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20 leituras sobre amor (com finais felizes ou não)

O Dia dos Namorados está chegando, e nós aqui da Companhia das Letras achamos que um livro é um ótimo presente para celebrar, ou enfrentar, o amor. Eles contam histórias de grandes paixões e não importa se no final os relacionamentos dão certo ou errado: cada livro apresenta uma forma diferente de amar ou de encarar o amor. Pensando nisso, selecionamos vinte leituras inspiradas no Dia dos Namorados, seja para quem quer se emocionar com o final feliz de um romance ou para quem prefere histórias em que, apesar do amor, nada dá certo. Na alegria ou na tristeza, o amor é sempre belo. Confira!

1. Declaração de amor, de Carlos Drummond de Andrade

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Quem está apaixonado ou buscando inspiração não pode deixar de ler os poemas mais românticos de Carlos Drummond de Andrade. Este volume, organizado pelos seus netos Luis Mauricio e Pedro Augusto Graña Drummond, reúne os poemas mais amorosos, românticos e deliciosamente apaixonados do grande poeta mineiro. E ainda conta com ilustrações de Nik Neves para deixar os versos de Drummond ainda mais belos.

2. Afterde Anna Todd

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Para jovens leitores e adultos, Anna Todd conta nesta série a romântica e inconstante história de amor entre Tessa e Hardin. Ela acaba de completar 18 anos e ir para a faculdade, uma garota certinha e estudiosa. Ele é um garoto rude, que implica logo de cara com o jeito de Tessa. Mas a atração que um sente pelo outro é irresistível, e depois de Hardin, Tessa nunca mais será a mesma. A série nasceu como uma fanfic da banda One Direction e teve mais de 1 bilhão de leituras na plataforma Wattpad. No Brasil, serão publicados cinco livros pela Editora Paralela, e o terceiro chega às livrarias nesta semana. Uma leitura para quem gosta de rir, chorar, amar, odiar, enfim, para quem quer sentir tudo pelas personagens.

3. Aristóteles e Dante descobrem os segredos do Universo, de Benjamin Alire Sáenz

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Dante sabe nadar. Ari não. Dante é articulado e confiante. Ari tem dificuldade com as palavras e duvida de si mesmo. Dante é apaixonado por poesia e arte. Ari se perde em pensamentos sobre seu irmão mais velho, que está na prisão. Um garoto como Dante, com um jeito tão único de ver o mundo, deveria ser a última pessoa capaz de romper as barreiras que Ari construiu em volta de si. Mas quando os dois se conhecem, logo surge uma forte ligação. Em Aristóteles e Dante descobrem os segredos do Universo, Benjamin Alire Sáenz conta uma história belíssima em que Ari e Dante descobrem que o amor e a amizade talvez sejam a chave para desvendar os segredos do Universo.

4. A arte de ouvir o coração, de Jan-Philipp Sendker

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Um bem-sucedido advogado de Nova York desaparece de repente sem deixar vestígios e sem que sua família tenha qualquer ideia de onde ele possa estar. Até o dia em que Julia, sua filha, encontra uma carta de amor que ele escreveu há muitos anos para uma mulher birmanesa da qual nunca tinham ouvido falar. Com a intenção de resolver o mistério e descobrir enfim o passado de seu pai, Julia decide viajar para a aldeia onde a mulher morava, onde descobre histórias de um sofrimento inimaginável, a resistência e a paixão que irão reafirmar a crença no poder que o amor tem de mover montanhas.

5. A imortalidade, de Milan Kundera

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A partir do gesto que uma mulher faz a seu professor de natação quando sai da piscina, a personagem Agnes surge na mente de um autor chamado Kundera. Como a Emma de Flaubert ou a Anna de Tolstoi, a Agnes de Kundera se torna objeto de fascínio e de uma busca insondável. Ao imaginar o cotidiano dessa personagem, o narrador-autor dá corpo a um romance em sete partes, que intercala as histórias de Agnes, seu marido Paul e sua irmã Laura com uma narrativa retirada da história da literatura: a relação de Goethe e Bettina von Arnim. Com seus personagens reais e inventados, Kundera reflete sobre a vida moderna, a sociedade e a cultura ocidentais, o culto da sentimentalidade, a diferença entre essência individual e imagem pública individual, os conflitos entre realidade e aparência, as variedades de amor e de desejo sexual, a importância da fama e da celebridade, e a típica busca humana pela imortalidade.

6. O irresistível café de cupcakes, de Mary Simses

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Ellen é uma advogada de Manhattan e seu noivo está prestes a se tornar um importante político. Tudo em sua vida parece estar perfeito e no caminho certo. Até que ela decide realizar o último desejo de sua avó e entregar em mãos uma carta. Para isso, ela precisa ir para Beacon, uma charmosa cidadezinha do interior. Entre cupcakes de blueberry e deliciosas rosquinhas, Ellen desvenda os mistérios da vida de sua avó. Aos poucos, ela descobre os simples prazeres da vida e que “perfeito” nem sempre é o que parece.

7. Ligue os pontos, de Gregorio Duvivier

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Os “poemas de amor e big bang” de Gregorio Duvivier têm foco na importância descomunal dos momentos insignificantes do cotidiano. Ligue os pontos mostra que, para além da prosa humorística do autor, um dos responsáveis pelo sucesso do Porta dos Fundos, o tratamento lúdico das palavras pode render poesia de qualidade, falando da adolescência, do mistério da criação, das palavras e suas relações inusitadas, da experiência do amor vivido enfim como gente grande e da transitoriedade de tudo.

8. Mil rosas roubadas, de Silviano Santiago

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Como nasce e de que se alimenta o afeto entre dois adolescentes do mesmo sexo? Da solidão em família, do repúdio à rotina estudantil, das caminhadas pela metrópole? Como esse afeto se frustra e se transforma em amizade duradoura? No ano de 1952, dois rapazes se encontram em Belo Horizonte à espera do mesmo bonde. O acaso os transforma em amigos íntimos. Passam-se sessenta anos. Numa tarde de 2010, Zeca, então produtor cultural de renome, agoniza no leito do hospital. Ao observá-lo, o professor aposentado de História do Brasil entende que não perde apenas o companheiro de vida, mas seu possível biógrafo. Compete-lhe inverter os papéis e escrever a trajetória do amigo inseparável.

9. Amor ao pé da letra, de Melissa Pimentel

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Quando se mudou para Londres, Lauren pensou que seria fácil sair com os belos ingleses. Mas a animação inicial foi logo frustrada: por mais que fosse linda, independente e não procurasse por um relacionamento sério, os homens pareciam fugir dela. Até que teve uma ideia meio maluca: a cada mês, seguir ao pé da letra os conselhos dos mais famosos guias de relacionamento, e contando em seu blog os resultados dessa experiência.

10. O amor natural, de Carlos Drummond de Andrade

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Se em Declaração de amor Drummond mostra a sua faceta mais romântica, em O amor natural a coisa é um pouco diferente. Publicado originalmente em 1992, cinco anos depois da morte do poeta, O amor natural foi saudado, com justiça, como um grande acontecimento cultural: a lírica erótica (e por vezes pornográfica) de um dos maiores poetas da literatura brasileira finalmente vindo a lume. Compostos no decurso da longa carreira literária do autor, os textos reafirmam a enorme vitalidade — pessoal e literária — do autor.

11. Nunca vai embora, de Chico Mattoso

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Renato Polidoro conheceu Camila no consultório odontológico — não em consulta, mas durante uma filmagem. Ocorreu então um pequeno milagre: a esperta aluna de cinema se apaixonou pelo dentista em eterna crise de autocomiseração. Quando a garota termina a faculdade, decide arrastar o namorado para a viagem tão sonhada: Havana. Na capital cubana, ela pretende fazer um documentário que dê vazão a suas elevadas (e um tanto quanto idealizadas) ambições estéticas. Mas logo o que prometia ser uma temporada caliente resulta em uma sucessão de desencontros — e em um desaparecimento misterioso.

12. Os enamoramentos, de Javier Marías

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María Dolz, uma solitária editora de livros, admira à distância, todas as manhãs, aquele que lhe parece ser o “casal perfeito”: o empresário Miguel Desvern e sua bela esposa Luisa. Esse ritual cotidiano lhe permite acreditar na existência do amor e enfrentar seu dia de trabalho. Mas um dia Desvern é morto por um flanelinha mentalmente perturbado e María se aproxima da viúva para conhecer melhor a história. Passa então de espectadora a personagem, vendo-se cada vez mais envolvida numa trama em que nada é o que parecia ser, e em que cada afeto pode se converter em seu contrário: o amor em ódio, a amizade em traição, a compaixão em egoísmo.

13. Diga o nome dela, de Francisco Goldman

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Em 2005, o escritor e professor norte-americano Francisco Goldman se casou com Aura Estrada, uma jovem e promissora estudante de literatura. Pouco antes de o casamento completar dois anos, durante as férias numa praia do México, Aura quebrou o pescoço após ser tragada por uma onda. Responsabilizado pela morte de Aura e mortificado pela culpa, Francisco entregou-se ao desespero. Passava os dias sem rumo, bebendo e flertando com a catatonia, a depressão, o suicídio. Para vencer a crise, escreveu Diga o nome dela, um romance sobre o amor e a dor da perda. Diga o nome dela é uma história sobre o luto — uma mostra pungente de que só com a organização da memória é possível driblar a falta de sentido e reafirmar o desejo de seguir adiante.

14. Cartas extraordinárias, de Shaun Usher

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Nem todas as cartas reunidas neste livro por Shaun Usher são de amor, mas tem ato mais romântico do que escrever ou receber cartas? Cartas extraordinárias é uma celebração do poder da correspondência escrita, que captura o humor, a seriedade e o brilhantismo que fazem parte da vida de todos nós. A coletânea reúne mais de 125 cartas, com sua transcrição e uma breve contextualização, além de ser ricamente ilustrado com fotografias e documentos. A engenhosa organização de Shaun Usher cria uma experiência de leitura que proporciona muitas descobertas, e cada nova página traz uma bela surpresa para o leitor. Não apenas um deleite literário, mas também um livro-presente inesquecível.

15. O único final feliz para uma história de amor é um acidente, de João Paulo Cuenca

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Este romance de J. P. Cuenca se passa em um futuro próximo na cidade de Tóquio e é centrado na figura de Shunsuke Okuda, um jovem funcionário de uma multinacional. Conquistador inveterado, ele cria uma identidade para cada namorada que conhece nos bares do distrito de Kabukicho. Mas sua rotina é abalada pelo aparecimento de Iulana, uma garçonete por quem fica obcecado. Iulana é apaixonada por uma dançarina e mal fala japonês, mas nada disso impede que os dois mergulhem numa relação conturbada. O maior problema, contudo, é que estão sendo observados. O pai de Shunsuke, sr. Okuda, paira sobre o livro como uma figura onipresente e maligna que parece querer destruir qualquer chance de felicidade do filho.

16. Uma teoria provisória do amor, de Scott Hutchins

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Uma modesta empresa de informática de San Francisco, a Amiante Systems, fundada e comandada pelo genial pioneiro Henry Livorno — hoje velho e decadente —, aposta todas as suas fichas na tentativa de criar o primeiro computador verdadeiramente inteligente do mundo. Para isso, contrata o ex-redator de publicidade Neill Bassett Jr. O motivo é simples: a memória do computador é alimentada pelos diários secretos escritos pelo pai de Neill, o dr. Basset, um médico do Arkansas que se suicidou quando o filho tinha dezenove anos. Dilacerado pelos dilemas morais envolvidos na operação de fazer reviver, ainda que virtualmente, o próprio pai, Neill ainda tem que lidar com a nova namorada desmiolada de vinte anos e com os encontros perturbadores com a ex-mulher.

17. Meu coração de pedra-pomes, de Juliana Frank

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Lawanda trabalha num hospital, mas não está ali para lidar com os pacientes — não oficialmente, pelo menos. Ela é uma das encarregadas da limpeza e vive sob a fiscalização da insuportável Lucrécia, que insiste em controlar seus horários e reclamar de seus atrasos. Mas, como os serviços de faxina são muito mal pagos, Lawanda precisa de outros meios para conseguir comprar os besouros que coleciona (ainda que sua mãe preferisse que ela poupasse para adquirir um apartamento). Assim, presta pequenos serviços escusos aos internos do hospital.
Ela também é colecionadora de borboletas, que costura com esmero em suas calcinhas, sempre usando a linha da mesma cor das asas. Faz esta e outras macumbas para que seu amado José Júnior largue a mulher de uma vez e fique só com ela. Na cama, Lawanda sabe que é imbatível, mas a pressão das tias velhas é grande e o rapaz tem dificuldades de se libertar.

18. Manual do mimimi, de Lia Bock

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Lia Bock se considera uma ativista sentimental que ama amar as coisas. Depois de criar o blog mais acessado da revista TPMManual do mimimi marca a estreia de Lia no mundo dos livros. Em textos irônicos, ácidos, mas também sentimentais, além de profundamente sinceros, Lia (uma verdadeira expert nos assuntos do coração) — com charme e estilo inconfundíveis — falar com todas as mulheres: solteiras, casadas, recém-separadas e à procura.

19. As horas nuas, de Lygia Fagundes Telles

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Rosa Ambrósio, uma atriz de teatro decadente, passa em revista, entre generosas doses de uísque, os amores de sua vida. O primo Miguel, sua paixão adolescente, morreu de overdose por volta dos vinte anos. Gregório, seu marido, virou um homem taciturno depois que foi torturado pela ditadura militar. Diogo, seu amante e último companheiro, trocou-a por moças mais jovens. Neste livro, Lygia Fagundes Telles põe em cena grandes temas de nosso tempo — o movimento feminista, a cultura de massa, a aids, as drogas —, mediados pelos destinos individuais de um punhado de criaturas.

20. Flores azuis, de Carola Saavedra

flores

No apartamento para onde se mudou depois de se separar da mulher e da filhinha de três anos, um homem recebe uma carta destinada ao antigo morador e não resiste ao impulso de abri-la. É uma carta de amor, escrita por uma mulher e assinada simplesmente com a inicial “A”. Também separada, a autora da carta repassa, inconformada, as últimas horas de seu relacionamento amoroso com o destinatário. Novas cartas chegam diariamente, sempre revisitando o dia da separação e acrescentando detalhes cada vez mais perversos aos acontecimentos. O homem que as recebe não apenas sucumbe ao desejo de lê-las como passa a viver em função disso, o que acaba por desestabilizar a sua relação com o trabalho, com a ex-mulher, com a filha e com a atual namorada, todas elas mulheres que ele não compreende e pelas quais se sente acuado.

As fotos inevitáveis

Por Carol Bensimon


É difícil você comprar uma edição brasileira de um livro qualquer e não encontrar lá atrás a foto do escritor. Não sei o quanto eu quero me envolver com essa foto, esse rosto, mas o fato é que, se ele não estiver lá, eu vou acabar desconfiando de alguma coisa. O escritor é excessivamente feio (como se beleza fosse pré-requisito pra romancista de ponta)? O escritor é um recluso cujo último registro fotográfico data de 1973? Ou ainda: a cara do escritor não está de acordo com a obra do escritor e por isso ele e a sua editora, de comum acordo, decidiram evitar interferências?

Ah, você não acredita nesse tipo de interferência. Pois eu sim. Veja bem, eu já tive preconceitos confirmados por retratos na orelha do livro. “Você só podia escrever mal mesmo, com esse corte de cabelo.” E joguei o livro de contos na pilha dos rejeitados. Quando você está na livraria e dá aquela esquadrinhada básica por todos os lados do produto livro, aquela fotinho inevitavelmente está depondo contra ou a favor;  dependendo do jeito como eles sorriem (e se eles sorriem), você sabe se aquela obra é ou não é para uma pessoa como você. Exemplos: “Com esse suéter, ela só pode estar pensando em vampiros”. “Puxa, esse aqui parece o mais deprimido de todos, acho que é o meu número”. “Ele não se importa com a opinião dos outros e usa gola rolê. Gênio.”

E quanto ao meio da leitura? Se as coisas tenderem excessivamente para a autoficção, confesso que leio duas páginas e dou uma espiada na foto, leio duas páginas e dou outra espiada na foto. É o pior dos reflexos. No mês passado, fiquei um pouco vidrada naquela foto do Javier Mariás na orelha de Os enamoramentos. O preto e branco, o cigarro, algo de enfant terrible. O que eles querem dizer quando tiram fotos com o cigarro? Às vezes um cigarro é só um cigarro, e às vezes o cigarro é a afirmação de que você descende de Albert Camus, da Nouvelle Vague, das propagandas do Hollywood, das caminhadas solitárias, dos concertos de rock em lugares que já fecharam as portas.

Quando lancei meu primeiro livro, fizemos uma foto promocional onde você pode me ver com uma camiseta dos Gremlins segurando um algodão doce. O que eu quis dizer com isso? Na época, havia um papo de querer desconstruir a seriedade presente na maioria dos retratos de escritores; os jornais e revistas adoram nos mostrar manipulando livros ou diante de nossas estantes, como se estivéssemos dizendo “ei, eu tenho livros em casa, tente você também!” Com o algodão doce, de qualquer maneira, eu posso ter passado um tantinho da conta.

* * * * *

Carol Bensimon nasceu em Porto Alegre, em 1982. Publicou Pó de parede em 2008, e no ano seguinte, a Companhia das Letras lançou seu primeiro romance, Sinuca embaixo d’água (finalista dos prêmios Jabuti e São Paulo de Literatura). Ela contribui para o blog com uma coluna quinzenal.
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Semana cento e dezenove

Os lançamentos desta semana são:

Guerreiras da paz, de Leymah Gbowee (Trad. Donaldson M. Garschagen)
Nas imagens de guerra, as mulheres costumam aparecer como pano de fundo, chorando seus mortos em desespero. Os protagonistas e narradores dessas histórias em geral são homens, que se exibem de armas em punho ou engravatados tomando decisões. Neste livro, Leymah Gbowee mostra como essa imagem é incompleta, e dá voz à população feminina da África. Uma voz que se fez ouvir na Libéria, onde, sentadas em protesto, as mulheres pediram a paz, fizeram greve de sexo e se ergueram vitoriosas contra o governo do ditador Charles Taylor e a guerra civil que arrasou o país entre 1989 e 2003. A luta e a influência dessa jovem que tinha dezessete anos no início do conflito lhe renderam o prêmio Nobel da paz de 2011, junto com Ellen Johnson Sirleaf – que viria a ser presidente da Libéria – e a iemenita Tawakkol Karman.

As relações perigosas, de Choderlos de Laclos (Trad. Dorothée de Bruchard)
Por seis meses de algum desconhecido ano do século XVIII, um grupo peculiar da nobreza francesa troca cartas secretamente. De um lado, o libertino visconde de Valmont tenta conquistar a presidenta de Tourvel; de outro, a dissimulada marquesa de Merteuil, soposta confidente da jovem Cécile, incentiva a adolescente a entregar-se a outro homem antes de um casamento de conveniência. Com sua feroz sátira da aristocracia, As relações perigosas conquistou um sucesso escandaloso em 1782, quando foi publicado. Vinte reedições esgotadas apenas naquele ano e uma condenação à destruição pela corte real de Paris atestam o burburinho em torno do romance, que se consagrou, já no século XIX, como uma das causas desencadeadoras da Revolução Francesa. Desde então, o livro foi adaptado para peças de teatro, ópera e filmes, que o tornaram ainda mais popular. Este volume traz ainda introdução da editora e tradutora inglesa Helen Constantine.

Os enamoramentos, de Javier Marías (Trad. Eduardo Brandão)
Com uma prosa profunda e cativante, a obra traz uma reflexão sobre o estado de enamoramento, que parece justificar todas as coisas: das ações mais nobres e desinteressadas aos maiores excessos e maldades. A especulação sobre a presença dos mortos no imaginário e no dia a dia dos vivos perpassa todo o livro, pontuado por referências literárias como Os três mosqueteiros, de Alexandre Dumas, Macbeth, de Shakespeare, e, sobretudo, O coronel Chabert, de Balzac, romance indluído nesta edição como presente ao leitor.

100 aforismos sobre o amor e a morte, de Friedrich Nietzsche (Trad. Paulo César de Souza)
A maioria dos treze livros publicados durante a vida de Nietzsche se compõe de breves seções numeradas. São os chamados “aforismos”, que ele adotou dos moralistas franceses do século XVIII e a que deu mais estensão e amplitude temática. Trata-se de milhares de reflexões sobre os mais diversos temas de filosofia, moral, religião, literatura, sociedade, sexualidade, política, e também sobre inúmeras personalidades históricas e artísticas. Desse extraordinário conjunto de observações, o tradutor Paulo César de Souza retirou uma centena de aforismos sobre dois temas universais que talvez definam o que é ser humano: a necessidade do amor e a consciência da morte.

O casamento da lua e outros contos de amor, de vários autores
Amamos nossos pais, nossos irmãos, nossos amigos, nossos avós, nossos tios, nossos filhos. Amamos nossos bichos de estimação, nossa casa, nossos livros nossos objetos. Amamos o que fazemos, algumas coisas que comemos, nossos costumes, nossas coleções. Por acaso alguém duvida que amor está em tudo e em todo lugar? Nesta antologia, ele é o fio condutor de dezesseis contos de alguns dos melhores escritores da literatura brasileira. Há amores impossíveis, platônicos, felizes, tristes, entre os homens e pelos animais. Todos juntos, eles comprovam uma frase de Paulo Mendes Campos, segundo a qual estamos todos “atados aos pequenos amores da grande armadilha terrestre”.

No restaurante submarino: contos fantásticos, de vários autores
Histórias fabulosas, extraordinárias, inesperadas – daquele tipo que ao mesmo tempo bagunça e amplia nossa compreensão dos eventos cotidianos. É o que pode esperar o leitor desta seleção de contos de alguns dos maiores praticantes do gênero fantástico na literatura brasileira. Nas histórias de Murilo Rubião, Lygia Fagundes Telles, Moacyr Scliar e Amilcar Bettega aquilo que parece sonho (ou, em alguns casos, pesadelo) se materializa em palavras que fazem o leitor não querer desgrudar delas. Animais fantásticos, situações absurdas, a vida normal revirada de cabeça para baixo, o mundo dos sonhos e outras loucuras ocupam as páginas de

A linguagem dos animais: contos e crônicas sobre bichos, de vários autores
Um rouxinol sentimental com alma de poeta, um canário com ares de filósofo, um lobo que rompe com uma antiga tradição familiar… Os personagens dos dezesseis textos desta antologia nos mostram o quanto os animais estão presentes em nossa imaginação – e sobretudo como eles têm muito a nos ensinar. Criados por autores clássicos, modernos e contemporâneos, eles nos falam sobre a liberdade, o meno, o amor, o humor e a fantasia, alguns dos principais ingredientes que compõem a grande literatura mundial.

Verso livre: poemas, de vários autores
Um elenco de primeira – que atesta a vitalidade da tradição lírica brasileira – foi reunido para esta antologia de poesia verde-amarela dos séculos XX e XXI. São cinco autores – Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes, José Paulo Paes, Francisco Alvim e Eucanaã Ferraz -, que demonstram, cada um a sua maneira mas sempre com inteligência aguda e percepção emocional poderosa, por que a poesia está entre nossas artes mais destacadas. O amor, a cidade, o cotidiano e o próprio fazer poético ocupam as páginas desta antologia. Temas que, graças aos poetas reunidos neste volume, nos ajudam – com delicadeza e força, sabedoria e alegria – a entender o Brasil. E a decifrar um pouco mais a nossa alma.

Semana dezenove

Não há silêncio que não termine, de Ingrid Betancourt (Tradução de Rosa Freire d’Aguiar, José Rubens Siqueira, Antonio Carlos Viana e Dorothée de Bruchard)
Entremeando a narrativa do cativeiro com reflexões sobre a morte, a liberdade e o poder, Não há silêncio que não termine reconstitui com implacável lucidez o período de mais de seis anos que Ingrid Betancourt passou no inferno verde da selva amazônica em poder das Farc, a principal organização guerrilheira da Colômbia. Leia dois post sobre o trabalho de edição do livro: “Seis anos na selva, quatro meses de trabalho”, da editora-assistente Lucila Lombardi, e “Originais aos pedaços”, do colunista Luiz Schwarcz.

Seu rosto amanhã – vol. 3, de Javier Marías (Tradução de Eduardo Brandão)
O narrador deste ambicioso thriller metafísico, Jacques ou Jaime ou Jacobo Deza — o ex-professor da Universidade de Oxford que, ainda no primeiro volume, decide voltar à Inglaterra e se juntar a um grupo de velhos espiões do núcleo do Serviço Secreto britânico que atuaram contra o nazismo —, acaba conhecendo aqui os inesperados rostos dos que o rodeiam e também o dele. Descobre então que, sob o mundo mais ou menos tranquilo em que os ocidentais vivem, sempre lateja uma necessidade de traição e violência que é inoculada em nós como um veneno.

No buraco, de Tony Bellotto
Em seu novo romance, Tony Belloto mimetiza às avessas sua história para contar com humor ácido e contundente as aventuras de Teo Zanquis, um tipo solitário, que atingiu muito rápido seu apogeu para, em seguida, com a mesma rapidez, mergulhar no mais retumbante esquecimento. Agora ele caminha sem ilusões para a velhice, mas isso não impede que Teo busque o amor no corpo de uma jovem coreana, nem que estreite laços de amizade com figuras de quem ele jamais imaginaria se aproximar em seus tempos de semi-ídolo do rock nacional, como a dona Gladys, velha e excêntrica vizinha da quitinete onde ele mora.

Os anéis de Saturno, de W.G. Sebald (Tradução de José Marcos Mariani de Macedo)
Internado no hospital, o narrador deste poderoso romance tece o relato de uma caminhada de um ano pelo leste da Inglaterra, investigando a história, a arte e a natureza numa mistura de autobiografia, ensaio, narrativa histórica e prosa de ficção. A lucidez, a originalidade e a beleza descritiva de Sebald resultam numa narrativa hipnotizante, que remete a influências como Jorge Luis Borges, Thomas Bernhard e Joseph Conrad.

Livro da vida, de Santa Teresa d’Ávila (Tradução de Marcelo Musa Cavallari)
Livro da vida, o clássico mais lido pelos espanhóis depois de Dom Quixote, é a autobiografia de uma mulher que conta, entre outros feitos, a experiência de seu contato direto com Deus, numa prosa que mistura conversa de freira, romance de cavalaria e teologia mística. Em notável prefácio, escrito especialmente para esta edição, Frei Betto descreve Teresa da seguinte maneira: “Feminista avant la lettre, esta monja carmelita do século XVI, ao revolucionar a espiritualidade cristã, incomodou as autoridades eclesiásticas de seu tempo, a ponto de o núncio papal na Espanha, Dom Felipe Sega, denunciá-la, em 1578, como ‘mulher inquieta, errante, desobediente e contumaz’”. Esta edição traz também uma esclarecedora introdução de J. M. Cohen, especialista em literatura de língua espanhola e um dos mais notáveis homens de letras da Inglaterra no séc. XX.

Sete suítes, de Antonio Fernando de Franceschi
O contraponto entre a musicalidade das palavras e o rigor da composição, entre a maneira que tem o poeta de entrar no assunto com leveza e de ao mesmo tempo conferir-lhe a força da revelação, caracteriza o poeta Antonio Fernando De Franceschi, não deixando dúvida quanto à importância dessa poesia mineral, feita de pedras, de paisagens bruscas e desse outro minério que é o produto da memória. Os temas das sete suítes são “Pirassununga” (memórias da infância), “Asa e vento” (uma contraposição entre passado e presente), “As formas clássicas”, “As palavras”, “Poços de Caldas”, “Retratos” e “Inquietudes”.

Padre Antônio Vieira, o imperador da língua portuguesa, de Amélia Pinto Pais (Ilustrações de Mariana Newlands)
Escrito como uma autobiografia, o livro traz os principais acontecimentos da vida de Antônio Vieira, além de trechos de seus mais conhecidos sermões e de sua correspondência. O volume inclui ainda dois anexos: um texto explica a estrutura de um sermão e outro contextualiza a ação da Inquisição. Dirigido aos jovens leitores, Antônio Vieira, o imperador da língua portuguesa pretende despertar neles o gosto por conhecer a vida e a obra deste que é um dos maiores prosadores da nossa língua.

Quem soltou o Pum?, de Blandina Franco (Ilustrações de José Carlos Lollo)
A história é simples, mas a sacada é das boas: imagine um cachorrinho de estimação que se chama Pum! Daí dá para tirar diversos trocadilhos, criando frases e situações realmente hilárias. É um tal de não conseguir segurar o Pum, que é barulhento e atrapalha os adultos, que dizem que o Pum molhado, em dia de chuva, fica mais fedido ainda, o que faz o menino passar muita vergonha. Pobre Pum. E pobre dono do Pum! Mas não tem jeito, com o Pum é assim mesmo: simplesmente ninguém consegue evitar que ele escape e cause certos inconvenientes.