o papiro sagrado

Semana noventa e cinco

Os lançamentos da semana são:

Maya, de Jostein Gaarder (Tradução Eduardo Brandão)
Frank é um paleontólogo que faz pesquisas no arquipélago de Fiji. Pouco a pouco, estranhas criaturas começam a perturbar seus estudos – Ana, a dançarina que parece ler pensamentos, ou a salamandra que toda noite se lança em reflexões sobre as origens da vida. Uma bailarina vidente, um anfíbio filósofo: Frank passa a duvidar da lógica das coisas, e acaba se convencendo de que a relatividade do tempo é uma teoria muito esquisita. O mundo parece ter irado do avesso. Como em seus livros anteriores, Jostein Gaarder, autor de O mundo de Sofia, lança mão de uma estrutura ficcional bem arquitetada para refletir sobre diferentes campos do conhecimento humano. Aqui, ele parte da evolução das espécies e dos mistérios do Universo em busca de respostas para uma de nossas perguntas eternas: “Quem sou eu?”.

Patrimônio, de Philip Roth (Tradução de Jorio Dauster)
“Estar sozinho também me possibilitava expressar toda a emoção que eu sentia sem necessidade de assumir uma postura máscula, madura ou filosófica. A sós, eu chorava quando me dava vontade de chorar, e nunca essa vontade foi tão grande como quando tirei do envelope a série de imagens do cérebro dele – não porque eu fosse capaz de identificar com facilidade o tumor que lhe invadia o cérebro, mas simplesmente porque se tratava do cérebro dele, do cérebro do meu pai, daquilo que o fazia pensar da forma curta e grossa com que pensava, falar da forma enfática com que falava, raciocinar da forma emotiva com que raciocinava, decidir da forma impulsiva com que decidia. Aquele  era o tecido que produzira seu conjunto de infindáveis preocupações e por mais de oito décadas sustentara sua teimosa autodisciplina, a fonte de tudo que me havia frustrado tanto como filho adolescente, a coisa que comandara nossos destinos nos tempo em que ele era todo-poderoso e ditava os propósitos da família – tudo isso agora estava sendo comprimido, deslocado e destruído por ‘uma grande massa localizada predominantemente na região dos ângulos cerebelopontinos e das cisternas prepontinas.’”

Freud – Uma vida para o nosso tempo, de Peter Gay (Tradução Denise Bottmann)
Ler este livro significa mergulhar no mundo de Sigmund Freud: sua família, a cidade onde viveu, suas dificuldades profissionais, sua vida extraordinariamente produtiva e sofrida. O leitor é apresentado a um grande investigador em luta consigo mesmo e obcecado por questões que somente ele propõe. O historiador e psicanalista Peter Gay utilizou documentos inéditos, incluindo centenas de cartas até então inacessíveis, e assim pôde oferecer uma narrativa minuciosa das relações de Freud com discípulos problemáticos como Carl Jung e Sándor Ferenczi. Ele aborda francamente as controvérsias sobre a vida íntima de Freud e suas inovações teóricas, que perturbaram o sono da humanidade. Os casos clínicos, os ensaios técnicos e especulativos, conjunção com as experiências pessoais e a formação cultural de Freud. Peter Gay expõe com clareza as teorias sobe os sonhos, as neuroses, a sexualidade. Esta é a biografia definitiva de um pensador magistral e sua obra.

A gaia ciência, de Friedrich Nietzche (Tradução de Paulo César de Souza)
A gaia ciência traz algumas das discussões mais originais de Friedrich Nietzsche a respeito de arte, moral, história, conhecimento, ilusão e verdade. Ao longo de suas 383 seções, aparecem três noções particularmente associadas ao filósofo: a proclamação da “morte de Deus”, a ideia do “eterno retorno” e a mítica figura de Zaratustra. Ao mesmo tempo, este é o livro de Nietzsche com a maior diversidade de formas literárias, incluindo versos humorísticos, aforismos, breves diálogos, parábolas, poemas em prosa e pequenos ensaios. Nietzsche publicou A gaia ciência em 1882 e o ampliou substancialmente em 1887 (ano da segunda edição), acrescentando-lhe o prólogo, o quinto capítulos – o mais substancial – e o apêndice com poemas (que constam deste volume também em alemão).

A marcha para o oeste, de Orlando Villas Bôas e Cláudio Villas Bôas
Pouco antes do início da expedição que transformaria radicalmente suas vidas, os jovens irmãos Cláudio, Leonardo e Orlando Villas Bôas eram pacatos moradores da capital paulista, funcionários do comércio e do serviço público. Entretanto, o fascínio do sertão – nutrido pela origem interiorana da família e expresso na paixão compartilhada pela cartografia do Brasil – sempre os conectara intimamente aos grandes rios e florestas que sabiam existir nas áreas em branco dos mapas. Em 1943, ao engajar-se na Expedição Roncador-Xingu, organizada pelo governo federal, os irmãos Villas Bôas deram início a uma jornada épica que resultaria em milhares de quilômetro de trilhas e rios percorridos, dezenas de pistas de aviação abertas e cidades inauguradas e, sobretudo, na fundação do Parque Nacional do Xingu. A macha para o oeste é o relato arrebatador de suas décadas de andanças pelo coração da ancestralidade brasileira e um documento de valor incalculável para a história do país no século XX.

O papiro sagrado, de Aude Gros de Beler (Tradução de Heliosa Jahn e ilustrações de Louise Heugel)
A escrita em hieróglifos adotada pelos antigos egípcios é certamente a mais bela escritaa já desenhada pelo homem, com suas centenas de signos representando fielmente os seres humanos, os animais, as plantas e as coisas. Aqui você conhecerá essa escrita graças à história de um papiro sagrado, presente de um Faraó. Nos relatos da chamada Idade de Ouro, em que deuses egípcios e homens coabitavam na Terra, você aprenderá a decifrar esses desenhos misteriosos e descobrirá os segredos da humanidade. Segrewdos que só iniciados podem conhecer…

Siga a seta!, de Isabel Minhós Martins (Ilustrações de Andrés Sandoval)
Vivemos cercados de regras e rotinas por todos os lados. Estamos acostumados a seguir um mesmo caminho, a realizar certas atividades em determinados horários, a guiar nosso olhar para os mesmos lugares. As crianças, dotadas de um certo espírito libertário, vivem bagunçando essa ordem. Como é o caso do menino desta história, que, mordido pela curiosidade, um belo dia resolveu investigar o que havia no espaço entre as setas, e depois decidiu mudá-las de lugar. Ele acabou conhecendo coisas incríveis – como um urso que toca piano – e também conseguiu mudar o percurso de umas tantas pessoas. Siga a seta! é um livro que nos faz questionar a maneira como organizamos e enchemos os nossos dias, por vezes com pouco espaço para o devaneio, para o imprevisto e para a surpresa; e que nos convida a pensar no que aconteceria se olhássemos melhor para as setas obrigatórias que compõem os nossos próprios dias.

Silêncio – Doze histórias universais sobre a morte, de Ilan Brenman e Heidi Strecker
Desde os tempos mais remotos, em todos os lugares e entre todos os povos, a morte é um tema que suscita incertezas. Muitas vezes nos esquivamos dela, tentamos fingir que ela não existe, mas a morte faz parte da vida de todos nós, sem exceção. Por mais universal que seja, cada um tem uma maneira de encará-la. Neste livro,, doze narrativas de diferentes partes do mundo tentam explicar o que ninguém seria capaz de responder. Basta embarcar nas histórias de Gilgamesh, Ísis e Osíris, Tristão e Isolda, Buda, Catirina, entre outros deuses, heróis, reis, pessoas comuns ou animais encantados, e conhecer um pouco mais sobre as tantas facetas que a morte pode adquirir em cada lugar.

Cadê o meu penico?, de Mij Kelly (Ilustrações de Mary McQuillan)
A coitada da Hortênsia estava louca de vontade de fazer “uma tal coisa”, mas não encontrava o seu penico por nada… Enquanto isso, a bicharada toda se divertia com um objeto misterioso. Seria uma gamela? Um tigelão? Quando eles descobrem que aquele pote serve para fazer xixi e cocô, ficam encantados com a novidade: estão todos muito apertados e não querem mais saber de sujar o terreiro!
Enquanto isso, Hortênsia pergunta aos animais sobre seu penico, mas eles não o conhecem por esse nome, por isso não podem ajudar. Coitada, será que ela vai recuperá-lo a tempo?
Escrita em versos rimados, esta história fala de maneira divertida sobre uma fase de crescimento e aprendizado na vida das crianças pequenas.