reportagem

Semana noventa e oito

Os lançamentos da semana são:

Uma morte em família, de James Agee (Tradução de Caetano Galindo)
Uma morte. Em pleno vigor, um homem é tirado de sua família. Uma notícia que poderia ser dada em qualquer momento, em qualquer romance. Para James Agee, que já havia demonstrado seu imenso talento e seu amor prodigioso pelo estudo detalhado das personalidades e dos fatos no clássico livro de reportagem Elogiemos os homens ilustres, trata-se da oportunidade de escrever um romance dedicado quase integralmente a investigar o impacto dessa morte nos membros daquele grupo. Da pequena Catherine, que ainda mal consegue compreender a vida, ao agnóstico Joel, passando pelo torturado Andrew e, talvez principalmente, pelo desorientado Rufus, o filho mais velho, Agee se debruça sobre cada um de seus personagens com uma dedicação e um detalhismo plenamente amorosos, empregando os mais sofisticados recursos da prosa de ficção para retratar essas pessoas e revelar a percepção que têm da realidade.

O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde (Tradução de Paulo Schiller)
Publicado em sua versão final em 1891, O retrato de Dorian Gray foi o primeiro sucesso literário de Oscar Wilde e, algo que se tornaria frequente durante a curta carreira do autor, motivo de grande escândalo. Exemplo extremo de um indivíduo que leva uma vida dupla, seu protagonista comete todo tipo de atrocidade enquanto mantém uma aparência  intocada de beleza e virtude. Seu segredo, porém, está materializado em um retrato guardado em uma sala trancada, que reflete fisicamente as deformações de seu caráter. Ao longo da década em que Wilde conviveria com doses idênticas de fama e infâmia, seu único romance foi usado como parâmetro tanto de sua capacidade artística como de sua total inadequação à sociedade em que vivia. E, se mais de cem anos depois ainda consegue fascinar leitores de todo o mundo, é porque revela muito mais sobre a condição humana do que inicialmente se imaginava.

Paris: A festa continuou – A vida cultural durante a ocupação nazista, 1940-4, de Alan Riding (Tradução Celso Nogueira e Rejane Rubino)
Poucos momentos da história foram mais trágicos e complexos do que a ocupação de Paris pelos nazistas, entre 1940 e 44. Mas o que aconteceu nesses anos sombrios com a efervescente vida cultural da Cidade Luz? Como era o dia a dia dos parisienses obrigados a conviver com a caça aos judeus, a presença opressiva da Gestapo e a escassez de víveres? Neste amplo e vívido painel da vida no período, Alan Riding mostra que, surpreendentemente, “a festa continuou”, ou seja, cabarés, teatros e cinemas continuaram lotados, assim como os salões da elite, e o mercado de arte viveu até um aquecimento. Mas revela também uma trama complexa de relações perigosas dos intelectuais com os ocupantes e seus órgãos de propaganda e controle. Entre o heroísmo da resistência, muitas vezes pago com a vida, e a franca adesão ao nazismo, o autor demonstra que foram inúmeras as atitudes intermediárias, não raro ambíguas e até paradoxais, de artistas e escritores como  Sartre, Picasso, Malraux e Colette.

O diabo & Sherlock Holmes – histórias reais de assassinato, loucura e obsessão, de David Grann (Tradução Álvaro Hattnher)
O líder do principal grupo paramilitar de extermínio do Haiti se torna corretor de imóveis numa pacata cidade dos Estados Unidos. O maior especialista mundial em Sherlock Holmes morre em circunstâncias tão misteriosas quanto as de uma aventura do detetive. Um mestre francês do disfarce assume sucessivas identidades de adolescentes órfãos de diferentes países. Um escritor polonês comete um crime quase perfeito para pôr em prática suas mal digeridas leituras de Nietzsche e Foucault e espalha pistas autoincriminadoras num romance. Essas são algumas das dozes histórias extraordinárias narradas neste livro pelo jornalista norte-americano David Grann. Unindo rigor investigativo e talento literário, o autor que escreveu também o elogiado Z, a cidade perdida, explora com maestria os territórios em que a realidade é tão inverossímil que parece ficção.

Navegação de cabotagem – Apontamentos para um livro de memórias que jamais escreverei, de Jorge Amado
Poucos indivíduos viveram com tanta intensidade as turbulências do século XX. Nestas memórias escritas com a verve, o humor e a sensualidade que caracterizam sua melhor ficção, Jorge Amado passa em revista sua trajetória singular. Da convivência com personalidades da cultura mundial – como Pablo Picasso, Oscar Niemeyer, Pablo Neruda, Dorival Caymmi e Glauber Rocha – ao aprendizado em bordéis, botequins e terreiros de candomblé, os episódios se sucedem como cenas de um filme. Os cenários podem ser o Kremlin de Moscou, um palácio na Suíça, uma redação de jornal carioca, as margens do Sena ou uma ladeira de Salvador. Por trás de tudo, dois grandes temas perpassam estas páginas: o amor, de todas as formas, e o trauma da política.

O fardo da nobreza, de Donna Leon (Tradução de Carlos Alberto Bárbaro)
Os jardins de uma casa abandonada em uma pequena vila na Itália permaneceram intocados por cinquenta anos. Quando o novo proprietário assume o imóvel e dá início a uma reforma, um túmulo macabro vem à tona. Animais, fungos e bactérias fizeram seu terrível trabalho e o cadáver encontra-se em estado avançado de decomposição, o que impede o reconhecimento do corpo. Um anel valioso torna-se a principal pista desse mistério que leva o comissário Guido Brunetti ao coração da aristocracia veneziana e a uma família que ainda sobre com o desaparecimento do filho.

A mulher calada, de Janet Malcolm (Tradução de Sergio Flaskman)
Considerada uma das poetas mais originais do século XX, Sylvia Plath se suicidou numa madrugada de inverno, em 1963, poucos meses depois de se separar do marido, o também poeta Ted Hughes. Esse gesto último selou definitivamente, em torno de sua vida e sua obra, um campo de forças tão poderoso que por muito tempo opôs não só os vivos aos mortos, como todos aqueles que sobreviveram à tragédia. Neste livro, Janet Malcolm – um dos maiores nomes do jornalismo americano, autora de O jornalista e o assassino – se debruçou sobre todas as biografias já escritas sobre Sylvia Plath e sobre as entrevistas com os Hughes, além de adentrar um intrincado mundo de cartas, arquivos e delicadas situações familiares. Assim pôde demonstrar, a cada linha, como é tênue o limite que demarca fato e ficção, trafegando o tempo inteiro entre as várias versões do mito. Dotada de elegância e senso narrativo excepcionais, Malcolm mescla psicanálise, poesia, biografia e reportagem, num ensaio de amplitude e profundidade surpreendentes, capaz de envolver o leitor com o magnetismo de uma trama policial.

Martinha versus Lucrécia, de Roberto Schwarz
Internacionalmente reconhecido pelos livros Um mestre na periferia do capitalismo e Ao vencedor as batatas, que revelaram aspectos ocultos – e notáveis – da arte literária de Machado de Assis, Roberto Schwarz reúne em Martinha versus Lucrécia momentos recentes de sua produção crítica. No livro estão algumas das melhores peças da crítica literária do autor, que, além de Machado de Assis, contempla nomes como Caetano Veloso – com um ensaio inédito sobre a autobiografiaVerdade tropical -, Chico Buarque, o poeta Francisco Alvim e o filósofo Theodor Adorno.

Divinas travessuras – Mais histórias da mitologia grega, de Heloisa Prieto
Depois das Divinas aventuras, em que alguns deuses da mitologia grega contam suas histórias, das Divinas desventuras, narradas por Cronos, o deus do tempo, agora é a vez de Hermes, o deus da trapaça, contar as suas preferidas – que são repletas de travessuras, é claro. Muito arteiro, ele fala sobre o dia em que roubou os novilhos de seu irmão Apolo; sobre quando ajudou, com sua tamanha esperteza, seu tataraneto Odisseu a vencer o gigante Polifemo, entre demais peripécias. São histórias que ensinam sobre a mitologia grega e seus deuses – como o poderoso Zeus e a vingativa Hera, entre outros -, em um tom divertido e próximo do leitor, por conta da narrativa do faceiro Hermes. Ao final, um glossário apresenta a vida dos principais personagens do livro.

Semana oitenta e oito

Os lançamentos da semana são:

1922 – A semana que não terminou, de Marcos Augusto Gonçalves
Na noite de 13 de fevereiro de 1922, curiosos, estudantes, figurões da política e sobrenomes de tradicionais famílias paulistas compareceram ao Teatro Municipal para a inauguração da Semana de Arte Moderna. Iniciativa de representantes da elite de São Paulo e de talentos da nova geração, como o pintor Di Cavalcanti e os escritores Mário e Oswald de Andrade, a Semana, com o passar dos anos, transformou-se numa espécie de mito sobre a fundação da cultura moderna no Brasil. Noventa anos depois, o jornalista Marcos Augusto Gonçalves mescla reportagem e relato histórico para revisitar os principais fatos e personagens da semana mais polêmica do país.

Festa no covil, de Juan Pablo Villalobos (Tradução de Andreia Moroni)
Tochtli é um pequeno príncipe herdeiro do narcotráfico mexicano. Fechado numa fortaleza no meio do nada, engana a solidão colecionando chapéus e palavras exóticas. Ele também tem uma ideia fixa: completar seu minizoológico com hipopótamos anões da Libéria e é bem capaz de conseguir que o rei, Yolcault, atenda seu desejo. Involuntariamente assustador e hilário em sua cândida crueldade, Tochtli relata sua própria educação sentimental, mostrando o coração do crime para além do bem e do mal. Nas ingênuas e disparatadas especulações desse improvisado detetive-antropólogo, atravessadas por suas fantasias e caprichos infantis, revela-se um quadro sinistro e doce como uma caveira de açúcar. Leia o post sobre a capa do livro, e um texto do autor.

Chamadas telefônicas, de Roberto Bolaño (Tradução de Eduardo Brandão)
O autor chileno compôs uma série de histórias breves, com desfechos inesperados, ocasionalmente abruptos, que abrem caminho para múltiplas interpretações. São tramas que muitas vezes ocultam mais do que revelam sobre seus personagens. O universo da literatura é tema recorrente na obra de Bolaño, e confere o eixo da primeira parte do livro. Na segunda parte, em que o espectro metaliterário cede lugar à violência, os leitores de Bolaño reencontrarão personagens já conhecidos. A sensação de déjá-vu estende-se também à terceira e última parte, protagonizada por personagens femininas indecifráveis, cujas ações nunca são inteiramente compreendidas.Ao repetir personagens e cenas, Bolaño constrói, livro a livro, um vasto universo ficcional. As breves narrativas de Chamadas telefônicas são assim tanto um complemento para ávidos leitores do autor quanto uma porta de entrada para esse território de figuras solitárias e deslocadas.

O xá dos xás, de Ryszard Kapuscinski (Tradução de Tomasz Barcinski)
Mohammed Reza Pahlevi governou o Irã por 25 anos. Após meses de manifestações populares nas ruas das principais cidades do país, o xá renunciou em janeiro de 1979. Imagens da revolução rodaram o mundo, mas poucos cronistas foram capazes de compreender as bases desse impressionante levante popular. Imiscuindo-se no cotidiano dos cidadãos comuns de Teerã, Ryszard Kapuscinski ouviu dezenas de anônimos, recortou pequenos textos de jornais locais, atentou para fotos antigas, coletou relatos de crianças. Assim nasceu O xá dos xás, não apenas a mais abrangente reportagem sobre a Revolução Iraniana como um relato sensível da experiência vivida pelo repórter naquele país.

Miguel Street, de V.S. Naipaul (Tradução de Rubens Figueiredo)
Um estranho podia passar de carro pela Miguel Streel e dizer apenas: “Favela!”, porque não conseguia enxergar mais nada. No entanto nós que morávamos lá víamos nossa rua como um mundo, onde cada um era completamente diferente do resto. Homem-homem era maluco; George era burro; Pé Grande era brigão; Hat era um aventureiro; Popo era um filósofo; e Morgan era nosso comediante.

O Estado como obra de arte, de Jacob Burckhardt (Tradução de Sergio Tellaroli)
A partir do século XIV, numerosos tiranos e déspotas começam a tomar o poder nos pequenos Estados da Península Italiana, então dividida entre as influências antagônicas da Igreja e do imperador germânico. Valendo-se de métodos ilegítimos e quase sempre sangrentos, os Baglioni de Peruga, os Sforza de Milão, os Médici de Florença, entre outros, estabeleceram ferozes ditaduras em seus domínios. Ao mesmo tempo, todo uma nova classe de intelectuais e artistas surge em torno das suntuosas cortes desses príncipes, criando as condições para o Renascimento. Em O Estado como obra de arte, primeira parte de A cultura do Renascimento na Itália, Jacob Burckhardt analisa a tumultuada evolução política dos Estados italianos durante um dos períodos mais decisivos da história do Ocidente.

Semana oitenta e três

Os lançamentos da semana são:

Nove ensaios dantescos & A memória de Shakespare, de Jorge Luis Borges (Tradução de Heloisa Jahn)
Ainda muito moço, Borges começou a percorrer a árdua topografia do mundo dantesco ao longo das viagens de bonde que o levavam ao trabalho cotidiano na biblioteca municipal de Buenos Aires. Os ensaios deste livro são como relatos que refazem, numa tela fragmentária, os sugestivos pormenores simbólicos da história dessa viagem, ao mesmo tempo comum e insólita. Depois vêm “A memória de Shakespeare” e mais 3 contos fantásticos, em que o tranquilo domínio do estilo e as pulsantes obsessões se casam a motivos recorrentes da obra de Borges.

O fim da Terra e do Céu, de Marcelo Gleiser
Ao tratar das relações entre religião e ciência diante da questão do “fim de tudo”, Marcelo Gleiser homenageia a imaginação e a criatividade do homem. Seu enfoque é multidisciplinar, mostrando de que maneira ideias sobre o “fim” inspiram não só as religiões e a pesquisa científica, mas também a literatura, a arte e o cinema.

Crônica de um vendedor de sangue, de Yu Hua (Tradução de Donaldson M. Garschagen)
Na China recém-convertida ao comunismo, um operário se vê obrigado a vender o próprio sangue para sustentar a família. Quando desconfia que o seu primogênito é fruto de uma relação clandestina de sua mulher, ele tem de empreender uma batalha contra seus próprios valores para provar que os vínculos afetivos que o unem ao garoto podem ser mais fortes que os laços consanguíneos.

Ho-ba-la-lá: à procura de João Gilberto, de Marc Fischer (Tradução de Sergio Tellaroli)
Um detetive alemão improvisado e sua assistente brasileira vasculham a cidade do Rio de Janeiro em busca de alguma pista que conduza ao misterioso… João Gilberto. A missão é quase impossível; o tempo para cumpri-la, curtíssimo. Menescal, Miéle, João Donato, Marcos Valle, Miúcha, o cozinheiro, o duplo, o Copacabana Palace, Diamantina — em tom de uma divertida história detetivesca, o jornalista Marc Fischer faz uma bela declaração de amor à bossa nova.

A vida de Joana d’Arc, de Erico Verissimo (Ilustrações de Rafael Anton)
Erico Verissimo constrói com delicadeza exemplar a personalidade de Joana, a menina francesa do século XV que ouvia vozes de santos e que transgrediu as convenções de seu tempo e de seu gênero vestindo-se de homem, lutando entre os soldados e defendendo seu rei.

A luz no túnel (Os subterrâneos da liberdade, vol 3), de Jorge Amado
O volume que fecha a épica trilogia apresenta o painel ficcional de um momento muito sombrio, quando republicanos espanhóis perdem a Guerra Civil para Franco, os alemães começam a Segunda Guerra e Getúlio Vargas mostra simpatia por Hitler e Mussolini.

O livro selvagem, de Juan Villoro (Tradução de Antônio Xerxenesky)
Juan precisa ler um livro completamente selvagem, que não se deixa ler. Mas por que o livro resiste à leitura? E por que Juan é o único capaz de desvendar seus mistérios? Com ele, os leitores vão descobrir não só a companhia que os livros podem nos fazer nos bons e maus momentos, como também a importância de se compartilhar o prazer e o conhecimento que as leituras nos proporcionam.

Assim falou Zaratustra, de Friedrich Niestzsche (Tradução de Paulo César de Souza)
Escrito e publicado progressivamente, entre 1883 e 1885, este veio a se tornar o mais famoso livro de Nietzsche. Nele se acha o relato das andanças, dos discursos e encontros inusitados do profeta Zaratustra, que deixa seu esconderijo nas montanhas para pregar aos homens um novo evangelho. Muitas das concepções apresentadas em outras obras do autor (como a morte de Deus, o super-homem, a vontade de poder e o eterno retorno) reaparecem aqui em nova linguagem, numa singular mistura de ficção poética, indagação filosófica e reflexão religiosa.

Olavo Holofote, de Leigh Hodgkinson (Tradução de Érico Assis)
Este livro é fantástico porque ele é totalmente dedicado ao Olavo Holofote. Aliás, é tão fantástico que o Olavo acha que não sobra epaço para mais ninguém além dele… Mas, quando todo mundo cai fora, Olavo começa a pensar: para que serve se exibir para si mesmo? Com certeza, isso não é muito divertido…

Fotobiografia de Fernando Pessoa, de Richard Zenith & Joaquim Vieira
Concebido por um editor experiente e por um dos grandes especialistas em Fernando Pessoa, o livro apresenta centenas de imagens inéditas e conhecidas do poeta e sua família, desde os primeiros anos de vida do autor até os principais acontecimentos de sua vida — incluindo fotos, desenhos, caricaturas, cartas, diários, rascunhos, manuscritos e datiloscritos, reproduções de jornais e revistas em que publicou, além de obras de arte feitas em homenagem a Pessoa.

Ismael e Chopin, de Miguel Sousa Tavares (Ilustrações de Fernanda Fragateiro)
Entre seus 52 irmãos coelhos, Ismael foi o escolhido pelo pai para aprender tudo o que ele tinha para ensinar. Juntos, os dois passam os dias a se aventurar pelos cantos da floresta, observando animais e plantas, e aprendendo segredos sobre um outro mundo. É que o pai de Ismael conhece a língua dos homens e a ensina ao filho — sem nem imaginar que isso levaria ao início de uma amizade muito especial, entre um coelho e um dos maiores compositores da música ocidental.

O segredo do rio, de Miguel Sousa Tavares (Ilustrações de Fernanda Fragateiro)
Era uma vez um rio que passava bem em frente à casa de um menino. Ali, ele formava um lago, onde esse pequeno camponês passava grande parte de seu tempo, nadando de olhos abertos em suas águas cristalinas ou se aquecendo em um banco de areia que se formava nas laterais. Neste rio, se escondia um segredo surpreendente.

Garrafinha, de Mariana Caltabiano (Ilustrações de Rodrigo Leão)
Com seus óculos fundo de garrafa e altura de tampinha, Garrafinha se sente rejeitada por sua aparência e, como acontece a partir de certa idade, quer mais é ter amigos e ser popular. Mas seu grande motivo de sofrimento acabou se tornando a sua solução: como ela estava sempre sozinha, passava boa parte do tempo observando os outros — e também desenhando o que via. Esses desenhos fizeram sucesso entre as crianças, e Garrafinha achou o seu jeito de se expressar. Acesse o hotsite da Garrafinha para conhecer mais da personagem.

Semana oitenta e um

Os lançamentos da semana são:

O espetáculo mais triste da Terra, de Mauro Ventura
Com base num minucioso trabalho de campo e de pesquisa, Mauro Ventura traz à tona um drama sem precedentes na história do Brasil: o incêndio no Gran Circo Norte-Americano, que tem entre seus heróis médicos, escoteiros, religiosos e até uma elefanta, que salvou dezenas de espectadores ao abrir um rasgo na lona.

Reparação, de Ian McEwan (Nova edição econômica; Tradução de Paulo Henriques Britto)
Na tarde mais quente do verão de 1935, na Inglaterra, a adolescente Briony Tallis vê uma cena que vai atormentar a sua imaginação: sua irmã mais velha, sob o olhar de um amigo de infância, tira a roupa e mergulha, apenas de calcinha e sutiã, na fonte do quintal da casa de campo. A partir desse episódio e de uma sucessão de equívocos, a menina, que nutre a ambição de ser escritora, constrói uma história fantasiosa sobre uma cena que presencia. Comete um crime com efeitos devastadores na vida de toda a família e passa o resto de sua existência tentando desfazer o mal que causou.

14 contos, de Kenzaburo Oe (Tradução de Leiko Gotoda)
Estes contos brilhantes e provocadores revelam a trajetória literária de um dos maiores escritores japoneses vivos, ganhador do prêmio Nobel de 1994. Escritos entre 1957 e 1990, eles refletem não apenas a evolução da escrita do autor, mas também os seus temas recorrentes. Kenzaburo Oe foi construindo aos poucos um universo tipicamente japonês, habitado por personagens que jamais poderiam ser ocidentais. Inéditos em português e traduzidos direto do japonês.

Bom dia para nascer, de Otto Lara Resende
Em textos leves e cheios de estilo, o escritor comenta, discute e ilumina grandes momentos da história, mas
também aqueles eventos que quase passam desapercebidos em nosso cotidiano. Publicadas originalmente no início dos anos 1990, as crônicas de Otto converteram-se em um clássico instantâneo do gênero. Lirismo, comentário político, literatura e humor — nada escapa ao olhar agudo daquele que foi chamado por Paulo Francis de “o mais carioca dos mineiros e o mais mineiro dos cariocas”.

O Rio é tão longe: cartas a Fernando Sabino, de Otto Lara Resende
Um dos maiores missivistas das nossas letras em cartas francas, doloridas, engraçadas e altamente literárias. Honesto e até impiedoso consigo mesmo, Otto Lara Resende enfileira cartas em que relata ao amigo Fernando Sabino seu cotidiano em lugares como Bruxelas e Lisboa. A insônia, a literatura, os amigos (como Vinicius de Moraes, Hélio Pellegrino e Paulo Mendes Campos) e as mudanças culturais no Brasil e na Europa aparecem na prosa encantatória e sempre inteligente desse carteador incurável.

O romancista ingênuo e o sentimental, de Orhan Pamuk (Tradução de Hildegard Feist)
Em ciclo de seis conferências ministradas em Harvard, Orhan Pamuk fala sobre seu gênero literário de predileção, o romance, e sobre a experiência de ser escritor em um país periférico.

O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, adaptado por Stanislas Gros (Tradução de Carol Bensimon)
Em sua versão para os quadrinhos do clássico de Oscar Wilde, Stanislas Gros reconta com maestria a história do jovem narcisista que se dedica aos prazeres da vida, morais ou imorais, enquanto um retrato escondido em sua casa mostra sua decadência ao passar do tempo.

Mercado sombrio, de Misha Glenny (Tradução de Augusto Pacheco Calil, George Schlesinger e Luiz A. de Araújo)
A internet mudou a face do crime. Os novos ladrões e falsários têm conhecimentos avançados em engenharia eletrônica e programação, e podem lucrar milhões morando confortavelmente na casa dos pais. Misha Glenny narra aqui a história do crime organizado na internet e das primeiras comunidades eletrônicas do crime, grandes feiras digitais em que era possível adquirir e vender números de cartões de crédito e dados pessoais de usuários, além de uma série de outros serviços e programas escusos.

Madame Bovary, de Gustave Flaubert (Tradução de Mário Laranjeira)
Madame Bovary, publicado pela primeira vez em 1856, ainda é uma história atual sobre desilusão, infidelidade e a busca da felicidade. Revolucionário em sua época, foi o primeiro romance a exprimir a extenuante busca de Gustave Flaubert pela perfeição. Além do prefácio de Lydia Davis, um dossiê recupera a importância de Flaubert em seu tempo, com destaque para um artigo de Charles Baudelaire, escrito em defesa do escritor, reconhecendo a beleza deste livro.

Ilusões perdidas, de Honoré de Balzac (Tradução de Rosa Freire d’Aguiar)
Por volta de 1830, aos trinta e poucos anos de idade, Honoré de Balzac elegeu seu projeto de vida: escrever uma série de romances, novelas e contos que retratasse a sociedade de sua época em todos os seus aspectos. Publicado em três partes entre 1837 e 1843, Ilusões perdidas explora com maestria três aspectos fundamentais para compreender a sociedade francesa do século XIX: os jogos de poder e intriga das classes aristocráticas, o contraste entre a vida na capital e na província e o lado sujo — cínico e politiqueiro — da atividade jornalística.

Apontamentos de viagem, de Joaquim de Almeida Leite Moraes
Diário de viagem escrito no final do século XIX pelo político e jurista J. A. Leite Moraes, avô de Mário de Andrade, é considerado um marco do gênero no Brasil. Introdução de Antonio Candido.

Saúde em questão, de Francisco I. Bastos (Ilustrações de Mariana Newlands)
Dos átomos e moléculas mais elementares até as grandes estruturas econômicas e sociais, Saúde em questão explica em linguagem acessível as bases do funcionamento da vida humana e de sua incessante luta contra as doenças. Da mesma série de Biodiversidade em questão, desenvolvida em parceria com a Fiocruz.

Biodiversidade e renovação da vida, de Henrique Lins de Barros (Ilustrações de Mariana Newlands)
Volume de lançamento da série Em Questão, desenvolvida em parceria com a Fiocruz, Biodiversidade apresenta a história da vida na Terra e sua atual degradação ambiental, propondo uma nova abordagem para a preservação dos ecossistemas ainda não destruídos — entendendo-a num sentido global, indissociável da cultura e da cidadania.

De olho em Zumbi dos Palmares, de Flávio dos Santos Gomes
Neste novo volume da coleção De Olho Em, Flávio Gomes elabora uma biografia de Zumbi dos Palmares a partir de ricas fontes documentais, discutindo a transformação do personagem em herói da resistência contra a escravidão e em símbolo da luta contra o preconceito racial.

Semana setenta e sete

Os lançamentos da semana são:

Rock’n'roll e outras peças, de Tom Stoppard (Tradução de Caetano W. Galindo)
Tom Stoppard é uma das vozes mais importantes do teatro europeu pós-Beckett. Longe de ser um total desconhecido por aqui, o autor, responsável pelo roteiro de Shakespeare apaixonado, entre outros, ainda não tinha sido traduzido no Brasil. Com uma seleção de peças que cobre as características mais importantes e mais renovadoras de cada fase da produção de Stoppard, o volume apresenta desde as releituras satíricas dos clássicos e da história (como em Rosencrantz e Guildenstern morreram, que reencena o Hamlet de Shakespeare pelos olhos de dois personagens menores; e em Pastiches, que revê o enredo de A importância de ser prudente, de Oscar Wilde, com um elenco composto por Lênin, Tristan Tzara e James Joyce), passando pela produção mais vanguardística (O verdadeiro inspetor Cão, O Hamlet de Dogg, o Machbeth de Cahoot), chegando aos momentos mais “ortodoxos” da produção dos anos 1980 (aqui representada pela brilhante De verdade) e finalmente à fase lírica e pessoal mais recente do autor (representada por Arcadia e pela própria Rock ‘n’ roll).

Formação do Brasil contemporâneo, de Caio Prado Jr.
Neste livro, Caio Prado Jr. volta ao passado colonial da sociedade brasileira para entender os impasses do presente, e acaba por concluir que aquele permanecia vivo em alguns de seus traços fundamentais. A formação da nação é interpretada como parte do sistema colonial, modo de pertencimento ao capitalismo mercantil que teria conferido unidade, ainda que problemática, à vida social que se veio formando desde a colônia. O autor afirma que o processo de colonização acabou por permitir que se esboçasse no Brasil uma nacionalidade diferente daquela de modelo europeu, e até relativamente nova em termos sociais e culturais, sem que isso significasse autonomia para a sociedade nascente, mesmo depois da independência política. Apresentando nossa formação em longa duração e como parte de um todo maior, a abordagem historiográfica inovadora de Formação do Brasil contemporâneo conferiu ao livro o posto de um dos poucos clássicos incontestes da historiografia brasileira no século XX.

O último da tribo: a epopeia para salvar um índio isolado na Amazônia, de Monte Reel (Tradução de Marcos Bagno)
Um segredo bem guardado da floresta amazônica foi descoberto em 1996: o homem mais solitário do mundo. Avistado em Rondônia — um lugar que carrega a triste fama dos conflitos entre madeireiros e indígenas —, percebeu-se que era preciso conhecer esse homem de perto para criar uma área garantindo a sua proteção. Mas a dificuldade de contato com o índio extremamente arredio não é o maior obstáculo que a expedição composta de sertanistas e pessoas ligadas à Funai precisaria enfrentar. O verdadeiro pesadelo são os fazendeiros e seus advogados pouco idôneos, os deputados ditos desenvolvimentistas e o emaranhado burocrático dos órgãos oficiais de Brasília. Narrada como um thriller que tem como pano de fundo a selva amazônica, esta reportagem remonta os passos incríveis dessa saga para proteger a riqueza da floresta e o que talvez seja o último resquício de uma cultura prestes a ser extinta.

Chatô: o rei do Brasil, de Fernando Morais (Nova edição econômica)
Dono de um império de quase cem jornais, revistas, estações de rádio e televisão — os Diários Associados — e fundados do Masp, Assis Chateaubriand, ou apenas Chatô, sempre atuou na política, nos negócios e nas artes como se fosse um cidadão acima do bem e do mal. Mais temido que amado, sua complexa e muitas vezes divertida trajetória está associada de modo indissolúvel à vida cultural e política do país entre as décadas de 1910 e 1960. Chantagista, crápula, escroque, patife, ladrão tarado — de tudo o que se pode imaginar de ruim ele foi chamado (poucas vezes pela frente, é verdade) por críticos e inimigos. Mas palavras de alta voltagem como empreendedor, pioneiro, visionário, gênio e mecenas também se usaram, torrecialmente, para tentar defini-lo. Como bem mostra Fernando Morais, em nenhum dos dois casos isso se dá sem razão. Chatô, o rei do Brasil, um dos maiores best-sellers dos anos 1990 no Brasil, é obra de grande esforço jornalístico para retratar, como equilíbrio e rigor, um personagem tão complexo quanto fascinante.

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Além destes, também foram lançados mais 4 volumes da Coleção Prêmio Nobel. São títulos de autores que receberam o prêmio Nobel de Literatura, em edição limitada de capa dura e revestida de tecido.

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