Coestelário

 

Por Guilherme Gontijo Flores e Daniel Kondo

 

Coestelário é uma homenagem contínua a algumas das grandes perdas que tivemos em 2020. Neste ano vão-se muitos mundos de uma vez, que nos cabe memorar. Seria talvez função da Secretaria da Cultura, nem que fosse mera formalidade, dar vulto aos nomes que se vão, homenageá-los ao menos; porém, neste delírio que chamamos de governo, o silêncio da morte é engolido pelo estardalhaço da brutalidade, do horror, do desprezo com tudo que seja alheio.

Coestelário apresenta túmulos em poesia visual, ao modo das antigas estelas funerárias, que a um só tempo davam voz e imagem à pessoa querida e partida. É uma série de estelas, em que o epigrama funerário se funde à imagem, num jogo de constelações que olhamos daqui, enclausurados para que os nomes não aumentem.

É assim, como um coestelário em movimento, inacabado, condenado ao incompleto, como um gesto de agradecimento pelas vidas que pudemos viver graças a tanta gente, que apresentaremos de agora em diante cada estela. Esperamos que elas sirvam como um mote para conversas, recordações, depoimentos, continuidades.

Aqui será a dolorida vida que há nos funerais.

Estamos vivos e os trazemos em nós.

 

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Confira a lista de homenageados:

Asa Branca

Cézar Vieira

Ciro Pessoa

Del Chaves

Fabiana Anastácio

Flávio Migliaccio

John Conway

José Cavalcante

Kobe Bryant

Larry Kramer

Laura Felizardo

Little Richard

Luiz Alfredo Garcia-Roza

Luiz Vieira

Margarida Moreira

Maria Velho da Costa

Marie Louise Nery

Michael Sorkin

Moraes Moreira

Naomi Munakata

Nirlando Beirão

Olga Savary

Riachão

Rubem Fonseca

Ruy Fausto

Sérgio Sant'Anna

Tepori Kamaiurá

Terêza Tenório

Valdir de Moraes

Vittorio Gregotti

 

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