" />

Affonso Romano de Sant'Anna sobre Zelota.

Leia artigo do escritor Affonso Romano de Sant'Anna sobre Zelota, de Reza Aslan:

"Não é de hoje que se tenta contar a vida de Jesus diferentemente do que narram os Evangelhos. Nestes dias, está causando furor o livro Zelota, do historiador Reza Aslan. O interesse começa pelo fato de ele ser iraniano- americano. A família dele emigrou para os EUA em 1979, fugindo da revolução dos aiatolás.

Como vários amigos judeus se referiram ao livro, tratei de lê-lo. Os judeus têm mais razão de gostar do livro que os cristãos. Estes se sentem desconfortáveis (e incrédulos) quando leem coisas que abalam a noção da divindade de Cristo. Para muitos, a Bíblia seria um livro infalível, a própria palavra de Deus. Os ortodoxos judeus também creem que a Torá é inatacável.

É meio desconcertante ler que alguns evangelhos foram escritos cerca de 50 ou 100 anos depois da passagem de Cristo por aqui. Alguns foram retocados pela Igreja, codificados e uniformizados. E há os evangelhos apócrifos com informacões que a Igreja não valida. Aliás, a Bíblia protestante é diferente da católica. Esta tem 73 livros. Lutero rechaçou sete livros, criou uma Bíblia mais depurada.

A primeira vez que li isso foi na adolescência, no impactante romance O drama de Jean Barois, de Roger Martin du Gard (1881-1958), que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1937. Ali está a vida de alguém criado na religião que virou ateu e escreveu dois testamentos contraditórios: um no meio da vida, outro no fim. Cabe ao leitor decidir (ou não) qual é o mais verdadeiro.

O livro vinha no rastro de Vida de Jesus (1863), de Ernest Renan. Este teve uma crise de fé aos 22 anos. Seu livro teve um êxito incrível, oito edições em três meses. E está de graça na internet. Quando tentava me informar sobre esse assunto, li também Por que não sou cristão, de Bertrand Russell.

Recentemente, surgiu um interesse pelas biografias. Daí essa discussão no Brasil sobre biografias autorizadas e não autorizadas. Vocês se lembram de que José Saramago teve êxito com O Evangelho segundo Jesus Cristo.

Era uma coisa que faltava, pois havia textos dados como sendo de seus discípulos, mas não do próprio Cristo. Saramago correu muitos riscos com sua obra. Recentemente, surgiu algo mais estranho: O Evangelho segundo Judas, publicado em 2006, atribuído a gnósticos do século 2, redigido em copta dialetal. Nessa sequência há também o Evangelho de Maria.

Enfim, versões é que não faltam da vida de Cristo.

O iraniano-americano Reza Aslan começa por indagar se Cristo era de Nazaré ou de Belém.

“A Zona Sul retomou o carnaval de rua despojado, de uma arte efêmera que dura as semanas que antecedem o carnaval e os próprios dias da festa. Esses blocos fazem a crônica do ano do Rio e do Brasil. Isso tudo é muito parecido com o que eu vivia nos blocos de Recife, por isso entrei de cara. A temática e a crítica eram parecidas, o que mudava era apenas o ritmo. Os blocos de alguma forma amenizavam a saudade que eu tinha das festas da minha terra.” - depoimento do cantor e compositor pernambucano Lenine para o Almanaque do samba.

Seja qual for a sua região, ritmo ou festejo preferido, aproveite os dias de folia!

 

Neste post