patti smith

Semana duzentos e noventa

Linha M, Patti Smith (Tradução de Claudio Carina)
Depois do cultuado Só garotos, a lendária cantora e escritora Patti Smith volta à sua odisseia pessoal neste Linha M, que ela chama de “um mapa para minha vida”. O livro começa no Greenwich Village, o bairro que tanto marcou sua história. Todos os dias a artista vai ao mesmo café e, munida de seu caderno de anotações, registra suas impressões sobre o passado e o presente, a arte e a vida, o amor e a perda. É desse café que ela nos conduz ao México, onde visita a Casa Azul de Frida Kahlo em Coyoacán; a uma conferência dos membros do Instituto Alfred Wegener em Bremen, na Alemanha; e ao bangalô em Rockaway Beach que ela compra pouco tempo antes de o furacão Sandy atingir o país. Patti Smith, uma leitora voraz, nos conduz também pelo labirinto de suas paixões literárias. Conhecemos, de um ponto de vista privilegiado, sua opinião sobre escritores como Murakami, Jean Genet, Sylvia Plath e Rimbaud. As ideias de Smith abrem uma janela para sua arte e seu processo de criação, que são revelados com candura sinceridade tocantes. Em meio a essas leituras, ela costura também as próprias memórias, desde a vida em Michigan até a dor irremediável pela perda do marido, Fred Sonic Smith, num depoimento ao mesmo tempo emocionante e honesto sobre o amor. Num tom que transita entre a desolação e a esperança – e amplamente ilustrado com suas icônicas polaroides -, Linha M é uma reflexão sobre viagens, séries de detetives, literatura e café. Um livro poderoso e comovente de uma das mais multifacetadas artistas em atividade.

Os Buddenbrook, Thomas Mann (Tradução de Herbert Caro)
Primeiro romance de Thomas Mann, publicado em 1901, este livro monumental acompanha a saga dos Buddenbrook, uma família de comerciantes abastada do norte da Alemanha. Quatro gerações são retratadas na crônica familiar inspirada na linhagem do próprio escritor e situada numa cidade com todas as características de Lübeck, a terra natal dos Mann. Com personagens vívidos, diálogos brilhantes e elevada riqueza de detalhes, o autor lança um olhar preciso sobre a vida da burguesia alemã – entre nascimentos e funerais; casamentos e separações; desentendimentos e rivalidades; sucessos e fracassos. Esses acontecimentos sucedem-se ao longo dos anos, mas à medida que os Buddenbrook sucumbem à sedução da modernidade, o declínio moral e financeiro parece estabelecido. O leitor contemporâneo encontra intactos o frescor e o fascínio deste que é considerado um dos principais romances do século XX.

Para poder viver, Yeonmi Park (Tradução de Paulo Geiger)
Yeonmi Park não sonhava com a liberdade quando fugiu da Coreia do Norte. Ela nem sequer conhecia o significado dessa palavra. Tudo o que sabia era que fugir era a única maneira de sobreviver. Se ela e sua família ficassem na terra natal, todos morreriam – de fome, adoentados ou mesmo executados. Park cresceu achando normal que seus vizinhos desaparecessem de repente. Acostumou-se a ingerir plantas selvagens na falta de comida. Acreditava que o líder de seu país era capaz de ler seus pensamentos.  Aos treze anos, quando a fome e a prisão do pai tornaram a vida impossível, Yeonmi deixou a Coreia da Norte. Era o começo de um périplo que a levaria pelo submundo chinês de traficantes e contrabandistas de pessoas, a uma travessia pela China através do deserto de Gobi até a Mongólia, à entrada na Coreia do Sul e, enfim, à liberdade.  Neste livro, Yeonmi conta essa história impressionante pela primeira vez. Uma história repleta de coragem, dignidade – e até humor. Para poder viver é um testamento da perseverança do espírito humano. Até que ponto estamos dispostos a sofrer em nome da liberdade? Poucas vezes a resposta foi dada de modo tão eloquente.

Paralela

Before, Anna Todd (Tradução de Carolina Caires Coelho)
Antes de Tessa, Hardin era um jovem rude e, às vezes, cruel. O que será que fez com que ele se tornasse esse bad boy tão revoltado? E o que se passava em sua cabeça naqueles primeiros momentos com Tessa, a menina irritantemente certinha de quem ele não conseguia ficar longe? Contado sob o ponto de vista de Hardin e de outros personagens da série, Before acompanha de perto esse complexo e cativante personagem, desde seus problemas de infância até sua turbulenta juventude. O livro traz também passagens inéditas do romance de Tessa e Hardin e revela, ao fim, o futuro desse casal intenso que conquistou o coração de leitores no mundo inteiro!

Romance Moderno, Aziz Ansari (Tradução de Christian Schwartz)
Aziz Ansari tem discutido os romances modernos há tempos em suas apresentações de stand-up e no seriado Master of None, escrito, dirigido e protagonizado por ele. Mas agora, em Romance moderno, decidiu levar o assunto a outro nível. Aziz se juntou ao sociólogo Eric Klinenberg para desenvolver um projeto de pesquisa que se estendeu de Tóquio a Buenos Aires, passando por Paris, Doha e Wichita. Com o auxílio dos mais renomados pesquisadores, a dupla analisou dados comportamentais, entrevistou centenas de pessoas e criou um fórum no site Reddit, obtendo milhares de respostas. O resultado é um livro único, em que o humor irreverente de Aziz é veículo para pesquisas sociais inovadoras. Um tour pelo nosso universo romântico como nunca visto antes.

Seguinte

A profecia do pássaro de fogo, Melissa Grey (Tradução de Flávia Souto Maior)
No subterrâneo de lugares onde é muito difícil chegar, duas antigas raças travam uma guerra milenar: os Avicen, pessoas com penas no lugar de cabelos e pelos; e os Drakharin, que têm escamas sobre a pele. Ambas possuem magia correndo nas veias, o que os esconde de todos os humanos… menos de uma adolescente chamada Echo. Echo conheceu os Avicen quando era criança, e desde então eles são sua única família. A pedido de sua tutora, a garota começa uma jornada em busca do pássaro de fogo, uma entidade mítica que, segundo uma velha profecia, é a única forma de acabar com a guerra de vez. Mas Echo precisa encontrar o pássaro antes dos Drakharin, ou então os Avicen podem desaparecer para sempre…

Alfaguara

O pescoço da girafa, de Judith Schalansky (Tradução de Petê Rissatti)
Inge Lohmark é a última de sua espécie. Professora de biologia no Colégio Charles Darwin, na antiga Alemanha Oriental, ela sabe que adaptação é tudo. Mas as coisas estão mudando muito rapidamente. As pessoas já começam a olhar para o Ocidente em busca de empregos e oportunidades de vida; sua própria filha deixa o país. O ambiente conhecido está desaparecendo. E, mesmo que os alunos e colegas da escola não sejam os espécimes mais brilhantes da manada, parece que Lohmark está ficando para trás. Escrito com elegância e ironia, O pescoço da girafa é uma crítica mordaz ao ambiente escolar, à competição selvagem da vida e à ideia de que os mais fortes são sempre claramente reconhecíveis

Linha M, Patti Smith e todos os caminhos que ela percorreu

patti

Texto de Michiko Kakutani, publicado originalmente no The New York Times. Tradução de Carlos Alberto Bárbaro.

Linha M, o novo e maravilhosamente tocante livro de Patti Smith, é uma balada caleidoscópica sobre as perdas causadas pelo tempo, pelo acaso e pela circunstâncias. A perda do marido, o guitarrista Fred (Sonic) Smith, por infarte, em 1994, aos 45 anos. A perda do irmão, Todd, no mês seguinte, por derrame. A perda de seu primeiro amigo nova-iorquino e colega de quarto, Robert Mapplethorpe, de AIDS, em 1989. É um livro sobre a passagem de um tempo em que os filhos dela eram pequenos e “as coisas em que tocava estavam vivas. Os dedos do meu marido, um dente-de-leão, um joelho esfolado”, para outro em que ela passa cada vez mais a registrar e recordar os momentos de sua vida em fotos e palavras — a, como uma artista, criar recordações talismânicas do passado. Do qual esse livro é uma delas.

Música, poeta e fotógrafa, aos 68 anos Smith possui um ouvido notável para o som e encantamento das palavras, sua prosa aqui sendo a um só tempo lírica e radiosamente figurativa. À semelhança de suas célebres fotos Polaroid em preto-e-branco (algumas das quais estão dispersas pelo livro), os capítulos de Linha M são slides de lanterna mágica, saltando, em livre-associação, entre o presente e o passado, de um assunto para outro. Ela evoca um sentimento nostálgico (melancolia, que em suas mãos ela transforma em “como se fosse um pequeno planeta, triscado de sombras, de um azul impossível”) com a mesma maestria com que conjura sua gata, Cairo (“uma gatinha abissínia com a pelagem da cor das pirâmides”), ou uma recordação da infância (“uma chaveta para ajustar os patins nos sapatos de um garoto de doze anos”), ou um tristonho Natal depois do furacão Sandy na praia de Rockaways (“Bonecos de neve de isopor e sofás encharcados jaziam jogados no meio das bugigangas”).

Se a evocativa biografia de Smith publicada em 2010, Só garotos, concentrava-se em seus primeiros anos em Nova York, no final da década de 1960 e início da de 1970, e na sua amizade com Mapplethorpe, este volume é mais peripatético, fazendo a crônica de suas peregrinações ao redor do mundo e nos recessos de sua imaginação, embora sempre retornando a sua base familiar em Manhattan. Suas unidades aqui não são de tempo e de lugar, mas sim a paisagem de sua própria mente – seus sonhos, recordações, interesse por certos artistas (Jean Genet, William S. Burroughs, Sylvia Plath), livros (Crônica do pássaro de corda, After nature, 2666) e séries de televisão (The killing, Law&Order, CSI: Miami).

Como em um poema ou em uma canção, leitmotivs se repetem sucessivamente: uma cadeira (a de seu pai, a do romancista Roberto Bolaño, uma enfeitada, de plástico, entrevista em Tânger); um café (no Greenwich Village, em Rockaways, em Berlim), as muitas, muitas xícaras de café bebidas pela autora em sua casa e em qualquer lugar para onde viajasse.

Muitas das viagens de Smith são quixotescas, para dizer o mínimo. Ela e Fred viajaram para St. Laurent-du-Maroni, uma pequena cidade de fronteira a noroeste da Guiana Francesa, só para que ela pudesse visitar as ruínas de uma prisão colonial francesa ― porque Genet escrevera com reverência sobre o lugar uma vez, e ela queria recolher algumas pedras do local e mandar pra ele.

Na condição de membro do Continental Drift Club ― uma sociedade obscura dedicada a Alfred Wegener, um explorador que foi pioneiro da teoria da “deriva continental” ―, ela viajou até Reykjavic, na Islândia, para um congresso, e ficou por ali para fotografar a mesa usada na competição de xadrez entre Bobby Fischer e Boris Spassky em 1972. Um encontro entre ela e Fischer foi arranjado, e depois de ela se levantar pra ir embora depois de uma das piadinhas obscenas de Fischer ― “Eu posso ser tão repugnante quanto você, só que em assuntos diferentes”, ela lembra ter dito ―, eles acabaram por passar várias horas cantando juntos músicas de Buddy Holly e de outros artistas, para espanto do guarda-costas de Fischer.

Há algo de etereamente surreal ou onírico nas muitas aventuras de Smith. Ela e Fred são mantidos sob a custódia da polícia durante sua viagem à Guiana Francesa depois de os policiais terem tirado do carro o motorista que eles haviam contratado ― e que se parece com um extra daquele filme jamaicano, Balada sangrenta, trajando “óculos escuros Ray‑Ban, boina de lado e uma camisa de estampa de leopardo” ― e descobrirem um homem amarrado no bagageiro do carro. Ela leva consigo o Crônica do pássaro de corda, de Haruki Murakami, numa viagem até a Cidade do México, onde fora para proferir uma conferência sobre a pintora Frida Kahlo, e não vê “a hora de comer comida mexicana, mas o cardápio do hotel era dominado pela culinária japonesa”.

Durante suas viagens, Smith faz peregrinações aos túmulos dos escritores que ela admira: Brecht, Plath, Rimbaud, Genet. Os fantasmas desses artistas assombram essas páginas, assim como os espíritos de seus amados esposo e irmão. E uma melodia sombria de perda trilha seu caminho por esse volume. Seu casaco favorito ― perdido. Seu livro predileto de Murakami ― esquecido no banheiro do aeroporto. Sua máquina fotográfica mais querida — deixada numa praia. Seu café favorito do bairro ― fechado. Smith compra uma pequenina casa perto da praia de Rockaway, no Queens, e enquanto ela de algum modo sobrevive à passagem do furacão Sandy, Smith contempla a miríade de perdas de seus vizinhos — o passeio reduzido a farpas, o café de um amigo, destruído, centenas de casas totalmente destruídas ou inundadas.

Se Só garotos era sobre os primeiros passos de uma artista e sobre se estabelecer no mundo, Linha M dá mais a impressão de um olhar para o passado por um espelho retrovisor. Smith escreve sobre sentir “saudades de como as coisas eram”, sobre fantasmas nos impedindo de viver o presente, sobre cantar “What a wonderful world” para Fred em seu velório, e sobre perceber que ela é agora mais velha que Fred quando ele morreu — e mais velha que muitos dos seus amigos falecidos.

“Vou me lembrar de tudo”, ela reflete, “e vou escrever tudo isso. Uma ária a um casaco. Um réquiem a uma cafeteria.” Uma eloquente — e profundamente comovente — elegia para o que ela “perdeu e não consegue mais achar”, mas que pode rememorar em palavras.

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Linha M chega às livrarias no dia 25 de março.

A musa antidiva

Por Alexandre Barbosa de Souza

Era Noite Branca em Paris. Minha mulher ligou emocionada: tinha acabado de sair do show da Patti na igreja de Saint Germain des Près (em 2008). Fazia um mês que eu estava sozinho com os gatos, traduzindo loucamente os Hipopótamos dos então quase anônimos Burroughs e Kerouac. Lembrei da minha primeira namorada na escola, que me lembrava a Patti: uma magricela meio punk, mas que definitivamente não tinha alma de poeta. Quase dez anos depois de “People have the power” (1988) ter tocado no Brasil — cheguei a comprar o Dream of life em K7, porque antes eu só tinha o Horses, também em fita e mal gravado de um lp importado, e na época eu nem sabia que já era uma volta dela —, minha mulher iria à exposição do Mapplethorpe no MAM (1997). Temos o pôster com um retrato dele aqui em casa, ao lado de Sid Vicious, James Joyce e Karl Marx.

Meu amigo editor e ex-vizinho há de ter escutado quando minha mulher e eu ficávamos horas na banheira em Santa Cecília ouvindo a Patti no iPod e um belíssimo dia me perguntou se eu não queria traduzir a autobiografia dela. Eu não saberia explicar melhor minha peculiar devoção à Patti (musa antidiva) do que tentando traduzir essa sua prosa com a máxima consideração da poesia. Aceitei e sou grato para sempre, porque vi confirmada instantaneamente uma identidade de amigos queridos, para além do evidente encantamento que a voz e os olhos dela exercem sobre mim.

Chorei algumas vezes enquanto traduzia. Patti escreve com uma delicadeza esperta que não derrama, mas que de alguma forma prepara a morte do homem amado no final: ainda na infância, seu sentimento pela amiga Stephanie, de quem ela rouba uma miniatura de patins (misto de remorso e vertigem da inevitabilidade dos fatos da vida), se propaga em suas experiências de perdas e dores de crescimento da juventude. Mas cada objeto encontrado pelos amantes trapeiros, nas lixeiras, alfarrábios e bricabraques de uma Nova York pré-gentrificação, é erguido e celebrado sincreticamente no altar pagão católico do quarto alugado — à Rimbaud —, como uma preciosidade. É assim também com as pessoas em sua vida: cada encontro é valioso salvo-conduto com o selo da união da grande fraternidade universal de La Bohème e do exército de Peter Pan, do qual Patti é a amorosa e maternal estrela guia.

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Alexandre Barbosa de Souza é tradutor e autor dos livros Livro de poemas (Giordano, 1992), Viagem a Cuba (Hedra, 1999), XXX (Dolle Hond, Amsterdã, 2003), Azul escuro (Hedra, 2004) e do infantojuvenil Autobiografia de um super-herói (Hedra, 2003).

Because the night belongs to readers

Nós da Companhia das Letras estamos animados com o lançamento de Só garotos, e resolvemos fazer uma homenagem a Patti Smith. Queremos fazer uma montagem com o hit “Because the night”, e para isso precisamos da ajuda de vocês.

Mande um vídeo seu cantando a música (pelo menos um pedaço dela!) para cialetras@gmail.com até quinta-feira, dia 16. Você pode mandar o vídeo como anexo, via YouTube ou por um link onde possamos baixar o vídeo.

Vamos sortear um exemplar de Só garotos entre todos os participantes, além de dar um exemplar para o autor do vídeo mais original.

Abaixo você pode ouvir a música; a letra está aqui.

Ouça também a própria Patti Smith lendo o trecho de Só garotos sobre o momento em que ela percebe, junto com Robert Mapplethorpe, que a música era um sucesso:

Semana vinte e oito

Os lançamentos desta semana foram:

Só garotos, de Patti Smith (Tradução de Alexandre Barbosa de Souza)
Só garotos é uma autobiografia cativante e nada convencional, vencedora do National Book Award de 2010 na categoria não-ficção. Tendo como pano de fundo a história de amor entre a cantora e poeta Patti Smith e o fotógrafo Robert Mapplethorpe, enquanto os dois ainda eram jovens aspirantes a artistas, o livro é também um retrato apaixonado, lírico e confessional da contracultura americana dos anos 1970, desfiado por uma de suas maiores expoentes vivas.

Brasil: de Getúlio a Castelo, de Thomas Skidmore (Tradução de Berilo Vargas)
Narrativa pioneira sobre as transformações políticas, econômicas e sociais sofridas pelo Brasil durante sua transição de economia rural para potência industrial emergente, o livro clássico do brasilianista Thomas Skidmore ganha nova tradução e inaugura a reedição de algumas de suas obras fundamentais.

A disciplina do amor, de Lygia Fagundes Telles
Carlos Drummond de Andrade chamou de “miniaturas” esses textos fragmentários, escritos à margem da vida, em que a realidade confina com as invenções da ficção e da memória afetiva. Pequenos contos, reflexões curtas, notas cotidianas: tudo aqui se confunde numa amorosa variedade.

Verão no aquário, de Lygia Fagundes Telles
De um lado, uma jovem indecisa em tempos de crise de valores. De outro, sua mãe, presença forte e independente. Uma paixão irresistível virá aquecer o conflito entre as duas, num dos romances mais perturbadores da autora.

Uma luz em meu ouvido, de Elias Canetti (Tradução de Kurt Jahn)
Uma luz em meu ouvido cobre a vida de Canetti dos dezesseis aos 26 anos — ou seja, de 1921 a 1931 — e pode ser lida como um palpitante e transcendente romance de formação, uma vez que descreve a gênese de um artista e pensador dotado de uma capacidade de percepção fora do comum. A inflação, o assassinato de Rathenau, o levante dos trabalhadores de Viena e a vida berlinense dos anos 1920 são o pano de fundo para o desenvolvimento espiritual do escritor.

A língua absolvida, de Elias Canetti (Tradução de Kurt Jahn)
Elias Canetti narra sua infância e adolescência na Bulgária, seu país de origem, e em outros países da Europa para onde foi obrigado a se deslocar, seja por razões familiares, seja pelas vicissitudes da Primeira Guerra Mundial. Ao mesmo tempo que registra, num tom quase romanesco, os acontecimentos e as pessoas mais marcantes dessa fase crucial de sua vida, Canetti vai fazendo emergir ao primeiro plano o fascínio que a linguagem e a literatura inevitavelmente exerciam sobre o menino a quem os anos transformariam no escritor brilhante.

O jogo dos olhos, de Elias Canetti (Tradução de Sergio Tellaroli)
Elias Canetti aborda o período de sua vida em que assistiu à ascensão de Hitler e à Guerra Civil espanhola, à fama literária de Musil e Joyce e à gestação de suas próprias obras-primas, Auto de fé e Massa e poder. Terceiro volume de uma autobiografia escrita com vigor literário e rigor intelectual, O jogo dos olhos é também o jogo das vaidades literárias exposto com impiedade, o jogo das descobertas intelectuais narrado com paixão e o confronto decisivo entre mãe e filho traçado com amargo distanciamento.

O mundo em queda livre, de Joseph Stiglitz (Tradução de José Viegas Filho)
Neste livro atualíssimo, Joseph E. Stiglitz — um dos economistas mais influentes em todo o mundo — faz uma análise lúcida e contundente sobre a crise econômica que assolou os Estados Unidos em 2008 e ainda afeta a economia global.

Vício inerente, de Thomas Pynchon (Tradução de Caetano W. Galindo)
Um detetive particular investiga uma conspiração que envolve surfistas, traficantes, contrabandistas e uma agiota assassina e amante de jazz. Como sempre, Pynchon faz da trama um meio de destilar seu conhecimento enciclopédico acerca de tudo, da melhor técnica para se montar um penteado afro às particularidades do saxofone na surf music dos anos 1960. Isso também serve de desculpa para abordar, não raro de maneira tocante, questões comuns a todos nós. Nesse misto de erudição e humor, loucura e sensibilidade, Pynchon se firmou como um dos grandes autores da literatura contemporânea. Veja abaixo o trailer do livro, narrado pelo próprio autor: