lane smith

Semana cento e doze

Os lançamentos desta semana são:

Foco, de Arthur Miller (Trad. José Rubens Siqueira)
Neste romance pioneiro em escancarar o antissemitismo nos Estados Unidos, o grande dramaturgo Arthur Miller apresenta um quadro realista e muitas vezes surpreendente das incertezas na vida dos imigrantes de Nova York. Lawrence Newman sempre julgou os judeus como “fingidores e impostores”. Fazendo vista grossa para a violência e o preconceito, acreditou que ficaria ileso. Mas um problema de visão o obriga a usar óculos. É o suficiente para ele ser visto como um elemento espúrio numa sociedade da qual se orgulhava em fazer parte — e para que ele mesmo passe a enxergar o mundo de outra maneira. Escrito em 1945 e lançado agora em nova tradução, Foco é um dos primeiros livros a tratar diretamente de uma questão delicada: o preconceito contra judeus nos Estados Unidos, nação que sempre se orgulhou de acolher as mais diversas etnias ao longo de sua história.

A ficção e o poema, de Luiz Costa Lima
A mímesis é um dos aspectos fundamentais da experiência humana. Chave de acesso a necessidades seminais do ser, ela tem fascinado os pensadores da linguagem desde suas primeiras formulações na Grécia clássica. Na obra de Luiz Costa Lima — um dos poucos brasileiros mundialmente reconhecidos na área de ciências humanas —, o protagonismo assumido pela mímesis já deu ensejo a uma série de ensaios memoráveis. O autor de O controle do imaginário e a afirmação do romance apresenta em A ficção e o poema o estado atual de suas investigações sobre a operação mimética, privilegiando a teoria da literatura e a análise do discurso. Costa Lima perscruta os furtivos mecanismos do teatro da linguagem a partir dos caminhos indicados por Kant, Freud, Aristóteles, Adorno e Heidegger, entre outros filósofos. Ao longo de seu instigador percurso crítico, constelado de poetas de diferentes literaturas, este livro propõe uma arrojada reavaliação das fronteiras usuais entre forma e conteúdo, som e sentido, prosa e poesia.

Coronelismo, enxada e voto, de Victor Nunes Leal
O coronelismo, resultado de uma perniciosa confluência de fatores históricos, econômicos e sociais, foi o principal sustentáculo político da República Velha (1889-1930). Favorecido pelo deliberado descaso do Estado com as populações rurais do país, o poder privado dos grandes proprietários de terras — os “coronéis”, como ficaram conhecidos a partir de sua adesão ao oficialato da extinta Guarda Nacional — controlava praticamente todos os aspectos da vida municipal e, sobretudo, os viciados processos eleitorais de então. Em troca dos votos arrebanhados entre agregados, meeiros e outros dependentes, esses caudilhos obtinham dos governos estaduais e federais o reconhecimento oficioso de sua autoridade, que incluía a impunidade de seus desmandos e das violências de seus jagunços. Neste clássico das ciências humanas brasileiras, originalmente publicado em 1948, Victor Nunes Leal disseca os perversos mecanismos responsáveis pela perpetuação do atraso do interior do país no século XX.

Ciência em versos, de Jon Scieszka e Lane Smith (Trad. Érico Assis)
Você já parou para cheirar as flores? Já sentiu a poesia que está em tudo? Pois esta é a história de um garoto que sentiu. Azar o dele. Porque o coitado passou a escutar absolutamente tudo em forma de poemas científicos.

Editora Paralela

O instinto de morte, Jed Rubenfeld (Trad. George Schlesinger)
Tendo como pano de fundo um dos grandes mistérios da história americana — o atentado à bomba que pôs abaixo Wall Street em 1920 —, O instinto de morte é a volta de Jed Rubenfeld ao universo literário de A interpretação do assassinato, romance que o consagrou mundialmente. O instinto de morte contém todos os elementos do melhor thriller policial, além da recriação histórica acurada e da percepção sombria e densa da mente huamana que fizeram de seu livro anterior um best-seller internacional. Costurando ficção e realidade, psicanálise e suspense, o autor coloca Sigmund Freud e Marie Curie no cerne de uma trama de consequências devastadoras, conforme um quarteto de heróis tão improváveis quanto ambíguos tenta resolver seus conflitos pessoais e desvendar um dos maiores e mais incompreensíveis ataques terroristas já vividos em solo americano.

Semana vinte e dois

Todos os homens são mentirosos, de Alberto Manguel (Tradução de Josely Vianna Baptista)
O ponto de partida do novo romance de Alberto Manguel é a história secreta de Alejandro Bevilacqua, misterioso autor de um único livro, que se matou no exílio em Madri. Caído no esquecimento, o escritor desperta a curiosidade de um jornalista francês, que decide escrever um livro sobre ele. As fontes são quatro pessoas que conviveram com Bevilacqua e prometem revelar segredos importantes. Enquanto o jornalista constata a impossibilidade de montar o quebra-cabeças das lembranças alheias, confundido entre equívocos e mentiras, Manguel demonstra com maestria a possibilidade de um romance dar vida nova ao passado — uma vida verdadeira, apesar de ficcional.

Palhaço, macaco, passarinho, de Eucanaã Ferraz (Ilustrações de Jaguar)
Palhaço é palhaço, macaco é macaco, passarinho é passarinho. Mas será que existe alguma coisa em comum entre eles? O poeta Eucanaã Ferraz acha que sim. E, ainda por cima, acredita que todo mundo tem um pouco dos três. A partir desses personagens, e de estruturas frasais simples, Eucanaã cria uma espécie de jogo de sintaxe em que, a cada página, palavras são trocadas de maneira a criar novos sentidos. As ilustrações são de Jaguar, que, apesar do nome de onça, faz coisas engraçadas e às vezes mais parece um macaco. E o macaco parece um palhaço que parece um passarinho. Deu para entender?

É um livro, de Lane Smith (Tradução de Júlia M. Schwarcz)
Ganha uma bolacha recheada quem responder primeiro a seguinte pergunta: qual O Assunto do Ano no mercado editorial? Sim, estamos falando do futuro do livro, dos tais e-books e a proposta de revolução que trazem consigo. E o que será do livro? E o que será dos direitos autorais? E o que será das prateleiras? E o que será dos pobres marcadores de página?! Muitos aproveitam a onda para reafirmar seu amor às letras impressas em papel, e dizem que o livro é uma espécie de deus grego: não morre nunca. Sem enveredar pelas malhas da vidência, mas deixando claro que um livro é um livro e isso basta, Lane Smith criou uma história ilustrada, tanto para crianças quanto para adultos, sobre o nosso velho e bom — e amado — livro. Aquele que, ao contrário dos produtos eletrônicos, não apita, não interage, não conecta nem retwitta. Mas que, só pela emoção da narrativa e das imagens, prende a atenção (e ainda rouba o coração) de qualquer um. Veja abaixo o trailer o livro:

Quimonos e Yumi, de Annelore Parot (Tradução de Eduardo Brandão)
Dois livros apresentam às crianças palavras e costumes japoneses a partir das kokeshis, bonequinhas típicas do país. Buracos nas páginas escondem fantasias; abas revelam o interior das casas; e recortes especiais sugerem algumas atividades, como encontrar as joaninhas que fugiram e descobrir qual a yukata — espécie de quimono levinho que se usa após o banho — de cada kokeshi. Com capa dura acolchoada, com uma tira de couro costurada, o livro é supercaprichado nos mínimos detalhes, assim como o são essas bonequinhas japonesas.