Contém um Conto: receba contos no seu e-mail

Para quem gosta de narrativas curtas, quer se entreter com uma boa história e descobrir novos autores, a Companhia das Letras inicia hoje o projeto Contém um Conto. Durante três meses, vamos enviar pequenas histórias escritas por diferentes autores da Companhia das Letras e Alfaguara diretamente para o e-mail dos leitores.

Serão contos curtos, que você pode ler enquanto pega o ônibus, espera na fila do pão ou durante a pausa do almoço. Entre os autores participantes estão Adriana Lisboa, Marcílio França Castro, João Anzanello Carrascoza e Noemi Jaffe.

O envio do Contém um Conto começa hoje, dia 22, e será feito toda segunda-feira. Inscreva-se para não perder nenhuma história! 

Para entrar no clima do Contém um Conto, selecionamos algumas obras de autores nacionais e estrangeiros com ótimas histórias curtas. Confira!

1. Faca e Livro dos homens, de Ronaldo Correia de Brito

Com uma linguagem concisa e cortante, Ronaldo Correia de Brito parte de uma paisagem rural, ao mesmo tempo histórica e inventada, para criar personagens que migram, que se embrenham em outras culturas e que, acima de tudo, nos fazem perceber os conflitos próprios da humanidade. Nestes contos, o autor reúne fragmentos da cultura oral e popular, e revisita tradições literárias para criar um texto contemporâneo e original, ainda que trabalhando com os grandes temas recorrentes da literatura. O escritor explora os valores de uma cultura em que as relações entre as pessoas são determinadas pela rigidez, e sua linguagem depurada mescla dureza e poesia com perfeito equilíbrio.

2. Era uma vez uma mulher que tentou matar o bebê da vizinha, de Liudmila Petruchévskaia (tradução de Cecília Rosas)

Um dos primeiros lançamentos de 2018 foi o livro de contos de Liudmila Petruchévskaia. Considerada por alguns herdeira de Edgar Allan Poe e Gogol, a maior autora russa viva combina o contexto soviético em que produziu grande parte de sua obra com uma realidade povoada por assombrações, pesadelos, acontecimentos macabros e personagens sinistras. O resultado são histórias sobrenaturais que retomam a tradição dos contos folclóricos, porém dotadas de um humor contemporâneo e de uma carga política que não precisa se expressar diretamente para existir.

3. Acerto de contas, organizado por Daniel Galera (tradução de Eduardo Brandão)

Nesta coleção de contos, organizada pelo escritor Daniel Galera e originalmente publicada nos Estados Unidos na revista literária McSweeney’s, treze autores de dez países da América-Latina, entre estreantes e veteranos, foram convidados para escrever histórias de crime contemporâneas. Dos balneários ricos de Punta del Este aos becos sórdidos de Havana, passando por cadáveres e histórias de amor, políticos corruptos e detetives desastrados, altares satânicos e ambulâncias roubadas, o resultado é um conjunto de histórias selvagens e divertidas, marcadas por grande variedade de estilos, nas quais a tradição e a história do continente se entrechocam com os impasses sociais e políticos dos tempos atuais.

4. Nem vem, de Lydia Davis (tradução de Branca Vianna)

Lydia Davis inaugurou um gênero literário para chamar de seu. O estilo desafia qualquer tentativa de classificação: não é exatamente poesia, nem conto, nem ficção, nem memória. Nem vem reúne 122 narrativas que se equilibram entre relatos de sonhos, passagens reescritas de Flaubert, cartas para gerentes de marketing, relatos de situações cotidianas, conversas entreouvidas e obituários locais. Seja observando o comportamento das vacas pela janela da cozinha, seja ponderando sobre o aspecto das ervilhas numa embalagem, a escritora deixa sua marca inconfundível que mistura inteligência, humor e uma boa dose de estranheza.

5. Dicionário de línguas imaginárias, de Olavo Amaral 

Os Yualapeng são uma tribo peculiar na América do Sul. Sua língua não admite a existência dos verbos "ir" e "vir". Eles apenas voltam, num movimento que os leva sempre ao lugar de origem. Inconformado com tal lacuna, Gérard Valdès, o linguista francês que os estuda, tenta lhes ensinar outros conceitos de deslocamento, e as consequências irão afetar sua própria forma de pensar. "Estava morrendo de palavras", diz o narrador de outro conto. Diagnosticado com uma fibrose na glote, e perdendo aos poucos a capacidade da fala, ele decide viajar aos confins da Sibéria para conviver com um povo nômade, os Skali, donos de um dos idiomas mais rudimentares do mundo, em uma expedição rumo ao fim da linguagem. Escritor e cientista, Olavo Amaral mescla fatos e fantasia, narrativas labirínticas e distopias, na tradição dos grandes autores que escapam do realismo para tratar dos temas cruciais da situação humana.

6. No seu pescoço, de Chimamanda Ngozi Adichie (tradução de Julia Romeu)

Chimamanda Ngozi Adichie já é bem conhecida como romancista, autora de livros como Americanah e Hibisco roxoNo seu pescoço reúne pela primeira vez no Brasil as suas narrativas curtas. Nos doze contos que compõem o volume, encontramos a sensibilidade da autora voltada para a temática da imigração, da desigualdade racial, dos conflitos religiosos e das relações familiares. Combinando técnicas da narrativa convencional com experimentalismo, como no conto que dá nome ao livro - escrito em segunda pessoa -, Adichie parte da perspectiva do indivíduo para atingir o universal que há em cada um de nós e, com isso, proporciona a seus leitores a experiência da empatia, bem escassa em nossos tempos.

7. Manual da faxineira, de Lucia Berlin (tradução de Sonia Moreira)

Lucia Berlin teve uma vida repleta de eventos e reviravoltas. Aos 32 anos, já havia vivido em diversas cidades e países, passado por três casamentos e trabalhado como professora, telefonista, faxineira e enfermeira para sustentar os quatro filhos. Lutou contra o alcoolismo por anos antes de superar o vício e tornou-se uma aclamada professora universitária em seus últimos anos de vida. Desse vasto repertório pessoal, Berlin tira inspiração para escrever os contos que a consagraram como uma mestre do gênero. Com a bravura de Raymond Carver, o humor de Grace Paley e uma mistura de inteligência e melancolia, Berlin retrata milagres da vida cotidiana, desvendando momentos de graça em lavanderias, clínicas de desintoxicação e residências de classe alta da Bay Area.

8. Anjo noturno, de Sérgio Sant'Anna

Sérgio Sant'Anna é um dos principais contistas da literatura brasileira. Nas nove narrativas reunidas em Anjo noturno, ele explora num gênero híbrido — que abrange contos, memórias e novelas — temas a um só tempo díspares e intrincados, como morte e vida, infância e velhice, paixão carnal e amor fraternal. O conto “Talk show” narra a participação de um escritor em um programa de auditório, numa sucessão de situações embaraçosas e eletrizantes que se desenrolam tanto no palco quanto nos bastidores. Já em “Augusta”, o autor relata o encontro entre um professor universitário e uma produtora musical numa festa em Copacabana. A mesma atmosfera lasciva marca outras narrativas, como “Um conto límpido e obscuro”, em que o narrador recebe a visita inesperada de uma amiga artista plástica com quem não tem relações amorosas há cerca de dois anos. A prosa de Sérgio Sant’Anna percorre com engenhosidade e maestria as memórias e os anseios do escritor.

9. Dez de dezembro, de George Saunders (tradução de José Geraldo Couto)

George Saunders ganhou o Man Booker Prize em 2017 pelo seu primeiro romance, Lincoln no limbo, que lançaremos em março. Mas ele já é bem conhecido como contista. Os dez contos de Dez de dezembro formam um vasto painel da vida contemporânea, apresentando nossas neuroses, comédias de erros, relações amorosas e outros traços da realidade do século XXI. Com este livro que retoma a melhor tradição de contistas como John Cheever, Raymond Carver e David Foster Wallace, George Saunders foi catapultado - merecidamente - para o centro da cena literária de seu país. Os dramas e as delícias da classe média urbana, a relação entre pais e filhos, as pequenas imposturas que cometemos quando queremos agradar um desconhecido, tudo isso perpassa esse conjunto de narrativas inesquecíveis.

 

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