A literatura ou a vida - II

Juan Pablo Villalobos

(Leia aqui a primeira parte)

Para falar a verdade, eu acho muito legal que um leitor qualquer possa chegar a mim de maneira tão simples: é só ele me procurar no Facebook ou no Twitter e pronto. Para falar a verdade, eu acho um saco que um leitor qualquer acredite que é minha obrigação responder a todas as mensagens que eu recebo. Essas duas afirmações, aparentemente contraditórias, representam, para falar a verdade (de novo), um dos grandes dilemas atuais dos escritores numa época em que, além de escrever e publicar, o mundo exige que você seja um tipo de divulgador da própria obra, um agente de vendas que viaja por feiras do livro e festivais, dando entrevistas e oficinas, sempre sorrindo, sempre simpático, pronto para autografar o exemplar com uma frase eloquente, sempre receptivo para pegar um original e prometer ler daqui a pouco, e, lógico, sempre profundo e transcendental na hora de opinar sobre os temas candentes da realidade – o preço do abacate, por exemplo.

E você só queria ser escritor...

Mas vamos lá, eu não quero virar aquele escritor espanhol (chato) que respondeu de maneira tão grosseira há 15 anos meu e-mail pedindo conselho. Eu ainda acredito em uma coisa chamada boa educação e em outra chamada gratidão, pois, no final das contas, o escritor não é nada sem leitores, não há literatura sem leitores.

Fiquei pensando em tudo isso nos últimos meses, nos quais, depois de meu último romance ganhar um prêmio literário muito importante, os contatos dos leitores se multiplicaram muito. Chegou um momento em que ficou impossível responder a cada pedido de entrevista, a cada petição de ajuda ou conselho, inclusive às simples parabenizações. Recebi, também, muitas mensagens de escritores jovens, ou aspirantes a escritores, me fazendo perguntas ou consultas técnicas sobre o processo de escrita.

Houve pessoas que se sentiram agredidas pelo fato de eu não responder ou de eu demorar muito em dar uma resposta. Escreveram de volta reclamando. Pensei em sumir das redes sociais por um tempo (às vezes sumo, para tentar manter a saúde mental). Mas também acredito que a gente não pode fugir do nosso tempo, é esta a época que temos que viver, não podemos ter a pretensão de nos isolarmos e nos sentirmos moralmente superiores por não ter uma conta no Instagram.

Temos, ao contrário, que tentar aprender a lidar com nosso tempo. Sem morrer tentando, de preferência.

A minha experiência neste blog tem sido realmente maravilhosa. Já foram mais de 50 textos, ou seja, quase 5 anos de relacionamento. E acho que estamos prontos para passar a uma nova etapa. Eu gostaria de abrir este espaço para as consultas de vocês. Acredito que seria uma boa maneira de resolver o dilema exposto: não dá para responder a todo mundo, mas seria possível escolher algumas das perguntas mais interessantes e tentar respondê-las nesta coluna. A resposta, lógico, será pública e não privada, e também acho que isso está certo. Quando um escritor recebe uma mensagem privada de alguém que não conhece, não existindo uma relação de intimidade, o certo é a resposta pública.

Gostaria de imaginar que algumas das respostas serão de utilidade não só para a pessoa que enviou a pergunta. Gostaria de pensar que dessas perguntas sairão boas matérias para esta coluna. Aliás, este colunista, depois de quase 5 anos, está ficando sem assunto. Com certeza vocês, leitores, podem me ajudar.

Quem quiser enviar uma pergunta ou consulta pode fazê-lo nos comentários deste post, e pelo e-mail redes.sociais@companhiadasletras.com.br. Eu e os administradores do blog faremos a seleção e começarei a responder nas próximas colunas.

Obrigado e fico no aguardo.

Revisão: Andreia Moroni

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Juan Pablo Villalobos nasceu em Guadalajara, México, e morou alguns anos no Brasil. É autor de Festa no covil, Se vivêssemos em um lugar normal e Te vendo um cachorropublicados pela Companhia das Letras e traduzidos em quinze países. Ele colabora para o blog com uma coluna mensal. 
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