícios.

Pois este ano, depois da Flip, a Lili e eu juntamos um grupo que em parte mal se conhecia e tivemos uma semana de sonho, passando por Tiradentes, Ouro Preto e Inhotim.

Jonathan Galassi, editor da Farrar Straus and Giroux, é um dos meus melhores amigos no mundo editorial. Um dia escreverei um post só sobre ele. Jonathan veio para o Brasil por dois motivos: como acompanhante de Jonathan Franzen, um de seus autores mais importantes, e também para assistir à Flip que homenageava Carlos Drummond de Andrade. Jonathan publicará Drummond em inglês. Já conhecia o poeta mineiro a fundo, pois foi aluno, e depois também editor, de Elizabeth Bishop — tradutora de alguns poemas de Drummond para o inglês.

Deborah Rogers é uma das principais agentes literárias do mundo, e representa vários autores da Companhia das Letras no exterior; graças à amizade que desenvolvemos há mais de duas décadas. Deb, como é conhecida, veio para a Flip com seu marido, o compositor Michael Berkeley, que prepara com Ian McEwan uma ópera baseada em Reparação. Tanto Deborah como Jonathan tinham um plano pós Flip: ir a Ouro Preto, para conhecer a cidade e a casa onde viveu Elizabeth Bishop.

Ian McEwan e Annalena McAfee são dois autores que não têm uma relação estritamente profissional comigo. Ficamos amigos há tempos, antes da Flip existir. Assim, Ian aceitou lançar seu novo livro, Serena, primeiro no Brasil; e vir à Flip para depois realizar um plano antigo: passar uns dias comigo e com a Lili, em nossa casa no interior de São Paulo.

Deborah é a agente literária de Ian e Annalena. Aproveitei a presença dos dois casais, muito amigos entre si, e de Jonathan Galassi, que pouco ou nenhum contato tinha com o resto do grupo, para propor que nos juntássemos e viajássemos juntos.

Deixamos a serra da Mantiqueira para outra ocasião, e fizemos um roteiro exclusivamente mineiro. Unidos pela amizade com a Lili e comigo, pelo interesse em Elizabeth Bishop e pela vontade de conhecer o Brasil, o grupo teve uma convivência mais que prazerosa. A casa de Bishop em Ouro Preto foi aberta para nós por seus atuais e super zelosos proprietários Linda e José Alberto Nemer, que chegaram a cobrir as camas com as mantas indianas que a poeta trouxe consigo dos Estados Unidos. Isso para que tivéssemos a ideia mais completa de como Bishop vivia. Vimos o estúdio onde ela escrevia, a sala de estar, a mesa de jantar e o seu jardim com a majestosa vista da cidade. Passeamos pelas ruelas de Ouro Preto, visitamos algumas igrejas — parte em bom estado de conservação — e tivemos a sorte de assistir, por conta do Festival de Inverno, a um show da Velha Guarda da Portela. Na noite fria da cidade barroca, Monarco cantava os grandes sucessos da escola azul e branco, enquanto Deborah dançava com um senhor desconhecido, os dois deixando a terceira idade de lado, com samba no pé. Ele havia ingerido uma quantidade considerável de álcool, mas apenas sorria e dançava com sua nova amiga. Enquanto isso eu tentava traduzir as letras dos sambas para Ian e Annalena e explicava se tratarem, na sua maioria, de canções sobre desilusões amorosas e corações partidos. Ao fazê-lo me dei conta de que todas estas canções tristíssimas são apresentadas no Brasil com melodias alegres e ritmo pulsante. A felicidade do samba, a serviço das mazelas do coração, é uma grande maneira de entender o país.

A cordialidade e hospitalidade superlativas do povo mineiro e a surpresa dos estrangeiros com a excessiva intimidade que nos era concedida logo no primeiro contato permitiam mostrar aos convidados o país do “homem cordial”, onde todos se unem na amizade, mas, ao mesmo tempo, com tão frágeis e tardias conquistas formais de cidadania e de igualdade social.

Nosso almoço no restaurante mais popular dos caminhoneiros, entre Congonhas do Campo e Ouro Preto, foi dos pontos altos do roteiro gastronômico, que incluiu também uma leitoa à pururuca em uma fazenda de Tiradentes, e frango ao molho pardo em uma casa de família, transformada em restaurante informal.

Ian comentou no final da estadia que os banheiros dos lugares públicos que visitamos eram extremamente limpos. Essa pequena observação, vinda de um escritor acostumado a viajar aos mais variados lugares, me fez pensar que talvez esse fato não fosse verdade há pouco tempo atrás, e que no banheiro asseado das estradas de Minas há razões para otimismo — quem sabe o país esteja de fato mudando.

A grandiosidade dos jardins e pavilhões de Inhotim, mesmo com os questionamentos que envolvem o projeto deste museu a céu aberto sem igual no Planeta, juntaram-se ao samba triste, em um novo retrato do Brasil. Um país aparentemente tão sedutor, mas difícil de decifrar. Com orgulho e indagações — haveria melhor forma de terminar uma semana de visita ao meu país?

Tiradentes:

Casa de Elizabeth Bishop:

Mariana:

Ouro Preto:

(Fotos por Lilia M. Schwarcz)

* * * * *

Luiz Schwarcz é editor da Companhia das Letras e autor de Linguagem de sinais, entre outros. Ele contribui para o Blog da Companhia com uma coluna quinzenal chamada Imprima-se, sobre suas experiências como editor.

Mesa 11: Pelos olhos do outro

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Convidados:

Mediação: Arthur Dapieve

Contra a ideia da imaginação como escapismo, é possível considerá-la uma faculdade que nos permite avaliar e compreender o mundo. Ao explorarem diferentes maneiras de apreender a realidade, por meio do mergulho na consciência de seus personagens, os livros de Ian McEwan e Jennifer Egan revelam que imaginar pode ser um ato de humanização. Ver pelos olhos do outro implica um duplo movimento, de distanciamento da perspectiva individual e tentativa de aproximação do alheio. Mas, em vez de um solo comum, esse esforço pode expor também diferenças inconciliáveis.

Horário de início: 12h

Antes da mesa, José Luís Peixoto lê o poema “José”, de Drummond.

[Jennifer Egan lê um trecho de Torreão, Ian McEwan lê um trecho de Serena.]

Mediador: O nome da mesa traduz a sensação de empatia que vocês criam com seus personagens. Como vocês criam eles?

Jennifer. Eu começo com tempo e lugar, e as pessoas aparecem a partir disso. Não gosto de escrever nada próximo de mim.

Ian: Não é uma escolha consciente, mas escritores são meio fraudulentos e ficam tentando explicar todas as suas escolhas depois. É como pintar um quadro, um retrato. Cada pincelada tem que fazer sentido e complementar as pinceladas anteriores.

Jennifer: A própria voz do narrador sugere a personalidade, a partir da narração você intui suas características.

Mediador: Como vocês fazem a pesquisa para os livros?

Jennifer: Eu me convenci de que não precisava pesquisar realmente sobre esse ambiente, seria suficiente ler sobre o assunto. Mas isso afetava a descrição, então resolvi visitar uma prisão, e isso mudou, pude perceber as cores, texturas, detalhes.

Ian: Eu fiquei conversando com um neurocirugião por 2 anos. Mas tomei cuidado para que meu personagem não tivesse relação alguma com o neurocirurgiao que acompanhei. Acompanhei muitas cirurgias, e ficava à vontade com o jaleco. Eu precisava conseguir me passar por neurocirugião. Quando você pesquisa para um livro, precisa saber 10 vezes mais do que vai usar.

Mediador: Gostaria de pedir que dissessem o que lhes atrai na literatura do outro.

Jennifer. Conheci Ian quando ele visitou a universidade em que estava, e leu um conto que havia acabado de escrever. Eu gostei muito, e percebi que não conhecia muitos escritores como pessoas. Seu trabalho é muito convincente e entusiasmante, há beleza no ritmo. Me impressiona que ele continua evoluindo, considero um modelo para mim.

Ian: Jennifer está envolvida num ato de equilibrismo muito interessante, força os limites do que é imaginação e literatura.

Mediador: Como foi a experiência de fazer Black box, um conto longo publicado via twitter?

Jennifer: Meu interesse no twitter veio das histórias seriadas. Entrei no twitter há 2 anos, mas não consegui achar uma voz, e um tempo depois um hacker começou a invadir minha conta. Aí pensei que devia haver um jeito de usar a ferramenta para narrar uma história. Mas teria que ser uma história que não poderia ser contada de outra maneira.

Mediador: A espionagem aproxima seus dois trabalhos. Queria que vocês falassem de romances de espionagem.

Ian: Não posso dizer que li muitos romances de espionagem, mas gosto muito de Le Carré. É um caso interessante de escritor que resistiu a ser rotulado. E mesmo assim sua reputação cresceu. Tinker tailor é um dos romances mais importantes dos últimos anos. Talvez todos os romances sejam romances de espionagem. Todos somos donos de uma narrativa que não podemos compartilhar. E todos os romancistas retêm informações, manipulam a história.

Jenniffer: Todos nos sentimos como espiões de certa forma, nos sentimos mais que as pessoas ao nosso redor. Alguns amigos leram Black box e acharam que a mulher era louca, que estava imaginado que era espiã, e eu adorei isso.

Mediador: Parte da graça do romance de espionagem seria que ele é o oposto do mundo, onde todos querem revelar informações sobre si mesmos?

Ian: No caso do Wikileaks, achei interessante que os documentos eram muito bem articulados. Foi um grande caso de hipocrisia, acho que deviam soltar Bradley Manning.

Jennifer: Acho interessante que a internet encoraja as pessoas a se abrirem mais, e wikileaks foi um caso extremo disso. Uns anos atrás fui pesquisar adolescentes gays, e eles sentiam que a vida online era mais real, porque eles não tinham que fingir nada. Mas ao mesmo tempo vi um caso de um garoto que achava que tinha um grupo de amigos, e descobriu que na verdade era um adulto só fingindo ser 7 adolescentes.

Mediador: Uma leitora diz que se sentiu manipulada ao terminar Reparação. Vocês dois tratam do assunto de confiabilidade no narrador. Há um prazer nesse tipo de manipulação?

Ian: Com certeza, é meu prazer principal na vida! Mas não é algo forçado. É prazerosa a sensação de prender o leitor e colocá-lo num transe.

Jennifer: Tudo é manipulação, ao levar o leitor a outro cenário e outro tempo, já há manipulação. Você tem é que se perguntar qual a função disso, não pode ser algo sem propósito. Eu gosto muito.

Mediador: Você sente vontade de expandir alguns de seus personagens de Visita cruel do tempo?

Mediador: Sim, na verdade a espiã de Black box é uma das personagens do meu último livro, Lulu, fiquei pensando como ela seria com 30 anos. Todos os meus personagens acabam ficando um pouco como se fossem parte da minha própria memória.

Ian: Pra mim é diferente, acho que todos os meus personagens morrem pra mim. Mas isso é bom, eu prefiro que eles desapareçam para começar o próximo livro do zero.

Mediador: Vocês dois ganharam muitos prêmios. O Nobel é uma expectativa?

Jennifer: Eu estou satisfeita com o que tenho. Prêmios são muito uma questão de sorte, agradar as pessoas certas no lugar certo.

Ian: Eu penso em quantos escritores bons existem por aí que não ganharam o Nobel e acredito que estamos em boa companhia.

Mediador: A música dialoga com vocês enquanto escrevem?

Ian: Acho que escritores têm inveja de compositores. Podemos achar que nossas frases se ligam ao ritmo da música, mas estaríamos nos enganando.

Jennifer: Eu ouvi muita música quando escrevi o último livro Visita cruel porque era difícil mudar meu ponto de vista de um capítulo pro outro, e a música ajudava nisso.

Mediador: Também é possível captar um interesse por arquitetura nos seus livros.

Jennifer: Eu li muito sobre partes de castelos, mas sou péssima desenhista. Li muito sobre castelos e prisões para Torreão, por um interesse em compreender a estrutura do que estava escrevendo.

Mediador: Fale um pouco sobre Christopher Hitchens.

Ian: Ele veio a Paraty 4 ou 5 anos atrás, meu filho estava aqui. Hitchens faleceu há uns 7 meses e deixou uma lacuna enorme em nossas vidas. Era talvez o melhor orador da nossa geração. Mantinha e captava a atenção da audiência. Ele morreu sem reclamar, e até os últimos dias ainda estava comprometido com sua escrita.

Horário de término: 13h16

Semana cento e oito

Os lançamentos desta semana são:

A virada, Stephen Greenblatt (Trad. Caetano W. Galindo)
Em A virada, o acadêmico norte-americano Stephen Greenblatt conta a história de Poggio Bracciolini, um homem do século XV que caçava livros antigos, e sua descoberta aparentemente despretensiosa. Ele resgatou um poema esquecido durante séculos, que mais tarde influenciaria o pensamento dos principais responsáveis por nossa concepção de mundo moderno – de Galileu Galilei a Charles Darwin, de Nicolau Maquiavel a Thomas Jefferson, de William Shakespeare a Sigmund Freud.

Exclusiva, Annalena McAfee (Trad. Angela Pessoa e Luiz Araújo)
De um lado, a correspondente de guerra Honor Tait. Ela cobriu praticamente todos os grandes conflitos do século XX, além de ter levado uma vida amorosa movimentada e cercada de mistério. A “Dietrich da sala de redação” hoje tem oitenta anos, tornou-se desconhecida das novas gerações e vê sua carreira declinar. Do outro, Tamara Sim, colunista de um suplemento de celebridades, repórter freelancer movida a ambição e igualmente desconhecida. Quando a segunda é enviada para escrever sobre a primeira, o espaço que separa esses mundos dá lugar a uma guerra tragicômica repleta de segredos, mentiras e prazos apertados. Exclusiva revela com humor e veneno os bastidores do jornalismo, desde o funcionamento dos grandes jornais às eternas picuinhas de repórteres, colunas e editores.

Grandes esperanças, Charles Dickens (Trad. Paulo Henriques Britto)
Considerado por muitos críticos o principal romance de Charles John Huffman Dickens (1812-1870), Grandes esperanças conta a história de Pip, um órfão de família humilde que ao receber uma herança renega o passado e muda-se para Londres para tentar inserir-se na alta sociedade. Saudado por autores como Bernard Shaw e G.K. Chesterton pela perfeição narrativa, este romance discute, na figura do protagonista, a imoralidade, a culpa, o desejo e a desilusão. Esta edição traz o final considerado definitivo, escolhido por Dickens após ceder às críticas de que o primeiro era triste demais, e também um apêndice com o original, preferido por parte dos leitores. A introdução de David Trotter, especialista em literatura britânica e americana do século XIX, contextualiza o livro em sua época, revelando as ideias de reforma social defendidas pelo autor.

Serena, Ian McEwan (Trad. Caetano W. Galindo)
Serena é um romance sobre espiões. Não apenas porque a protagonista é uma jovem matemática que se vê recrutada pelo Serviço de Segurança britânico, mas também porque a ficção se revela um grande exercício de vigilância. Serena quer entender o comportamento misterioso de seu amante mais velho, e acha que estão escondendo alguma coisa dela. Max Greatorex observa Serena com olhos apaixonados, talvez até demais. Tom Haley não entende o que o destino, personificado pela mesma Serena, lhe deu aparentemente de graça. Mas Haley é um escritor, e seus contos refletem justamente sobre o papel do oservador e do observado. Afinal, um romancista é um ótimo espião. O que, neste romance, o leitor também precisará ser.

Cidade aberta, Teju Cole (Trad. Rubens Figueiredo)
A Nova York pós-Onze de Setembro percebida pelo nigeriano Julius, um psiquiatra que faz residência na cidade, carrega em si uma atmosfera de traumas ocultos e muita solidão. Em longas caminhadas por Manhattan depois do trabalho, o jovem médico traça reflexões e reminiscências pelas quais divisa sua história – a infância na Nigéria, a condição de migrante, seu amor pela música e pela arte – e a história da própria cidade em que vive e seus habitantes. Um romance premiado e memorável sobre identidade nacional, raça, liberdade, perda, deslocamento e renúncia. Escrito numa voz clara e rítmica que permanece, este livro é uma obra madura e profunda de um novo autor que tem muito a dizer sobre o mundo de hoje.

O desatino da rapaziada, Humberto Werneck
Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava, Cyro dos Anjos, Murilo Rubião, Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos, Hélio Pellegrino, Fernando Gabeira, Ivan Angelo, Luiz Vilela… O que há em comum entre esses escritores de épocas, gêneros e estilos tão diversos, além do fato de que são mineiros (ainda que nascidos em outra parte, como o capixaba Rubem Braga)? É que todos eles se renderam também à paixão do jornalismo. Rico em informações para a história da imprensa e da literatura, este livro vai além: é sobretudo uma saborosa crônica de meio século de vida num lugar que tem dado ao país tantos bons poetas, prosadores – e jornalistas, naturalmente.


Editora Paralela:

O leitor de almas, Paul Harper (Trad. Renata Guerra)
Lore Cha e Elise Currin – esposas de dois poderosos e influentes empresários de San Francisco – estão tendo casos extraconjugais com o mesmo homem. As regras dos encontros são sempre as mesmas: nomes verdadeiros e detalhes pessoais ficam fora do quarto. Mas quando Vera List, a psicanalista de Lore e Elise, percebe que seus arquivos profissionais estão sendo violados e informações confidenciais , medos e fantasias das mulheres estão sendo utilizados para manipulá-las, o que não passava de uma grande coincidência se torna um perigo fatal. Com um roteiro tenso e uma narrativa eletrizante, O leitor de almas é um thriller que segue a tradição dos grandes romances policiais pelo estilo elegante, pelo gosto por personagens complexos e pela capacidade de surpreender o leitor a todo momento.

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